Aprendendo a Silenciar a Mente Resumo - Osho

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Aprendendo a Silenciar a Mente

Aprendendo a Silenciar a Mente Resumo
Espiritualidade & Mindfulness

Este microbook é uma resenha crítica da obra: 

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: B00XLZUICQ

Resumo

A meditação tem se tornado uma parte muito mais frequente de nossos dias. E isso é bom, afinal de contas, com tantas tarefas, tanto estresse e tantas atribulações, dar alguns segundos de paz ao nosso cérebro é mais que essencial. Por isso, no presente livro, aprendemos a silenciar a mente - nos afastar dos problemas e meditar um pouco melhor.

Se você está procurando uma forma de relaxar, de se tornar mais disposto e menos estressado - o presente livro é mais que recomendado. Ideal para ser desfrutado em momentos de descanso.

Osho foi um guru indiano, líder de um importante movimento mundial que nasceu no país. Durante toda sua vida foi polêmico, interessante e intrigante. Autor do presente livro, ele mudou a vida de milhares, quiçá milhões de pessoas com seus princípios, e convida você agora a aprender um pouco mais sobre como silenciar sua mente. Vamos nessa?

O que é meditação?

Dizer algo sobre meditação é contraditório. Meditação é algo que você pode ter, que você pode ser, mas por sua própria natureza não é possível dizer o que ela é. Ainda assim, diversos esforços foram feitos para falar sobre meditação. E para entender melhor do que se trata em sua plenitude, há diversos conceitos para abordar.

Escutar x ouvir

Escutar é mecânico: qualquer animal que possua ouvidos consegue escutar. Ouvir e compreender, contudo, significa que, enquanto você está escutando, toda sua atenção estará centrada nisso. Aquilo que for dito chegará até você. Sua mente não deve interferir: ouça sem interpretar, sem preconceitos, sem interferência de outras coisas que estejam, nesse momento, passando dentro de você, pois tudo isso é distorção. No cotidiano, você precisa apenas escutar, sem fazer mais nada, porque as coisas que escuta dizem respeito a objetos comuns.

Meditação não é concentração

Primeiro tente entender a palavra “meditação”. Essa não é a palavra mais adequada para o estado que um verdadeiro aprendiz está procurando. Em sânscrito, temos uma palavra especial para meditação: dhyana. Essa palavra não tem paralelo em nenhum outro idioma, não pode ser traduzida. Há dois mil anos é dito que ela não pode ser traduzida pela simples razão que em nenhum outro idioma as pessoas experimentam o estado que ela denota. Por isso estes idiomas não possuem essa palavra. Uma palavra só é necessária quando há algo a ser dito, a ser designado. Em português há três palavras próximas: a primeira é concentração. Muitos livros foram escritos por pessoas muito bem-intencionadas, mas eram pessoas que não experimentaram de fato a meditação. Usam a palavra concentração como se fosse dhyana, mas dhyana não é concentração. Concentração é um estado da mente, e significa que a mente está focada em um único ponto. Em geral a mente está sempre se movendo, e quando ela se move é difícil pensar apenas em um assunto. A concentração é necessária para fazer ciência, por exemplo. Por meio da concentração, focando em um único ponto, é possível ir cada vez mais fundo em um objeto. É o que a ciência faz: descobre cada vez mais coisas sobre o mundo objetivo. Uma pessoa cuja mente está sempre nas nuvens não pode ser um cientista.

A concentração traz os raios de sol, antes dispersos, para um único ponto, criando energia suficiente para gerar fogo.

Meditação não é contemplação

Enquanto a concentração é direcionada para um único ponto, a contemplação é mais ampla. Se você está contemplando a beleza, há milhares de coisas belas, e você pode passar por cada uma delas. A ciência usa a concentração como seu método. A filosofia usa a contemplação. Na contemplação, você esquece tudo aquilo que não pertence ao assunto em questão. A contemplação é um tipo de sonho lógico, é algo raro. A filosofia depende da contemplação. Na filosofia, se alguns fragmentos dentro de um assunto necessitarem de um esforço mais concentrado, a concentração será usada. A filosofia é feita basicamente de contemplação, mas pode usar a concentração como ferramenta em alguns momentos. A religião, contudo, não pode usar a concentração. Também não pode usar a contemplação, porque religião não diz respeito a um objeto. 

