Trinta segundos sem pensar no medo - Resenha crítica - Pedro Pacífico
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Trinta segundos sem pensar no medo - resenha crítica

Trinta segundos sem pensar no medo Resenha crítica Inicie seu teste gratuito

Este microbook é uma resenha crítica da obra: Trinta segundos sem pensar no medo

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 978-65-5560-685-0

Editora: Intrínseca

Resenha crítica

A maior leitora do mundo

Pedro cresceu com a influência e a inspiração de suas avós. Elas eram devoradoras de livros. Uma delas, que adorava os livros do Gabriel García Márquez, era uma referência de sabedoria. Aos seus olhos de criança, era a “maior leitora do mundo". 

Ele lembra de como ficou chocado quando, pela primeira vez, perguntou se ela conhecia um livro e ela disse que não. Era “A revolução dos bichos”, de George Orwell. A referência da avó o fez desenvolver o hábito de leitura. Hoje, quando ele precisa dar alguma dica para pais cujos filhos não leem, recomenda o exemplo.

Não adianta cobrar a leitura do seu filho se ele nunca viu ninguém da família com um livro nas mãos. O exemplo das avós fez com que Pedro fosse um menino pouco convencional, que não gostava de futebol. Ele preferia passar o tempo lendo “Desventuras em série”, de Lemony Snicket. Quando entrou na adolescência, se apaixonou pelos livros do Harry Potter, de J. K. Rowling. 

O sofrimento é algo que se sente sozinho

Pedro adorava “Capitães da areia”, de Jorge Amado, se surpreendendo ao descobrir que não era um livro chato, apesar de ser escolar. Um dos momentos da obra que mais o tocaram foi quando dois meninos do livro trocaram carícias. Ainda não entendia o porquê. A história explora vários preconceitos e, entre eles, a homofobia.

Ele sentia que era diferente. Só que não sabia a razão. Às vezes, o sofrimento é algo que se sente sozinho, atormentando o hospedeiro com uma sensação de vergonha. Isso o impede de compartilhá-lo ou pedir ajuda. Aos poucos, ele sofreu bullying por “parecer gay” aos olhos de outros meninos.

Na época, o acolhimento aos homossexuais era escasso e as reportagens ainda falavam sobre “cura gay”. Por isso, Pedro demorou para entender os próprios desejos. Quando cresceu, leu romances de formação que o ajudaram a entender o que viveu, como “O apanhador no campo de centeio”, de J. D. Salinger, “Demian”, de Hermann Hesse, e o autobiográfico “Confissões de uma máscara”, de Yukio Mishima.

Talvez você deva conversar com alguém

Pedro descobriu pela primeira vez o que é uma pessoa apaixonada pela leitura com um professor de literatura da escola. A empolgação que viu nas aulas é a que tentaria passar nas suas redes sociais anos depois. Ele gostou de alguns livros da escola, como Dom Casmurro, de Machado de Assis, e Vidas Secas, de Graciliano Ramos. 

Pedro sofreu pressão da família para fazer faculdade e escolher cursos como Medicina ou Direito. A ansiedade da carreira se combinou com a da sexualidade. Para lidar com as demandas, passou no psiquiatra e consumiu remédios. Também fez terapia com psicólogos, mas de forma intermitente. 

Só depois de vários anos conseguiu se abrir sobre a sexualidade com uma terapeuta. Foi encorajado pelo livro “Talvez você deva conversar com alguém” de Lori Gottlieb, um relato da interação de uma psicóloga com seus pacientes e seu próprio terapeuta. No fim, passou em Medicina e em Direito, optando pela segunda carreira.

No refúgio dos livros

Na faculdade de Direito, Pedro fez intercâmbio na França. Iria viver sozinho pela primeira vez, em um apartamento em Paris. Tinha expectativas altas. Mas a realidade passou longe do sonho. Mesmo sozinho, se sentia reprimido. Seguiu escondendo a própria sexualidade. Sua saúde mental se deteriorou.

Ele sofreu com ataques de pânico, durante os quais chorava, se sentia angustiado e mergulhava em crises depressivas. Em um dos dias, se entupiu de remédios para enjoo, sem saber que a perda de controle do corpo era um dos efeitos colaterais. Ainda seguia a conduta do sofrimento silencioso, escondendo-o dos seus amigos.

