O rótulo de dissidente é dado por conveniência política
Chomsky mostra que a palavra dissidente é um título distribuído por critério político: Václav Havel foi celebrado no Ocidente, enquanto intelectuais latino-americanos mortos por forças treinadas pelos EUA nunca viraram mártires. O mesmo filtro aparece nas redações — uma edição do New York Times dedicou páginas a uma reportagem falha da Rolling Stone e escondeu no miolo os bombardeios americanos no Laos, repetindo a versão oficial sobre os alvos.
Terrorismo muda de nome conforme o remetente
Em 1988, um navio de guerra americano abateu o voo 655 da Iran Air em águas iranianas, matando 290 pessoas, 66 delas crianças — e os comandantes foram condecorados. Em 2014, o voo MH17 caiu na Ucrânia e o mundo parou, com razão. A diferença não está no número de vítimas, mas no endereço de quem apertou o botão. O mesmo padrão aparece no Charlie Hebdo, que mobilizou a Europa, e no bombardeio da OTAN à TV sérvia em 1999, que matou dezesseis jornalistas e foi tratado como legítimo.
A economia desenhada para servir poucos
Desde os anos 1970, a produção industrial americana foi terceirizada e as finanças incharam, concentrando riqueza no topo. Analistas do Citigroup chegaram a descrever o país, em relatórios internos, como uma plutonomia — uma economia puxada e consumida por uma minoria rica, enquanto a maioria enfrenta estagnação. Crises de déficit, muitas vezes fabricadas, servem de pretexto para cortar programas sociais que a população apoia, numa luta de classes que atravessa décadas.
:quality(90)/https%3A%2F%2Fcdn.12min.com%2Fbooks%2Fbooks_new_cover_experiment%2F63635_cover.original.png%3F1791471380)