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Carreira & Negócios

Este microbook é uma resenha crítica da obra: Lean In: Women, Work and the Will to Lead

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 8580866162, 9788580866162

Editora: Companhia das Letras

Também disponível em audiobook

Resumo

Muito a conquistar

Vivemos um momento interessante, no qual as mulheres têm o maior nível de expressão que já houve na história, em grande parte graças ao movimento feminista dos anos 60 e 70. Por outro lado, por parecer que a luta pela igualdade foi vencida, o progresso vem ocorrendo e as coisas seguem evoluindo, mas em velocidade lenta.

As mulheres não podem se acomodar, afinal, ainda há muito a se fazer. A desigualdade de gêneros ainda existe em diversas esferas da sociedade, principalmente quando se trata de carreira e trabalho.

Em 2010, nos Estados Unidos, uma prostituta ganhava 77 centavos de dólar para cada dólar recebido por um colega do sexo masculino. Essa desigualdade é um problema global e que ocorre em todo o mundo, não apenas nos Estados Unidos.

Na Europa, por exemplo, a diferença é um pouco menor, são 84 centavos para cada dólar, mas ainda assim demonstra um alto nível de desigualdade. O ponto financeiro é o mais óbvio e prova que ainda existe muito a ser conquistado, mas precisamos ir além dele.

No ambiente de trabalho, por exemplo, Sheryl cita que diversos estudos mostram que o desempenho das mulheres também é injustamente avaliado. Sabe o que é o mais curioso? É que a discriminação ocorre tanto por homens quanto por mulheres.

Sheryl cita como exemplo um estudo, cujo objetivo era pedir para participantes avaliarem a performance e o potencial de crescimento de funcionários que tinham performances idênticas. Nesse estudo, tanto os homens quanto as mulheres avaliaram as mulheres de maneira pior que os seus colegas do sexo oposto.

Você deve estar se perguntando: isso deve acontecer só com pessoas ignorantes, com baixa educação e misóginos, certo? A maioria das pessoas pensa que, se as pessoas avaliadoras fossem bem-informadas e educadas, o resultado sempre seria justo, mas isso não é verdade.

No estudo, inclusive, quanto mais a pessoa alegava ser imparcial e não discriminar o sexo oposto, maiores eram as discrepâncias da avaliação entre os sexos, sempre beneficiando o indivíduo do sexo masculino. Muitas vezes imaginamos que o mundo masculino discrimina as mulheres, mas na verdade as mulheres também se sabotam.

Ambos os sexos têm uma percepção de menor valor do sexo feminino e é preciso que estejamos atentos a estas questões, já que esse sexismo velado existe e afeta nossas vidas.

Essa desigualdade escondida também existe no ambiente familiar e nos relacionamentos, onde muitas vezes se espera que a mulher protele sua carreira para cuidar dos filhos. Um estudo fez a pergunta "você espera que seu marido/esposa abandone sua carreira para criar seus filhos?".

Os resultados são emblemáticos. 46% dos homens esperam que sua esposa abandone sua carreira para cuidar dos filhos, enquanto apenas 5% das mulheres esperavam isso dos seus maridos. As mulheres ainda enfrentam assédios sexuais e discriminação direta.

Igualdade tem que estar em pauta

Com todos os fatos apontados por Sheryl e nossa realidade do dia a dia, fica claro que existe desigualdade de gêneros. E por isso, é necessário que o assunto seja cada vez mais abordado, para que essa desigualdade seja reduzida.

Não é uma questão de exigência de um tratamento especial para as mulheres, mas sim de engajar as pessoas a se envolverem com a causa e buscar soluções. Quando a conversa ocorre, mais mulheres se inspiram em liderar a mudança e mais homens que compreendem o problema querem se tornar parte da solução dessa desigualdade.

Fazer com que as pessoas conheçam e entendam o problema nos ajuda a canalizar mudanças, ainda que pequenas, no dia a dia. Ainda que você não consiga mudar o mundo, você consegue mudar sua casa, sua empresa e até mesmo sua rua.

