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O relojoeiro cego

O relojoeiro cego Resumo
Ciência

Este microbook é uma resenha crítica da obra: The Blind Watchmaker

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 978-85-3590-161-0

Também disponível em audiobook

Resumo

Como explicar o muito improvável

Somos animais. Isso você já aprendeu na escola, junto com a diferença entre os seres irracionais e nós, os racionais, lembra? Mas não é só isso: o ser humano é a coisa mais complexa do universo conhecido. 

É preciso levar em consideração que conhecemos um fragmento minúsculo de toda essa imensidão, do nosso planeta ao espaço com bilhões de estrelas e galáxias. Possivelmente, pode haver objetos ainda mais intrincados e difíceis de interpretar do que nós, a bilhões de anos-luz daqui. Considerando esse cenário, essa outra espécie já deve até saber de nossa existência na Terra. 

Mas isso não muda o fato de que entender nossas origens exige explicações aprofundadas. O tempo todo, alguém se pergunta de onde viemos e de que maneira tudo isso ao redor foi criado. A explicação foi dada pela ciência há alguns anos, mas é importante desmistificar esse conhecimento de uma maneira simples de ser compreendida pela população média. 

Nossas origens são as mesmas que tiveram chimpanzés, vermes, carvalhos e até mesmo o espaço estelar. A maior diferença está no design. A formação de nosso organismo e cérebro é a mais complexa que existe. 

Chegamos ao conhecimento disso depois de anos de evolução e muitos estudos no campo da biologia — que destrincha porque tamanha complexidade parece intencional — e da física, que torna simples as leis do universo.  

E é por meio dessas duas disciplinas que compreendemos como a robustez e alta tecnologia de máquinas altamente rebuscadas criadas pela humanidade são apenas reflexos da dificuldade que o funcionamento de cada pessoa carrega. 

O relojoeiro cego

O nome do livro se refere a uma brincadeira que explica bem o funcionamento do universo. Podemos comparar a seleção natural ao trabalho de um relojoeiro cego. 

Isso porque, nos dois casos, não há previsão de consequências pelo trabalho diário, tampouco algum propósito em vista. Parece que não vai dar em nada e ninguém acredita no processo. Apesar disso, seus resultados nos deixam encantados porque parecem ter sido feitos por um profissional magistral, que se planejou detalhadamente para fazer cada engrenagem começar a funcionar. 

De fato, esse um paradoxo também existe na ciência. Todo corpo ou órgão vivo tem um design invejável. Parece ter sido desenvolvido por meio das habilidades de um engenheiro muito inteligente, capacitado e especializado naquilo. Esse profissional desenvolve máquinas que voam, nadam, enxergam, se alimentam, sobrevivem e replicam os próprios genes. 

Esse engenheiro pode ser chamado de evolução por meio da seleção natural. Seu trabalho de bilhões de anos teve início da mesma forma que o relojoeiro cego começa a trabalhar: sem a intenção de chegar a lugar algum, apenas fazendo aquilo que sabe. E aqui chegamos, ao estudo de como o mundo começou.

Acumulação de pequenas mudanças

O primoroso design de todos os seres vivos não surgiu por acaso. Darwin mostrou isso ao provar que ocorreram transformações graduais, feitas passo a passo, com um início simples que foi ganhando grande escala com o passar do tempo. 

As mudanças sucessivas no processo evolutivo eram simples em comparação com o formato anterior, mas quando essa sequência se acumula, fica nítido que não se trata de um processo aleatório, e sim algo necessário para o desenvolvimento, multiplicação e sobretudo sobrevivência de uma espécie na natureza. 

Vistas em conjunto, essas pequenas alterações de cada espécie reforçam a feliz metáfora do relojoeiro cego. A evolução por meio da seleção natural se prova como fundamental para chegarmos ao desenvolvimento tecnológico de hoje. 

Se sem as invenções rudimentares do passado não chegaríamos à comunicação instantânea de nossos tempos, da mesma forma só é possível estarmos adaptados ao mundo contemporâneo devido a esses pequenos passos evolutivos que nos trouxeram até aqui. 

Origens e milagres

Já passamos da metade deste microbook. É hora de falar em sorte, coincidência ou milagre. Na verdade, os eventos qualificados dessa forma não passam de uma sequência de eventos naturais, mais ou menos improváveis. 

Na natureza, alguns eventos possíveis são muito improváveis para serem levados em consideração, mas é impossível saber disso sem fazer um cálculo de quantas vezes eles acontecem. E é preciso saber quantas oportunidades estiveram disponíveis para que esses eventos ocorressem. 

Se você der tempo ou oportunidades infinitas, qualquer coisa é possível de acontecer. Números muito grandes, fornecidos pela astronomia, e os intervalos de tempo imensos característicos da geologia combinam-se para nos desnortear em nossas estimativas corriqueiras sobre o que é esperado e o que é milagroso. 

