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Prólogo, ato, epílogo

Prólogo, ato, epílogo Resumo
Biografias & Memórias

Este microbook é uma resenha crítica da obra: Prólogo, ato, epílogo

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN:  978-8535932553

Resumo

Prólogo

Fernanda Montenegro completou 90 anos em 2019 presenteando seus fãs com este livro de memórias. E logo de cara, ela o dedicou aos netos Joaquim, Davi e Antônio. Não por ordem de preferência, mas de chegada ao mundo.

Prólogo, Ato, Epílogo é um projeto gerado a partir de 18 entrevistas realizadas pela escritora e jornalista Marta Góes com Fernanda. Os depoimentos foram colhidos entre julho de 2016 e novembro de 2017 e a partir de sua transcrição Fernanda escreveu o livro entre novembro de 2017 e agosto de 2019. 

Fernanda dá início ao seu relato dando conta que sua vida pode parecer um boletim ou tragédia, mas não passa de uma realidade brutal de sobrevivência. O que seus antepassados passaram para sobreviver no Brasil é inimaginável para seus filhos Cláudio e Fernanda, que nasceram e cresceram na Zona Sul do Rio de Janeiro entre as décadas de 1960 e 1970

Fernanda brinca que sua descendência é praticamente medieval, pois seus familiares eram muito ligados à agricultura e ao pastoreio. A família de seu pai era composta por lavradores portugueses e a de sua mãe de pastores da região da Sardenha, na Itália, sendo separados por apenas uma geração. 

Sua família materna chegou da Itália em 1987 em um grupo de cerca de 800 imigrantes. Sua travessia demorou 35 dias em um navio com muita miséria e poucas condições de higiene. 

Quando houve a junção das famílias Pinna e Piras, da avó materna, e Nieddu, dos avôs paternos, Fernanda se deparou com uma família muito grande. Eram muitos tios e primos que chegaram para trabalhar em fazendas de café de Minas Gerais, como forma de substituição à mão de obra escrava. 

Ali, ninguém imaginava que ela se tornaria na maior atriz brasileiras de muitas gerações. 

O começo

Fernanda Montenegro nasceu no Rio de Janeiro em 16 de outubro de 1939. Na verdade, nesse dia nasceu Arlette Pinheiro da Silva Torres. Mais para frente falaremos um pouco de seu nome artístico.

Arlette cresceu em meio a essa família grande, numerosa e cheia de amor. No começo da adolescência, entrou no curso de secretariado da Escola Berlitz, onde estudava português, inglês, francês, datilografia, estenografia e correspondência comercial nas três línguas em um curso de quatro anos.

Aos 15 anos, ouviu um anúncio na programação da Rádio MEC: “Você, que é estudante, venha participar do Radioteatro da Mocidade!”. Esta era a rádio de maior audiência ao lado da Rádio Nacional em tempos pré-televisão.

A Rádio MEC tinha muito prestígio cultural e sua programação abarcava desde atrações envolvendo música clássica até mesmo divulgação educacional. Tinha o slogan criado por Roquette-Pinto, o pai da radiodifusão no país: “Pela cultura dos que vivem em nossa terra, pelo progresso do Brasil”. O rádio era, então, o principal meio de comunicação do país. 

E naquele tempo, a Rádio MEC tinha a missão de formar jovens que servissem de instrumentos para uma rádio cada vez mais cultural, atuando em um prédio que não era muito grande, mas chamava atenção. 

Nem é preciso dizer que a grande dama da TV e do cinema brasileiro passou no teste, né? Ela precisou ler um pequeno poema, que nem lembra mais quem o escreveu, para começar sua vida artística e ver uma série de transformação em sua vida, sem deixar de lado suas origens e sempre recordando os bons momentos com a família quando possível.

Ato

A Rádio MEC foi uma grande transformação na vida da pequena Arlette. Havia lá uma grande biblioteca e sua discoteca era a maior do país. Na redação, havia muitos intelectuais, entre eles escritores, jornalistas, professores e músicos. Os melhores da época.

