O Despertar de Uma Nova Consciência Resumo - Dalai Lama

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O Despertar de Uma Nova Consciência

O Despertar de Uma Nova Consciência Resumo
Sociedade & Política

Este microbook é uma resenha crítica da obra: Opening the Eye of New Awareness

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 978-85-326-3772-7

Também disponível em audiobook

Resumo

Consciência é um termo que, com o passar dos anos, vem ganhando cada vez mais interpretações. Dalai Lama elaborou um material que fala um pouco sobre isso, voltado principalmente para os conhecimentos budistas e o que permeia o Budismo Tibetano. Aqui, vemos o que há de melhor sobre essa corrente de pensamento, tudo com uma linguagem acessível e introdutória.

Caso esteja em busca de compreender mais sobre o pensamento budista, este livro pode ser uma boa porta de entrada. Ideal para ser lido em momentos de estudo e concentração. 

Dalai Lama foi o chefe de estado e líder espiritual do Tibete. Sendo da linhagem de líderes religiosos do budismo tibetano, ele é reconhecido por todas as escolas dessa corrente, e é considerado uma Santidade e uma Majestade até os dias de hoje. Conheça mais sobre o que este homem prega e o que ele tem a compartilhar neste livro.

Um panorama do Budismo Tibetano

Um aperitivo do conteúdo do livro é fornecido em um breve discurso de Dalai Lama. Ele enaltece as variedades do pensamento Budista e sugere como elas engrandecem a doutrina. As diversas correntes carregam a mesma motivação em sua base: a compaixão e a bondade. Ele apresenta alguns termos que serão abordados ao longo do livro: o Veículo dos Ouvintes, os Veículos dos Bodhisattva, a Ética Especial, a Estabilização Meditativa e a Vacuidade.

A conduta diária e o seguimento dos princípios é benéfico tanto para o desenvolvimento interno quanto para a sociedade. O budismo é importante frente aos perigos dos problemas humanos de guerra, terrorismo e insegurança. Ele apresenta instrumentos para atingirmos a ausência de um eu inerente. Desse modo, é possível remover nossas aflições de uma maneira definitiva.

A necessidade da prática religiosa

Dalai Lama abre o capítulo com uma reflexão sobre o nosso mundo de produtos químicos e armamentos. Ele deixa um tipo de alerta. Enquanto a cultura material externa se desenvolve e se expande, a atitude interna e a atenção plena são deixadas de lado. Essas qualidades, entretanto, podem ser alcançadas a partir da prática do pensamento e da meditação.

Ele parte do princípio de que todos os seres, desde o menor inseto em diante, são iguais no sentido de desejarem a felicidade ao invés do sofrimento. Nenhum ser vivo existe buscando um sentido contrário a esses dois conceitos.

Para estabelecer as causas que originam a felicidade e abandonar as bases que produzem o sofrimento, o homem precisa do suporte da religião. Ele mostra como a prática religiosa é importante na abstração de situações em que enfrentamos doenças físicas. A capacidade de aliviar o sofrimento físico e mental é muito maior para aqueles que compreenderam o significado da religião. Eles conseguem aguentar melhor essas aflições.

Para suportar mentalmente uma doença, deve-se levar em consideração o caráter cíclico do sofrimento e saber aceitá-lo. Ao tomar essa consciência, o poder do pensamento interno será capaz de aliviar as dores e sofrimentos da doença física.

Pessoas que não entendem a essência da prática religiosa estão sujeitas a buscar felicidade na acumulação de riqueza. Isso é uma busca frustrante pois elas sempre irão sofrer quando for necessário se separar de seus bens materiais. E além disso, estão mais sujeitas a sofrer com insultos, acusações e calúnias.

Porém, os sentimentos negativos e a angústia surgem por meio de sensações como o orgulho, avareza e ódio. A religião ajuda a superar os anseios com o contentamento e a abnegação. Fatores necessários para manter o corpo e a mente em um agradável estado de tranquilidade.

Ele ressalta que não devemos nos satisfazer apenas com a felicidade dessa vida. Os benefícios devem ser de longo alcance. Devemos mirar o alcance da felicidade e o alívio do sofrimento também nas vidas futuras.

