Um Novo Mundo Resumo - Eckhart Tolle

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Um Novo Mundo

Um Novo Mundo Resumo
Autoajuda & Motivação

Este microbook é uma resenha crítica da obra: 

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 8575423134, 978-8575423134

Também disponível em audiobook

Resumo

Evocação

Antes da primeira flor aparecer no planeta e receber os raios solares, a Terra já estava coberto de vegetação por milhões de anos. A primeira flor provavelmente não durou muito tempo. As flores devem ter permanecido como um fenômeno raro e isolado porque talvez as condições ainda não fossem favoráveis à plena ocorrência do florescimento. Um dia, porém, um limite crítico foi alcançado e, de repente, deve ter se dado uma explosão de cores e perfumes por toda a Terra. Isso é o que uma consciência observadora teria visto se estivesse presente. Muito tempo depois, esses seres delicados e flagrantes que chamamos de flores viriam a desempenhar um papel essencial na evolução da consciência de outras espécies. Cada vez mais, os seres humanos seriam atraídos e se sentiriam fascinados por eles. É provável que as flores tenham sido a primeira coisa que a consciência da espécie humana começou a valorizar enquanto se desenvolvia, mesmo que elas não tivessem um propósito utilitário imediato, isto é, que não estivessem vinculadas de alguma maneira à sobrevivência. No decorrer dos tempos, as flores foram a fonte de inspiração de incontáveis artistas, poetas e místicos.

O propósito deste livro

A humanidade está pronta para uma transformação da consciência, um florescimento interior tão radical e profundo que, comparado a ela, o desabrochar das flores, por mais bonito que seja, pareça apenas seu pálido reflexo? Seremos capazes de perder a densidade das nossas estruturas mentais condicionadas e nos tornar como cristais ou pedras preciosas, isto é, transparentes à luz da consciência? Conseguiremos desafiar a atração gravitacional do materialismo e da materialidade e permanecer acima da identificação com a forma, que mantém o ego imóvel e nos condena à prisão dentro da nossa própria personalidade? A possibilidade de ocorrer uma transformação desse tipo tem sido a essência dos ensinamentos de grande sabedoria da humanidade. Os mensageiros, tais como Buda, Jesus e outros desconhecidos, foram as primeiras flores do gênero humano. São os chamados precursores, seres raros e preciosos. Como um florescimento mais disseminado ainda não era possível na época em que eles viveram, suas mensagens se tornaram amplamente incompreendidas e muito distorcidas. Assim, não transformaram o comportamento humano, exceto no que diz respeito a um pequeno número de pessoas.

Um distúrbio herdado

Se examinarmos mais detidamente as antigas religiões e tradições espirituais da humanidade, veremos que, por baixo de grande parte das diferenças superficiais que elas apresentam, há duas ideias centrais com as quais a maioria delas concorda. Embora as palavras usadas para explicar essas ideias sejam diversas, todas remetem a uma verdade fundamental dupla. A primeira parte, ou o aspecto ruim, dessa verdade é a compreensão de que o estado mental “normal” de quase todos os seres humanos contém um forte elemento do que podemos chamar de distúrbio, ou disfunção, e até mesmo de loucura. Determinados ensinamentos fundamentais do hinduísmo talvez sejam os que mais se aproximem da ideia de que esse desajuste é uma forma de doença mental coletiva. Eles o chamam de maya, o véu da ilusão.

A nova consciência emergente

A maioria das religiões e tradições espirituais compartilha a ideia de que nosso estado mental “normal” é prejudicado por uma imperfeição fundamental. No entanto, além dessa percepção da natureza da condição humana, que podemos chamar de má notícia, há uma segunda percepção, ou a boa notícia, que é a possibilidade de uma transformação radical da nossa consciência. Nas mensagens hinduístas, em alguns casos budistas também essa mudança é chamada de iluminação. Nos ensinamentos de Jesus, de salvação; no budismo, de fim do sofrimento. Outros termos usados para caracterizá-la são libertação e despertar. A maior conquista da humanidade não são as obras de arte nem os inventos da ciência e da tecnologia, mas a identificação do seu próprio distúrbio, da sua própria loucura. No passado distante, alguns indivíduos chegaram a fazer esse reconhecimento. É provável que um homem chamado Sidarta Gautama, que viveu há 2.600 anos na Índia, tenha sido o primeiro a ver essa questão com absoluta clareza. Depois, o título de Buda lhe foi concedido. Buda significa “aquele que despertou”. Praticamente na mesma época, outro dos mestres despertos da humanidade surgiu na China. Seu nome era Lao-Tse. Ele deixou um registro dos seus ensinamentos na forma de um dos livros espirituais mais profundos já escritos, o Tao Te Ching. Reconhecer a própria loucura marca, obviamente, o surgimento da sanidade, o início da cura e da transcendência. Uma nova dimensão da consciência começava então a emergir no planeta, a primeira tentativa de florescimento. Aquelas pessoas raras se dirigiam a seus contemporâneos falando sobre pecado, sofrimento e ilusão. Diziam: “Observe seu modo de viver. Veja o que você está fazendo, o sofrimento que está causando.” Depois, indicavam a possibilidade de despertar do pesadelo coletivo da existência humana “normal”. E mostravam o caminho.

