A gente mira no amor e acerta na solidão - Resenha crítica - Ana Suy
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A gente mira no amor e acerta na solidão - resenha crítica

A gente mira no amor e acerta na solidão Resenha crítica Inicie seu teste gratuito
Sexo & Relacionamentos

Este microbook é uma resenha crítica da obra: 

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 978-65-5535-711-0

Editora: Planeta

Resenha crítica

Amar é uma experiência solitária

Amor e solidão são temas fundamentais. Falar sobre eles é falar sobre a vida. As duas palavras rimam, embora a língua portuguesa discorde. Para ela, fez mais sentido que o sentimento rime com dor. Para Ana Suy, amor rima com solidão, não com dor, porque estar sozinho não é um sofrimento.

Só que se sentir solitário é um pré-requisito para amar. Precisamos nos sentir sós com a gente mesmo para que possamos amar o outro plenamente. É enganosa a ideia de que o amor pode nos livrar da solidão. Sempre estamos sós ao amar, porque cada um ama do seu próprio jeito, com sua história, seus perrengues e suas dificuldades psíquicas.

No fim, sempre comparecemos com a gente mesmo. No coração do amor está a solidão. Por isso, se não suportamos ficar sós, também não suportamos amar. O sentimento não nos livra do isolamento, mas o torna algo muito interessante. Se não fosse assim, não teria graça.

Nenhuma forma de amor nos livra nós mesmos

O ser humano é o único animal que depende do amor para viver. Viemos ao mundo sem ferramentas para sobreviver na ausência do acolhimento humano. Um bebê desamparado tem poucas chances de vida. É pelo amor que vivemos, ainda que possa ser fruto de um instinto amoroso meio torto.

Isso torna o amor o tema fundamental da existência. A maior parte das pessoas se interessa pelo tema, seja estudando ou amando. As histórias da literatura, as letras das músicas e os poemas são quase todos sobre o amor. Mas ao falar sobre o assunto, nem sempre precisamos falar de um casal ou um par sexualmente envolvido.

A amizade, por exemplo, é uma boa modalidade amorosa, capaz de trazer muita alegria e salvar vidas. O amor não se restringe a só uma modalidade. Existem inúmeras formas de amar. Mas nenhuma é fácil, porque não existe uma forma que nos livra de nós mesmos e da solidão.

Nem sempre sabemos aquilo que sabemos

Às vezes, o que nos encanta é a parte de nós que descobrimos ao interagir com o outro. A sensação de que um desconhecido romântico é especialista em nós mesmos é uma das marcas do nosso psiquismo. Isso tem origem no amor materno, já que as mães antecipavam nossas necessidades quando éramos crianças.

Para a autora, se tudo der certo, as mães serão decepcionantes. Isso acontece porque as figuras maternas só podem ser suficientemente boas. Se forem boas além da conta, não iremos querer nos separar e nunca estaremos preparados para o mundo. Herdamos essa dificuldade de nos separar do amor materno e passamos a buscar delirantemente a alma gêmea.

Isso acontece porque temos uma eficiente capacidade de não saber aquilo que sabemos. Os psicanalistas chamam isso de recalque, um mecanismo de defesa que nos faz fingir que não conhecemos o que já é conhecido. Isso faz com que algumas das coisas mais difíceis de perceber também sejam as mais óbvias.

Amar é dobrar a falta

É frequente a busca pela alma gêmea, que também é a metade da laranja e a tampa da panela. Por isso, passamos a olhar para nosso umbigo e a procurar um outro que supra a nossa falta. Assim, seríamos completos. No entanto, isso é um engano.

Na verdade, ao amar, nossa falta dobra. Quando encontramos alguém, não encontramos a parte faltante, mas a que vai fazer falta a partir dali. Por isso, miramos no amor e acertamos na solidão. Somos todos naturalmente insuficientes, isso não é necessariamente um problema. Lidar bem com a nossa falta é o que livra o outro da posição de salvador.

Na verdade, precisamos de alguma falta para sobreviver porque a presença excessiva do outro nos gera angústia. Nesse caso, passamos a sentir saudades da saudade. Queremos ser amados pela presença, mas também pela falta. É isso que acontece quando nos perguntamos se nosso par romântico se importará caso fiquemos algum tempo sem ligar ou mandar mensagem.

