Quando a cura existe, mas o preço decide quem vive
No Hospital de Lakka, em Serra Leoa, Henry, de 17 anos, definhava enquanto o remédio que podia salvá-lo ficava preso a patentes e preços impagáveis. O Dr. Girum Tefera sabia exatamente qual tratamento funcionaria, mas via o corpo do paciente fracassar sob terapias antigas. Isatu, a mãe, foi a única presença constante — a vizinhança se afastou pelo estigma da doença. Não faltava ciência: faltava vontade de pagar a conta que salvaria uma vida.
Da poesia à ciência: como o preconceito mudou de forma
Antes de Robert Koch identificar o bacilo em 1882, a Europa via a tuberculose como sinal de genialidade: o chamado espírito tísico inspirava poetas como Keats e ditava um padrão de beleza feminino baseado em palidez e magreza extrema. Mas essa aura poética era reservada aos brancos. Médicos coloniais chegaram a negar que a doença existisse entre africanos e asiáticos, sustentando a mesma lógica de superioridade que justificava o projeto colonial.
O custo humano de uma cura patenteada
Entre 1965 e 2011, nenhum antibiótico novo surgiu contra a tuberculose por falta de interesse comercial — quem adoece não tem dinheiro, e quem tem dinheiro não adoece. Quando enfim chegou a bedaquilina, veio patenteada a preços inacessíveis para os países mais afetados. A ativista indiana Shreya Tripathi lutou na Justiça pelo remédio e venceu, mas morreu antes de ser salva a tempo — sua batalha abriu caminho para outros pacientes.
:quality(90)/https%3A%2F%2Fcdn.12min.com%2Fbooks%2Fbooks_new_cover_experiment%2F63570_cover.original.png%3F1790281104)