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Um teto todo seu

Um teto todo seu  Resumo
Biografias & Memórias e Ficção

Este microbook é uma resenha crítica da obra: A room of one's own

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 978-85-6440-686-5

Editora: Tordesilhas

Também disponível em audiobook

Resumo

Virginia Woolf e a condição da mulher

A britânica Virginia Woolf publicou nove romances e mais de 30 obras de outros gêneros. Ao longo do século XX, a autora se destacou como um dos maiores nomes da literatura, chamando atenção por construir personagens com angústias internas marcantes. Ainda hoje, influencia escritores por todo o mundo. 

E ela também foi uma revolucionária ao tratar da importância de se pensar nas restrições impostas às mulheres, diminuindo seu espaço na produção literária. A escritora tinha tanto destaque que foi convidada a falar publicamente em seminários nas faculdades de Newham e Girton, instituições exclusivas para mulheres. De tão fortes e impactantes, nada mais justo do que transformar seus discursos em uma obra que também dialoga com o século XXI. 

O nome deste livro se refere a uma frase de Woolf: “uma mulher deve ter dinheiro e um teto todo seu, se ela quiser escrever ficção”. Em sua visão, sem independência financeira, fica praticamente impossível que novas autoras tenham oportunidades de se destacar no meio literário. Sem que haja um lugar sossegado para escrever e com a validação social igualitária para os gêneros, a literatura vira um campo de atuação quase exclusivamente masculino. 

Se hoje parece óbvio, nos anos de 1920 pouco se discutia sobre as poucas oportunidades para elas escreverem suas publicações. 

Ter informações sobre esses assuntos e lutar por mais espaço em todos os segmentos também leva mudanças positivas na produção escrita em todo o mundo. Afinal, ler apenas textos de homens nos faz ter uma visão de mundo única, sem outras perspectivas que merecem nossa atenção para melhor interpretarmos a realidade. 

Mulheres e ficção

Na literatura e na sociedade, existem inúmeros exemplos de como as mulheres são vistas e retratadas como seres inferiores quando comparadas aos homens no convívio diário. Na ficção, é muito comum notar um tipo ideal, que tem a vida girando em torno da busca por um casamento, servindo a personagens do sexo masculino e vendo esse aspecto como meta de vida. 

E ter um número menor de escritoras faz toda a diferença na produção de novas histórias. Sempre que as personagens são abordadas como submissas a homens, sabemos que as chances de a obra ter sido publicada por um escritor do sexo masculino é maior. 

Segundo Virginia Woolf, trata-se de uma questão complexa e esquisita, porque diminui-se a importância da mulher na ficção, descrita como completamente insignificante. Ao mesmo tempo, ela sempre está presente na história como um objeto, escrava de qualquer garoto com poder financeiro para lhe enfiar um anel no dedo e oferecer um casamento dos sonhos. 

E a autora compreendia a questão muito além da escassez de mulheres publicando livros. Sem conseguirem arcar com as responsabilidades sociais e financeiras, já que eram predominantemente dependentes de seus maridos, que saíam para trabalhar enquanto elas ficavam tomando conta da casa, era praticamente impossível se darem ao luxo de passar algumas horas do dia escrevendo. 

A autonomia feminina é o único caminho para mais escritoras terem espaço garantido na literatura mundial. 

Mulheres e autonomia financeira

Se as mulheres pudessem ser donas dos próprios recursos financeiros, fatalmente teríamos mais autoras publicando obras de ficção, ensaios, não ficção e outros gêneros literários. A dependência de seus maridos e o pouco espaço no mercado de trabalho também diminui o crédito dado a elas, que precisam se provar muito mais do que tantos escritores medíocres.

Mesmo Virginia Woolf só pôde se dedicar às letras por ter recebido uma herança de uma tia distante. Com poucas preocupações financeiras e a vida organizada, fazia do ato de escrever uma paixão sem custos, regras ou preocupações. Os resultados obtidos com trabalho árduo se resumiam aos pensamentos e histórias colocadas no papel, sem pressões exteriores.

Ela era consciente de ser uma exceção em meio à sociedade com mulheres mal vistas pelo simples fato de trabalharem fora de casa, fugindo do padrão dona de casa e mãe exemplar. Talvez, por isso, ela tenha se notabilizado como uma das maiores autoras de todos os tempos.

E uma das maiores riquezas no texto de Virginia é não apontar culpados pela situação da mulher na escrita, tampouco ser panfletária ao tratar da questão feminina no mundo das letras. Mesmo assim, reconhece como a estrutura patriarcal e racista beneficia os homens não só no campo da literatura mas em todos os segmentos de atuação. 

Segundo ela, para mudar este cenário, além da conscientização feminina também é necessário que os homens entendam sua situação de privilegiados e sejam aliados na construção de um novo modelo de sociedade. Quase 100 anos depois, suas palavras seguem atuais. 