Jogo de palavras

A palavra “meditação”, em português, não é a palavra certa, mas, como não há nenhuma outra, devemos usá-la até que dhyana seja aceita na língua portuguesa, assim como foi aceita pelos chineses e pelos japoneses, pois a situação era a mesma nesses dois países. Há dois mil anos, quando os monges budistas entraram na China, tentaram encontrar uma palavra que pudesse traduzir a sua palavra, jhana. O Buda Gautama nunca usou o sânscrito como sua língua, usou uma língua que era usada pelo povo, de nome chamava-se páli, já que o sânscrito era o idioma usado pelos sacerdotes, que Buda queria derrubar por não ver razão em sua existência.. O homem pode conectar-se diretamente com a existência, isso não deve ser feito através de um agente. Na verdade, não pode ser feito através de um mediador. Religião, portanto, não é contemplação. Não é concentração. É meditação, como dhyana. Pois não se medita sobre nada, como o idioma português nos leva a pensar, equivocadamente. É preciso que haja um objeto: a própria palavra traz uma referência a um objeto, e dizemos “estou meditando sobre a beleza, sobre a verdade, sobre Deus”. Não se pode dizer apenas: “estou meditando”, a frase fica incompleta. Você tem que dizer sobre o que está meditando, esse é o problema. Dhyana significa “eu estou em meditação”, não é nem mesmo “estou meditando”. Se formos traduzir ao pé da letra, o sentido de dhyana seria “eu sou meditação”. Meditação é sentar-se sem fazer nada. Não usar seu corpo nem sua mente. Se você começar a fazer alguma coisa, ou você entrará em estado contemplativo ou estará concentrado ou executará uma ação.

Meditação é sua natureza

Tudo que a mente pode fazer não é meditação, pois a meditação está além da mente e não pode ser penetrada por ela. Onde a mente acaba, a meditação começa. Lembre-se disso, pois, em nossas vidas, tudo que fazemos é feito pela mente. Portanto, quando nos voltamos para dentro, começamos novamente a pensar em termos de técnicas, de métodos e realizações, porque nossa experiência de vida nos mostra que tudo pode ser feito pela mente. Tudo, exceto a meditação. A meditação não pode ser feita pela mente porque não é algo que se conquiste. A meditação já está lá, é sua natureza. Não precisa ser conquistada, basta que seja lembrada. Está lá, esperando por você. Basta voltar-se para dentro, e ela está disponível. Sempre esteve dentro de você. A meditação é sua natureza intrínseca, não tem nada a ver com suas atividades. Você não pode tê-la, assim como não pode não tê-la. Ela não pode ser possuída, não é uma coisa. É você. É o seu ser.

Mente tagarela

A primeira coisa a entender a respeito da mente é que há uma tagarelice constante. Quer você esteja falando ou não, ela continua a falar internamente. Quer você esteja acordado ou adormecido, a conversa interna continua, como uma espécie de ruído de fundo. Mesmo quando você trabalha, dirige ou caminha, a tagarelice interna continua. Mas se você se esforçar para conseguir um intervalo nessa falação interna, estará no caminho errado. Não é necessário se esforçar, pois, na verdade, este intervalo ocorre o tempo todo, basta estar atento. Entre dois pensamentos há um intervalo. Até mesmo entre duas palavras há um intervalo.

Meditação e o fracasso do sucesso

No Ocidente, as pessoas conseguiram atingir toda a abundância que a humanidade, como um todo, tem buscado durante séculos. O Ocidente obteve sucesso material, tornou-se rico e agora está cansado demais. A jornada desgastou sua alma, cansou os ocidentais. No plano material, externo, tudo está disponível, mas o contato com o interior se perdeu. Agora tudo que é necessário está disponível, mas o homem não está mais lá. As posses ficaram, mas os mestres se foram. Ocorreu um grande desequilíbrio. A riqueza está presente, mas as pessoas não se sentem nem um pouco ricas. Pelo contrário, estão se sentindo pobres, muito pobres. É apenas quando você se torna materialmente rico que você percebe, por contraste, sua pobreza interna. Quando você é pobre no plano material, você jamais percebe a pobreza interna, pois não há contraste.