Para deixar mais clara a explicação sobre como a vida se originou na Terra, o autor demonstra que a imensidão do tempo geológico demonstra que se trata de uma sequência de coincidências altamente improváveis, com uma seleção cumulativa como chave para dar origem à vida na Terra. 

Evolução construtiva

Muita gente enxerga a seleção natural como uma força negativa, erradicando anomalias e deficiências, sem construção de complexidades, beleza e design eficiente nos seres vivos. Ledo engano. 

Ela não se limita a eliminar aquilo que já existe. Afinal, em todo processo criativo também é necessário acrescentar novos itens para o aperfeiçoamento de um produto. Para entender melhor, o exemplo da estátua é eficaz. Nada é acrescentado a um bloco de mármore, mas o escultor vai tirando os excessos para deixar sua obra com o formato desejado. O processo da seleção natural é semelhante. 

Enquanto ela subtrai, a mutação adiciona novas funcionalidades aos corpos. Juntas, elas levam a um acúmulo de complexidade que se parece mais com uma adição do que com a subtração. Assim, com o passar dos anos, é possível notar o quanto algumas espécies perderam algumas funcionalidades, mas ganharam outras, mais úteis a suas novas formas de vida.

A verdadeira e única árvore da vida

Existe um padrão de evolução e desenvolvimento para grupos de animais e plantas que compartilham de determinadas características. Esse é um mecanismo complexo, mas fundamental para entender mais sobre o funcionamento da natureza e da seleção natural. 

Daí surge a taxonomia, nome dado à ciência da classificação de espécies. Para algumas pessoas, ela tem a reputação de ser maçante, remetendo a museus empoeirados. 

Isso é um equívoco. A taxonomia pouco tem de entediante. Na verdade, esse campo da ciência é um dos mais vastos, por ter a missão importante de catalogar o máximo possível de espécies, dar nome a cada uma delas e realizar a classificação em grupos. 

Além disso, até mesmo filósofos e historiadores são interessados no tema, já que ele ajuda a interpretar o comportamento humano em determinada época, de acordo com as espécies que cercam o local de convivência. É uma verdadeira árvore da vida. 

E por incrível que pareça, há biólogos modernos que se enxergam como antidarwinistas, sem enxergar o quanto esse ramo é fundamental para demonstrar na prática a evolução das espécies. 

Além de animais e plantas, taxonomistas também podem estudar e classificar rochas, navios de guerra, livros de uma biblioteca, estrelas, línguas. Sempre da maneira mais conveniente para atender às nossas necessidades práticas. A biblioteconomia é a ciência humana derivada da taxonomia mais conhecida e segue os mesmos métodos de trabalho.  

Biólogos evolucionistas entendem que a classificação dos organismos vivos ajuda a desvendar a existência de uma única árvore genealógica ramificada correta para todos os seres vivos. 

Com essa verdadeira árvore da vida, é possível mapear nossas origens, compreendendo com profundidade a evolução e se encantando com a habilidade desse relojoeiro cego, mas habilidoso como nenhum outro. 

Notas finais 

A evolução das espécies por meio da seleção natural parece difícil de ser compreendida a princípio. Mas obras de divulgação científica como esta são capazes de demonstrar como se trata de um processo encantador, que explica o funcionamento da natureza e a riqueza da biologia.

Richard Dawkins presta um grande serviço quando se debruça na transmissão de seu vasto conhecimento para o público comum, muitas vezes resistente a se desapegar de suas crenças sem rigor científico. Esta verdadeira aula sobre o desenvolvimento humano e de todo o universo merece ser disseminada para pessoas de todas as idades. Afinal, conhecimento nunca é demais. 

Dica do 12min

Em Deus, um delírio, o mesmo Richard Dawkins traz uma crítica ácida às religiões e prega um ateísmo militante.

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Quem escreveu o livro?

Clinton Richard Dawkins FRS (Nairóbi, 26 de março de 1941) é um etólogo, biólogo evolutivo e escritor britânico. É fellow emérito do New College da Universidade de Oxford e foi Professor para a Compreensão Pública da Ciência, na mesma universidade, entre 1995 e 2008. Dawkins ganhou destaque com o seu livro O Gene Egoísta, de 1976, que popularizou a visão da evolução centrada nos genes e introduziu o termo meme. Em 1982, ele introduziu, na biologia evolutiva, a ideia de fenótipo estendido - segundo a qual, os efeitos fenotípicos de um gene não são necessariamente limitados ao corpo de um organismo, mas podem ampliar-se também ao meio ambiente, incluindo os corpos de outros organismos. Esse conceito é apresentado em seu livro O Fenótipo Estendido. Dawkins é ateu declarado, vice-presidente da Associação Humanista Britânica e defensor do movimento bright. Ele é bem conhecido por suas críticas ao criacionismo e ao design inteligente. Em seu l... (Leia mais)