Espiritualidade e religião

Qual é o papel das religiões estabelecidas no surgimento da nova consciência? Muitas pessoas já reconhecem a diferença entre espiritualidade e religião. Elas compreendem que ter um sistema de crenças não torna ninguém espiritualizado, não importa qual seja a natureza dessas convicções. Na realidade, quanto mais um indivíduo faz de seus pensamentos ou crenças sua própria identidade, mais se distancia da dimensão espiritual que existe dentro dele. Muitas pessoas “religiosas” estão presas nesse nível. Para elas, a verdade equivale ao pensamento. Como estão completamente identificadas com o pensamento em sua mente, consideram-se detentoras exclusivas da verdade, o que é uma tentativa inconsciente de proteger a própria identidade. Elas não compreendem as limitações do pensamento. A seus olhos, qualquer indivíduo que acredite ou pense de modo diferente está errado. Num passado não muito distante, isso lhes serviria de justificativa para matar alguém. E ainda há quem faça isso hoje em dia. A nova espiritualidade, a transformação da consciência, está surgindo em grande parte fora das estruturas das religiões institucionalizadas. Sempre houve bolsões de espiritualidade, até mesmo nas religiões dominadas pela mente, embora as hierarquias formais tentassem eliminá-los por considerá-los uma ameaça. O fato de que a espiritualidade está aparecendo em larga escala fora das estruturas religiosas é algo inteiramente novo. No passado, isso teria sido inconcebível, sobretudo no Ocidente, terra das culturas mais controladas pela mente, onde a Igreja cristã detinha uma franquia virtual da espiritualidade. Ninguém podia falar a uma plateia sobre esse tema nem publicar um livro sobre o assunto sem a autorização da Igreja, caso contrário seria silenciado. Hoje em dia, porém, mesmo dentro de determinadas crenças e religiões, há sinais de mudança.

A urgência da transformação

Quando se vê diante de uma crise radical, quando seu antigo estilo de existir no mundo e de interagir com os outros e a natureza não funciona mais, quando sua sobrevivência é ameaçada por problemas aparentemente incontornáveis, uma forma de vida individual, bem como uma espécie, morrerá ou ultrapassará as limitações da sua condição por meio de um salto evolutivo. Acredita-se que as formas de vida no nosso planeta tenham se originado no mar. Quando ainda não havia nenhum animal sobre a terra firme, o mar já estava cheio de vida. Então, a certa altura, uma das criaturas marinhas deve ter começado a se aventurar pelo solo. Talvez ela tenha se arrastado por alguns centímetros. Depois, exausta por causa da enorme força gravitacional do planeta, pode ter voltado à água, onde a gravidade é quase inexistente, pois ali conseguiria viver com muito mais facilidade. Mais tarde, ela tentaria de novo, de novo e de novo. Muito tempo depois, esse ser se adaptaria à vida na terra, desenvolvendo pés em vez de nadadeiras e pulmões em lugar de guelras. Parece improvável que uma espécie se expusesse a um ambiente tão estranho e sofresse uma transformação evolucionária, a não ser que fosse compelida a fazer isso por uma situação extrema. Talvez uma grande área de mar tenha passado a receber um volume cada vez menor de água do oceano principal, o que, ao longo de milhares de anos, poderia forçar os peixes a deixar seu hábitat e evoluir. Responder a uma crise radical que ameace nossa própria sobrevivência é o desafio que se apresenta à humanidade neste momento. O distúrbio da mente humana egóica, identificado há mais de 2.500 anos pela antiga sabedoria dos mestres e agora ampliado pela ciência e a tecnologia, é pela primeira vez algo ameaçador à sobrevivência do planeta. Até pouco tempo atrás, a transformação da consciência humana era não mais do que uma possibilidade, compreendida por alguns raros indivíduos, independentemente de sua formação cultural e orientação religiosa. Um florescimento disseminado da consciência da nossa espécie não aconteceu porque até então isso não era imperativo.

