Escravidão Resumo - Laurentino Gomes

Aprenda a aprender de casa! Para você usar o tempo a seu favor! REDUZIMOS A ASSINATURA EM 30%!

Oferta por tempo limitado!

317 leituras ·  0 avaliação média ·  0 avaliações

Escravidão

Escravidão Resumo
História & Filosofia

Este microbook é uma resenha crítica da obra: Escravidão - Vol. 1: Do primeiro leilão de cativos em Portugal até a morte de Zumbi dos Palmares

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 978-6580634019

Resumo

A grande agonia

Laurentino Gomes faz diversas viagens no tempo para contextualizar o quanto a escravidão é um flagelo antigo em todo o mundo. Por volta de 1750, por exemplo, no interior de Angola, o historiador norte-americano Joseph Miller relatava maus tratos e mortes de escravizados como se suas vidas não tivessem valor algum. Havia, inclusive, o consumo de carne humana naqueles ambientes subumanos.

Tudo depois de dois séculos do avanço da escravidão por cerca de 800 quilômetros no continente africano. O período entre 1520 e 1570 viu uma rápida expansão dos territórios onde havia tráfico de pessoas na África e este foi um processo que perduraria por muitos e muitos anos naquele continente. 

Na metade do século XIX, quando os abolicionistas já tinham voz e vez em muitos países do mundo, a escravidão já estava encravada no meio do continente. A venda de escravos já chegava a 2 mil quilômetros do litoral africano. 

O leilão

Um dos primeiros leilões de escravos é narrado por Laurentino como ocorrido em Lagos, um pequeno vilarejo ao sul de Portugal. O ano era 1444.

Poucas caravelas carregavam uma carga de 235 pessoas, entre homens, mulheres e crianças. Parte deles era doada para igrejas e monastérios, outra parte deles era vendida. O período de leilões de cativos tinha início por volta daquela época. 

As origens

A escravidão é uma marca nefasta em toda a história humana, não apenas de períodos específicos. Todos os povos tiveram o trabalho escravo, desde os tempos bíblicos em que José, um dos filhos de Jacó, foi vendido por seus irmãos. 

Na Guerra Civil Americana, cerca de 750 mil pessoas morreram pela abolição. 

A mão de obra cativa alicerçou antigas civilizações, desde a egípcia, a grega e a romana. A escravidão foi um dos grandes negócios dos vikings e durante a Idade Média sustentou o desenvolvimento de países como a Inglaterra, França, Espanha, Rússia, China e Japão. 

Em nome de Alá

E se todas as civilizações usaram mão de obra escrava há tantos séculos, é a partir do século VII, com a expansão do Islã, que ela se expande.

Milhões e milhões de pessoas foram escravizadas após as conquistas muçulmanas em seu extenso domínio intercontinental. O Islã teve como base para sua expansão a mão de obra escrava a cada novo território conquistado. 

O patrono

Uma figura nebulosa é tida como o artífice, incentivador e mecenas das grandes navegações, que tornaram a escravidão de negros um negócio muito lucrativo. Elas transformaram o mundo e expandiram a escravidão para os quatro cantos do planeta. 

Trata-se de dom Henrique, cujos registros em muitas escavações o indicam como o patrono da escravidão, o homem por trás desse costume que tanto matou e destruiu populações. 

Mar infinito

As viagens marítimas nos tempos das grandes navegações, carregando milhares de escravos entre a África e as colônias, estavam além do controle dos marinheiros.

As condições eram precárias, havia pouca tecnologia para ser dominada em prol do sucesso dessas aventuras. No fim do século XV, os portugueses detinham o maior conhecimento dos ventos e das correntes que dominavam o mar, o que fazia com que escolhessem as melhores rotas. 

Naquele tempo, o medo de espiões fazia com que o rei Manuel I proibisse os relatos de viagens para impedir o roubo dos segredos portugueses nas grandes navegações. Não é à toa que o relato de Pero Vaz de Caminha da chegada ao Brasil só tenha vindo a público em 1817. 

