Nunca é o suficiente - Resenha crítica - Judith Grisel
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Nunca é o suficiente - resenha crítica

Nunca é o suficiente Resenha crítica Inicie seu teste gratuito
Ciência

Este microbook é uma resenha crítica da obra: Never enough

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 978-65-5520-232-8

Editora: Alta Books

Resenha crítica

Drogas sequestram o detector de contraste para o prazer

O cérebro é um poderoso detector de contrastes. É o que nos faz buscar tudo o que nos interessa. Isso inclui comida, sexo, bebida, dor, beleza, prazer e por aí vai. O processo que mantém um ponto de referência é a homeostase.

Por meio dela, podemos detectar o contraste. Para que isso funcione, precisamos de um ponto de ajuste. O prazer só faz sentido diante da anedonia, o estado de ausência completa de satisfação. A felicidade só tem lógica graças à possibilidade de sua ausência. Se somos expostos a um prazer exagerado, o cérebro vai trabalhar no sentido oposto, criando um rebote anedônico.

Esse é o mecanismo de ajuste. Sentimentos precisam ser mantidos em limites estreitos. Se não fosse dessa forma, não conseguiríamos detectar coisas boas e ruins. O que chama a atenção no caso do abuso de drogas é sua capacidade de sequestrar nosso detector de contraste natural para o prazer.

Os efeitos da tolerância

A tolerância é o processo pelo qual o corpo se acostuma com uma droga. Quando acontece, fica difícil ficar sem ela. Quando você bebe café todos os dias, a atividade básica do seu cérebro diminui. Você se torna mais dependente da sua xícara cotidiana para ficar desperto. 

Quando um consumidor de drogas se vicia, a tolerância entra em ação. O cérebro libera dopamina, o neurotransmissor responsável pelo prazer e pela recompensa. Mas também produz ativos neurológicos com efeito oposto. É um recurso para equilibrar as coisas, como no caso do café. A primeira xícara tira seu sono, mas só brevemente.

Depois, tudo volta ao normal. É o organismo produzindo neurotransmissores que dão sono, como uma resposta. As drogas estimulam o “núcleo accubens”, a parte do cérebro que injeta dopamina, gera prazer e alimenta a busca por recompensa. Isso faz com que a dose nunca seja o suficiente. Sempre é preciso buscar mais.

Tudo empalidece em comparação com o poder das drogas

Alguns estímulos importantes agem como reforçadores naturais da dopamina. Por exemplo, comer e fazer sexo. Esses são evolutivamente coerentes. Outros são mais sutis. É o que acontece quando interagimos com uma pessoa que gostamos ou ouvimos uma boa música. Tudo isso mexe com o neurotransmissor, dá prazer e nos faz buscar mais.

O problema é que todos esses incentivos naturais perdem a graça diante de substâncias viciantes. Uma das razões por trás do seu poder apelativo é o fato de a força dos neurotransmissores estar em nossas mãos. As endorfinas que ativam a dopamina estão na base dos opiáceos, por exemplo.

O hormônio surge depois de uma série de sinais ambientais, como sexo, exercícios e comida. A descarga pode até ser forte. Ainda assim, não chega perto do efeito provocado pelas substâncias viciantes. O tempo de resposta das endorfinas provocadas pelo ambiente é lento, enquanto o das drogas é quase instantâneo.

O oposto do prazer não é a depressão

Todas as drogas compartilham a capacidade de estimular o sistema responsável pela dopamina. Por isso, viciam. O jorro do neurotransmissor no núcleo accumbens se relaciona com o prazer que as substâncias trazem. Algumas, como cocaína e anfetamina, têm eficácia universal.

Outras, como maconha e álcool, influenciam mais a dopamina de algumas pessoas do que a de outras. O sistema cerebral responsável pela recompensa é menos um estado de humor e mais uma antecipação ao prazer. É como a excitação causada pelas preliminares sexuais. Por isso, o oposto do prazer não é a depressão, mas a anedonia.

Pessoas anedônicas têm dificuldade para experimentar o prazer. Isso se deve a um déficit de dopamina. Sem ela no núcleo accumbens, nada é capaz de aliviar uma existência sombria. A carta de um amigo, um belo pôr-do-sol ou um chocolate saboroso perdem a graça.

