Venture Deals Resumo - Brad Feld

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Venture Deals

Venture Deals Resumo
Investimentos & Finanças

Este microbook é uma resenha crítica da obra: Venture Deals: Be Smarter Than Your Lawyer and Venture Capitalist

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 0470929820, 978-0470929827

Também disponível em audiobook

Resumo

Já pensou em investir em uma startup? Ou mesmo, já pensou em colocar a sua startup no mercado, para reter investimentos? De uma forma ou de outra, se você quer ingressar neste mercado, o presente microbook explica tudo a respeito do Mercado de Capital de Risco (Venture Capital). Que tal aprendermos?

Quer você seja um empreendedor, advogado ou investidor, que tem interesse no mercado de risco e quer um bom resumo na porta de entrada deste universo, este livro foi feito para você. 

Aqui, Brad Feld, um renomado investidor, aborda diversos tópicos dentro desse assunto, explicando como levantar dinheiro, estar sempre em dia com as obrigações legais e assim por diante. Brad Feld é um empresário americano, blogueiro e capitalista de risco. Para fazer esse livro, contou com a ajuda de Jason A. Medelson, um investidor de risco, empresário, ex-advogado e ex-engenheiro. Conheça o que estes mestres podem te ensinar nos próximos 12 minutos.

Quem são os principais envolvidos no negócio de Venture Capital

Para entendermos melhor o ecossistema de Venture Capital (VC), é importante entender quem são os principais envolvidos neste mercado. Muita gente acredita que, em venture capital, o empreendedor e o investidor VC são os únicos dois players importantes. Porém, isso não é verdade, já que existem alguns outros players que exercem papéis importantes nos negócios de VC e que vamos listá-los a seguir:

  • O Investidor anjo: O investidor anjo atua normalmente no estágio de seed. Ele pode ser um investidor profissional, um empreendedor bem-sucedido, um amigo ou um membro da família. Se você vai captar de um investidor anjo, você precisa descobrir se o VC está confortável em investir com anjos, pois cada VC tem um ponto de vista diferente sobre o assunto. Já os super anjos são anjos que ganham muito dinheiro com pequenos investimentos. Essas pessoas, geralmente, saíram de startups. Quando um super anjo levanta fundos por conta própria, ele é chamado de micro VC e tem as mesmas responsabilidades fiduciárias de um fundo de VC. Os anjos nunca devem estar em uma posição de determinar a direção da empresa. Por isso, é preciso que você defina regras claras para uma parceria saudável e dê aos anjos pouco controle sobre a empresa. Isso vai evitar que você precise coletar muitas assinaturas na próxima rodada de investimentos ou durante uma venda.
  • O Sindicato: O sindicato é um grupo de investidores que fazem investimentos juntos. Ele inclui qualquer um dos investidores que compra uma participação numa rodada de financiamento. Cada rodada feita por um sindicato, possui um investidor líder que é tipicamente um dos VCs, podendo, também, existir dois ou três co-líderes em um sindicato. O líder é responsável por negociar os termos para todo o sindicato com o fundador da startup. E é responsabilidade do fundador comunicar-se com cada um dos investidores durante o processo – não espere que o líder faça isso. Finalmente, o fundador precisa fazer com que os investidores concordem com o fato do líder falar por eles como um representante.
  • Advogados: O valor de um advogado experiente em finanças de VC é inestimável. O fundador precisa ter um advogado para se prevenir contra a assimetria de informações da natureza do VC, afinal, VCs lidam com finanças o tempo todo e, mesmo os fundadores mais experientes, não sabem tanto sobre finanças e investimentos. Ter um advogado também evita que o fundador tenha que se preocupar com pormenores de um investimento de VC. Bons advogados evitam que o fundador se distraia com termos de negociação insignificantes e advogados inexperientes vão se focar nos problemas errados e atrasar o deal. Além disso, ter um bom advogado afeta a reputação do fundador. Por isso, é preciso escolher com cuidado. E finalmente, um bom empreendedor deve garantir que o advogado seja pago com os rendimentos do negócio, e não por hora, evitando custos caso o negócio não se concretize.
  • Mentores: É recomendado que todo empreendedor tenha um grupo de mentores, de preferência que conheçam VCs que possam ter interesse na empresa. Por outro lado, é importante que você fique longe dos “conselheiros” que oferecem ajuda para levantar dinheiro e depois pegam uma parte do acordo como compensação. A maioria dos grandes mentores faz isso porque gosta e não por ganhos de curto prazo. Ter honorários não é uma exigência para mentores, embora dar ações a eles possa ajudar a garantir um maior comprometimento. Se você for dar ações, mantenha seu controle sobre as ações que são dadas, e faça isso com base no desempenho do mentor. Deixe claro o que você espera em troca pela remuneração em ações.