Aconteciam muitas mortes nas viagens rumo à África, Índia e Brasil. Para se ter uma ideia, ao longo do período das navegações, saíram da África 12 milhões e meio de escravizados, mas só chegaram aos seus destinos 10 milhões e 700 mil. 

O número de mortes é de cerca de 14 cadáveres diários, que foram lançados ao mar durante os 350 anos de tráfico negreiro rumo ao Brasil, que chegou até mesmo a mudar o comportamento dos cardumes de tubarões no Oceano Atlântico, que passaram a seguir os navios negreiros em busca de alimentos. 

A cicatriz

Muitos negacionistas da escravidão citam a participação dos africanos no tráfico de escravos. Essa corrente costuma dizer que os portugueses sequer entravam na África e “apenas” compravam os escravos, negando assim a dívida social com os afrodescendentes. 

O fato é que realmente nos séculos XV e XVI já havia um grande mercado de escravos na África antes da chegada por lá dos europeus, que preferiam comprar cativos oferecidos em fortificações, feitorias e entrepostos no litoral, evitando ao máximo fazer incursões pelo interior do continente. 

Isso não altera a participação brutal dos compradores gerando tanto atraso na vida da população negra. A narrativa isentando os europeus desemboca em desdobramentos perigosos no debate político, como a legitimação de um regime tão perverso como o escravagista. 

O tráfico

A maior migração forçada da história da humanidade aconteceu por via marítima, por meio do tráfico de escravos via Oceano Atlântico. Seu auge aconteceu perto do ano de 1780, quando 79 mil cativos eram transportados da África para o chamado Novo Mundo em cerca de 160 embarcações. 

Ao ser capturados, eram comprados na extensão territorial de quase 6 mil quilômetros de comprimento e mil quilômetros de largura do litoral africano. Com o passar do tempo, isso se estendeu por outros 4 mil quilômetros quando Moçambique entrou no roteiro do tráfico de escravos para o Brasil. 

Os lucros do tráfico

A compra, venda e negociação de escravos era um negócio perigoso e arriscado, já que o estoque de seres humanos em barracões gerava problemas como roubos, por exemplo, além das possíveis fugas. 

Também havia a contaminação pelos ambientes insalubres e muitas doenças como a malária, febre amarela, disenteria e varíola acometiam os cativos. Há registros dando conta que em média 7% dos escravos entravam na contabilidade das perdas por doenças, mortes, fugas ou roubos. 

Ao sobreviver de enfermidades, os escravos eram negociados por valores muito mais baixos que a média. Por isso, o ideal dos seus donos era encher os navios e realizar as vendas o mais rapidamente possível. 

Os números

Muitos navios saíam da África sem registro oficial da viagem para evitar a cobrança de tributos, aumentando o contrabando. 

Depois que o Parlamento Britânico proibiu oficialmente o tráfico de escravos em seus domínios no século XIX, cerca de 3 milhões de africanos embarcaram nas Américas. 

Há muitos números desencontrados, mas estima-se que o Brasil recebeu quase 5 milhões de escravizados africanos, sendo o maior território escravista no Ocidente. 

O navio negreiro

O historiador Marcus Rediker definiu o navio negreiro como “uma estranha combinação de máquina de guerra, prisão móvel e fábrica”. Tinha canhões e armas para a defesa contra piratas e eventuais ataques a fortalezas e navios adversários, além de representar uma ameaça a negociantes que não fechavam negócios na costa da África.

Havia um estado de guerra no mesmo lugar em que pessoas se amontoavam rumo ao lugar onde trabalharia a vida inteira como escravos. 

O trabalho de organização a bordo de um navio negreiro era rígido: havia hierarquias, papéis, turnos e tarefas cronometradas. Em suma, um navio negreiro era muito organizado, naquele misto de fábrica, máquina de guerra e presídio. 