Renascimento

Dalai Lama faz uma breve passagem de suas ideias sobre o conceito de  Renascimento ao falar sobre vidas futuras. Ele deixa bem claro que seu pensamento parte do princípio de que o corpo está sujeito ao controle da mente.

Sugere que as pessoas que não compreendem a doutrina do renascimento têm a noção de que a mente depende exclusivamente do corpo. Outros pensam que a mente seria uma qualidade do corpo, ou da natureza da formação do corpo. O fato de não poder testemunhar as vidas passadas e futuras, para essas pessoas, garante a não existência dessas “outras vidas”.

Mas o corpo físico não é causa substancial da mente. A mente é uma capacidade cognitiva e sensível. Não é da natureza do corpo. Nenhum fator do corpo dos progenitores se torna a mente do descendente. Pelo raciocínio, a mente da vida anterior seria a causa substancial da mente da vida presente. Os genes dos pais seriam, dessa forma, apenas a causa substancial física do corpo da criança.

Não se pode pressupor que algo não existe simplesmente porque não pode ser visto ou evidenciado. Não se pode dizer que vidas passadas e futuras não existem apenas por não serem diretamente perceptíveis.

O conhecimento de vidas passadas e futuras surgirá somente naqueles que alcançarem um alto nível de estabilização meditativa. Isso é possível por meio do poder da meditação religiosa. Dessa maneira, será possível cultivar uma boa mente e prepará-la melhor para as vidas futuras.  

As Duas Verdades

Nesse capítulo, Dalai Lama apresenta as Duas Verdades. São bases conceituais necessárias de boa compreensão. São indispensáveis para atingirmos a liberação do ciclo da existência. São duas Verdades que formam a mesma entidade. Porém, se manifestam de maneira isolada uma da outra.

As “verdades últimas” possuem um objeto explicitamente encontrado por uma consciência racional. Elas são divididas em duas: a ausência do eu inerente nas pessoas e a ausência do eu inerente nos fenômenos. Estas, por sua vez, são divididas novamente, em 4 vacuidades. A vacuidade das coisas funcionais, a vacuidade das coisas não funcionais, a vacuidade da natureza e a vacuidade de uma entidade. A vacuidade é a condição daquilo que é vazio.

Já as “verdades convencionais” possuem 3 tipos de divisões: os cinco agregados, as doze fontes e os dezoito constituintes.

Os cinco agregados

  1. Agregado da forma: 5 faculdades físicas internas dos sentidos. Além de 5 formas externas e das formas não reveladoras;
  2. Agregado da sensação: sensações de prazer, de dor e de neutralidade;
  3. Agregado da discriminação: conceitual e não conceitual;
  4. Agregado de fator de composição: relacionado aos fatores mentais;
  5. A consciência: desde a consciência do olho até à consciência mental.

As doze fontes

São basicamente seis fontes internas: as capacidades sensoriais dos olhos, ouvido, nariz, língua, corpo e mente. E seis fontes externas: a fonte da forma, a fonte do som, a fonte do odor, a fonte do paladar, a fonte do objeto do tato e a fonte dos fenômenos.

Os dezoito constituintes

  1. Seis capacidades sensoriais: do olho, ouvido, nariz, língua, corpo e mente;
  2. Seis constituintes da consciência: consciências de cada um dos sensores;
  3. Os seis objetos observados: formas, sons, odores, paladares, objetos do tato e outros fenômenos.

Todos os fenômenos compostos estão incluídos nos 5 agregados. Todos os objetos de conhecimento estão incluídos nas doze fontes e nos dezoito constituintes. O propósito de delinear os fenômenos, é fazer a pessoa adquirir competência para conseguir a liberação. E com ela, o estado de permanente separação do sofrimento.

Três coleções de escrituras e três objetos de abandono

As três coleções escriturais são textos sagrados que envolvem os Conjuntos de Discursos, a Disciplina e o Conhecimento Manifesto. Nelas se encontram as oitenta e quatro mil coleções da doutrina budista.

Há nove razões para defender três coleções escriturais: três razões em termos do objeto de abandono; três razões em termos dos treinamentos especiais; três razões em termos dos objetos a serem conhecidos.