Até mesmo a Orquestra Afro-Brasileira tinha um espaço para ensaios na Rádio MEC, com acústica perfeita e um piano de excelente qualidade. O elenco de radioatores do qual Arlette pertencia recebia aulas de português, declamação e noções de logopedia, além de todas as apresentações exigirem uma preparação minuciosa. 

A programação musical da Rádio MEC era complementada com informações culturais sobre os grandes escritores do mundo, além de apresentações de textos de obras literárias, mesmo de obras eruditas. 

Ainda Arlette, ela apresentou muitos programas que fomentavam a cultura em diversas frentes nos 10 anos que esteve nos quadros da Rádio MEC. Fernanda não deixa de chamar atenção para o fato de que aquele início foi fundamental para sua vida artística, a preparação necessária para os caminhos futuros que a levaram a ser uma das principais atrizes da história do país. 

Surge Fernanda Montenegro

Foi a partir da metade de sua trajetória na rádio que Fernanda, ainda Arlette, passou a produzir, adaptar e apresentar o programa Passeio Literário. Nele, trazia informações sobre literatura, bem como notícias de lançamentos, entrevistas, adaptações de livros para o radioteatro da emissora. 

Seu nome de locutora e radioatriz era Arlette Pinheiro. E passou a assinar como redatora como Fernanda Montenegro de maneira bem humorada. Ela achava que o nome Fernanda tinha um clima de romance do século XIX. Montenegro era um nome que sempre ouviu falar, incluindo um médico que atendeu muitos doentes de sua família e os curou de forma milagrosa, segundo a tradição da grande família. 

A partir daí, o nome Arlette ficou restrito apenas aos familiares mais próximos e o público ganhou a gigantesca Fernanda Montenegro do teatro, cinema e televisão. 

Um amor para toda a vida

Quando passou a se dedicar, de fato, à vida artística, Fernanda passou por experiências muito marcantes, como a primeira vez em que encontrou Bibi Ferreira e lembrou que ouviu sua voz pela primeira vez aos nove anos. 

A família de Fernanda teve alguma resistência à sua entrada na vida de atriz, já que em suas primeiras décadas de atuação as atrizes precisavam andar com credenciais para andar pelas ruas à noite, como também acontecia com as prostitutas de então. Mas a determinação de Fernanda fez com que todos entendessem que sua veia artística era uma vocação. 

Ela estreou como atriz no Teatro Ginástico, em 1950, na peça “Alegres Canções nas Montanhas”. Foi lá que conheceu Fernando Torres. Houve as primeiras conversas, a troca de cartas e comentários puramente artísticos, mesmo quando o ator foi estudar fora do país. Do início do namoro até o casamento se passaram 60 anos de uma verdadeira devoção. 

Fernando morreu em 2008 e alternou muitas turnês, nos anos áureos, em que ele e Fernanda atuaram juntos, dirigiam um ao outro que tornou-se seu marido dois anos depois. 

Para provar que a vocação artística é coisa de família, os filhos Cláudio Torres e Fernanda Torres nunca se distanciaram do talento dos pais. Ele é um diretor de cinema e ela é a conhecida atriz, roteirista e escritora que os brasileiros se acostumaram a ver nas telas da televisão e do cinema. 

E não foi fácil: Fernanda Montenegro relata o quão difíceis foram as gestações de seus dois filhos. Por muito pouco eles não morreram em meio aos meses de gravidez.

Pouco antes de Fernando Torres falecer em decorrência de problemas nos pulmões, Fernanda chegou a ensaiar uma peça na mesa da cozinha da casa onde moravam. Foi depois de alguns minutos que ele percebeu estar a sós com a esposa. Eles ainda tiveram problemas por erros médicos entre o fim dos anos 1980 e começo da década de 1990, que foi solucionado por uma intervenção de Dráuzio Varella. 

Ambos tiveram uma vida juntos e Fernanda ressalta que ele foi o grande amor de sua vida, o único amor de fato. 

Ainda hoje, podemos vê-lo citado como referência em diversas entrevistas de toda a família, que volta e meia atua nas mesmas produções. 