A meditação nada mais é do que se enraizar novamente no próprio mundo interno, em sua interioridade. Por isso o interesse do Ocidente pela meditação e pelos tesouros do Oriente. É preciso entender que o Oriente também estava interessado em meditação quando era rico. É por isso que você encontra, na face dos indianos, um tipo de contentamento que não é encontrado no Ocidente. Não é um contentamento real, mas sim uma falta de percepção de sua pobreza interior. Não se trata aqui de uma pregação da pobreza, sempre ruim por causar tantas mazelas. Mas de um foco maior do que realmente importa.

Curando a divisão entre corpo e alma

Há apenas uma única realidade: a matéria é sua forma visível e o espírito, sua forma invisível. O corpo não pode sobreviver sem a alma, e a alma não pode existir sem o corpo. Na verdade, essa divisão entre corpo e alma, que vem do passado, criou um grande peso no coração dos homens. Criou uma esquizofrenia na humanidade. A esquizofrenia não é uma doença que eventualmente se abate sobre uma pessoa. Toda a humanidade, até o momento, tem sido esquizofrênica. Muito raramente, apenas uma vez em centenas de anos, surge um homem como Jesus, ou Buda, ou Maavira, ou Sócrates, ou Pitágoras, ou Lao-tsé, que é capaz de escapar deste padrão esquizofrênico em que vivemos. Dividir a realidade em duas partes opostas, antagônicas, é perigoso porque significa dividir também o homem. O homem é uma miniatura do Universo. Divida o Universo e o homem terá sido dividido também. Divida o homem e o mesmo ocorrerá com o Universo. Eu acredito na unidade orgânica e indivisível da existência. Portanto, não há distinção entre o plano espiritual e o material. Você pode ser espiritualizado e funcionar no plano material. Seu funcionamento será mais feliz, mais estético, mais sensível. Seu funcionamento no plano material não será tenso nem cheio de ansiedade e angústia.

Meditação é vida e não meio de vida

A meditação é vida e não meio de vida. Não tem nada a ver com o que você faz, mas tem tudo a ver com o que você é. Sim, é verdade que os negócios não devem penetrar em seu ser. Caso seu ser também fique preso aos negócios, será difícil meditar e será impossível tornar-se um sannyasin, alguém que procura. Porque, caso seu ser tenha se tornado um executivo, uma pessoa de negócios, então você terá se tornado calculista demais. E uma pessoa calculista é necessariamente covarde: pensa demais, não pode arriscar saltos. A meditação é um salto: da mente para o coração e, em última instância, do coração para o ser. Você irá cada vez mais fundo, lá onde os cálculos terão que ser deixados para trás, onde toda a lógica se tornará irrelevante. Não será possível levar sua esperteza para lá. Na verdade, a esperteza não é a verdadeira inteligência. A esperteza é um substituto pobre para a inteligência. As pessoas que não são inteligentes aprendem a ser espertas. Pessoas inteligentes de fato não precisam ser espertas: são inocentes, não precisam ser astuciosas. Funcionam a partir de um estado de não-saber.

Mas os negócios não devem entrar em seu ser. Os negócios devem ser algo externo, seu meio de ganhar a vida. Quando você fechar sua loja ou sair de seu escritório, esqueça seus negócios. Não leve a loja ou o escritório para casa com você. Quando estiver em casa, com sua mulher, seus filhos, não seja um homem de negócios. Isso é feio: significa que seu ser está sendo contaminado pelo que você está fazendo. O fazer é sempre algo superficial. O ser deve permanecer transcendental em relação a seu fazer e você deveria ser sempre capaz de colocar seu fazer de lado e entrar no mundo de seu ser. É sobre isso que a meditação diz respeito.