Os três objetos de abandono são as aflições secundárias: (1) dúvida, (2) comportamento extremo e (3) sustentar que o próprio ponto de vista é supremo. Cada escritura é como um antídoto para cada objeto.

A Coleção Escritural dos Conjuntos de Discursos remove dúvidas a respeito das características dos objetos de conhecimento. Ela tem bem delineados os conceitos de agregados, fontes, perfeições, constituintes. Todos são conceitos elaborados no contexto do treinamento em estabilização meditativa.

A Coleção Escritural da Disciplina é um antídoto para os extremos de satisfação do desejo. Ela descarta sensações como o apego, o orgulho e a arrogância. O envolvimento em todas as ações impróprias e o apego aos desejos internos pelo comportamento impuro são proibidos.

A Coleção Escritural do Conhecimento Manifesto é um antídoto para a concepção de que o próprio ponto de vista seja supremo. Ela combate as aflições dos pontos de vista equivocados. Tem bem delineados fatores como a impermanência, o sofrimento e a ausência de um eu inerente.

Três coleções de escrituras e os três treinamentos

Os treinamentos fornecidos pelas escrituras são focados em ética, estabilização meditativa e sabedoria.

Os Conjuntos de Discursos contemplam os três. Ensinam a ética da restrição pessoal, como a restrição de maus tratos. Ensinam as estabilizações meditativas das concentrações e absorções sem forma. Ensinam a sublime sabedoria não conceitual. Aquela que compreende o modo de ser.

A escritura da Disciplina purifica a ética ao ensinar as coisas a serem adotadas ou descartadas. Agonias e arrependimentos mentais desaparecem. A estabilidade meditativa pode ser contemplada.

A escritura do Conhecimento delineia e diferencia com clareza as característica dos fenômenos. Ela fornece base ao treinamento da sabedoria.

Os conjuntos de discursos existem para esclarecer as doutrinas, treinando as pessoas em palavras e significados. A disciplina permite às doutrinas e aos significados serem compreendidos e realizados, por meio da aplicação da pura ética e do ensino da meditação sobre o impuro. O Conhecimento Manifesto qualifica a pessoa no discurso relativo às próprias doutrinas.

A seguir, Dalai Lama explica os três treinamentos.

Treinamento em Ética Especial

Esse treinamento é a base de todas as boas qualidades e a quintessência das práticas ensinadas pelo Buda. Seus princípios de ética se diferenciam de outras doutrinas porque direta e indiretamente beneficiam todas as pessoas. Por meio das três portas - corpo, fala e mente - os caminhos de ações são realizados e acumulados. O percurso passa pelo abandono das dez não virtudes:

As dez não virtudes

  1. Matar: devido ao desejo, tal como o apelo à carne (alimento); matar devido à inimizade, como na vingança. Matar pessoalmente ou por meio de outros;
  2. Roubar: tomar à força uma posse de outra pessoa. Assalto à força, assalto a uma residência, roubo por fraude;
  3. Conduta sexual imprópria: ato sexual com um parceiro inadequado como um cônjuge de outra pessoa, um parente até o sétimo grau ou alguém protegido pela religião (monge);
  4. Mentir: enganar alguém, praticar a falsidade;
  5. Fala divisiva: fala que aumenta desavenças, planta a discórdia;
  6. Fala áspera: dizer algo desagradável diretamente ao outro, dizer algo mau de maneira dissimulada, falar mal de alguém indiretamente;
  7. Fala sem sentido: falar coisas despropositadas, de maneira mundana;
  8. Cobiça: cobiçar coisas que são próprias ou que pertencem a outrem;
  9. Intenção prejudicial: desejar causar o mal, sentimento que surge do ódio, do ciúmes e da inimizade;
  10. Visão errônea: não aceitar que virtudes e más ações sejam causas de felicidade e sofrimento. As mais graves das não virtudes mentais.

Treinamento em Estabilização Meditativa Especial

A estabilização meditativa é o estado da mente que permanece focada, sem distração, em qualquer objeto virtuoso. Deve-se cultivar a permanência na calma por meio do abandono de cinco imperfeições.

  1. A preguiça, uma falta de entusiasmo;
  2. O esquecimento, a perda da atenção do próprio objeto de observação;
  3. Lassidão e excitação no domínio da mente;
  4. Não aplicação dos antídotos;
  5. Aplicação equivocada dos antídotos, uso em excesso.