Conceitos econômicos e de controle importantes

Em geral, os VCs se importam com duas coisas: economia e controle. Economia, aqui, representa o retorno financeiro que os investidores vão receber em um evento de liquidez, ou seja, na venda da empresa ou de uma abertura de capital em bolsa, o chamado IPO. Já o controle refere-se aos mecanismos que garantemque os investidores tenham poder na gestão do negócio.

Quando uma startup é criada, os fundadores recebem ações ordinárias da empresa. No entanto, quando VCs investem em negócios, eles compram participação e normalmente recebem as chamadas ações preferenciais. As ações preferenciais, costuma ter direitos diferentes das ações ordinárias, muitas vezes dando mais controle ao investidor do que se ele tivesse uma ação ordinária.

Como levantar dinheiro para sua startup

Para se preparar para captar um round de investimentos, é preciso seguir alguns passos. Seu objetivo nesse momento é conseguir muitos term sheets, que são os documentos que explicam a oferta de investimentos para a empresa. É importante saber que não há um padrão a se seguir aqui, cada VC é diferente. O que impressiona um, pode não impressionar o outro.

Em primeiro lugar, determine quanto dinheiro você quer levantar. Defina um período de tempo no qual você deseja investir estes recursos no negócio e saiba com clareza até onde esse capital levará a empresa. Não exceda a sua necessidade de capital.

Em alguns casos, um VC estará interessado, mas não vai querer investir todo o valor que você precisa. E se você não for capaz de provar que é capaz de conseguir o restante do valor, eles provavelmente não vão prosseguir com o investimento. Por isso, é muito importante que você converse com múltiplos investidores

Ao falar com um VC o quanto está captando, dê um número específico e não intervalos de valores. Nunca diga algo como “estamos captando de 5 a 7 milhões”. Isso te faz parecer imaturo na frente do VC. Determine o quanto que você precisa e seja direto. É claro que você sempre poderá acabar conseguindo captar mais.

Outro ponto importante é que a quantia buscada vai determinar com quem você deve conversar nesse processo. Por exemplo, se você precisa de uma quantia menor - digamos, de R$500,000 para uma rodada seed, você vai conversar com investidores anjos, VCs do estágio seed, micro VCs e investidores de estágios iniciais. Se você precisar de uma quantia maior - digamos R$10 milhões, deve começar a procurar VCs maiores, já que precisa de algum investidor que invista pelo menos R$5 milhões e atue em estágios de Série A e Série B.

O período de captação do investimento também pode variar muito dependendo do seu negócio.

Além disso, antes de começar a captar os recursos, você precisa criar alguns materiais básicos:

  • Seu pitch de elevador: São alguns parágrafos que você pode mandar por e-mail descrevendo sua ideia. Você deve ser capaz de fazer essa apresentação pensando no tempo que demora para um elevador sair do primeiro andar até o escritório do possível investidor. Não confunda esse documento com o sumário executivo, aqui estamos falando de um a três parágrafos que descrevem o produto, o time, e o negócio de maneira bem direta. Seu pitch também deve ter um parágrafo de conclusão que especifique claramente o que você busca e quais os próximos passos da empresa;
  • Sumário executivo: É um documento de 1 a 3 páginas com ideia, time, produto e negócio. Trabalhe duro nesse sumário, pois ele é sua primeira impressão. Você pode acrescentar conteúdos como: dados financeiros de alto nível e a resposta para perguntas como: Qual problema você quer resolver? Porque ele é importante? Porque seu produto é melhor do que os que já estão no mercado? Porque você tem o time certo para alcançar esta visão?
  • Apresentação de PowerPoint: A qualidade da apresentação é importante, mas não exagere! Ela deve ser uma apresentação de 10 a 20 slides, com uma visão geral do negócio. Seu objetivo deve ser comunicar a mesma informação presente no sumário executivo, mas usando uma apresentação visual. Entenda seu público e faça uma apresentação personalizada. Lembre-se de gastar um tempo pensando no fluxo e no formato, é importante que os slides estejam bem organizados e desenhados - vale à pena pagar alguém para te ajudar a transformar sua apresentação ou pedir ajuda para algum amigo designer.
  • Plano de negócios: São mais comuns em estágios avançados de investimento. Não é mais tão utilizado quanto antigamente nas rodadas iniciais, mas alguns VCs se importam muito com isso e querem ver um bom plano de negócios. O plano de negócios é um documento de mais ou menos 30 páginas com muitas sessões e informações sobre o negócio. Funciona como uma extensão do sumário executivo, entrando em detalhes sobre o mercado, produto, clientes, estratégias e finanças.
  • Demos/protótipos: Bons VCs sempre gostam e preferem ver o produto funcionando. Você pode aprender muito mais com uma versão demo de um software do que com um documento formal. Muitos VCs acreditam que o demo, um protótipo, é muito mais importante do que qualquer plano de negócios ou modelo financeiro, especialmente para as empresas em estágios iniciais. É normal, e até mesmo esperado, que as demos não possuam todas as funções e que tenha alguns problemas iniciais. Isso acontece porque o produto, provavelmente, ainda vai evoluir muito do demo para a versão final. Se você tem um produto complexo, encontre uma maneira de demonstrá-lo rapidamente e com facilidade. Use o demo para contar uma história, para demonstrar como seu produto resolve o problema que propõe resolver. Os VCs não querem só observar, é importante que eles consigam utilizar o demo para poder validar seu negócio.
  • Diligência prévia: Se um VC te oferece um term sheet, é normal que os advogados dele peçam alguns documentos como tabelas de acionistas, contratos com clientes, contratos de trabalho e atas das reuniões de diretoria. A lista de documentos costuma ser solicitada durante o processo de diligência prévia - normalmente depois da assinatura do term sheet - e ela pode ser bem extensa. E se você tem uma empresa recente que está começando, é recomendado que você organize todos os documentos antes de tentar levantar o dinheiro, dessa maneira o processo não será tão demorado.

Depois disso, você vai começar a procurar pelos VCs adequados. A melhor maneira de fazer isso é perguntando a amigos e a outros empreendedores quem eles conhecem que poderiam se interessar. Essas pessoas podem te passar informações sobre os VCs que conhecem e que ajudaram a construir seus negócios. Além disso, se apresentar a um VC com a ajuda de um empreendedor é bem melhor do que enviar um e-mail para a empresa sem conhecer ninguém.

Mas se você não tem uma boa rede de contatos ainda, procure pelos sites, blogs, contas em redes sociais e listas de e-mail dos VCs que pretende abordar. Você pode descobrir muita informação sobre potenciais investidores utilizando a internet. Faça sua parte e descubra quais VCs serão mais úteis para que você alcance o sucesso, descubra quais possuem estilos e temperamentos parecidos com o seu!

Se você tem mais de um investidor em potencial, pode categorizá-los em um dos três grupos: líderes em potencial, seguidores e outros. Você precisa saber como interagir com cada um desses grupos para não desperdiçar seu tempo e falhar na hora de levantar o dinheiro.

O ideal é que você encontre um VC com perfil de líder. O investidor líder é aquele que faz o maior cheque naquela rodada e geralmente assume um papel de liderança na condução da captação da rodada.

