Memórias Póstumas de Brás Cubas

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A presente obra é considerada, por grande parte dos especialistas, um dos maiores clássicos do gênero literário realista. A despeito de ter enveredado por quase todos os estilos, foi no realismo que Machado de Assis, o nosso autor, chegou à maturidade como escritor.

De fato, “Memórias Póstumas de Brás Cubas” foi a primeira obra literária que utilizou o recurso à ironia para retratar as desigualdades inerentes a uma sociedade tão estratificada quanto o Brasil do século XIX.

Outro marco conceitual pode ser encontrado no fato de que esta foi a primeira obra que colocou a existência da disparidade entre as classes sociais como um importante foco de sua narrativa.

E aí, se interessou? Então, venha conosco conferir, em 12 minutos, os principais elementos que fazem com que “Memórias Póstumas de Brás Cubas” seja uma referência cultural tão importante, uma das maiores criações artísticas em língua portuguesa e, também, presença obrigatória em quase todos os vestibulares. Boa leitura!

Pandora

Brás Cubas, o personagem principal e, também, o narrador da história, inicia o relato de suas memórias do além, isto é, depois de estar morto.

A partir de suas explicações acerca da perplexidade que o toma diante do triste fato de seu passamento, o leitor já começa a ter uma noção da profundidade de um personagem que demonstra não ter nenhum apego pelos costumes e hábitos do Rio de Janeiro de sua época.

Antes de seu falecimento, Brás Cubas planeja o lançamento de um emplastro capaz de solucionar todos os males sofridos pela espécie humana e que, de quebra, seria o responsável por conferir-lhe fama e fortuna.

Tal pensamento logo se torna uma ideia fixa. Porém, fica doente justamente quando estava prestes a lançar o medicamento no mercado. Sua reação inicial, bem típica do caráter masculino de então, consistiu em negligenciar seu estado de saúde.

Quando dá a devida atenção à enfermidade, já tarde demais: Brás Cubas morre em uma sexta-feira. Em seus últimos momentos, é visitado por Virgília, uma mulher que o amou na mocidade.

A cena que se segue é, no mínimo, curiosa: Brás Cubas, em delírio, viaja no tempo e se encontra e conversa com Pandora que, segundo a mitologia grega, é a primeira mulher criada a pedido de Zeus.

Antes de retornar da inconsciência e, por fim, encontrar a morte, Pandora o presenteia com um vislumbre de todas as civilizações humanas que já existiram.

Infância

A seguir, Brás Cubas passa a narrar os episódios de sua vida. Ao nascer, ele foi recebido com todo o carinho no seio familiar. Seus parentes, membros do clérigo e do Exército, previam apenas sucessos em bem-aventuranças em seu destino.

Com cinco anos de idade, foi apelidado de “diabinho”, pois fazia de Prudêncio, seu escravo, um verdadeiro cavalo: montando e chicoteando o pobre homem.

Seu pai nada fazia além de mimar o pequenino Brás, enquanto sua mãe, uma mulher simples e muito religiosa, na tentativa de reverter um caráter que já se mostrava por demais irascível, se esforçava por fazê-lo aprender algumas regras básicas e orações.

Quando atingiu idade escolar, ele achou a escola muito maçante e tediosa, apesar de, nessa fase, ter conhecido Quincas Borba, seu grande amigo e confidente.

Quincas, ao longo de toda a sua vida, foi tido em tão alta conta pelo narrador que, nem mesmo sua conversão em mendigo, o impediu de ser considerado um filósofo formidável.

O primeiro amor

Na adolescência, Brás Cubas alia um gosto excessivo pela leitura de livros românticos ao furor característico da juventude. Nesse contexto, entra em cena Marcela, seu primeiro amor. Trata-se de uma jovem tacanha e gananciosa.

Devido a essas peculiaridades, para conquistar-lhe o coração, Brás Cubas desperdiça grandes somas em presentes e agrados. Seu pai, extremadamente liberal, o incentiva, custeando o cortejo que duraria um mês.

Todavia, quando Brás Cubas principia a dissipar, até mesmo, sua herança, a autoridade paterna, antes adormecida, se faz sentir: o jovem é enviado a Portugal, à guisa de completar os estudos.

Como era de se supor, nosso herói chega à cidade de Coimbra arrasado. Não obstante, conclui a universidade e passa a vivenciar o intenso clima cultural do Velho Continente, sobretudo, o movimento romântico italiano.