Compreendendo a sociedade para escrever melhor 

Já passamos da metade deste microbook e precisamos deixar uma coisa bem clara. Mesmo falando da importância da mulher ter um teto todo seu e a independência financeira para garantir sua produção literária, Virginia não coloca o ato da escrita como um privilégio apenas de quem possui recursos financeiros. Muito menos dá créditos apenas aos endinheirados pelos melhores textos já produzidos.

Evidentemente, ser privilegiado nesse aspecto garante mais facilidades no caminho trilhado, mas mais importante que o dinheiro é a compreensão da sociedade e seu funcionamento, além de respeitar a obra a ser produzida e os leitores que terão acesso a ela. 

Como exemplo, a autora cita duas poetisas aristocratas com posição social privilegiada que escreveram em um passado distante. Mesmo fazendo parte do topo da pirâmide social, ambas foram ridicularizadas pelo simples fato de serem mulheres, dependentes dos maridos. O machismo e o patriarcado frequentam todas as classes sociais. 

Por si só, o dinheiro não traz a tranquilidade necessária para escrever, mas oferece a independência de gastar com a liberdade de não se ver arruinado por dedicar algum tempo à escrita. 

Volta e meia, vemos livros femininos ainda sendo criticados não por sua qualidade, mas devido ao fato de serem produzidos por mulheres. Considerando um século de distância entre os escritos de Virginia e nossos dias, é de se pensar sobre o quanto o cenário da época da escritora mudou.

A mulher escritora

Ao longo do tempo, mulheres tiveram destaque em obras literárias, mas isso está longe de significar uma representatividade na ficção. Na maioria dos casos, personagens femininas eram retratadas sob o ponto de vista de um escritor homem, tendo como conflito principal a tentativa de agradar protagonistas masculinos. 

E se houvesse mais autoras mulheres, quais perspectivas poderiam ser adotadas? Em quantos casos, a autonomia feminina no dia a dia poderia ser refletida também na ficção? 

A mulher é muito mais do que objeto de desejo e musa inspiradora de autores. Ela tem vontades próprias, personalidade forte e vontade de ter uma vida com objetivos que não deveriam ser indicados por outros entes. E deveria ter mais importância do que aquela dada em livros que as deixam como meras donas de casa depois da conquista amorosa, refletindo um comportamento comum da sociedade. 

É claro que desde as palestras ministradas por Virginia Woolf, muita coisa mudou, mas o caminho ainda é longo para uma igualdade de condições plena para homens e mulheres no mundo da literatura. Quantos livros publicados por escritoras, com protagonistas do sexo feminino você leu ultimamente?

E se Shakespeare tivesse uma irmã?

William Shakespeare foi, sem dúvidas, um dos maiores dramaturgos de todos os tempos. Para muitos, foi o escritor que melhor traduziu a natureza humana em suas peças teatrais. 

Virginia Woolf propõe uma interessante reflexão sobre o bardo inglês: e se ele tivesse uma irmã mais talentosa, ela teria as mesmas condições e oportunidades de se desenvolver intelectualmente? Teria a mesma educação e liberdade e tempo para ler os clássicos da literatura mundial como seu irmão conseguiu? 

Haveria um teto todo seu para escrever obras monumentais? Ou seria obrigada a casar ainda na adolescência com um noivo previamente escolhido pelo pai, desperdiçando todo o talento para representar o íntimo do ser humano?

A resposta parece fácil. E para quem ainda duvida da importância de lugar por maior igualdade de gênero na literatura, nas artes e em todos os campos de atuação, as palavras de Virginia Woolf servem como um guia para rever conceitos atrasados há pelo menos um século. 

Notas finais 

A luta por igualdade de condições e direitos às mulheres não é de hoje. Quando Virginia Woolf se dedicou a tratar da importância da autonomia feminina para aumentar sua participação na produção literária, a escritora enxergava longe. Se hoje há mais mulheres publicando seus livros na ficção e em outros campos da atividade intelectual, isso se dá porque há mais de um século houve quem estudasse para demonstrar o óbvio: sem independência, não haverá um caminho aberto para obras escritas por elas. As palavras da autora inglesa ecoam e ainda precisam de nossa atenção. 

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Quem escreveu o livro?

Adeline Virginia Woolf, nascida Adeline Virginia Stephen (Kensington, Middlesex, 25 de janeiro de 1882 — Lewes, Sussex, 28 de março de 1941), foi uma escritora, ensaísta e editora britânica. Estreou-se na literatura em 1915 com o romance The Voyage Out, que abriu o caminho para a sua carreira como escritora e uma série de obras notáveis. Woolf foi membro do Grupo de Bloomsbury e desempenhou um papel de significância dentro da sociedade literária londrina durante o período entre guerras. Seus trabalhos mais famosos incluem os romances Mrs. Dalloway (1925), To the Lighthouse (1927), Orlando: A Biography (1928). No final dos anos 1920, tornou-se uma escritora de sucesso e foi reconhecida internacionalmente. Contudo, seus tra... (Leia mais)