Além de abandonar as imperfeições, deve-se utilizar os 8 antídotos: fé, aspiração, esforço, flexibilidade, atenção plena, introspecção, intenção de aplicação e deixar a mente tal como ela é.

Ele mostra uma espécie de guia de meditação para se atingir a perfeita estabilização meditativa. Passa pelas nove permanências mentais, como estas são atingidas por meio dos seis poderes e como eles são incluídos nos quatro compromissos mentais.

As nove permanências mentais

  1. Estabelecer a mente;
  2. Estabelecimento contínuo;
  3. Re-estabelecimento;
  4. Íntimo estabelecimento;
  5. Disciplinar;
  6. Pacificar;
  7. Pacificar completamente;
  8. Tornar unidirecional;
  9. Estabelecer em equilíbrio.

Os seis poderes

  1. O poder de ouvir;
  2. O poder de pensar;
  3. O poder da atenção plena;
  4. O poder da introspecção;
  5. O poder do esforço;
  6. O poder da familiaridade.

Os quatro compromissos mentais

  1. Compromisso forçado;
  2. Compromisso interrompido;
  3. Compromisso ininterrupto;
  4. Compromisso sem esforço.

A partir do momento em que se alcança a permanência na calma, plenamente qualificada, a pessoa atinge absorções meditativas de nível superior. Após passar por diferentes níveis de concentração ela consegue atingir uma consciência ilimitada. Ela passa também por estágios de contemplação mental como a do caráter, da crença e do completo isolamento.

As absorções meditativas sem forma são o espaço ilimitado, a consciência ilimitada, o nada e o pico da existência cíclica. Elas são doutrinas preliminares, devem ser buscadas pelos leitores que entram nos estágios dos ensinamentos de Buda.

Treinamento em Sabedoria Especial

A sabedoria é a discriminação dos fenômenos por meio da investigação e da análise. Deve ser plenamente cultivada e pode ser dividida em três tipos:

  1. A sabedoria que compreende o fundamental, a natureza essencial da ausência inerente do eu;
  2. A sabedoria que compreende convencionalidades. São as habilidades nas ciências: linguística, lógica e epistemologia, artes, medicina e ciências internas;
  3. A sabedoria que compreende como conseguir o bem-estar presente e futuro dos bens sencientes.

É ressaltada a importância da sabedoria que compreende a “ausência inerente do eu” frente às demais sabedorias. Nem a natureza de identidade, nem a natureza de diversidade, existem inerentemente no eu e em seus agregados físico e mentais.

A constatação dessa realidade controversa permite observar o vazio da existência. O eu é destituído de sua própria entidade intrínseca. O mesmo se aplica a todos os fenômenos.

Não há fenômenos constituídos independentemente de suas causas e condições. A ausência inerente do eu - a profunda vacuidade - deve ser compreendida em pessoas e em fenômenos. A meditação analítica e estabilizadora é o modo de praticar o treinamento em sabedoria especial.

A prática dos 3 treinamentos pode levar as pessoas aos caminhos do Pequeno Veículo ou do Grande Veículo.

Os caminhos do Pequeno Veículo

Existem 5 caminhos que conduzem a pessoa ao estado de um ouvinte: acumulação, preparação, visão, meditação e “não mais aprender”.

Inicia-se o caminho da acumulação quando a mente se afasta do estado de sofrimento causado pela existência cíclica. Essa atitude busca uma liberação que se acumula perante ao cultivo da meditação sobre a feiúra, atenção à inalação e à exalação ao respirar, o estabelecimento da atenção plena, os completos abandonos e os membros da emanação. A força dessas práticas supera o sofrimento e conduz ao caminho da preparação.

No caminho da preparação, a pessoa atingirá gradualmente a sabedoria da meditação que observa a natureza essencial. Isso faz surgir manifestações de significados claros para os aspectos de impermanência, miséria, vacuidade e ausência inerente do eu.