Ponte entre solidões

Nossa cultura costuma patologizar a solidão. Isso é fruto da confusão entre estar só e sentir-se só. Todos vivemos solitariamente, porque habitamos o corpo e a mente apenas com nós mesmos. Às vezes, a falta de solidão é justamente o que gera sofrimento. 

A autora cita como exemplo a protagonista Nina, do filme Cisne negro, que sofre justamente porque se sente invadida pela mãe. Temos a necessidade de ficar a sós, ainda que na presença dos outros. De certa forma, somos inventores da própria solidão, porque precisamos criar um espaço, dentro de nós mesmos, que o outro não alcance.

Um dos sinais de que uma criança está amadurecendo é quando ela conta mentiras. Isso é positivo porque mostra que o filho se desenvolveu o suficiente a ponto de criar um espaço psíquico que os pais não chegam. Por isso, as pessoas pedem palavras umas às outras. É o que cria a ponte entre as solidões no amor.

Amamos na diferença

Esperamos demais do instinto amoroso, acreditando que é infinito, inquebrável e imortal. Só aprendemos a usar o amor no gerúndio, porque temos dificuldade de conjugá-lo no passado. Achamos que temos que suportar tudo para amar, mas esse é o melô de um relacionamento abusivo. É perigoso presumir que a experiência amorosa nos salvará de nós mesmos.

Às vezes, a ânsia por amar faz com que vejamos a diferença como desamor. Tendemos a achar que o outro não nos ama porque é ciumento, fumante ou não quer ter filhos. A outridade vira rejeição. No entanto, a experiência amorosa está no contrário. Amamos genuinamente o outro porque ele é ele mesmo.

O amor está na diferença. Quando mudamos a nós mesmos para nos adequar aos padrões do par romântico, ficamos ridículos. Não amamos um espelho na forma do outro, mas aquele que mostra que existe um mundo além do nosso umbigo. O amor só é possível quando furamos nosso narcisismo.

Não existe felicidade sem infelicidade

Já passamos da metade deste microbook e a autora revela a crença de Freud de que a felicidade é episódica. Só conhecemos uma coisa em contraste com a outra. Nada existe sem a diferença. Se todas as cores fossem azul, seríamos incapazes de compreender o azul. Só conseguimos entender as cores porque são várias.

Assim é com ideias como baixo e cima, acordar e dormir, luz e escuridão. Isso também vale para os momentos felizes. Para os conhecermos, precisamos também entrar em contato com a infelicidade. Por isso, o sofrimento não é ruim. Na verdade, é o que torna a felicidade possível.

Para Freud, um dos objetivos da psicanálise é fazer com que o infortúnio neurótico vire a infelicidade cotidiana. Afinal, todos estamos expostos ao sofrimento corriqueiro. O problema surge quando nos apegamos ao sentimento infeliz e nos viciamos na tristeza. Esse apego é o que Freud chama de pulsão de morte.

A perda de quem somos para o outro

Nós existimos a partir do olhar do outro. Não temos essência puramente nossa, absolutamente independente. Um traço nosso aparece diante dos amigos, outro diante da família. Às vezes, há algum que aparece diante de todos, mas não quando estamos sozinhos. Por isso, quando perdemos alguém, perdemos também quem éramos para esse outro.

Se um par romântico nos deixa para se relacionar com outra pessoa, temos também que elaborar o luto pela perda do que somos para ele. Outro sofrimento vem da perda da versão que idealizamos de quem amamos. O que torna as coisas mais complicadas é nossa dificuldade de assimilar que o amor acaba.

Pode parecer injusto, porque, às vezes, o amor acaba para um e permanece vivo para outro. Isso faz com que uma pessoa insista em uma relação quando algo do par romântico já não está mais ali. Não tem razão específica para isso. O instinto amoroso pode ter fim e, em alguns casos, tem mesmo.

O medo de se perder perdendo o outro

Chegamos à vida cedo e imaturos. O bebê nasce sem ferramentas para sobreviver sozinho e precisa de amor e acolhimento para se manter no mundo. Ou é cuidado, ou não há vida. Nossa chegada ao mundo tem a premissa de sermos radicalmente desamparados. É no amor do outro que nos ligamos à vida.