Ele só se recuperou ao voltar para o Brasil, depois de meses de tratamento. A lição que levou para a vida toda é cuidar da saúde mental. Parte da melhora também se deu pelos livros. A leitura foi seu refúgio, por meio da qual mergulhou em obras que falavam sobre a angústia, como “A redoma de vidro”,  de Sylvia Plath, “Norwegian wood”, de Haruki Murakami, e “A elegância do ouriço”, de Muriel Barbery.

O Bookster

Quando criança, Pedro tinha poucos lugares para buscar recomendações de leitura. Dependia dos livreiros, os funcionários das pequenas livrarias. Mas eles se tornaram figuras cada vez mais caras. Quando o Instagram se popularizou, descobriu os perfis literários, de influenciadores que falavam sobre livros. Assim, encontrou seu espaço favorito na internet.

Por meio deles, conheceu os clássicos e criou coragem para ler autores que pareciam difíceis, como Dostoiévski e Tolstói. A experiência foi tão boa que Pedro decidiu criar seu próprio perfil. Ainda assim, sua insegurança com a sexualidade fez com que criasse o perfil secretamente. Para esconder a identidade, o nomeou como “Bookster”.

A divulgação foi lenta, um  trabalho de formiguinha. Pedro começou fazendo amizades com outros perfis do nicho, que o ajudaram na divulgação. Só que seu trabalho foi bom o suficiente a ponto de atrair vários seguidores. Nesse ponto, não conseguiu guardar o segredo. Então, contou para todos da existência do perfil e se sentiu bobo por escondê-lo.

A primeira experiência com outro homem

A primeira experiência de Pedro com outro homem foi na adolescência. Os dois estavam alcoolizados, o que fez com que os desejos proibidos aflorassem. Eles eram colegas, se conheciam. No entanto, não eram próximos. Quando ficaram, não houve beijo ou qualquer sinal de afeto. Só a incessante busca pelo prazer carnal.

Esses eram momentos de tensão social e desejo secreto que Pedro reviveria em livros como “Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios”, de Marçal Aquino, e “O quarto de Giovanni”, de James Baldwin. Embora os meninos tivessem ficado juntos, sentiam vergonha mútua. Nunca mais tocaram no assunto. Fingiram que nada aconteceu.

Pedro teve uma relação tóxica consigo. Sentiu arrependimento e repulsa por si próprio. Só depois dessa experiência considerou que, de fato, precisaria assumir para si próprio que era gay. Ainda assim, postergou ao máximo que pode. Se sentiu perdido, culpado e angustiado. Quando adulto, arranjou uma namorada para disfarçar a sexualidade.

Os sofrimentos do jovem Pedro

Já passamos da metade do microbook e Pedro conta que terminou com a namorada. Decidiu viver algo que fizesse sentido para a própria sexualidade. Ainda assim, tinha auto-aversão, medo e vergonha. Não conseguia pronunciar a frase “eu sou gay”. Decidiu se relacionar com outros homens no sigilo, por meio de apps de paquera.

Só passou a olhar para si às claras quando se apaixonou por um rapaz que conheceu em uma festa de ano novo. Ele se tornaria seu namorado, ainda que em segredo. Pedro finalmente sentiu o que só tinha conhecido em livros, como em “Os sofrimentos do jovem Werther”, de Johann Wolfgang von Goethe, e “O amor nos tempos de cólera”, de Gabriel García Márquez.

Só que Pedro perdeu o controle. Ficou sem chão, como os personagens dos livros. Era a primeira vez que sentia algo tão intenso. Para lidar com o turbilhão de ansiedade que vinha da paixão e da pressão para esconder sua sexualidade, voltou a frequentar a psicóloga. Isso o tornou mais corajoso e o fez ficar pronto para se assumir.

Trinta segundos sem pensar no medo

Pedro estava feliz com o discreto namoro. Ainda assim, sentia vontade de fazer tudo às claras. Já se sentia mais corajoso e com a saúde mental mais estruturada. Por isso, decidiu contar para os pais a verdade sobre sua sexualidade. Ele se sentiu extremamente nervoso no dia. Chamou primeiro a mãe para conversar no seu quarto.

Para ter coragem o suficiente para dizer, decidiu seguir uma dica que viu em um filme. A estratégia era ficar trinta segundos sem pensar no medo para, durante esse meio-tempo, agir. Então, dentro dessa metade de minuto, contou para a mãe. Ela chorou, mas foi acolhedora. A sensação foi de alívio. Ele tinha expectativas bem baixas. 

Sua mente estava repleta de histórias de pais preconceituosos com reações agressivas. Por isso, não sabia o que esperar. Quando contou ao pai, alguns dias depois, a reação foi igualmente acolhedora. Ele disse que a sexualidade do filho não interferia em nada no amor que sentia por ele, o que levou Pedro às lágrimas.