Usar drogas é a única forma de se sentir normal

A tolerância nos faz precisar cada vez mais da droga para conseguir seus efeitos. Ela se combina com a dependência, quando sentimos sintomas de abstinência na sua ausência. Se um produto químico que altera a mente é usado com frequência alta, o cérebro sempre encontra formas de se adaptar.

O viciado em café não toma uma xícara por causa do cansaço. Na verdade, está cansado porque toma café. A cafeína não faz o bebedor relaxar depois de um dia agitado. Em vez disso, o dia ficou repleto de tensão por causa do excesso de cafeína.

A resposta à droga é a facilitação do estado oposto. A única forma de um usuário se sentir normal é ingerindo a substância. O entorpecimento é cada vez mais curto. Essa compensação se aplica a qualquer efeito residual do impacto das drogas no cérebro e também inclui neurotransmissores como a dopamina. 

Fazendo a prosa virar poesia

A autora sofreu com o vício em maconha. Diferentemente de outras drogas, a planta tem o THC como ingrediente ativo. Ele ativa receptores que são normalmente estimulados por neurotransmissores naturais do cérebro, como a anandamida. Isso cria um efeito abrangente. 

Quando interagimos com o mundo, precisamos de uma forma de selecionar as entradas sensoriais, para que seja possível se concentrar só no que é importante para nossa sobrevivência. É uma herança evolutiva. Isso pode incluir qualquer coisa, desde um prato de comida até um interesse amoroso. É o que nos permite reconhecer experiências boas.

O THC imita a anandamida, mas sem a seletividade reguladora do cérebro. Isso faz com que nossa mente pense que tudo, mesmo a coisa mais boba, é incrível. O problema da maconha, assim como algumas outras drogas, é a capacidade de fazer a prosa virar poesia. Só que o efeito leva à tolerância, ao consumo frequente e, em alguns casos, ao vício.

A brutalidade dos opiáceos

Já passamos da metade do microbook e a autora conta como os opiáceos são brutais. Eles funcionam como as endorfinas, os analgésicos naturais do corpo. Só que potencializados. O efeito é mágico. Toda a dor desaparece. O problema é que, depois de uma alta de opiáceos, começa a tolerância. O corpo produz anti-opiáceos. Se os derivados do ópio trazem alívio, os anti-opiáceos fazem o contrário.

Quando eles atuam, qualquer sofrimento ou dor se amplifica. Isso é lógico de um ponto de vista evolutivo. Se você sente uma dor intensa, o corpo naturalmente produz endorfinas no momento, para aliviá-la e dar a possibilidade de fugir. Isso era útil para que nossos ancestrais fugissem dos predadores que os atacaram.

Mas a ajuda que nossos ancestrais buscaram para lidar com a dor e a cautela que teriam nas vezes seguintes se devem à intensidade da dor que sentiram. O mesmo se aplica para as drogas. Quando o efeito dos opiáceos passa, a abundância de anti-opiáceos traz uma sensação de vazio e incentiva uma busca por outros estímulos.

O álcool é um diminuidor de expectativa de vida

Ser socialmente aceito não faz com que o álcool não tenha riscos. Existem pessoas que são naturalmente suscetíveis ao vício. É o caso das que têm níveis baixos de beta-endorfinas, o hormônio que traz relaxamento em situações sociais. Pessoas com esse déficit buscam algo para substituir a substância.

O problema do álcool é que ele é o substituto perfeito. Faz com que você se sinta feliz ao interagir. É um lubrificante social. Infelizmente, isso leva ao vício. O excesso de álcool causa doenças cardíacas, pressão alta e derrames. O fígado fica sob tensão, levando a doenças hepáticas e cirroses.

Mesmo beber moderadamente tem fortes contraindicações. Só dois drinques por dia pode diminuir a expectativa de vida em até dois anos. Com frequência, a alteração que a bebida traz é usada como desculpa para atos indesculpáveis. Por exemplo, a importunação sexual e os acidentes de carro.

Não dá para frear com a cocaína

A autora também teve experiências com a cocaína. A tolerância funciona como em qualquer outra droga. Há uma forte euforia em dois ou três minutos. Os efeitos prazerosos chegam à meia hora. Depois, surgem sensações de ansiedade e tristeza. É o cérebro regulando os efeitos e trazendo equilíbrio.

