Uma infância encantada que começou a se romper
Kay cresceu em bases da Força Aérea, entre um pai meteorologista de imaginação vasta e uma mãe estável e protetora. Aos quinze anos, ao se mudarem para a Califórnia, viu o pai afundar em depressões e explosões de raiva. Pouco depois, ela própria viveu seu primeiro episódio: dias de energia acelerada seguidos por uma depressão profunda, com pensamentos de morte, aos dezesseis anos — um segredo que não contou a ninguém.
O colapso disfarçado de brilho numa festa
Recém-contratada como professora assistente na UCLA, Kay brilhou numa festa do reitor, elétrica e fascinante. Duas semanas depois, o brilho virou terror: alucinações com uma centrífuga de sangue, a certeza de que plantas sofriam, e compras absurdas, como dezenas de kits contra picada de cobra. O casamento desmoronou, as dívidas se acumularam, e um colega a levou ao psiquiatra que diagnosticou doença maníaco-depressiva e exigiu o uso de lítio.
A saudade dos anéis de Saturno
Kay descreve tomar lítio como abrir mão de voar pelos anéis de Saturno — abandonar a euforia e a velocidade mental da mania. As doses altas dos anos 1970 traziam tremores, náuseas e uma perda de concentração que a impediu de ler por quase dez anos. A recusa em se tratar levou a uma depressão suicida de dezoito meses e uma overdose quase fatal, até que amigos, a mãe e o psiquiatra a resgatassem.
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