O contentamento é o objetivo, a meditação é o meio

O contentamento é o objetivo da vida, e a meditação é o meio para atingi-lo. Sem a meditação, ninguém nunca saberia verdadeiramente o que é contentamento. Não é prazer. Prazer é fisiológico, químico. Não possui profundidade e é muito momentâneo. Por exemplo, um orgasmo sexual é prazer. Durante alguns instantes você está no topo do mundo, mas apenas naquele curto período de tempo. Logo em seguida vem uma profunda tristeza e uma depressão se instala. É por isso que, após fazer amor, as pessoas dormem. É uma forma de evitar a tristeza. Para garantir a reprodução das espécies, a natureza encontra maneiras espertas de fazer com que certas coisas aconteçam. Se não fosse pelo prazer, a atividade sexual pareceria tola. Seria como fazer ginástica ou ioga. Por conta do prazer, as pessoas estão dispostas a fazer várias coisas idiotas. Mas é apenas um fenômeno químico, hormonal, psicológico. Não pode ser mais profundo que isso, pois a fisiologia não é profunda. Contentamento não é nem mesmo alegria. O que chamamos de alegria é psicológico. Sempre que você encontra um momento de exaltação e entusiasmo, seu ego fica preenchido e você se sente alegre. Quando obtém uma vitória pessoal, é eleito ou ganha alguma competição, se sente alegre, pois você derrotou os adversários, obteve sucesso, fama, dinheiro, glória. Mas logo se cansará disso tudo. Apenas as pessoas bem-sucedidas sabem quão cansativo é o sucesso. Apenas as pessoas ricas sabem quão profundamente desapontadas estão. Mas elas nem mesmo podem dizer isso, porque pareceria ainda mais tolo, as pessoas iriam rir. Elas desperdiçaram suas vidas acumulando riquezas e agora dizem que isso foi uma má ideia.

Todos já nascemos místicos

Não existem pessoas comuns, isso é um conceito criado por gente egoísta. Um egoísta precisa criar coisas comuns, essa é a única forma por meio da qual seu ego pode existir. Nenhum ser humano é comum, pois cada um de nós é sempre absolutamente único. Cada ser humano é criado por Deus. Como, então, poderia ser comum? Deus nunca cria nada comum. Tudo em sua criação é raro. Cada indivíduo é tão único que nunca se repetirá. Você nunca foi antes, nunca será depois. Não é possível encontrar ninguém exatamente igual a você. Ainda assim, a meditação seria “para místicos”. É verdade, trata-se de algo para místicos, mas nós já nascemos místicos, pois cada um de nós carrega consigo um grande mistério que precisa ser compreendido, cada um de nós possui um grande potencial que precisa ser desenvolvido. Todos nascem com um futuro. Todos têm esperança. Um místico é alguém que está tentando desvendar os mistérios da vida, que está se movendo rumo ao desconhecido, que está explorando novos territórios, cuja vida é de exploração, de aventuras. E é assim que começa a vida de toda criança. Com admiração, assombro, com muitas perguntas em seu coração. Cada criança é um místico. Mais tarde, em algum momento dentro do suposto processo de “crescimento”, você perde o contato com sua possibilidade interna de ser místico e torna-se negociante, ou balconista, ou cobrador, ou ainda padre. Você se torna outra coisa. E começa a pensar que você é esta outra coisa. E quando realmente acreditar nisso, então assim será de fato. Meditação é um caminho para liberar o misticismo e serve para qualquer um, sem exceção. Meditação não é um condicionamento, porque não é uma doutrina. Meditação significa não ter um credo. Se você educa uma criança para ser cristã, estará transmitindo uma doutrina para ela. Estará forçando-a a acreditar em coisas que parecem absurdas. Você precisa dizer à criança que Jesus nasceu de uma mãe virgem, isso se torna um preceito básico. Nesse momento, você está destruindo a inteligência natural da criança. Se ela não acreditar em você, você ficará zangado e, sendo mais forte, poderá punir a criança. Se ela acreditar em você, estará indo contra sua inteligência intrínseca. O que você diz parece absurdo para a criança, mas ela precisa concordar com você. E, uma vez tendo concordado, começa a perder sua inteligência, começa a ficar mais burra.