Pedro torna-se a si próprio

Pedro também foi acolhido pelas irmãs. Ele percebeu que não tinha mais muito a esconder, uma vez que as pessoas mais importantes da sua vida já sabiam. Os livros o ajudaram na libertação pessoal. Ele contou com o apoio dos amigos, que queriam saber cada detalhe sobre o namoro.

Assim, teve a experiência de contar as minúcias livremente. Sentiu-se, pela primeira vez, ele próprio. Temia a reação das avós, que tanto admiravam. Embora ainda tivessem os traços de preconceito da sua geração, elas não receberam mal a notícia. Então, Pedro criou coragem para espalhar ao mundo quem realmente era.

Decidiu fazer a revelação no perfil Bookster. Embora praticamente não tenha sofrido hate, ele perdeu 5 mil seguidores. Isso o fez perceber que parte do preconceito é silenciosa. Para fazer com que os sobrinhos entendessem a diversidade familiar, deu a eles um livro sobre o assunto. É “O grande e maravilhoso livro das famílias”, da autora infanto-juvenil Mary Hoffman com a ilustradora Ros Asquith.

Trocando confidências

Na adolescência, Pedro descobriu que não era a única pessoa que despertava dúvidas sobre a própria sexualidade na família. Ele tem um padrinho, que sempre andava com um amigo da família. Um dia, sua irmã confidenciou que eles eram, na verdade, namorados. Mas como muitos casais homoafetivos de outra geração, eles silenciaram.

Quando esse companheiro faleceu, o padrinho viveu um luto silencioso. Ele não quis demonstrar que sentia falta de alguém que era muito mais do que um amigo. A diversidade na sua geração era mais difícil, o que o fez esconder sua intimidade de todos. Para a sociedade, era heterossexual. Manteria assim pelo resto da vida.

Quando Pedro assumiu a sexualidade, decidiu contar ao padrinho. Isso fez com que os laços se fortalecessem. Aos 94 anos, ficou feliz ao ver o afiliado ser acolhido. Eles passaram a compartilhar confidências e o apadrinhamento também virou uma inspiradora amizade entre gerações.

Ler é um hábito diário

A dica de Pedro é ser constante. Faça da leitura um hábito diário. Esqueça as metas altas. O que vale é ler todos os dias. Não precisa ler 100 páginas por dia. Comece com 5 ou 10. O mais importante é não deixar a rotina empoeirar os livros.

Sempre esteja lendo alguma coisa, mesmo que pouco por dia. Para que sinta vontade de ler, você precisa escolher os livros certos. Opte pelos que trazem mais vontade. Pense como pensaria ao escolher um filme ou série.

O que importa é o que você gosta, não o que os outros dizem que é bom. Comece por livros curtos. É mais motivador. Você pode escolher o melhor momento do dia, seja manhã, tarde ou noite. Pedro gosta de ler antes de dormir, enquanto há os que leem ao acordar ou no transporte público.

Espalhe a leitura

Sempre que possível, crie um ambiente gostoso para ler. Uns gostam de ler com música, enquanto outros adoram o conforto de um pufe. Aqui, vale evitar as métricas dos outros. Se não gostou de um livro, abandone-o, ainda que seja um clássico. 

Não existe leitura superior. Cada experiência é única. Depois de publicar inúmeras resenhas, Pedro passou a defender que não existe unanimidade literária. As opiniões sobre os livros sempre divergem.

Por fim, fale sobre livros. Não deixe a literatura morrer. Quem tem o privilégio de ler em um país com poucos leitores deve incentivar a leitura. Faça a sua parte. Espalhe a leitura por onde for.

Notas finais

Trinta segundos sem pensar no medo é um relato de superação do preconceito e de uma saúde mental conturbada com a ajuda dos livros. Mostra também como a busca por pessoas que compartilhavam os mesmos gostos levou à criação de um dos grandes perfis literários do Instagram. É também um grande incentivo ao hábito de ler.

Dica do 12min

Pedro Pacífico citou vários livros que o ajudaram a crescer. Um deles é o “Talvez você deva conversar com alguém”, da psicóloga Lori Gottlieb. Temos uma versão dele em microbook. Confira no 12 min!

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Quem escreveu o livro?

Pedro Pacífico nasceu em São Paulo, onde atua como advogado, com formação pela USP e mestrado em Nova York. Além disso, também é conhecido por Bookster, em virtud... (Leia mais)

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