Por exemplo, saber que existem menos mulheres em posições de liderança, pode incentivar um gerente a selecionar mais candidatas para a próxima promoção da empresa.

Outro ponto importante e que causa surpresa: muitas vezes, as mulheres não apoiam umas às outras e, para atingirmos um cenário com menos desigualdade, é preciso mudar isso.

Um exemplo: se uma mulher consegue chegar a uma posição de liderança em uma empresa majoritariamente masculina, ela passa a se sentir ameaçada pelas demais mulheres e assim dificultar suas promoções. Esse é um tipo de comportamento que reforça o status atual de desigualdade.

Outro exemplo: mães que ficam em casa e não têm empregos constantemente desencorajam emocionalmente mães que trabalham, deixando-as inseguras sobre sua carreira.

A primeira mulher da Marinha a ser designada para um submarino era respeitada pelos marinheiros homens, mas as esposas dos marinheiros não a respeitavam e a invejavam.

As mulheres não podem se dividir se querem conquistar a igualdade e a pauta da igualdade precisa ser cada vez mais discutida. Segundo um estudo de Harvard, ambientes igualitários aumentam a satisfação de todos os envolvidos, não só das mulheres.

Sucesso ou carisma?

Estereótipos existem e ainda afetam a maneira como nosso cérebro processa informações. Ainda hoje, a sociedade espera que homens sejam decididos e diretos e as mulheres sejam sensíveis.

Uma mulher bem-sucedida rompe com seu estereótipo de gênero e isso faz com que ela enfrente resistências desnecessárias da sociedade. Homens competentes e ambiciosos são elogiados, enquanto essas mulheres são descritas pejorativamente.

Para superar preconceitos de gênero, as mulheres também precisam adotar uma postura de negociação, sempre ressaltando suas habilidades, citando indicadores de salários e usando endosso dos seus superiores nas organizações.

Quando Sheryl estava conversando com Mark Zuckerberg sobre aceitar uma proposta do Facebook, ela estava inclinada para aceitar a primeira oferta que recebeu. Seu marido sugeriu que ela fizesse uma contraproposta e ela fez. Ao final, ela fechou uma proposta muito mais lucrativa.

Também é provado por estudos que para conseguir desenvolver suas carreiras, as mulheres devem se parecer "apropriadamente femininas", ou seja, agradáveis, carismáticas e sensíveis. Isso significa ter que cruzar um campo minado de salto alto.

É um paradoxo que seja necessário se encaixar no modelo tradicional da sociedade para conseguir trazer a mudança. Afinal, com cada vez mais mulheres liderando, esse tipo de comportamento será mais necessário no futuro.

Sheryl conta que sempre se lembra do primeiro feedback recebido numa avaliação no Facebook, por Mark Zuckerberg: "se você agrada a todos, não está fazendo progressos o suficiente".

Agora que chegamos na metade da leitura, conheceremos alguns dos elementos centrais para que você, efetivamente, faça acontecer, tais como a necessidade de se expressar de forma objetiva e manter o foco no que realmente importa.

Expresse-se com clareza e transparência

Comunicação honesta e transparente são essenciais para desenvolver uma carreira promissora. Ela fortalece as relações, permite a contestação de decisões não fundamentadas e ajuda as pessoas a abordar temas complicados.

Muitas mulheres têm medo de falar o que pensam no trabalho, achando que isso faz com que sejam taxadas de negativas ou críticas. É papel do líder encorajar a autenticidade ao pedir feedbacks e sugestões, além de agradecer publicamente às pessoas que opinaram e se importaram com uma questão.

Comunicação eficiente em qualquer ambiente significa encontrar o ponto de equilíbrio entre a autenticidade e a consideração pelos sentimentos de outras pessoas. Sheryl sugere que você seja delicadamente honesta, não brutalmente honesta.