A mente é tagarela

A mente precisa ser alimentada com informações. É por isso que, se você tentar voltar no tempo por meio da memória, irá parar em algum momento em torno dos três ou quatro anos. Antes disso, está tudo em branco. Você estava lá, com certeza, e várias coisas aconteceram, vários incidentes, mas aparentemente os registros não foram gravados na memória, por isso você não pode se lembrar. A partir dos três ou quatro anos, contudo, as coisas começam a ficar mais claras. A mente obtém seus dados dos pais, da escola, de outras crianças, de vizinhos, de parentes, da sociedade como um todo. Há fontes em toda parte a seu redor. E você já deve ter visto crianças pequenas, quando começam a falar, repetindo várias vezes a mesma palavra. Quanta felicidade! Um novo mecanismo começou a funcionar dentro delas. Quando elas puderem formular frases, irão fazê-lo com grande alegria também, repetindo-as várias vezes. Quando começarem a fazer perguntas, farão perguntas sobre tudo e mais um pouco. Note que elas não estão interessadas em suas respostas! Observe uma criança fazendo perguntas: ela está apenas se divertindo com o fato de poder fazer perguntas. Uma nova faculdade veio à tona dentro dela. É assim que a coleção começa. Depois a criança aprenderá a ler, e haverá mais palavras. E, em nossa sociedade, o silêncio não traz recompensas. As palavras pagam, por isso, quanto mais articulado você for, mais você irá ganhar.

A mente é um fenômeno social

A mente só pode existir em sociedade. Ela é um fenômeno social, pois necessita da presença de outras pessoas. Você não pode sentir raiva quando está sozinho ou, se isso acontecer, se sentirá tolo. Você não pode ficar triste quando está sozinho, pois não há desculpa para tal. Também não pode se tornar violento, é necessário que haja mais alguém por perto. Você não pode falar, não pode continuar tagarelando. A mente é um fenômeno social, um subproduto da sociedade. Não apenas da sociedade moderna, mas de qualquer sociedade. Mesmo nos tempos ancestrais, quando alguém ia caçar sozinho na floresta, essa pessoa ficava ansiosa, ficava deprimida no começo. A diferença não está na mente, a diferença está no grau de paciência. A mente permanece a mesma, seja ela moderna ou antiga, mas nos velhos tempos as pessoas eram mais pacientes, podiam esperar. Hoje você não sabe mais ser paciente, e aí está o problema.

Autopercepção e não autoconsciência

A autoconsciência é uma doença, enquanto a autopercepção é saúde. As palavras aparentemente querem dizer a mesma coisa. Podem até significar a mesma coisa, mas ao se tratar de meditação e conhecimento interno, são diferentes. Quando falo em autoconsciência, a ênfase está no eu. Quando falo em autopercepção, estou falando de percepção. Se quiser, você pode usar a mesma palavra, autoconsciência, para as duas coisas. Se a ênfase for na “consciência”, será saudável. É uma diferença muito sutil, mas muito importante. A autoconsciência é uma doença porque ela significa que você está permanentemente consciente do seu “eu”. Você fica pensando: “Como as pessoas estão se sentindo a meu respeito?”, “Como estão me julgando?”, “Qual será a opinião delas: será que gostam de mim ou não, será que me aceitam ou me rejeitam, será que me amam ou me odeiam?”. Você está sempre concentrado no “mim”, no “eu”, o centro é sempre o ego. Isso é uma doença, o ego é a pior doença que existe. Contudo, se você mudar o foco, se deslocar a ênfase do ego para a consciência, não pensará se as pessoas o aceitam ou o rejeitam. Nesse caso, a opinião delas não importa, tudo o que você quer é estar alerta em todas as situações. Assim, não é importante se elas o amam ou odeiam, se o consideram um santo ou um pecador, nada disso importa. O que dizem ou pensam de você não lhe diz respeito, é problema delas, elas devem decidir por conta própria. Você só tenta estar alerta em todas as ocasiões.

