Viver é melhor sem ter que ser o melhor - Resenha crítica - Daniel Martins de Barros
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Viver é melhor sem ter que ser o melhor - resenha crítica

Viver é melhor sem ter que ser o melhor Resenha crítica Inicie seu teste gratuito
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Este microbook é uma resenha crítica da obra: Viver é melhor sem ter que ser o melhor: e outros princípios do Arcadismo para os dias de hoje

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 978-65-5564-743-3

Editora: Sextante

Resenha crítica

Os princípios do Arcadismo

A sociedade exalta a excelência e a alta performance como valores superiores. No entanto, quando colocamos os holofotes só nessas ideias, perdemos outras coisas importantes. É o caso da moderação e da compaixão. Às vezes, esses valores até entram em conflito com a busca incessante pelo desempenho de ponta.

Alguns dos lemas do Arcadismo, um movimento artístico e literário do século XVIII, vão contra essa ideia. É o caso da “aurea mediocritas” (/aʊreɪə ˌmiːdiˈɒkrɪtæs/), a “mediocridade de ouro”. Esse princípio ressalta o papel do meio-termo. Isso fez o autor lembrar de outros princípios do Arcadismo, como:

Inutilia truncat: cortar o supérfluo e ater-se ao essencial.

Fugere urbem: sair da cidade e buscar a tranquilidade do campo.

Carpe diem: aproveite a vida ao máximo, pois o amanhã é incerto.

Embora sejam lemas do século XVIII, eles são pertinentes nos dias atuais. Trazem valores que estão em falta, como simplicidade, comedimento, moderação e reflexão.

Só controlamos nossa reação ao mundo

O “Neoclassicismo”, o movimento artístico que se expressou na literatura pelo Arcadismo, tinha como inspiração o resgate aos ideais greco-romanos. Foi uma reação ao Barroco, a corrente artística anterior. Quando precisamos rever nossas escolhas, os clássicos são sempre um porto seguro.

É o que tem acontecido com o estoicismo, a filosofia grega que valoriza aceitar serenamente as circunstâncias que não estão no nosso controle. Para os estoicos, só controlamos nossa reação ao mundo, já que nele pouco podemos interferir. É uma técnica que se alinha à psicoterapia cognitiva de hoje. Ela usa formas de regulação emocional parecidas.

Isso mostra que mesmo ensinamentos antigos se aplicam com perfeição à vida contemporânea. Depois de décadas de urbanização e progresso tecnológico, precisamos repensar nosso estilo de vida no século XXI. Os ideais árcades dão algumas pistas. Eles preservam valores essenciais e podem iluminar nossa busca por uma vida melhor.

Inutilia truncat

Os princípios do arcadismo são atemporais. Eles valem para os gregos antigos, para a sociedade do século XVIII, para nós e para nossos netos. São também reações às características da época. É o caso do inutilia truncat, a ideia de cortar tudo o que há de excessivo.

O inutilia truncat nos faz questionar a ideia de que “quanto mais, melhor”. Isso é importante porque temos a tendência natural à insatisfação. Não queremos quando não temos e nos acostumamos quando temos. É como se vivêssemos com uma lacuna nunca preenchida na alma. Ela é inata, porque tem uma explicação evolutiva.

A insatisfação ajudou nossos antepassados a sobreviver quando eles lidavam com privação de alimentos e abrigo. Tudo era incerto. Por isso, tendemos ao exagero. Quando entramos em um bufê para comer à vontade, só paramos quando realmente não aguentamos mais nem olhar para a comida.

Quanto mais desregulado é o desejo, menor é o prazer

Quando o prazer surge, nosso acelerador é mais poderoso do que nosso freio. É por isso que comemos como se não houvesse amanhã. Perdemos a mão quando nos empolgamos com algo. Apostar, beber e fazer sexo são atividades prazerosas que se tornam facilmente compulsões.

A ironia é que, quanto mais desregulado é o desejo, menor é o prazer que temos ao realizá-lo. Perdemos a sensibilidade à dopamina, a molécula da recompensa. A compulsão é o oposto da satisfação. Parece que nos satisfará, mas só nos empanturrará. Caímos na ânsia por querer dar conta de tudo.