Isso faz com que os usuários queiram doses mais fortes. Em pouco tempo, gastam todo seu dinheiro e energia para garantir o suprimento da droga. Quando fazemos algo prazeroso, a dopamina se liga aos receptores neurais e dá uma sensação de prazer. Depois, volta para sua célula neuronal de origem.

Só que a cocaína interfere nesse processo. O prazer não é natural. Ela bloqueia o transportador que levaria a dopamina de volta. Por isso, ela fica na fenda sináptica por mais tempo. Isso provoca sensações de prazer intenso e leva ao vício.

A catapulta de overdoses

Sedativos são altamente viciantes, ainda que não cruzem a mente quando pensamos na palavra “droga”. O corpo desenvolve tolerância a eles, fazendo com que os usuários busquem mais. Podem levar ao vício e à overdose. Existem exemplos famosos disso. É o caso de Marilyn Monroe, Jimi Hendrix e Michael Jackson.

Embora as mortes deles fossem amplamente divulgadas nos jornais, não foram vistas como escandalosas. A razão é a presença de sedativos no lugar das drogas convencionais. Eles exigem um olhar atento. Sua função é imitar neurotransmissores que relaxam o sistema nervoso.

O fato de os receptores reagirem aos sedativos como reagiriam aos neurotransmissores, o medicamento tem sua utilidade. É o caso dos epiléticos, ansiosos e insones. Mas seu excesso leva ao vício e à dependência. A tolerância faz muitos pacientes terem dificuldades para dormir sem a droga. 

O vício tem fundo genético

É tentador pensar que vencer um vício é só questão de força de vontade. Mas não é bem assim. Algumas pessoas correm o risco de se tornarem dependentes simplesmente porque nasceram do jeito que são. Existe um fundo genético nisso. Uma pesquisa dos anos 1990 mostrou que gêmeos têm duas vezes mais chances de compartilharem um vício.

Isso se deve ao material genético em comum. Outro estudo mostra que crianças que fazem parte de famílias com histórico de dependência tendem também a se tornarem dependentes. O estudo explorou pessoas que foram adotadas por famílias sem relação com vício, o que mostra que não é só o ambiente que importa.

Um estudo de 2015 também mostrou que filhos de pais que consumiam drogas eram mais propensos a distúrbios de humor e a auto-administração de opiáceos. A ciência tem mostrado que existe uma relação entre material genético e propensão ao vício.

Os riscos da exposição precoce

O córtex pré-frontal é a última parte do cérebro a se desenvolver plenamente. É também uma das mais importantes, porque é a que regula o comportamento impulsivo. Adolescentes ainda não têm essa parte do sistema neurológico pronta. Isso significa que agem sem pensar com mais frequência.

Por isso, o risco ao consumir drogas é ainda mais alto. Por não ter a habilidade de regular o comportamento, os adolescentes vão longe demais com as substâncias. Isso faz com que a exposição precoce seja de alto risco. Quando pessoas muito jovens se expõem, ficam menos sensíveis aos sentimentos positivos quando adultas, graças à tolerância.

Assim, passam a tentar compensar o déficit de ânimo com doses mais altas. Isso se soma ao “efeito porta de entrada”, quando um tipo de droga aumenta as chances de consumir outra. Um estudo de 2014 mostra que a exposição precoce à maconha aumenta o risco geral de dependência de outras drogas na idade adulta.

Notas finais

“Nunca é o suficiente” revela a fome insaciável de homeostase do cérebro. Ela está por trás da capacidade de adaptação infinita à droga e explica o porquê de os usuários quererem sempre mais. As origens do vício são incompletamente conhecidas, assim como seus efeitos. Isso reforça a necessidade de evitar as substâncias que o provocam.

Dica do 12min

Judith Grisel conta a perspectiva neurobiológica das drogas e as razões para evitá-las. Michael Pollan segue uma perspectiva diferente. Ele aborda as razões pelas quais a “droga” é uma ideia muito mais flexível do que parece. Confira “Sob o efeito de plantas”, no 12 min.

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Quem escreveu o livro?

Judith Grisel é neurocientista comportamental e professora de psicologia. Destacou-se na pesquisa sobre a importância do cérebro no v... (Leia mais)

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