Ao se encontrar com VCs em potencial, você vai deparar-se com quatro possíveis sentimentos:

O primeiro é o VC que está claramente interessado e quer liderar;

O segundo não está interessado e passa a oportunidade;

O terceiro se enquadra na categoria “talvez”, pois parece interessado mas não avança com o relacionamento;

O quarto é o perfil de “não lento”, ele nunca diz não e só responde esporadicamente. No caso da terceira categoria, mantenha um relacionamento com eles. Quando você encontrar um VC líder, ele poderá te ajudar a aumentar seu mix de potenciais investidores seguidores. No caso da quarta categoria, não perca seu tempo com eles.

Como os VCs decidem em que investir

Alguns VCs só investem em empreendedores que eles já conhecem de experiências anteriores. Outros preferem ser apresentados a empreendedores por outros VCs. Alguns deles não gostam de trabalhar com iniciantes, enquanto outros não se importam com a idade e experiência e tentam responder a qualquer empreendedor que entra em contato. Independente do caso, você precisa descobrir o perfil de interesse de cada investidor e se você está utilizando os canais de comunicação adequados.

Você também precisa entender qual o papel do seu principal contato dentro do VC. Suas primeiras interações com a empresa vão variar muito dependendo do estilo e do seu contato inicial com ela. Com o tempo, eles vão deixar claro o interesse em investir em você e vão começar o processo de diligência prévia. Durante essa fase, o VC vai te pedir muitas informações e documentos, e isso é normal. Mas antes de passar as informações exigidas, garanta que alguém de um nível mais sênior esteja envolvido (um diretor ou um sócio do fundo). E enquanto você passa pelo processo de diligência, você pode pedir que seja apresentado a outros empreendedores que já foram investidos por aquele VC. Não tenha medo de perguntar a outros empreendedores sobre o VC, eles vão revelar boas coisas e te mostrar como é trabalhar com ele!

Você pode checar as referências do VC fazendo algumas perguntas chaves:

  • Com quem estou conversando?
  • Que tipo de poder de decisão essa pessoa tem?
  • Qual o processo para ter o investimento aprovado?

Para conseguir essas informações, converse com outros empreendedores apoiados pelo VC, junte informações, converse com pessoas de diferentes níveis hierárquicos que trabalham no fundo e insista em manter um relacionamento com algum diretor ou sócio.

Fechandonegócio

Para fechar uma rodada de investimentos, a assinatura do term sheet é o primeiro passo. O term sheet determina a estrutura final do acordo e representa como será o seu relacionamento futuro com o investidor.

Existem dois pontos muito importantes no term sheet que precisam ser observados: o lado econômico, ou seja, o que o VC ganha em caso de liquidez; e o controle, ou seja, como o VC exerce controle sobre o negócio ou veta certas decisões que a empresa toma. Qualquer pessoa que não se preocupa com esses dois pontos, não vai fazer um bom negócio.

Alguns pontos muito importantes do term sheet precisam de atenção especial:

  • Preço: O preço do acordo normalmente é representado no term sheet em termos de ‘preço por ação’. Outra forma de representá-lo é definindo o tamanho da rodada de investimentos. Por exemplo, a quantia investida representará a compra de X% das ações da empresa. O preço também é algumas vezes referido como o ‘valuation’ da empresa. O valuation é separado em premoney e postmoney. O valuation premoney representa como o investidor está avaliando a empresa naquele momento antes do investimento, e o valuation postmoney é a soma do valuation premoney com o valor a ser investido.
  • Preferência de liquidação: Este termo também é muito importante e impacta como os lucros são compartilhados se houver liquidez, ou seja, em caso de venda da empresa. A preferência pode ser definida como: uma quantidade do investimento original por ação é retornado ao investidor antes que ações ordinárias recebam qualquer atenção. Por exemplo: Se um investidor tem preferência de liquidação, em caso da venda da empresa, ele recebe primeiro o valor que ele investiu na empresa e só depois ocorre a partilha dos demais dividendos da venda.
  • Vesting: Esse conceito, apesar de simples, pode ter muitas implicações inesperadas. O vesting serve para garantir que os empreendedores continuarão na empresa com o passar do tempo. Ou seja, suponha que você possui 50% das ações de uma empresa. Caso sua empresa adote vesting de 4 anos, se você sai antes do final dos quatro anos, você perde o direito a um percentual das suas ações. Se você sair no final do segundo ano, por exemplo, você só teria 25% da empresa. Este é um recurso importante para garantir comprometimento de longo prazo entre os sócios e a empresa.
  • Antidiluição: a antidiluição é uma cláusula que protege investidores nos casos de uma empresa emitir novas ações a um valor mais baixo do que o valor da rodada. Essa cláusula serve para proteger os investidores e manter as porcentagens de controle da empresa constantes. Caso um investidor tenha direitos antidiluição, e a empresa capta recursos a um valuation abaixo do valuation da última rodada, apenas as ações ordinárias dos fundadores serão diluídas.

Os parâmetros de controle do term sheet

Embora os VCs busquem normalmente ter menos de 50% do controle das empresas, eles normalmente utilizam diversos termos de controle para que exerçam autoridade sobre as atividades da empresa. Alguns deles são:

  • Conselho de diretores: Eleger um conselho de diretores é um elemento chave de controle nas empresas. O empreendedor precisa pensar no equilíbrio dos membros do conselho: investidores, fundadores, funcionários e representação externa. Normalmente, empresas em estágios iniciais têm cinco membros no conselho: o fundador, o CEO, o VC, um segundo VC, e um membro externo. Essa configuração é equilibrada e dá ao VC influência suficiente para ficarem confortáveis sem ter o controle do conselho. No caso de empresas mais maduras, o conselho tem normalmente mais que 5 membros e conta com a presença de outros membros externos. Cada membro do conselho normalmente tem poder de voto igual na tomada de decisões.
  • Provisões de proteção: São direitos de veto que os investidores têm para bloquear certas ações tomadas pela empresa.
  • Acordos ‘drag-along’: esse acordo dá a alguns investidores a habilidade de forçar todos os outros investidores e fundadores a vender a empresa, caso surja uma oferta.
  • Conversão: os acionistas preferenciais, têm o direito de converter sua participação em ações ordinárias. Isso permite que esses acionistas sejam pagos em ações ao invés de precisarem aguardar um evento de liquidez.

Como funciona o negócio de VC

Os VCs se organizam em empresas que captam recursos para investir em startups, montando um fundo.

Existem três entidades básicas que compõem o fundo. A primeira é a empresa gestora do fundo e ela emprega todos os funcionários com os quais você interage, como os sócios, associados e o pessoal administrativo daquele fundo. Essa empresa é, em essência, a marca da firma. A segunda entidade é composta pelos Limited Partners (LPs), ou seja, as pessoas e empresas que investem no fundo.

O acordo entre os VCs e seus investidores (LPs) é regido por um contrato longo e complicado, chamado de Limited Partners Agreement. Os negócios de VC normalmente precisam consultar os sócios limitados (LP) toda vez que precisam de mais dinheiro para um investimento. Essa ação é chamada de ‘capital call’ ou "chamada de capital", e os LPs são obrigados a responder ao capital call em duas semanas, enviando os recursos.

As chamadas de capital podem falhar ou resultar em valores mais baixos do que o esperado. E porque investidores se recusariam a financiar um capital call? Existem muitos motivos, um deles por acreditarem que o VC não está tomando boas decisões.

Os VC possuem uma hierarquia bem definida composta por:

  • Diretor Geral/Sócio Geral/GP: tomam as decisões finais e fazem parte dos conselhos das empresas em que investem.
  • Diretores: têm responsabilidade com as negociações, precisam de um diretor geral envolvido para tomar a decisão final. Esses diretores são os sócios juniores.
  • Associados: trabalham para os sócios. Procuram por novos negócios, são responsáveis pelas diligências prévias nos negócios existentes, escrevem memorandos internos sobre possíveis investimentos.
  • Analistas: o primeiro degrau da hierarquia, fazem os cálculos e escrevem memorandos.
  • Outros: Parceiros: empreendedores experientes que trabalham por meio período nas empresas de VC; Empreendedores em residência: empreendedores experientes que ficam nas empresas VC enquanto procuram pelo próximo negócio.