Temos dificuldade de diferenciar o útil do descartável. No entanto, se você se aprofundar e saborear cada momento, caminhará a uma curadoria de vida. Explore cada comida, momento ou informação. Se priorizar qualidade à quantidade, aprenderá o que realmente vale a pena ser vivido. Desfrute cada instante com atenção e presença.

Aurea mediocritas

O “aurea mediocritas” é a “mediocridade de ouro”. É um apelo à moderação no lugar da ambição. Hoje, o termo medíocre perdeu o significado. As pessoas o usam como um insulto. Mas, originalmente, significa só “aquilo que está na média”. Isso não é um defeito. Nossa sociedade vê assim porque só dá valor àquilo que está no topo.

É como se nada que estivesse abaixo do máximo tivesse serventia. É uma mentalidade que desmerece o segundo lugar. A medalha de prata pertence a um perdedor. Isso também tem a ver com a insatisfação natural do ser humano. Essa é a força motriz na busca incessante por mais.

Somos motivados a ter mais e a ser mais. Não há um patamar bom o suficiente. É sempre preciso mirar nas estrelas. Ficamos presos a uma corrida atrás do horizonte. Os árcades ensinam que existem outros lugares possíveis além da medalha de ouro.

Sucesso também é tudo o que abrimos mão para chegar lá

Temos uma falha de foco quando falamos sobre vitória. Sucesso não é só o que conseguimos, mas tudo aquilo que precisamos abrir mão para chegar lá. Um medalhista de ouro olímpico certamente tem grandes conquistas. No entanto, o nível de isolamento social, restrição e autossacrifício dos atletas para alcançar esse resultado têm seu preço.

Para o autor, os vencedores também são os que não precisam sacrificar as coisas mais importantes para si, ainda que não tenham medalhas. Vivemos uma tirania da vitória. Só que nem sempre faz sentido conquistar o que queremos a qualquer preço. É perigoso se dedicar desmesuradamente à carreira.

Isso criou o “karoshi”, a morte súbita por sobrecarga de trabalho que acabou com a vida de vários executivos com rotinas desumanas no Japão. A única saída possível é a mediocridade de ouro. Isso não significa que o sacrifício pessoal para alcançar algo grandioso não seja importante. O problema é quando o colocamos acima de todas as outras coisas.

Fugere urbem

Já passamos da metade do microbook e o autor conta como a vida nas cidades traz uma sobrecarga emocional, talvez desde que elas surgiram. A poesia e a mitologia grega já apontavam para a natureza como um refúgio tranquilo e pacifico. Os mitos associavam as paisagens silvestres às histórias agradáveis. Daí, veio o termo “bucólico”, como a idealização da vida no campo.

Os árcades viam as cidades de forma não muito diferente da que vemos hoje. O urbano é um local agitado, frenético e com pouca margem para a reflexão. Esse é o “fugere urbem”, a ideia de fugir da cidade. Na poesia do Arcadismo, a simplicidade da vida silvestre é superior ao luxo da vida urbana.

Hoje, a natureza virou um benefício para a saúde. As pesquisas mostram que pessoas que têm o hábito de frequentar áreas verdes têm um risco menor de desenvolver problemas de saúde, graças à redução do estresse. Os “banhos de floresta” já são uma recomendação de saúde pública no Japão.

Refúgios verdes são antídotos

Uma pausa de vinte minutos na praça do seu bairro já é suficiente para derrubar a produção de cortisol em 20%, desde que você saia do celular e realmente se conecte àquele momento. Aprecie a natureza. Ouça o som dos pássaros. Há até um hobbie do tipo.

É o “birdwatching”, no qual apreciadores da natureza se unem para observar as aves. Muita gente encontra nesse tipo de prática o alívio para o estresse urbano. É uma forma de se desconectar de um dia tenso e ir para um lugar tranquilo. A vantagem dos pássaros é que eles estão presentes em todas as regiões do planeta.

Algumas pesquisas, em fase inicial, mostram como pessoas expostas ao som dos pássaros têm uma diminuição nos sintomas de depressão. Às vezes, o fugere urbem possível é o de encontrar a natureza onde dá. Parques e pequenos refúgios verdes no coração das cidades são um antídoto para seu estresse típico.