A bela filha de Dona Eusébia

Brás Cubas retorna ao Brasil para visitar a mãe, que desenvolverá câncer de estômago. Em seguida, ela vem a falecer, fato que o abala profundamente. Ele, então, se isola no bairro da Tijuca, passando o tempo entre livros e caçadas, acompanhado, apenas, de uma velha espingarda.

Desconsolado com a tristeza do filho, seu pai busca demovê-lo desse estado de espírito, instigando-o a aceitar um casamento arranjado com potencial para alçá-lo à vida política.

O narrador promete ao seu pai que pensaria seriamente na proposta e passa a frequentar a casa de Dona Eusébia, uma velha conhecida de sua mãe. Brás Cubas se encanta com a filha dessa senhora e, não resistindo a seus encantos, seduz e conquista a moça.

Entretanto, ao pensar melhor no assunto, decide que a proposta de seu pai poderia ser benéfica. Dessa forma, retorna ao Rio de Janeiro, deixando a filha de Dona Eusébia desonrada e desiludida.

Virgília

Seu pai o recebe de volta à capital federal de braços abertos e apresenta-lhe Virgília, a personagem que, no início do livro, presenciara sua morte. O interesse paterno nesse casamento é justificado pelo fato de que, a partir do enlace, Brás Cubas se tornaria genro do célebre Conselheiro Dutra.

Ressalte-se que, à época, entrar na política significava um caminho seguro para a ascensão social. Todavia, para tanto, era preciso ter ascendência nobre – algo que, apesar da riqueza de sua família, Brás Cubas não possuía.

Pouco tempo depois, as investidas amorosas sobre Virgília prosperam e o narrador passa a ser recebido regularmente na residência da família Dutra.

Mais tarde, em uma situação totalmente aleatória – uma ida ao relojoeiro – Brás Cubas encontra Marcela, seu amor de juventude. Contudo, sua beleza jovial se esvaíra em meio às sequelas deixadas pela varíola. Acontecimento que lhe causa certa impressão.

Adultério

Os planos do narrador quanto ao casamento com Virgília iam muito bem, e ele já se via na condição de um respeitável aristocrática, iluminando os rumos da nação graças a um antevisto brilhantismo parlamentar.

Porém, eis que surge a figura de Lobo Neves que, com o apoio de personalidades políticas de grande influência, se mostra um candidato muito mais interessante às ambições de Virgília. Seu pai abençoa as pretensões do novo personagem e ele fica noivo de Virgília.

Inconformado com o fracasso de seu filho, o pai de Brás Cubas, com idade bastante avançada, não resiste a essa decepção e, devido a problemas de saúde, falece. Logo após o enterro do patriarca, segue-se um entrevero entre o narrador e Cotrim, seu cunhado, pela herança.

Cioso de seus deveres como bom marido, Cotrim, há muito tempo, se preocupava com o potencial prejuízo à reputação familiar ocasionado pelos excessos de nosso herói. Sendo assim, mostrou-se pouco inclinado a permitir que o narrador dilapidasse o dinheiro acumulado por seu sogro ao longo de toda uma vida.

Indignado com a postura de Cotrim, Brás Cubas se fecha em si mesmo e, novamente, volta a viver recluso. Nesse período, o único lugar em que seu nome aparece é junto à assinatura de alguns artigos que tivera a iniciativa de publicar.

A essa altura, Lobo Neves, seu antigo rival, já alcança o posto de Deputado Federal. Por meio de um primo de Virgília, o narrador inicia uma amizade com o casal e passa a ser convidado a participar de alguns jantares em sua residência.

Os afazeres de uma carreira política em franca ascensão fazem com que Lobo Neves se descuide da rotina doméstica. Com o caminho aberto, Brás Cubas não demora a se tornar amante de Virgília.

Encontros secretos

Certa noite, ao deixar o quarto de sua amante, o narrador encontra seu amigo Quincas Borba. Como não via desde os tempos da escola, se surpreende ao perceber sua deplorável condição: o jovem brilhante convertera-se em um indigente morador de rua.

Sua perplexidade só aumenta quando o amigo, além de recusar qualquer ajuda que não fosse entregue na forma de dinheiro vivo, rouba-lhe o relógio.

Alguns integrantes da alta sociedade começam a estranhar a presença constante de Brás Cubas na casa do Deputado Lobo Neves. O casal passa a ouvir, aqui e ali, certos rumores e desconfianças.

