Vitor Belfort

Vitor Belfort Também disponível em audiobook: Baixe nosso app para ouvir gratuitamente.

O que é ser um guerreiro? O que está entre o vencer e o perder? Neste hiato se encontram frustrações, vitórias, perdas, transformações, desejos e sonhos. O que você fará com tudo isso só depende de você. A trajetória de Vitor Belfort por trás do campeão de MMA está repleta de coragem, caminhos tortuosos, obstáculos e vontade de ser um campeão.

Encontrou na fé um apoio constante e foi desta forma que foi trilhando sua carreira apoiado no tripé: saúde, trabalho e família. Construiu valores e permaneceu fiel a eles e desta forma, agradecendo a cada pequena conquista diária, expandiu seu olhar para além do octógono e permitiu que as lições ali aprendidas ultrapassassem a vida profissional. Com equilíbrio, construiu um portfólio – ou cartel – sem pegar atalhos ou se abater frente aos desafios.

Um lutador se prepara, se antecipa, cai e levanta sem esquecer seu objetivo e sua fé. Quem é você? O que move a sua vida? Quer ser um lutador? Então eu te desafio:você tem 12 minutos para descobrir sua força.

O início de tudo

Com 19 anos, foi considerado o mais jovem lutador a vencer no UFC. Colecionando títulos em diversas modalidades antes de chegar ao MMA, Vitor construiu um cartel – portfólio de um lutador - de respeito e orgulha-se igualmente de suas vitórias e derrotas.

Com uma ideia de família bem estruturada, Vitor teceu seus valores frente aos obstáculos diante da separação dos pais quando ainda muito novo. A soma disso com a incapacidade dos mesmo de controlar e mediar a situação, resultou em momentos difíceis para Vitor e sua irmã, 3 anos mais velha, Priscila. Tendo o esporte como válvula de escape e a escola como inimiga, foi “convidado a se retirar” repetidas vezes. Com o diagnóstico de hiperatividade, enfrentava dificuldades em manter a atenção, permanecer sentado em sala e seguir instruções. O divórcio dos pais estava se manifestando em forma de sintomas.

Com ajuda psicológica, passou a encontrar na terapia um espaço para falar abertamente e, recebendo amor do lado materno e pulso firme do paterno, foi se moldando diante das dificuldades e descobrindo seus valores.

A raiz brasileira do MMA

O MMA ganhou visibilidade em 1993 nos Estados Unidos com a criação do UFC, porém, pouca gente sabe de sua raiz brasileira. O escocês George Graicie imigrou para o Brasil no início do século XIX. Em 1901, seu neto Gastão Gracie tornou-se amigo do japonês Mitsuyo Maeda que passou a ensinar artes marciais a seus filhos. O primogênito Carlos mudou-se para o Rio de Janeiro em 1925 e abriu a primeira academia Gracie. Junto com seu irmão Hélio, foram adaptando técnicas e intensificando o combate no chão, nascendo o Brazilian Jiu-jitsu.

Aos poucos, foram quebrando as regras rígidas das artes marciais orientais. A família Gracie abriu caminho para o MMA. A falta de regras o intitulou como Vale-Tudo e logo passou a ser mal visto pela sociedade. A conscientização da necessidade de limites tornou-se urgente.

O cartel da vida

A paciência foi uma conquista nada fácil para um garoto com hiperatividade. As derrotas, vitórias e empates fizeram parte da trajetória, posto que nenhum cartel é invicto. As frustrações são essenciais para que o caminho proporcione o crescimento e a maturidade tão importantes na jornada da vida. Quantas lutas pessoas evitamos pela falta de paciência? Quantas outras poderiam fazer parte do nosso cartel? Não colocar muitas expectativas nos resultados é essencial para manter o equilíbrio frente às dificuldades. Por isso, treinar a mente com a mesma intensidade que se treina o corpo é a chave para encontrar coerência, paciência e gratidão.

Enxergar uma luta com a sensação de “vida ou morte” gera um grau de tensão prejudicial ao atleta. Entender que a vida é feita de inúmeras lutas e que fracassar é aceitável, tira o peso injusto da perfeição. Isso não significa negligenciar a oportunidade. Dê 100% de você, porém aceite quando o seu melhor não for o suficiente em determinado momento. A rotina e a naturalidade são nossas amigas. Com paciência, treino e regularidade, os momentos de destaque tornam-se parte do nosso dia a dia ao estarmos preparados para eles. Não há atalho para o sucesso, ele deve ser construído, analisando o percurso e cuidando dos resultados.

Trabalho além do octógono

Além de entrar no octógono como protagonista, Vitor – com a ajuda de sua esposa Joana Prado - gerencia novos atletas brasileiros, custeando seus treinos e demais gastos em Las Vegas.