Meditações ativas para o homem moderno

As meditações ativas ou dinâmicas, que têm como princípio a catarse, permitem que todo o seu caos interior seja eliminado. Aí está a beleza dessas técnicas. Mesmo que você não consiga se sentar e permanecer em silêncio, você com certeza pode executar as meditações dinâmicas ou caóticas facilmente. Uma vez removido o caos, surgirá um silêncio em você. Então você será capaz de se sentar em silêncio. Se executadas correta e continuamente, as técnicas de meditação catártica dissiparão todo o seu caos interior. Não é necessário que você passe por um estágio de loucura em sua jornada, como muitas pessoas já tiveram que fazer no passado. É por isto que as minhas técnicas são tão interessantes. A loucura também já está sendo colocada para fora, isso já faz parte da técnica. É interessante notar que Patanjali, o fundador da ioga, não desenvolveu nenhum método catártico. Ao que parece, não eram necessários na sua época. As pessoas eram naturalmente mais silenciosas, pacíficas, primitivas. A mente ainda não funcionava tanto. As pessoas dormiam bem e viviam como os animais. Elas não eram tão pensativas, lógicas e racionais. Estavam mais centradas no coração, como acontece com os povos primitivos ainda hoje. Além disso, a vida funcionava de uma forma tal que produzia muitas catarses automaticamente.

Meditação Nadabrahma

A meditação Nadabrahma é uma meditação baseada em mantras, e os mantras são um dos caminhos com maior potencial para quem deseja meditar. Essa meditação é muito simples, porém eficaz. Quando a meditação é executada da maneira correta, todo o seu cérebro começa a vibrar fortemente, assim como seu corpo. E quando seu corpo vibra enquanto sua mente canta, ambos entram em sintonia. Surge então uma harmonia, em geral ausente, entre os dois. Sua mente e seu corpo normalmente trilham caminhos separados. O corpo continua com seus afazeres, o cérebro permanece pensando. O corpo caminha, enquanto a mente trilha caminhos além das estrelas. Eles nunca se encontram, e isso cria uma cisão. Essa esquizofrenia básica surge porque o corpo e a mente seguem rumos diferentes. E você é o terceiro elemento, dividido entre os dois. Uma metade é puxada pelo corpo, a outra pela mente. O resultado disso é uma grande angústia, a sensação de ser rasgado ao meio. Quando você medita com um mantra, seja nadabrahma ou qualquer outra forma de cântico, o som daquilo que você canta ressoa dentro de você e o corpo começa a responder. Pode ser qualquer som, até mesmo “abracadabra”. Em algum momento o corpo e a mente estarão indo juntos na mesma direção, pela primeira vez. E, quando corpo e mente estão juntos, você está livre de ambos e não se sente dividido. É então que o terceiro elemento, aquilo que você é de fato – quer você o chame de alma, espírito, atma ou outra coisa qualquer –, se sente em paz porque não está sendo puxado em direções opostas. O corpo e a mente estão tão envolvidos em cantar que o espírito pode separar-se deles muito facilmente, sem ser observado, e pode tornar-se uma testemunha. Pode olhar de fora e ver o jogo que está em andamento. O ritmo do mantra é tão belo que nem a mente nem o corpo se dão conta de que o espírito foi embora, discretamente… Eles não costumam permitir isso facilmente. Quando estiver praticando a meditação Nadabrahma, lembre-se disso: deixe que o corpo e a mente fiquem absolutamente juntos. Você, contudo, tem que se tornar um observador. Saia de ambos, gentilmente, lentamente, pela porta dos fundos, sem brigas, sem esforço. Este é o sentido da palavra “êxtase”: sair de si. Saia de si mesmo e observe. Você encontrará um estado cheio de paz. Cheio de silêncio, contentamento, uma bênção. Isto é tudo que há por trás dos cânticos, é o motivo pelo qual eles prevaleceram ao longo dos séculos. Nunca houve uma religião que não usasse cânticos e mantras.