Como os venture capitalists ganham dinheiro

Os salários dos VCs são pagos através das taxas administrativas. Essas taxas são cobradas como uma porcentagem da quantidade total de dinheiro no fundo, normalmente estão entre 1.5 a 2.5% do valor gerido pelo fundo, por ano.

Na maioria dos fundos, a taxa de gestão média em um período de 10 anos é de 15% do fundo. É claro que os investidores do fundo esperam que os VCs gerem ganhos de capital com seus investimentos para assim custearem estas taxas. No negócio de VC, os sócios normalmente veem seus salários aumentarem a cada fundo adicional que eles levantam. E, como as taxas são garantidas por 10 anos em cada fundo, pode levar uma década para que um fundo seja liquidado. Fundos adicionais e rodadas adicionais podem ser arrecadadas enquanto o desempenho dos primeiros fundos ainda não está muito claro.

Embora as taxas administrativas sejam consideráveis, em casos de sucesso a maior parte do dinheiro que os VCs ganham vem do desempenho do fundo , também chamado de carry. O carry é o lucro que o VC recebe depois que devolve o dinheiro para os investidores (os LPs). A maioria dos VCs recebe 20% dos lucros depois de devolver o capital investido, embora alguns fundos bem-sucedidos possam chegar a um carry de 30%.

Normalmente, os fundos não alocam a distribuição dos recursos da carry entre os sócios de maneira igualitária. Na indústria de VC, o tempo de casa é importante. Um sócio mais novo, por exemplo, pode não receber carry. Os LPs normalmente querem que os VCs invistam uma parte do dinheiro deles no fundo também – isso significa que 99% do dinheiro vem dos LPs e 1% dos executivos do fundo.

Entenda como o tempo influencia nas atividades dos fundos

Os acordos dos fundos de VC possuem dois conceitos para investirem com o tempo. O conceito do período de compromisso e o conceito do período de desinvestimento. O período do compromisso, que é normalmente de cinco anos, é o período do tempo que um VC tem para identificar e investir em novas empresas no fundo. Depois que esse período de tempo acaba, o fundo não pode mais investir em novas empresas, mas pode investir mais dinheiro nos negócios que já compõem o portfólio. E é por isso que, normalmente, as empresas de VC levantam novos fundos a cada três ou cinco anos. O termo de desinvestimento é o período de tempo em que o fundo pode continuar ativo até liquidar suas empresas e retornar o capital dos LPs. Um fundo de VC típico tem a duração de 10 anos.

É importante entender isso, especialmente se você está tentando levantar dinheiro com um fundo que está perto de finalizar seu período de compromisso. Ao final do ciclo de um fundo, existe muito mais pressão para que você faça uma saída e venda a empresa. Algumas vezes, fundos que já passaram do seu período de compromisso se encontram com novos bons empreendedores para investir, mas acabam não investindo. Para não correr este risco, pergunte a quanto tempo o último investimento daquele fundo aconteceu. Quando o fundo chega ao fim, os VCs podem também redistribuir o portfólio de empresas para seus LPs, ou mesmo estender a duração do fundo.

Alguns conceitos financeiros importantes sobre VCs

A seguir, são apresentados alguns conceitos importantes que você como empreendedor deve saber e observar ao buscar investimentos com VCs.