Tudo sob os comandos do capitão, que na chegada ao Brasil e a outros países da América tomava providências por mais organização no interior do navio. 

O Brasil

Foram três séculos do Brasil como colônia de Portugal. Ao longo desse tempo, o país era uma colônia de açúcar, por meio do qual a economia era monopolizada. 

E o açúcar simbolizava escravidão, já que toda a mão-de-obra dos engenhos era de cativos. Mesmo depois da Independência e no auge da produção de ouro e diamantes, continou sendo o principal produto de exportação. Nas palavras desse fragmento escrito por um padre jesuíta:  “Os escravos são as mãos e os pés do senhor do engenho, porque sem eles no Brasil não é possível fazer, conservar e aumentar fazenda, nem ter engenho corrente”.

O cenário só mudou depois de 1831, quando o café passou a dominar nossa economia. E adivinhe? Os cafezais também eram sinônimo de escravidão. E é interessante notar o quanto havia uma alternância entre a cruz e o chicote. Afinal, a Igreja Católica, como vimos, usava do expediente da mão de obra escrava de maneira natural e as punições eram naturalizadas mesmo pelos padres e pela população tão religiosa da época. 

Palmares e Zumbi

Foi no ano de 1645 que uma expedição partia do litoral de Alagoas rumo ao Quilombo dos Palmares, o maior, mais importante e duradouro esconderijo de escravos fugitivos no Brasil enquanto colônia. Seu nome é devido à abundância de palmeiras nos arredores.

O nome Zumbi significa “o senhor da guerra” e depois de sua morte sanguinária, em meio a tantos ataques, muitas lendas envolvendo seu nome surgiram e seguem aparecendo. Isso após mais de três séculos depois de morrer. 

O dia 20 de novembro é feriado em alguns estados do Brasil e muito se discute quanto à importância ou não da data. Há quem o coloque como figura apenas simbólica, dando conta de que Zumbi jamais existiu e era apenas uma figura mitológica. Outros ainda o indicam como algo semelhante a um cargo exercido naquele quilombo, passando de tempos em tempos de uma pessoa para a outra como a liderança de Palmares. 

O que se sabe, de fato, é que há poucos registros sobre a figura pessoal de Zumbi, que representou um dos grandes nomes no caminho rumo à abolição da escravatura. Em boa parte dos casos, as tentativas de minimizar a o papel que Zumbi teve não passa de mera desculpa para reescrever a história tão extensa quanto sofrida de milhões de pessoas escravizadas em função de sua cor de pele no Brasil.

Fato é que os dias 13 de maio e 20 de novembro geram reflexões importantes sobre o quanto a escravidão gerou reflexos na sociedade brasileira ainda hoje. E tudo isso ainda será destrinchado com minúcias nos próximos volume da trilogia da escravidão.

Notas finais 

Só de imaginar a possibilidade de trabalhar sem receber e ainda ser punido por com chicotadas e outros flagelos, já dá uma agonia arrepiante.

O trabalho de Laurentino Gomes na trilogia da escravidão é um resgate histórico para abordar todos os aspectos do modelo de mão de obra mais nefasto que a humanidade já produziu e replicou.

É importante ter em mente que, se a escravidão não teve início com o castigos aos africanos, as grandes navegações sistematizaram-na e causaram um dos grandes holocaustos da História. Laurentino presta um grande serviço com esta obra.

É para não esquecer, jamais!

Dica do 12’

Outra leitura importante para entender aspectos contemporâneos, mas em permanente mudanças, é a do microbook 21 lições para o século 21, no qual Yuval Noah Harari faz importantes prognósticos para os próximos anos. 

Cadastre-se e leia grátis!

Ao se cadastrar, você ganhará um passe livre de 3 dias grátis para aproveitar tudo que o 12min tem a oferecer.

ou via formulário:

Quem escreveu o livro?

Laurentino Gomes que é um jornalista e escritor brasileiro, autor de livros muito reconhecidos, como "1808", que fala da história da t... (Leia mais)