Instruções para a meditação Nadabrahma

Nadabrahma é uma antiga técnica tibetana, originalmente praticada nas primeiras horas da manhã. Pode ser praticada a qualquer hora do dia, a sós ou acompanhado, mas seu estômago deverá estar vazio e você deverá permanecer inativo durante pelo menos 15 minutos após a meditação. A meditação dura uma hora e tem três estágios.

Primeiro estágio: 30 minutos

Sente-se em uma posição relaxada, com seus olhos e seus lábios cerrados. Comece a emitir um som, suficientemente alto para ser percebido por outras pessoas e para criar uma vibração em todo o seu corpo. Se quiser, visualize um vaso ou um tubo vazio, preenchido apenas com as vibrações desse som. Haverá um ponto em que o som continuará por conta própria e você se tornará o ouvinte. Não é necessário fazer nenhuma respiração especial e você pode alterar o tom ou mover seu corpo suave e lentamente caso queira.

Segundo estágio: 15 minutos

Este segundo estágio é dividido em duas sessões de sete minutos e meio. Na primeira metade, mova as mãos, palmas para cima, fazendo um movimento circular. Começando no centro do abdômen, cerca de quatro dedos abaixo do umbigo, as duas mãos devem mover-se para a frente e depois separar-se, fazendo dois círculos largos que se espelhem à esquerda e à direita. O movimento deve ser tão lento que em alguns momentos pareça não haver movimento algum. Sinta a energia fluindo de você para o Universo. Após sete minutos e meio, vire a palma das mãos para baixo e comece a movê-las na direção oposta. Agora, as mãos irão aproximar-se ao chegar perto do centro do abdômen e irão separar-se, fazendo um círculo para fora na direção dos lados do corpo. Sinta a energia entrando em você. Assim como no primeiro estágio, não reprima eventuais movimentos suaves e lentos do restante do corpo.

Terceiro estágio: 15 minutos

Sente-se ou deite absolutamente quieto e imóvel. Fique assim por 15 minutos, de preferência ouvindo um som relaxante.

Nadabrahma para casais

O casal deve sentar-se de frente um para o outro, ambos cobertos por um lençol e segurando as mãos em posição cruzada. É melhor não usar nenhuma outra roupa. Ilumine o quarto apenas com quatro pequenas velas e queime um incenso que deverá ser destinado exclusivamente a essa meditação. Fechem seus olhos e, juntos, emitam um som durante 30 minutos. Após algum tempo, vocês poderão sentir as energias se encontrarem, se juntarem e se unirem.

Notas finais

A correria do dia a dia e os valores apregoados pelo Ocidente são alguns dos motivos que levam tantos de nós a cair nas armadilhas da ansiedade, depressão e outros transtornos psicológicos de difícil tratamento. Olhar para nós mesmos, silenciar a mente. Meditar. Essa é a grande lição desta obra de Osho: explicar o que é e como deve ser buscada a verdadeira meditação para além de conceitos preestabelecidos sobre ela. E quando saímos dos conhecimentos superficiais para nos aprofundarmos melhor em algo que nos traz maior paz interior, tudo melhora. Pare, pensa, leia. Medite. E melhore.

Dica do 12'

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Quem escreveu o livro?

Um dos mestres espirituais mais provocantes e inspiradores do século XX, Osho desafia a categorização - refletindo tudo, desde a busca individual de significado para os problemas sociais e políticos mais urgentes da sociedade atual. Seus livros não são escritos, mas transcrições de gravações de conversas extemporâneas dadas durante um período de trinta e cinco anos. Osho foi descrito pelo Sunday Times em Londres, como um dos '1000 Makers do século 20' e no domingo Mid-Day na Índia como uma das dez pessoas, juntamente com Gandhi, Nehru e Buda que mudaram o destino da Índia. Osho tem um objetivo declarado de ajudar a criar as condições para o nascimento de um novo tipo de ser humano, caracterizada como ‘Zorba, o Buddha'-one cujos... (Leia mais)