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Conservadorismo

Conservadorismo Resumo
Sociedade & Política

Este microbook é uma resenha crítica da obra: Conservatism

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 978-85-0111-451-8

Editora: Editora Âyiné

Também disponível em audiobook

Resumo

O que é ser conservador? 

O tema central do livro impacta todas as esferas da vida humana. Arte, música, literatura, ciência, religião. Mas Roger Scruton se resume a falar da filosofia, não da prática política conservadora. 

Trata-se de uma extensa fonte de reflexão sobre a ordem do mundo, defendida sob uma ótica que prega coerência com valores milenares. O intuito não é fazer os leitores concordarem com o conservadorismo, mas explicá-lo como ele é de fato e sem distorções. 

Para compreender quem somos como sociedade, é fundamental reconhecer as ideias conservadoras como intrinsecamente pertencentes ao comportamento humano. É uma atitude instintiva, mas em termos de filosofia política trata-se de fenômeno recente, derivado de três grandes revoluções: 

  • a Revolução Gloriosa de 1688, que determinou o fim do absolutismo na Inglaterra;
  • a Revolução Americana, que levou ao processo de independência dos Estados Unidos em 1776;
  • e a Revolução Francesa de 1789. 

Depois desses fatos históricos, o uso do termo conservador surgiu com maior frequência em todos os grandes movimentos políticos surgidos. Na língua inglesa, a palavra é muito usada por partidos e políticos para recomendar aquilo que defendem. 

Boa parte disso tem a ver com o fato do conservadorismo estar muito ligado a mudanças drásticas na política anglo-americana, enquanto o perfil no mundo europeu foi bem diferente, ainda que suas forças sempre permanecessem ali, a postos. Mas para entender melhor, é preciso recuar ainda mais no tempo. 

Pré-história

Foi o Iluminismo quem pariu o conservadorismo moderno, ainda que invoque aspectos do comportamento humano comum a todas as sociedades e em qualquer período da história. Essa doutrina também herda um legado filosófico dos gregos. 

Aristóteles escreveu em seu livro “Política” a defesa a um governo constitucional em termos que permanecem tão influentes entre os pensadores conservadores de hoje quanto os do mundo antigo. 

Ideias como a emergência do Estado-nação, a perda de uma religião unificadora e o crescimento de uma grande sociedade, composta de milhões de estranhos cooperando sob um único estado de direito, são a base do conservadorismo e estão ali, delineadas nos escritos de Aristóteles há milhares de anos. 

Por isso, não se pode deixar enganar. A doutrina defendida por Roger Scruton não é um fenômeno recente ou uma novidade criada em nosso século. É algo ainda mais profundo, com um nascimento atrelado a mudanças fortes de comportamento e organização social. 

O nascimento do conservadorismo político

O surgimento do conservadorismo tem mais a ver com uma hesitação interior do liberalismo do que com o desejo de elaborar uma nova doutrina filosófica. No século XVIII, o clamor por soberania popular crescia pelo mundo, levando à Revolução Americana e à Revolução Francesa. Nesse período, ideias conservadoras começaram a tomar forma em teorias e políticas. 

Enquanto o liberalismo tinha um individualismo econômico e desejo de derrubar uma velha ordem, recriando tudo do zero como aconteceu na França, nos Estados Unidos a ideia mais conservadora de transformação na sociedade teve influência de Thomas Jefferson. Além de ser um dos responsáveis pela Declaração de Independência do país, também forneceu uma base teórica que via a independência americana como garantia da continuidade da ordem legal contra a conduta anterior da Coroa inglesa. 

Na visão anglo-saxônica, embora houvesse direitos humanos universalmente válidos, a forma de governo devia ser adaptada às condições de cada sociedade, e não ditada pela lógica de ideias abstratas. Por isso, muitas vezes Jefferson é colocado como um dos grandes nomes do conservadorismo. 

Sua insistência na continuidade e nos costumes como condições necessárias para levar adiante a Constituição ainda em vigor, usada como pilar da sociedade estadunidense, foi fundamental para a disseminação desse pensamento. 

Liberais e conservadores

Já passamos da metade deste microbook e agora vamos falar sobre as diferenças e semelhanças entre liberalismo e conservadorismo. Não existe um antagonismo absoluto entre as duas doutrinas, mas uma verdadeira simbiose, uma complementando as lacunas deixadas pela outra. 

Afinal, só é possível ter uma sociedade liberal em um contexto social defendido pelos conservadores. Mas em termos de temperamento, os dois grupos são bem diferentes por natureza. 

Enquanto o primeiro grupo se rebela por natureza, o segundo opta pela obediência. Isso ocorre devido à crença de que se a cultura for destruída, com direitos declarados e deveres esquecidos, na prática o resultado será de totalitarismo, como o que ocorreu depois da Revolução Francesa. 

Por mais que o liberalismo incentive a liberdade do indivíduo, é apenas com moralidade, leis e política compreendidas em sua totalidade que se pode viver uma autonomia da vontade, expressa pelo cumprimento de deveres, não por meros desejos. 

Todo ser livre é forçado pela razão a aceitar o imperativo categórico que se aplica a todos os seres racionais: devemos agir de acordo com uma máxima que, por meio de nossa vontade, poderia ser uma lei universal, tratando todas as pessoas igualmente e como fins em si mesmas.