O pai do lutador o auxilia, como sócio da empresa Invyta, a localizar novos talentos além de acompanhar na construção da primeira academia da rede Belfort. Vitor acredita que diversificar seja necessário em meia a sociedade competitiva em que vivemos. Com isso em mente, investiu em uma marca própria de roupa esportiva e vem trazendo pessoas com a mesma visão que a sua para enfrentar a nova jornada.

Além de seu pai, Vitor trabalha com seu primo Pedro e com sua esposa Joana. Considera importante trabalhar com familiares, já que conta com a fidelidade e descrição dos mesmos e é com eles que compartilha planos e projetos.

Aprendizados

A persistência e o incentivo lhe foi passado pelos pais, que sempre o encorajaram a perseguir seus sonhos e se dedicar para tal, porém a organização teve que ser conquistada ao longo dos anos.

Vitor descreve sua infância e adolescência sem muitas rotinas e regras bem delimitadas. Como consequência, o hábito da organização nunca esteve presente. Foi apenas depois de casado, com a ajuda de sua esposa, que passou a organizar sua vida em todos os aspectos. Isto foi essencial para otimizar seu tempo e planejar suas ações – principalmente no mundo corporativo. Organizar suas finanças tornou-se o ponto chave para prosperar seus investimentos.

MMA - Esporte marginalizado

O MMA enfrentou árdua batalha contra o preconceito. Isso porque durante anos, notícias como o envolvimento de atletas em brigas manchava o esporte. Hoje, ele é o segundo mais popular do Brasil, perdendo apenas para o futebol. O esforço individual de fazer a diferença foi, finalmente, recompensado.

Vitor tenta passar aos atletas que gerencia seus próprios valores, os mesmo que o fizeram construir seu cartel de sucesso:

  • Determinação: levante, não importa quantas vezes caia;
  • Dedicação: faça com amor o que se propôs a fazer;
  • Disciplina: organize-se interna e externamente a fim de chegar ao objetivo que traçou;
  • Direção: não desvie do foco e nem pegue atalhos. Aceite que levará tempo até conquistar seu sonho;
  • Desejo: mantenha a chama acessa, mesmo sem a certeza dos resultados;
  • Habilidade: refinesuas habilidades com amor, dedicação e paciência;
  • Atitude: coloque todos os valores em prática de forma que fique confortável, equilibrado e harmônico.

Ao invés de pedir, agradeça

É fácil pedir sempre mais, querer sempre o que ainda não temos. Ao falar de fé, agradecer torna-se mais importante. Valorizar o dia a dia, a rotina e os pequenos presentes que a vida proporciona é um passo importante para a felicidade.

Entender que nem tudo está em nossas mãos impede que sentimentos de culpa nos alcance. Cheio de altos e baixos, a carreira de Vitor sofreu reviravoltas e retrocedeu alguns passos após o desaparecimento da irmã Priscila, em 2004.

Saindo do UFC, passando pelo Pride no Japão e pelo Strike Force, na Inglaterra, apenas em 2007 começou a ver melhora no âmbito profissional. Mesmo em meio às incertezas, se manteve sempre pronto para lutar, independentemente do tempo de preparação. O mesmo acontece na vida do atleta. Quando estamos preparados, não há nervosismo ou desespero.

Cutman

É importante o ser humano ter um conselheiro. Pode ser o pai, um irmão ou um amigo, não importa; porém é necessário um apoio em tempos difíceis e um olhar de fora da situação para enxergar o que as personagens, muitas vezes, não conseguem ver.

Para Vitor, o missionário Dan Duke apareceu em sua vida com esse propósito em um momento ruim em seu casamento, somado à falta de conclusão do desaparecimento da irmã e das frustrações profissionais. Dan passou a ser seu cutman – o responsável por estancar cortes e amenizar ferimentos de forma rápida dentro do octógono – da vida privada.

Um bom conselheiro não apenas fala, mas ache de forma a ser um exemplo para nossas ações.

Olhar internamente

Os comportamentos exagerados, as atitudes irresponsáveis e, muitas vezes, “fora da lei” nada mais são do que a externalização de angústias internas. Roer unha, brigas na rua e fugir de casa pode conter uma infinidade de questões familiares mal resolvidas que, para uma criança, é mais do que suficiente para desestabilizar as emoções.

Olhar para a causa do problema e entendê-lo o torna um conhecido desagradável que devemos aprender a lidar. Manter oculto para nós mesmos o causador de tanta dor apenas o fortalece ao não encontrar resistências. A ajuda profissional é, em muitos casos, necessária para o entendimento das próprias emoções e a construção de uma barreira de fortalecimento ao fornecer armas para lidar com os problemas.