Não existe uma verdade absoluta, então, para se comunicar de forma eficaz, você deve primeiro tentar ver as coisas como o outro. Uma boa frase para se colocar na posição do outro seria: "eu entendi que você está preocupada com isso porque você se sente..."

Outra dica de comunicação é usar o "eu", para mostrar suas opiniões e desacordos: "eu penso que nós deveríamos fazer dessa outra maneira...", e nunca "você está errado".

Igualdade começa em casa

De acordo com dados recentes, em famílias americanas nas quais ambos os pais são empregados em tempo integral, a mãe ainda gasta 40% mais tempo cuidando dos filhos e 30% mais em tarefas domésticas do que o pai.

Muitas vezes é a mãe quem empurra o pai para longe das responsabilidades relacionadas à criação dos filhos, criticando-o sempre que ele se aproxima da criança: "você colocou a fralda errado!˜; "não pode dar isso a ele!"

O resultado desse tipo de comportamento desencorajador é que o pai se torna menos envolvido e o trabalho fica para a mãe. Mães devem tratar os pais como parceiros igualmente capazes e devem compartilhar responsabilidades, de modo que ambos tenham um papel claro na criação das crianças.

Políticas governamentais também desencorajam o pai a participar igualitariamente em casa. Em todo o mundo, os períodos de licença-maternidade tendem a ser mais longos do que os de licença-paternidade.

Além disso, homens que vão contra as expectativas sociais e optam por priorizar sua família acabam sendo involuntariamente penalizados pelas empresas. A igualdade em casa também contribui para relacionamentos mais felizes e para criar um exemplo para os filhos.

É preciso contestar os mitos da sociedade tradicional em casa, mesmo que crie alguns conflitos a curto prazo, pois no longo prazo, a igualdade é o que importa e todos ficam mais felizes.

Foco no que importa

Você não vai conseguir fazer tudo. As mulheres podem ter uma maior preocupação e sentir que estão deixando coisas "na mesa", mas é importante ter equilíbrio e foco. Ainda que você seja uma executiva em uma grande empresa, é preciso que você estabeleça limites e trabalhe dentro deles.

Existe uma pressão sobre as mães para que elas passem mais tempo com seus filhos e isso pode criar um sentimento de culpa nas mães que têm um emprego.

Saber gerenciar esta culpa é tão importante quanto saber gerenciar o seu tempo, por isso é preciso que você saiba se concentrar nas coisas que está realmente fazendo e não nas que deixou de fazer. Priorize e foque no que é mais importante.

Encontre tempo para ir à escola dos seus filhos, mas não se preocupe em arrumar as camas com perfeição. Encontre soluções que sejam sustentáveis a longo prazo, tanto em casa como no trabalho.

Não existe receita para equilibrar uma vida pessoal significativa e uma carreira de sucesso, descubra o que funciona para você. Faça acontecer! Se fizermos isso, a próxima onda pode ser a última e no futuro não teremos mulheres líderes. Teremos apenas líderes.

Notas Finais

Mais do que nunca, o assunto igualdade de gêneros precisa de atenção. É preciso conversar sobre ele e trabalhar no dia a dia para alcançar a igualdade. Se você quer conciliar sua carreira, família e vida pessoal, vai precisar entender como funciona o sexismo velado e o que a sociedade espera de você.

A partir disso, é possível romper com os modelos preestabelecidos, partindo para a mudança da sua vida e da sociedade como um todo.

Dica do 12min

Que tal conferir uma linha do tempo das principais conquistas femininas ao longo da história? Aproveite também para ler mais livros do 12min sobre o tema!

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Quem escreveu o livro?

Sheryl Sandberg é a Diretora de Operações (COO) do Facebook. Antes de trabalhar no Facebook, ela era vice presidente de vendas online e operações no Google. Ela também passou pelo tesouro americano onde era chefe de gabinete... (Leia mais)