Carpe diem

O carpe diem é o lema árcade mais conhecido. É o termo latim para “aproveite o dia”. A ideia é lembrar de que somos mortais. Pensar que um dia não estaremos mais aqui nos faz aproveitar melhor o nosso tempo. Pessoas que já tiveram a vida por um fio em algum momento voltam renovadas da experiência, com um outro olhar para a realidade.

Isso acontece porque refletir sobre a finitude faz diferença. Passamos a rever os objetivos de vida. Abandonamos a ideia de que devem ser metas extrínsecas, como o sucesso financeiro. Passamos a olhar para o que está dentro de nós e buscar o sentido nos relacionamentos e na paz interior.

O sentido da vida está mais nos vínculos afetivos do que nos bens materiais. Lembrar de que não estaremos aqui para sempre ajuda a manter o foco nas coisas certas. Uma vida sem fim é desmotivadora. É como se pudéssemos procrastinar tudo infinitamente.

O sentido da vida tem a ver com o fato de que ela acaba

O carpe diem não é um incentivo a perder as estribeiras. Só nos lembra de que o sentido da vida tem a ver com o fato de que ela acaba. Por isso, incentiva a não postergar o que a nossa existência oferece. É como quando estamos viajando.

Às vezes, em uma viagem, vemos alguma coisa interessante, que sentimos vontade de comprar. No entanto, o pensamento que surge à mente é: “na volta, eu compro”. Planejamos passar na loja antes de ir embora para aproveitar a oportunidade. Só que, muitas vezes, esquecemos de passar na loja.

Isso acontece com frequência. Vemos algum momento disponível na vitrine da vida, mas deixamos para depois. Fazemos uma nota mental e esquecemos. Só que pode não ter a volta. Algumas coisas só acontecem uma vez.

Para estar presente, é preciso desacelerar

Somos naturalmente desatentos. Em alguns casos, passamos por algo sem ver, ainda que esteja na nossa frente. Isso acontece porque é fácil se desconectar do mundo. Basta mergulhar nos próprios pensamentos ou na tela de um smartphone. Com tantos estímulos, o carpe diem é mais importante do que nunca.

Para estar presente, não basta se livrar das distrações. É preciso também desacelerar. Não dá para ler uma placa de trânsito se você estiver a 300 km/h. É impossível apreciar as obras de arte de uma exposição se você passar correndo por elas. Precisamos diminuir o ritmo e tirar a mente do modo automático.

O carpe diem é um antídoto contra a tendência a nos desligarmos da vida e deixá-la passar. É uma recordação de que o amanhã não é garantido. Também nos provoca a reduzir a velocidade e prestar atenção. É algo que nos tira do piloto automático e nos traz de volta à vida.

Aproveite a vida com atenção, tranquilidade e moderação

Os princípios do arcadismo são variações da mesma coisa. Revelam, de formas diferentes, o mesmo caminho. Ater-se ao essencial do “inutilia truncat” passa pela busca do meio-termo satisfatório do “aurea mediocritas”. Uma vez que descobrimos o que é essencial, podemos nos concentrar em aproveitar, desacelerando e vivendo o “carpe diem”.

Só que é mais fácil desacelerar e estar presente longe das cidades, vivendo também o “fugere urbem”. Todos os lemas falam sobre a mesma coisa. Eles nos convidam a aproveitar a vida com atenção, tranquilidade e moderação. Isso não é um segredo para seletos iniciados. 

No entanto, ser simples não faz com que seja fácil. Dá trabalho viver uma vida árcade. As filosofias e tradições espirituais antigas mostram que uma vida significativa exige dedicação. Ainda assim, é um esforço que vale a pena. 

Notas finais

Viver é melhor sem ter que ser o melhor faz uma releitura do Arcadismo como uma filosofia prática para os dias de hoje. Ideias simples, como viver na natureza e não cair na obsessão pelo sucesso, tornam-se um guia para uma vida melhor.

Dica do 12min

Assim como o Arcadismo, o Estoicismo também pode trazer uma filosofia prática para quem quer lidar com as dificuldades da vida de forma serena. Em “Pense como um imperador”, o psicólogo Donald Robertson mostra como pensava Marco Aurélio, o maior nome da filosofia estoica.

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