Conservadorismo cultural

Outra forma de conservadorismo surgida sem instituições políticas e poderes do governo como assuntos principais envolve o campo cultural. Entre o fim do século 18 e começo do 19, muitas pessoas foram removidas de suas raízes religiosas e sociais. Na Europa e nos Estados Unidos, o movimento de migração do meio rural para o urbano ganhava força. 

Assim, pequenas igrejas que não se conformavam com a doutrina religiosa em vigor surgiam na cidade. O clamor por maior emancipação das capelas crescia em países como Irlanda, Inglaterra e País de Gales. É nesta época que escritores britânicos começam a dar mais atenção aos valores do conservadorismo. 

Questões relativas ao papel do cristianismo na sociedade civil e as relações entre Igreja e Estado eram debatidas. Até mesmo aqueles que se opunham à Revolução Francesa não podiam deixar de observar que as coisas antigas estavam sendo rapidamente varridas pela Revolução Industrial, além das velhas instituições precisarem de reformas para acomodar mudanças surgindo em toda a sociedade civil. 

Na França, os programas sociais de longo alcance eram frequentemente vistos como utópicos pelos conservadores, sem mencionar liberdade individual com um de seus princípios, mas focando na razão e no progresso, rumo a uma sociedade de comportamento corporativo, com bases socialistas e caminhando rumo ao positivismo. 

Quando um grupo se vê acuado, ele se une. Assim, o período foi de intensa produção de textos louvando o conservadorismo como a melhor maneira de preservar a sociedade como a conhecemos. 

Conservadorismo hoje

No começo, o conservadorismo moderno se resumia a defender a tradição, enfrentando reivindicações de soberania popular. Com o passar do tempo, se tornou um apelo em nome da religião e da alta cultura contra a doutrina materialista do progresso. Então, houve uma união com os liberais para lutar contra o socialismo. 

Atualmente, os conservadores se colocam na trincheira como defensores da civilização ocidental, lutando contra o politicamente correto e o extremismo religioso. Enquanto o primeiro é classificado como uma forma de restringir a liberdade de expressão, por meio de uma culpa ocidental, o segundo é principalmente representado pela militância em prol das religiões de outros cantos do mundo. 

Desde os primórdios do conservadorismo, não mudou a convicção de que coisas boas são mais fáceis de serem destruídas do que criadas, e elas devem ser mantidas em meio a mudanças politicamente arquitetadas.

O conservadorismo inglês recente deu voz a muitos imigrantes, que possuem o privilégio de falar sem ironia e de maneira crítica ao Império Britânico. Já nos Estados Unidos, tanto libertários quanto conservadores enfatizam a necessidade de uma sociedade livre do controle do Estado. 

Enquanto o primeiro grupo alega que o pensamento e a prática política devem se abster de exigir qualquer tipo de conformidade à lei ou a algum princípio para além do mínimo necessário à manutenção da liberdade individual, o conservador acredita que há algo mais em jogo. 

Para esse grupo, a sociedade depende de costumes e tradições que são ameaçados pela liberdade individual, ainda que também sejam expressões dela. 

No campo filosófico, o conservadorismo estadunidense tem dificuldades em definir esses costumes e tradições para que eles sobrevivam e floresçam sem nenhum controle do Estado. 

Em todo o mundo, o campo conservador segue buscando espaço, tentando influenciar corações e mentes, dos mais jovens aos mais velhos. Vão ganhando relevância no debate público, publicando livros e adquirindo cargos públicos por vias democráticas. O conservadorismo está mais vivo do que nunca. 

Notas finais 

Para compreender como doutrinas políticas e filosóficas sobrevivem ao tempo, é importante discutir e se aprofundar em suas origens. Só assim é possível ter um panorama de como um tema como o conservadorismo, do qual se fala há séculos, ainda seduz pessoas de todas as idades, gerando discussões acirradas e elegendo políticos para cargos públicos, defendendo uma bandeira que já esteve em baixa.

Roger Scruton deixa claro o quanto não se trata apenas de uma questão política, mas uma maneira de enxergar o mundo que vai além da vida partidária. 

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Quem escreveu o livro?

Roger Vernon Scruton, FRSL KBE (Buslingthorpe, Lincolnshire, 27 de fevereiro de 1944 – 12 de janeiro de 2020) foi um filósofo e escritor inglês cuja especialidade era a estética. Scruton tem sido apontado como o intelectual britânico conservador mais bem-sucedido desde Edmund Burke. Foi nomeado como Cavaleiro Celibatário pela Rainha Elizabeth II em junho de 2016. Scruton escreveu mais de trinta livros, incluindo Art and Imagination (1974), The Meaning of Conservatism (1980), Sexual Desire (1986), The Aesthetics of Music (1997), A Political Philosophy: Arguments for Conservatism (2006), Beauty (2009), Our Church (2012), How to be a Conservative (2014), The Palgrave Macmillan Dictionary of Political Thought e How to Think Seriously About the Planet: The Case for an Environmental Conservatism (2012). Ele também escreveu livros didácticos sobre filosofia e cultura, dois romances, e compôs duas óperas. Ele abraçou o conservadorismo depois de testemunhar os protestos estud... (Leia mais)