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A estranha ordem das coisas - resenha crítica

A estranha ordem das coisas Resenha crítica
Ciência

Este microbook é uma resenha crítica da obra: A estranha ordem das coisas - As origens biológicas dos sentimentos e da cultura

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 978-8535931112

Editora: Companhia das Letras

Também disponível em audiobook, baixe agora:


Resenha crítica

Sobre a condição humana

Você se feriu. Sente uma dor. Pouco importa a gravidade, procura um jeito de amenizar o sofrimento. No passado, já sentiu essa mesma dor. Por isso, parece até que ela aumenta, como num sofrimento por antecipação. 

A memória faz projetar uma situação futura e até visualizar consequências. O mesmo acontece em momentos de satisfação. Prazer e entusiasmo parecem amplificados nas projeções futuras. É só lembrar da sensação de tomar um vinho, comer um lanche que você gosta e até fazer sexo. Já aconteceu com você?

A homeostase

Sentir antes o que vai acontecer, seja bom ou ruim, acontece por causa da homeostase. Na fisiologia humana, esse processo do organismo mantém condições internas constantes e necessárias para a manutenção da vida. Uma herança dos seres unicelulares. 

A homeostase nos regula internamente em prol da vida, fazendo adaptações no corpo, como mudando a temperatura, por exemplo. Mas ela também acontece na mente. Dependendo das expectativas futuras, revivemos momentos de dor ou de prazer. Sentimos antes e vamos nos preparando. A mente humana é evoluída demais, né? 

A origem das mentes

Genética e seleção natural não são os únicos fatores de transformação dos seres humanos. Para o bem e para o mal, o imperativo homeostático gerou pressões seletivas que moldou o comportamento desde os tempos remotos. A geração da mente humana como a conhecemos combinou sistemas nervosos e corpos em permanente transformação. 

Se hoje temos uma estrutura social é porque o desenvolvimento da mente humana não aconteceu de forma isolada. Da mesma forma, sentimentos e subjetividade enriquecem pela memória baseada em imagens, junto com a capacidade de organizar todas elas como se estivéssemos num filme. 

Esse processo levou ao que o autor chama de inteligência criativa, colocando o ser humano acima dos outros animais. Nosso comportamento buscando eficiência, rapidez e sucesso nas atividades cotidianas deu o pontapé para o surgimento da cultura e dos afetos. 

Afeto

Na metade do microbook, vamos falar de afeto. Esse aspecto da mente parece dominar nossa existência e se relaciona diretamente com o mundo ao redor, seja ele real ou criado a partir da memória. O afeto cerca objetos, eventos e outras pessoas do convívio. 

O mundo do afeto é paralelo ao mundo objetivo e está em constante funcionamento. Ele é muito sutil e nem sempre tem a devida atenção. É que os sentimentos são causados por um fluxo de processos que acontece em segundo plano no organismo. 

Cada resposta emotiva processa novos estímulos, como gostos, odores e sensações. E essas respostas ficam na memória, podendo voltar à tona em outros momentos parecidos com aquele. Lembra da homeostase? Ela traz à tona um retorno de sentimentos relacionados a experiências anteriores. 

Quando em boas faixas, a homeostase revive sensações de bem-estar e alegria. Em compensação, o estresse associado à tristeza segue a mesma metodologia.

E a consciência?

Numa situação de normalidade, vêm à mente imagens surgidas apenas a partir da nossa perspectiva. Podemos nos reconhecer de um jeito espontâneo, sabendo que tudo o que aparece na mente é de uma criação própria. Assim nasce a consciência. 

Ela faz parte de um estado natural que permite ao dono da mente experimentar o mundo ao redor de maneira única. Quando você se encontra num estado consciente, ainda é capaz de examinar tudo ao redor de um jeito ímpar, criando a subjetividade. Uma perspectiva que é só sua. 

A mente cultural em ação

O processo cultural humano sofre intervenções de todas as faculdades mentais existentes. Memória, linguagem, imaginação e raciocínio são os protagonistas desse desenvolvimento. E todos precisam da produção de imagens.

Na avaliação histórica e no estudo das grandes revoluções que mudaram o mundo, afeto e consciência costumam ser esquecidas nas análises. Porém, sem elas não acontece nenhum processo elaborado com inteligência criativa. Cultura, história, lutas e transformação não existem sem afeto e consciência. Nenhuma decisão humana está livre desses dois componentes. 

A estranha ordem das coisas 

Dois motivos levaram à escolha desse título. O primeiro deles é que algumas espécies de insetos já colecionavam comportamentos, práticas e instrumentos sociais que poderiam ser definidas como culturais. É possível fazer uma analogia com os costumes desses pequenos seres com os nossos. E olha que falamos de 100 milhões de anos atrás. 

O segundo motivo é que ainda antes disso, há alguns bilhões de anos, já existiam organismos de uma única célula com comportamentos sociais. Com isso, existe uma contradição ao falar de hábitos socioculturais humanos. Pode não ser correto pensar que apenas uma mente tão evoluída quanto a nossa poderia criar interação social. 

Isso é estranho? É sim. No mínimo, é muito estranho. Mas uma coisa fica clara. O que entendemos como cultura, sentimentos e afetos podem ser muito anteriores à vida humana na Terra. 

Notas finais 

Como a mente humana é complexa, né? Chega a dar um nó pensar que não existe uma racionalidade completa, livre de afetos e sentimentos. E quando pensamos que hábitos socioculturais estavam presentes mesmo nos seres mais primitivos do planeta, então... Melhor nem pensar. Aliás, é melhor pensar que nenhum conhecimento é demais. 

Dica do 12’

Você também vai se interessar pelo microbook De primatas a astronautas, em que a evolução do pensamento humano é explicada dos tempos das cavernas até as mais recentes aventuras no espaço.

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Quem escreveu o livro?

O livro foi escrito por António Damásio, um médico neurologista, neurocientista e pesquisador portu... (Leia mais)