Fazer parte do 'sistema'

Boas ideias surgem a todo instante e, muitas vezes, uma mesma ideia é compartilhada por várias pessoas ao redor do mundo. Porém, colocá-la em prática é o diferencial. Enxergar de forma antecipada a solução para um problema nos coloca em uma posição privilegiada. Saber executá-la meticulosamente é essencial para que esta se torne de fato algo concreto.

Ser um visionário requer paciência, organização e persistência. Saber passar as suas ideias é vital no momento de apresentá-la como um grande negócio.

A persistência sempre esteve ao lado de Vitor, que embarcou em uma jornada nada fácil para os Estados Unidos junto com seu treinador Carlson Gracie. Lá, empenhou-se em conseguir alunos para a nova academia enquanto esta servia como sua casa. Não desistiu frente às dificuldades financeiras e, como recompensa, as oportunidades começaram a surgir.

Conheceu o produtor de cinema John Peters que decidiu investir na carreira de Vitor como astro de filmes de ação. A saída, que de início resolvia seus problemas financeiros, passou a ir de encontro com seus valores e sonhos. Assim como no octógono, é preciso saber a hora de mudar de estratégia, ver o que está funcionando e o que não está. É preciso ficar alerta às oportunidades e caminhar de acordo com suas metas e valores. Por fim, permaneceu fiel à Carlson e voltou para a academia.

A temporada nos Estados Unidos durou três anos. Vitor voltou para o Brasil quando o MMA começou a crescer. Neste mesmo período, cortou relações com Carlson. Com o objetivo de evoluir como lutador e melhorar a imagem do MMA, Vitor, com a ajuda da família, criou um projeto social na Cruzada de São Sebastião. Ele e outros lutadores ministravam aulas gratuitas de luta dentro do colégio público.

Um momento de reflexão

Ao lesionar a coluna em 1997, Vitor ficou impossibilitado de lutar pelo período de um ano. Esta pausa permitiu sua aproximação com a fé ao mesmo tempo em que surgiram questionamentos internos abafados há anos. Como resultado, terminou um relacionamento sem futuro e voltou a focar no seu objetivo: ser feliz.

Para alcançar a vitória, se levantar da queda é essencial, porém, para sua recuperação é preciso passar por três etapas:

  1. Ficar no chão: é necessário absorver o impacto da queda e isso vale para os problemas que enfrentamos na vida. Seja breve, pois esse tempo não pode ser longo o suficiente para criar raízes;
  2. Sentar e tomar fôlego: é a hora de se fortalecer, escolher reagir e não se entregar ao sofrimento;
  3. Escolher uma direção e caminhar: agir é o mais importante neste momento, mesmo sem ter muita clareza de suas decisões. Aqui, a intuição é a arma secreta.

O poder de um coração sincero

Agradecer as oportunidades, as pequenas conquistas, o bem-estar e a saúde torna-se uma fonte de poder. Belfort conta como sua relação com Deus foi crescendo e como orar o fortaleceu. Desta forma, consegue treinar o corpo, a alma e o espírito.

Através desse equilíbrio, os obstáculos que possam aparecer serão vistos de outra maneira e encarados de outra forma. Estar preparado para os golpes da vida não significa se manter 24 horas alerta, porém é quando nos fortalecemos e estamos em paz que as resoluções surgem mais facilmente.

Golpe baixo

Os golpes baixos acontecem e isso nada tem a ver com justiça ou merecimento. A família de Vitor sofreu uma terrível perda com o desaparecimento brutal de sua irmã Priscila. Sem um final, o caso permanece como uma ferida aberta para os pais e uma cicatriz dolorosa para o irmão.

O sentimento de vingança causado pelo golpe baixo é tão destrutivo quanto a perda em si. O lutador encontrou alívio ao frequentar a Igreja e conhecer Dan Dunke, missionário que passou a chamar de cutman.

Antes de perdoar é preciso pedir perdão. Ninguém passa pela vida sem magoar alguém, seja por imaturidade, impaciência ou falta de entendimento. Pequenas, assim como grandes ofensas, devem ser reparadas com o pedido de perdão.

Algumas situações nunca serão reparadas, como é o caso do desaparecimento da Priscila, porém, a angústia interna pode ser abrandada. Deixar o julgamento nas mãos de Deus foi preciso para Vitor poder descansar e seguir o fluxo da vida.

Seguir em frente e confiar no destino é essencial para não deixarmos o medo dominar. Influências negativas sempre existirão, porém não se intimidar frente a elas é preciso para manter a autoconfiança necessária para o sucesso em qualquer profissão.

Auto-sabotagem

Dar espaço para comentários intimidadores é o primeiro passo para a derrota, porém se auto sabotar, perder mentalmente - mesmo antes do episódio na prática - é certeza do fracasso. Trabalhar a intenção e deixá-la clara inibe possíveis perdas de foco e falta de confiança.