  • Reservas: As reservas representam a quantidade de capital de investimento alocada para cada empresa na qual um VC investe. Os VCs possuem uma fração do fundo de 30 a 50% em reservas. Normalmente, quanto mais inicial o estágio da empresa, mais reservas o VC vai alocar para possíveis investimentos futuros. No caso de investimentos em estágios avançados, um VC pode não ter nenhuma reserva alocada, enquanto um investimento de primeira rodada pode ter reservas milionárias.
  • Fluxo de caixa: Os VCs precisam prestar muita atenção no fluxo de caixa do fundo. Como o VC mantém seu fluxo de caixa? Eles reciclam o ‘carry’ dos fundos anteriores e também fazem chamadas de capital para seus LPs.
  • A cláusula de pessoa chave: A maioria das empresas de VC possui uma cláusula-chave para definir o que acontece se algum sócio específico se afasta do negócio. Em alguns casos, por exemplo, quando a cláusula-chave é utilizada, os LPs têm o direito de suspender a capacidade do fundo de fazer novos investimentos, ou até mesmo fechar o fundo.
  • Deveres fiduciários: Os VCs possuem deveres fiduciários, ou seja, compromissos com os demais acionistas das empresas investidas. É muito importante entender quais são esses deveres fiduciários, já que o VC precisa responder à seus LPs e eles possuem um conjunto de responsabilidades legais. Alguns VCs são transparentes quanto à essas questões, mas alguns podem ser confusos e manter segredos. Entenda quais são os incentivos financeiros dos seus investidores para entender seus deveres e termos. Tenha uma conversa aberta e franca com eles, isso pode evitar qualquer surpresa ou trauma no futuro.

Negociando com um VC

Três coisas são muito importantes ao negociar uma rodada de investimentos: alcançar um resultado bom e justo, não acabar com seus relacionamentos pessoais para isso, e entender muito bem o acordo que você está fazendo. Ambas as partes precisam se sentir satisfeitas com o acordo e devem acreditar que os resultados foram justos. Converse com o investidor sobre quais as suas principais preocupações e quais as principais preocupações deles, pois todos estes detalhes devem ser resolvidos e discutidos antecipadamente.

O maior erro cometido durante qualquer negociação, é a falta de preparo.

Problemas enfrentados em cada estágio de desenvolvimento

Cada estágio de financiamento possui diferentes tipos de problemas. É preciso conhecê-los para evitá-los:

  • Estágio Seed: acordos nessa fase têm o maior potencial para falhas. Quanto mais cedo se dá o investimento, maiores as chances de a empresa quebrar, não é mesmo? É irônico, mas se você consegue fazer um ótimo negócio nessa fase, você pode ter problemas no futuro. Se você não conseguir justificar esse ótimo investimento com seu desempenho, você pode ter problemas nas próximas rodadas e não conseguir uma boa valorização da sua empresa. Neste estágio, geralmente se negociam ações ordinárias.
  • Estágio Early stage: Neste estágio, tome cuidado com as preferências pela liquidez, pois as preferências definidas, provavelmente, serão os precedentes das próximas rodadas. Evite dar muito controle cedo demais e fique atento à formação do conselho da sua empresa.
  • Estágios Mid/late stage: Em deals de estágios mais avançados, costumam surgir problemas com o conselho de diretores da empresa e com o controle de votos. Neste estágio, é preciso negociar muito bem as provisões de controle e voto para garantir que a empresa consiga avançar sem conflitos de gestão.

Um outro tipo de term-sheet

A carta de intenção ou Letter of Intent (LOI) também é muito importante para o empreendedor. O primeiro passo formal de que um fundo está interessado em seu negócio, é a criação de uma carta de intenção. Na primeira página do LOI, está definido o preço provável de compra das ações. Este valor normalmente não é o preço real, e sim o melhor cenário para o preço. Além disso, o valor de garantia em reservas (escrow) também é exibido no LOI. Esse escrow corresponde normalmente de 10 a 20% do preço de compra. Ele é utilizado para solucionar qualquer problema que surja depois do investimento e que não tenha sido revelado no acordo de compra.

Enquanto o valuation da empresa, ou o valor no qual o fundo está avaliando a mesma naquele momento é o principal problema na mente de qualquer empreendedor, o segundo ponto mais importante são os termos do acordo. Os termos têm grande impacto na empresa, afinal, um alto valuation com termos que dão muito controle aos VCs nem sempre é uma boa ideia. Antes de captar, é preciso se perguntar o que mais importa para você: um alto valuation ou manter o maior controle possível sobre sua empresa?