Em um arroubo, nosso herói a convida a fugir. No entanto, Virgília não se mostra disposta a abandonar seu elevado status e recusa a proposta do amante. Os boatos aumentam e ela decide que não mais seria possível recebê-lo furtivamente em sua casa.

A solução encontrada consiste em arranjarem uma casa, a fim de acobertar seus encontros secretos. A senhora Lobo Neves escolhe Dona Plácida, sua costureira, como alcoviteira e álibi, alugando uma casa em seu nome para servir-lhes de refúgio amoroso.

A vulgaridade do fim

Sem saber das peripécias de sua esposa, Lobo Neves continua a progredir em sua carreira política, sendo nomeado presidente de província. Durante o período imperial, as antigas capitanias hereditárias tornaram-se províncias e seus dirigentes eram nomeados diretamente pelo Imperador.

Para assumir o novo cargo, a família deveria se mudar para o Norte do país, prejudicando, assim, a continuidade do relacionamento entre Brás Cubas e Virgília. Como tinha o narrado na mais alta estima, o futuro presidente não titubeia: convida-o para atuar como seu secretário.

Embora essa decisão parecesse resolver o problema, Virgília teme que a divulgação da escolha de seu marido fizesse com que as desconfianças se convertessem em um perigoso escândalo.

Por sorte, o marido traído era, acima de tudo, uma pessoa extremamente supersticiosa e ele acaba por rejeitar o novo cargo. Motivo: a sua nomeação foi publicada em um dia 13.

Com os ânimos controlados, o narrador procura a irmã e o cunhado, a fim de fazer as pazes com eles.

Quincas Borba volta a aparecer, devolvendo o relógio que roubara. Brás Cubas se espanta ao constatar que seu amigo não era mais um mendigo, pois, recentemente, havia recebido uma vultosa herança.

Em um momento com tantas novidades, nosso herói recebe alegremente a notícia da gravidez de Virgília que revela ser ele o pai da criança. Ela não compartilha desse mesmo entusiasmo e, infelizmente, acaba perdendo o bebê.

A seguir, por meio de uma carta anônima, Lobo Neves é informado que vêm sendo enganado há muito tempo por sua esposa. Ao confrontá-la, Virgília consegue reverter a situação, fazendo-o continuar acreditando em sua fidelidade.

O relacionamento com Brás Cubas continua por mais certo tempo. Todavia, não sem atritos. Lobo Neves é, mais uma vez, convidado a assumir o cargo de presidente de província.

Como a sua nomeação não foi publicada em um dia 13, ele aceita e deixa o Rio de Janeiro para viver no Norte com sua família. O narrador, entristecido pelo iminente final do relacionamento, permanece no Rio de Janeiro.

Desiludido, busca os conselhos de seu amigo Quincas Borba e, por insistência de Cotrim, aceita cortejar Nhã-Ioló, uma nova pretendente. Quando finalmente decide se casar com essa moça, ela é acometida de febre amarela e morre em pouco tempo.

Passados dois anos, o nosso herói consegue, finalmente, entrar para a vida política, tornando-se Deputado. Posição que perderia em pouco tempo, devido a um discurso desastroso proferido da tribuna parlamentar.

Inconstante e ressentido, Brás Cubas lança um jornal com forte posição contrária ao governo. A publicação tem vida breve, durando somente seis meses. Lobo Neves, no entanto, continua a avançar na carreira e quase se torna ministro de Estado.

Pelos próximos três anos, o narrador aprofunda as características volúveis de sua vida, sobretudo, no que diz respeito aos assuntos amorosos: encontra a filha de Dona Eusébia morando em um cortiço e Marcela a definhar em um hospital de caridade.

Além disso, a loucura de seu amigo, Quincas Borba, chega a um estágio irreversível. Por fim, sem ter feito nenhum ato grandioso, nobre ou digno em toda a sua vida, Quincas Borba falece. Seu único consolo: não ter deixado filhos que pudessem continuar sua miséria.

Notas Finais

O pessimismo é um dos elementos que mais chama a atenção do leitor atento desta obra. De fato, esse viés impregna a perspectiva de Brás Cubas, acompanhando seu olhar sobre a sociedade e o caráter das pessoas com as quais convive ao longo da trama.

A maestria de Machado de Assis, entretanto, não permitiu que esse tom negativo eliminasse a possibilidade do humor. Na verdade, a história, frequentemente, nos faz rir, sobretudo quando notamos a fina ironia presente nos diálogos dos personagens e nas descrições de cenas.

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