Só que o medo do desamparo nunca desaparece. Não existe nada tão humano quanto o medo de perder o outro, e até o medo de se perder perdendo o outro. Por isso, o filho precisa, aos poucos, aprender a se afastar da mãe. Assim, pode descobrir que, caso o outro vá, ele é capaz de ficar com ele mesmo.

Outra fantasia assustadora é a de sermos trocados, um instinto baseado na inveja. Quando invejamos, não queremos o que é do outro, mas desejamos que ele não tenha o que temos. Essa é a base para o famoso complexo de édipo do Freud.

O amor começa a morrer quando inicia

O amor é mais uma gangorra do que uma linha do tempo. Possibilidades como paixão, solidão e afeto se misturam circunstancialmente até chegar ao fim. Tudo começa a terminar no momento que se inicia. Só estamos vivos porque, em algum dia, não estaremos mais. Inclusive, os desejos não terminam quando queremos.

Isso faz com que, quando nos apaixonamos, queremos que o tempo com a pessoa pare. Só que desejar só faz sentido porque o que desejamos está protegido da realidade. Sem seu término, o objeto de desejo não seria desejado. Assim também é a vida, que só existe diante da possibilidade da morte.

O problema é que não lidamos bem com os términos. Tentamos prolongar todas as coisas infinitamente. Esse instinto não se sustenta porque começamos a morrer assim que nascemos. O amor funciona da mesma forma. Começa a morrer quando se inicia. Por isso, há quem queira preservar o ideal na eternidade do amor platônico,

A amizade é o amor que deu certo

A amizade é a modalidade de amor que mais salva vidas e, ainda assim, é colocada em segundo plano. Não é raro que uma pessoa se afaste dos amigos quando uma relação começa, e volte quando ela termina. Isso acontece porque as amizades são pontos de apoio compartilhados por pessoas que conhecem um lado nosso que fica de fora da relação romântica.

Os amigos são as pessoas que mostram que tudo não está perdido. Existem partes nossas que são recuperadas por eles. Assim, funcionam como o backup de antes do apaixonamento. Não por acaso, um dos indicadores mais fortes de uma relação abusiva é o afastamento dos amigos.

O campo das amizades traz poucas perturbações. Afinal, os amigos são as escadas de incêndio para quando o prédio está pegando fogo e o elevador da paixão é pouco confiável. Nesse sentido, é possível dizer que a amizade é o estado mais digno do amor.

A gente mira no amor e acerta na solidão

O amor e a solidão são parentes próximos. Um depende do outro. Por isso, contrariam nosso hábito de colocá-los intuitivamente nos extremos, como se fossem antônimos. Nem sempre estar só é sinal de individualismo ou isolamento.

Quando nos livramos dos imperativos do superego, temos um estado solitário apaziguante. Quanto ao amor, somos muito exigentes com ele. Nos debruçamos sobre esse sentimento com muitas demandas que nascem das nossas fantasias.

Quando o instinto amoroso e o solitário se aproximam, humanizamos o estar só e amamos de forma sóbria. Para Clarice Lispector, amor pode ser dar de presente a própria solidão ao outro. Os finais, tão aterrorizantes, na verdade têm a útil função de provocar o desejo. É preciso encontrar o final do amor.

Notas finais

A solidão está no coração de toda forma do amor, já que nenhuma nos livra de nós mesmos. Ana Suy mostra, em uma linguagem poética, que todos temos faltas, desamparos, inseguranças e perrengues psíquicos. Usando desde Freud até Marília Mendonça como referência, a autora nos faz viajar dentro de nós mesmos e nos faz compreender nossos vazios e paixões.

Dica do 12min

Ana Suy provoca a reflexão sobre o amor e os relacionamentos. Mas o interior de cada um costuma ser misterioso e exigir mais do que só a reflexão. Lori Gottlieb fala sobre isso, contando suas próprias dificuldades e as dos seus pacientes no livro Talvez você deva conversar com alguém. Disponível como microbook no 12 min!

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