Dê ações aos seus funcionários.

Embora os membros do conselho da empresas tenham obrigações fiduciárias com os funcionários e acionistas do negócio, muitas vezes esses negócios não estão tão envolvidos na empresa quanto seus colaboradores. Todo mundo já escutou alguma história, sobre aquisições de empresas, em que os membros do conselho se preocupam com seus próprios interesses às custas dos interesses dos seus acionistas. Por isso, é importante que as empresas tenham planos de distribuições de ações para seus funcionários chave. Quanto mais funcionários acionistas da empresa, menor o risco fiduciário da empresa. É importante ter o chamado "stock pool" ou ações em tesouraria, que são uma alocação de ações para serem distribuídas para os funcionários da empresa.

Muitas startups oferecem a seus funcionários a opção de comprar ações da empresa, o que é uma ótima oportunidade para os colaboradores de ter maiores ganhos no futuro e também pode ser utilizado como uma ferramenta de retenção de profissionais chave.

Dicas jurídicas para os fundadores

Alguns problemas legais são comuns aos empreendedores e podem levar à grandes dores de cabeça e inúmeras implicações financeiras. Por isso, é importante prestar atenção a esses problemas ao invés de assumir que seu advogado vai cuidar de tudo sozinho:

  • Tenha um termo de rescisão nos contratos de trabalho dos colaboradores - dessa maneira você vai evitar muita dor de cabeça se precisar demitir alguém;
  • Tenha um bom advogado trabalhista - problemas sempre surgem nessa área, você precisa se proteger;
  • Levante dinheiro de investidores credenciados - investidores não credenciados podem te forçar a comprar suas ações a qualquer momento (direito de rescisão);
  • Seja cuidadoso e até mesmo um pouco paranóico no começo. Problemas com propriedade intelectual podem atrasar seu negócio e sua capacidade de levantar investimentos. Guarde sua ideia com cuidado ou faça com que as pessoas envolvidas assinem “acordos de confidencialidade” para garantir que seus segredos não vazem no mercado.

Notas Finais

A indústria de venture capital começou em meados de 1950 nos Estados Unidos e segue crescendo. Os desafios ainda são muitos, e, se você, como empreendedor, quer aproveitar desse mercado em ascensão, as dicas neste livro são essenciais.

Não esqueça de contratar um bom advogado; levantar dinheiro de investidores credenciados, e conferir todos os termos dos documentos mais importantes. Tenha um bom pitch e boa sorte!

Dica do 12’: Se você gostou desse título, achamos que você pode gostar também de conhecer o Dealbook. Este site agrega todos os investidores e investimentos do mercado Brasileiro e pode ser uma mão na roda na hora de se preparar para levantar recursos!

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Quem escreveu o livro?

Brad Feld é um empreendedor americano, autor, blogueiro e capitalista de risco no Foundry Group em Boulder, Colorado, uma empresa que começou com os parceiros Seth Levine, Ryan McIntyre e Jason Mendelson. Antes de co-fundar Grupo Foundry, ele co-fundou a Mobius Venture Capital. Brad também é co-fundador da Techstars. Além de seus esforços de investimento, Brad está ativo com várias organizações sem fins lucrativos. Ele atualmente é presidente do Centro Nacional para Mulheres e Tecnologia da Informação e nos conselhos de Caminho Adiante, os Fellows Kauffman, e Defy Ventures. Brad é escritor e palestrante sobre os temas de investimento de capital de risco e empreendedorismo. Ele escreveu uma série de livros como parte d... (Leia mais)

"Venture Capitalist", músico, ex-advogado e autor do livro 'Venture Deals', Jason leciona na Faculdade de Direito da Universidade do Colorado - onde ensina sobre capital de risco. Foi co-fundador e diretor do Mobius... (Leia mais)