Fernanda Montenegro esteve nos palcos junto com a filha em uma peça dirigida pelo então genro Gerald Thomas, que chocou parte do público com algumas cenas fortes. No filme Casa de Areia, ambas foram dirigidas por Andrucha Waddington, esposo de Fernanda Torres.

E ainda neste ano, Fernanda Montenegro ainda esteve nas telonas ao lado de Joaquim, seu neto, no filme O Juízo, roteirizado por sua filha e também dirigido por Andrucha Waddington. 

TV, cinema...

Fernanda Montenegro foi a primeira atriz contratada pela TV Tupi para atuar no teleteatro, quando havia peças de autores renomados como Shakespeare e Dostoiévski, trabalhando ao lado de nomes como Nathalia Timberg e Cacilda Becker.

Com o nome em ascensão, mudou com Fernando para São Paulo nos anos 1950, onde fizeram história no “Teatro dos Sete”, companhia criada por especialistas na área: e outros nomes populares na época. Naquele momento, o nome da atriz já estava e Fernanda, Fernando, Sérgio Britto, Ítalo Rossi e Gianni Ratto. Tal grupo fez sucesso representando peças de Nelson Rodrigues, entre elas O Beijo no Asfalto, em 1961.

Sua estreia no cinema se deu no filme A falecida, de 1965 e também rodriguiana, obra que chegou a ser censurada. 

Seu primeiro destaque internacional foi no filme Eles não usam black-tie, de 1981, depois de 14 produções na TV, vencendo inclusive o Leão de Ouro no Festival de Veneza. Sua estreia em novelas da TV Globo se deu com a novela Baila Comigo, de Manoel Carlos. A primeira de mais de 20 na emissora. 

Lá, protagonizou a clássica cena da briga no café da manhã com Paulo Autran em Guerra dos Sexos e fez a vilã Bia Falcão em Belíssima, quando já era mais que consagrada. 

Central do Brasil

O auge da carreira de Fernanda começou com um convite de Walter Salles. Central do Brasil foi um trabalho que a colocou pertinho de trazer um Oscar para o Brasil. Público e crítica amaram o filme em todo o mundo. 

Fernanda conquistou o Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim, participou de grandes como o Globo de Ouro, BAFTA e o Festival de Havana, além de ter sido indicada à Melhor Atriz no Oscar de 1999, a primeira de uma latino-americana à categoria, mas que foi vencida por Gwyneth Paltrow  de Shakespeare Apaixonado

O filme ainda foi indicado ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro, vencido pelo italiano A Vida É Bela e Fernanda relata que chegou a ouvir do ator Ian McKellen ter sua torcida na premiação. 

Epílogo

Com nove décadas de vida e mais de 70 anos de carreira, Fernanda Montenegro diz que não está pronta. E nunca é possível estar na vida artística. Ela segue trabalhando e atuando, sendo figura importante no debate cultural do Brasil.

Ganhou incontáveis prêmios como atriz desde 1953 e segue com a disposição de uma iniciante. É uma dama, da qual todos devem parar para ouvir para entender mais sobre arte e sobre o país. 

Notas finais 

Fernanda Montenegro é sinônimo de excelência. Trata-se da maior atriz de todos os tempos no Brasil. E em todos os campos: teatro, TV, cinema. Agora também na literatura

Ler sua história de 90 anos de vida e mais de 70 de atuação é um verdadeiro prazer. É uma verdadeira celebração à cultura brasileira!

Dica do 12’

Depois de ler um pouco mais sobre a história de vida de Fernanda Montenegro, que tal fazer uma maratona de seus filmes e séries, valorizando sua história e a produção nacional?

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Quem escreveu o livro?

Fernanda Montenegro é uma mulher extremamente importante para a cultura brasileira. Quando temos a oportunidade de nos deliciar com novelas, séries ou filmes onde ela está presente, sabemos que será uma experiência única. O livro "Prólogo, ato, epílogo", carrega um pouco dessa experiência. Mostrando a trajetória desta, que é uma das maiores atriz... (Leia mais)