A visão correta da natureza essencial destruirá completamente as 112 aflições dos reinos do desejo, da forma e da não forma. A pessoa alcança as qualidades de um superior e passa para o caminho da visão. Ela meditará um longo tempo na natureza essencial da existência para alcançar o caminho da meditação. E passará pelos seguintes ramos:

  1. Visão correta: constatar a visão de uma maneira positiva. Causa discernimento;
  2. Compreensão correta: examinar, por meio de sinais e raciocínios os profundos significados da visão correta;
  3. Fala correta: é livre de falsidades e ocasiona nos outros a convicção de que a visão é pura;
  4. Objetivos de ação corretos: ações físicas puras, que não discordem da doutrina. Ocasiona nos outros a convicção de que a ética da doutrina é pura;
  5. Meio de vida correto: não ganhar sustento por más ações, estar livre de hipocrisia física e de palavras enganosas. Também ganha a confiança dos outros em relação à doutrina;
  6. Esforço correto: produz repetidas meditações sobre o significado da realidade. Age como um antídoto contra as aflições do esquecimento;
  7. Atenção plena correta: mantém na mente os objetos de observação, os aspectos subjetivos da permanência na calma;
  8. Estabilização meditativa correta: ocorre sem os efeitos da lassidão e excitação;

Chega-se ao caminho da meditação abandonando-se as grandes aflições. Isso pode acontecer por um abandono gradual ou simultâneo desses aflitos. Ambos levarão ao caminho do ouvinte onde não se aprende mais.

Há também os caminhos dos Veículos Menores, responsáveis pela iluminação de um realizador solitário, aquele que procura apenas sua própria liberação, e não a dos demais.

Os caminhos do Grande Veículo

O Grande Veículo tem duas divisões internas: o Veículo da Perfeição e o Veículo do Mantra Secreto. O Veículo da Perfeição possui 5 caminhos semelhantes aos do Veículo Menor.

O caminho da acumulação é atingido ao criar-se uma autêntica intenção de buscar o estado de budeidade. Uma intenção altruísta, motivada por amor e compaixão para todos os seres sencientes. Nesse caminho, a pessoa ganha o nome de Bodhisattva, um filho do Conquistador (Buda).

Os Bodhisattvas passam a receber ilimitadas boas qualidades em seu avanço, como a purificação das más ações e infrações. Eles adquirem a capacidade da clarividência, por meio da qual podem ir para terras puras, venerando e servindo aos budas. Recebendo muitos ensinamentos e colocando em prática o seu significado. Tudo isso rompendo a noção de espaço convencional.

Ao atingir a permanência na calma, eles atingem o caminho da preparação. Manifestações claras de significado para a vacuidade se desenvolvem no interior dos Bodhisattva. Mesmo quando sonhando, são capazes de ver todos os fenômenos como vazios de existência inerente. Nunca procuram apenas sua própria liberação.

Produzem a intenção de ensinar a doutrina aos seres sencientes e adquirem palavras verdadeiras que são capazes de pacificar danos e injúrias. A seguir, no caminho da visão, abandonam simultaneamente as 112 obstruções artificiais à liberação e as 108 obstruções artificiais à onisciência para alcançar o caminho da meditação

Nesse momento, os sofrimentos do nascimento, envelhecimento, doença e morte são deixados de lado. Atingindo a estabilidade meditativa nesse momento, existirá apenas felicidade. Por meio das dez terras, o Bodhisattva irá adquirir traços especiais de completa purificação. Ao compreender a doutrina de inúmeros budas será capaz de propagá-la aos seres sencientes por meio da agradável fala e da constante prática daquilo que irá ensinar.

Por meio do Grande Veículo, atingirão, por sua vez, a budeidade com suas ilimitadas qualidades.

O Mantra Secreto do Grande Veículo

O chamado Veículo Vajra do Mantra Secreto é muito superior ao Veículo da Perfeição. No entanto, o estado de budeidade - objetivo final - não diferem em termos de qualidade ou nível, apenas em termos de caminhos. A diferença em velocidade também é muito grande.

O Veículo do Mantra possui um método vasto - o yoga da deidade - que é uma causa incomum do corpo da forma. Enquanto o Veículo da Perfeição só permite alcançar a budeidade no decorrer de várias vidas, o do Mantra concede a uma pessoa de faculdades superiores, a capacidade de se tornar plenamente iluminada no período de uma única vida.