O trabalho de excluir da sua vida o que não acrescenta e que, muitas vezes te faz mal, é árduo. Saber identificar de onde vem inveja e de onde vem respeito e carinho é importante para criar uma atmosfera positiva essencial para manter o equilíbrio e a autoconfiança.

Não ser atingido por provocações é uma tarefa difícil. Alguns comportamentos nos ajudam a pelo menos minimizar seus danos:

  • Surpresa: responder de maneira expressiva quando o oponente menos esperar;
  • Desarme: a gentileza desarma qualquer ofensa;
  • Invisível: ignore a tentativa de intimidação e ela não mais fará sentido nem para quem produz, nem para quem recebe.

Na jornada de Vitor Belfort, a fé teve papel fundamental em tempos difíceis. Hoje, ele alimenta o relacionamento com Deus diariamente, agradecendo e pedindo conselhos. Conversar com Deus tornou-se um hábito capaz de diminuir a pressão do viver, das responsabilidades e de entender que não se pode controlar tudo.

Cultivar a espiritualidade tornou-se necessário para o equilíbrio emocional ao compreender o que realmente importa na vida. A família tornou-se o bem maior e mais precioso de Vitor, que enxerga em meio ao movimentado ambiente com três crianças um templo para recarregar as energias.

O lutador também utiliza a bíblia como guia e enxerga os passos de Jesus como um exemplo. Suas amizades são verdadeiras e busca prestar atenção em quem pode conversar e em quem pode de fato confiar suas questões mais valiosas. Assim como o fez Jesus, procura classificar as pessoas em sua volta:

  • Trabalho: apesar do convívio, colegas de trabalho não têm acesso a nenhum nível de intimidade, a não ser que se torne um amigo;
  • Conhecidos: pessoas conhecidas, porém com limites bem definidos no relacionamento;
  • Familiares e amigos: alto nível de intimidade pelo convívio regular e permanente;
  • Família (esposa e filhos): merecedora de total confiança, a família possui um convívio diário, direto e verdadeiro;
  • Deus: o que está mais próximo de nós.

Analogia com o octógono

  • Primeiro round: momento de olhar nos olhos do adversário. Na vida, olhamos para a nossa primeira etapa, para o contexto familiar em que nascemos. Tempos de alegria ou não, para um lutador é o começo de tudo. Nossas escolhas determinarão nossa trajetória. Ao escolher olhar para as dificuldades e enxergar as belezas nos detalhes, nos permitimos encontrar felicidade nas pequenas conquistas e nos hábitos diários. A escolha define o cartel.
  • Luta: durante o embate, receberá chutes, socos e talvez caíra. Impactos são inevitáveis e são esses momentos que nos fazem crescer, enxergar possibilidades e agir. Desta forma, aprenderá como antecipar os golpes, a desviar deles e, principalmente, como se reerguer quando a queda for inevitável. Ser fiel aos seus valores fará com que o caminho seja tão prazeroso e digno de orgulho quanto à chegada ao objetivo.
  • Intervalo: No pequeno espaço de descanso, recupere-se. Para isso, escolha seu cutman, pois precisamos de apoio nos momentos difíceis. Seja humilde e reconheça.
  • Segundo round: é o momento em que tudo será feito para você desistir. Os desafios se encontram ali lado a lado com as dúvidas e possibilidade de ignorar seus valores. Não o faça. Acredite, não vale a pena. Use a fé para se manter firme.
  • Round final: momento de cansaço em que se deve calcular se vale a pena mudar de estratégia. Caso não esteja funcionando, mude. Confie nos seus instintos e recomece.

Notas finais

Pouco antes de finalizar o livro, Vitor se preparava para a final do TUF (The Ultimate Fighter), que aconteceria no Brasil. Treinando em sua academia na Barra da Tijuca, quebrou um osso da mão, o que impossibilitou sua participação.

Isso o fez rever seu conteúdo, colocar em prática as etapas de frustração e derrota, na qual não estava contando. A tristeza apareceu, mesmo com o apoio da família e amigos. Por dias, considerou o evento uma lástima e, de fato, para ele foi. Porém, também o fez rever seus planos e perceber o quanto era forte e apto para superar dificuldades e voltar com mais garra e vontade. Percebeu que o octógono ainda o fazia feliz e começou a repensar sua possível aposentadoria.

Tendo como foco saúde, trabalho e felicidade, decidiu persistir na sua carreira de lutador de MMA por mais tempo que o planejado inicialmente e determinou que enquanto a felicidade estiver ali presente, aquele será o seu lugar.

Dica do 12: Gostou? Caso esteja a procura por motivação, aconselhamos ler 'Desperte seu gigante interior', de Anthony Robbins.

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