O yoga da deidade é o método insuperável de meditar em um corpo comum a permanência, os recursos e as atividades semelhantes a um corpo na forma de Buda, em seu estado de realização. Há quatro conjuntos de tantras, de acordo com os níveis das faculdades do discípulos. Desde os inferiores aos supremos. Os detalhes e sutilezas de seus pontos são ensinados em segredo. Apenas para discípulos que amadureceram a mente e se tornaram canais por meio da iniciação.

Os detalhes não foram elaborados na obra por Dalai Lama.

Os quatro corpos resultantes de um Buda

  1. Corpo da natureza: o estado de ter abandonado todas as impurezas acidentais, as obstruções à liberação e as obstruções à onisciência. A pureza natural é atribuída pela  vacuidade da mente onisciente de um buda.
  2. Corpo da sabedoria e verdade: estado de sabedoria onisciente elevada.
  3. Corpo da completa fruição: o corpo atingido pelo Bodhisattva em estado plenamente iluminado. Possui 5 certezas: a permanência definida, o corpo definido, séquito definido, doutrina definida e tempo definido.
  4. Corpo da emanação: um corpo de forma que pode ser conhecido mesmo pelos discípulos, que são seres comuns. Um corpo de suprema emanação causa o bem-estar nos discípulos.

Após a descrição dos quatro corpos resultantes, Dalai Lama explora qualidades do corpo, da fala, da mente e das atividades da natureza búdica. É por meio dessas qualidades que os budas conduzem os seres sencientes para caminhos de iluminação e liberdade.

O Budismo Tibetano

No encerramento da obra, uma breve exposição da história do budismo tibetano.

O ensinamento propagou-se como a luz do Sol desde sua disseminação inicial. O 32º rei do Tibet, Song-dzen-gam-bo (569 - 650) foi o responsável pelo projeto de escrita tibetana. Ele reuniu mestres de outros lugares como Índia e Nepal para traduzir muitos ensinamentos do Buda.

A partir dos próximos reinados, foram traduzidos diversos ensinamentos relativos à disciplina, aos conjuntos de discursos e ao conhecimento manifesto. As primeiras escolas de exposição e prática foram criadas há mais de mil anos. As principais escolas, atualmente, são divididas entre aquelas da antiga tradução e aquelas da nova tradução.

As diferenças são meramente variações menores dos métodos de conduzir os alunos. Mas o princípio fundamental é o mesmo. O objetivo final de realização é o estado de budeidade. Dentre as visões em comum, temos:

  1. Todos os produtos são impermanentes;
  2. Todas as coisas contaminadas são míseras;.
  3. Todos os fenômenos são vazios e sem eu;
  4. O nirvana é paz.

Não há nenhum lugar, dentro da extensão das províncias do Tibet, que não tenha sido impregnado pelas doutrinas budistas.

Notas Finais

O mundo ocidental ainda conhece muito pouco da rica tradição budista. São inúmeras correntes em diversas nações. Buscando defender um significado de pureza e compaixão. Um alívio das aflições existenciais a partir do poder da meditação e da prática da doutrina. O despertar de uma nova consciência é um guia prático que serve de estímulo ao leitor para procurar estudos mais aprofundados.

Dica do 12'

Gostou de conhecer um pouco da tradição do Budismo Tibetano? Aqui no 12, temos outras obras que estimulam o exercício da reflexão. Meditações, de Marcus Aurelius, é uma obra muito rica nesse sentido. Você vai encontrar pensamentos sobre a existência e sobre as aflições do homem. Reflexões de um antigo imperador romano. 

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Quem escreveu o livro?

Jetsun Jamphel Ngawang Lobsang Yeshe Tenzin Gyatso é o 14.º e atual Dalai Lama, líder espiritual do budismo tibetano. Considerado a reencarnação do bodisatva da compaixão, Tenzin Gyatso é monge e geshe (doutor) em filosofia budista, recebeu o Nobel da Paz e foi agraciado com mais de 100 títulos honoris causa. Pesquisador infatigável, abriu as portas para o encontro da ciência com a espiritualidade quando, em 1987, reuniu-se durante uma semana com cinco cientistas ocidentais para debater a proximidade entre o budismo e as ciências cognitivas. A partir dali, criaram-se ce... (Leia mais)