Um novo céu e uma nova terra

Há uma profecia bíblica que parece mais aplicável agora do que em qualquer outra época da história humana. Ela aparece tanto no Antigo quanto no Novo Testamento e fala do colapso da ordem mundial existente e do surgimento de “um novo Céu e uma nova Terra”. Precisamos entender que o céu mencionado nesse contexto não é um local, e sim o reino interior da consciência. Esse é o significado esotérico do mundo, e esse é também o significado dos ensinamentos de Jesus. A Terra, por outro lado, é a manifestação externa da forma, que é sempre um reflexo do interior. A consciência humana coletiva e a vida no nosso planeta estão intrinsecamente interligadas. “Um novo Céu” é o surgimento de um estado transformado da consciência humana, enquanto “uma nova Terra” é o reflexo do reino físico. A vida humana e a consciência humana estão ligadas de modo inerente à vida no planeta. Por isso, à medida que a consciência antiga se dissolve, tendem a ocorrer manifestações naturais de sincronismos geográficos e climáticos em muitas partes do globo, algumas das quais temos testemunhado.

Ego: o estado atual da humanidade

Não importa se as palavras são verbalizadas e transformadas em sons ou se permanecem como pensamentos, podem lançar um encanto quase hipnótico sobre nós. É muito fácil nos perdermos por causa delas, sermos hipnotizados pela crença implícita de que, quando vinculamos um termo a alguma coisa, sabemos o que ela é. Mas, na verdade, não sabemos. Apenas cobrimos o mistério com um rótulo. Tudo é, em última análise, incognoscível. Isso ocorre porque todas as coisas têm uma profundidade insondável. Tudo o que podemos perceber, sentir e pensar a respeito é a camada superficial da realidade, menos do que a ponta do iceberg. Sob a aparência superficial, todas as coisas estão ligadas não apenas a tudo o que existe como também à Origem de toda a vida da qual procedemos. Até mesmo uma pedra pode nos mostrar o caminho de volta a Deus, à Origem, a nós mesmos. Quando olhamos para algo assim ou o seguramos e depois o deixamos ir sem lhe impor uma palavra nem um rótulo mental, uma sensação de assombro, de maravilha, surge dentro de nós. A essência desse elemento comunica-se conosco de modo silencioso e reflete nossa própria essência para nós. Isso é o que os grandes artistas sentem e conseguem transmitir com sua arte. Van Gogh não disse “isto é apenas uma cadeira velha”. Ele olhou, e olhou, e olhou. E sentiu a Existência da cadeira. Depois, sentou-se de frente para a tela e pegou o pincel. A cadeira em si tinha um valor irrisório. A pintura desse mesmo objeto vale hoje milhões de dólares.

O esquecimento do ser

O ego é invariavelmente a identificação com a forma. Ele está sempre nos procurando e, portanto, nos perdendo em algum tipo de forma. As formas não são apenas objetos materiais e corpos físicos. Mais essenciais do que essas formas externas são as formas de pensamento que surgem de modo contínuo no campo da consciência. Elas são formações energéticas, mais sutis e menos densas do que a matéria física, porém são formas de qualquer maneira. Aquilo que costumamos reconhecer de modo consciente como uma voz na nossa cabeça que nunca para de falar é o fluxo de pensamento incessante e compulsivo. Quando os pensamentos absorvem toda a nossa atenção, isto é, sempre que estamos tão identificados com essa voz e as emoções que as acompanham que nos perdemos de nós mesmos em cada pensamento e em cada emoção, é porque nos encontramos inteiramente identificados com a forma e, portanto, nas garras do ego. O ego é um conglomerado de formas de pensamento recorrentes e de padrões emocionais e mentais condicionados que estão investidos de uma percepção do eu. Ele se estabelece quando o sentido de Existir, do “eu sou”, que é uma consciência sem forma, mistura-se com a forma. Esse é o significado da identificação. Esse é o esquecimento do Ser, o erro fundamental, a ilusão de separação absoluta que converte a realidade num pesadelo.

Interpretação de papéis: as muitas faces do ego

Um ego que quer alguma coisa do outro em geral representa um tipo de papel para satisfazer suas “necessidades”, que podem ser: ganhos materiais; sensação de poder, de superioridade e de ser especial; além de um sentimento de gratificação, seja física ou psicológica. Em geral, as pessoas não têm nenhuma consciência dos papéis que representam. Elas são esses papéis. Alguns deles são sutis, enquanto outros são óbvios, exceto para quem os interpreta.

Vilão, vítima, amante

Quando não conseguem obter elogios nem admiração, alguns egos procuram outras formas de chamar a atenção ou interpretam papéis para consegui-la. Caso não obtenham atenção positiva, podem buscar atenção negativa. Há inclusive casos de crianças que fazem isso. Elas adotam um mau comportamento para se fazer notar. A interpretação de papéis negativos torna-se particularmente acentuada quando o ego é intensificado por um sofrimento emocional do passado que deseja se renovar com uma experiência diferente. Alguns egos cometem crimes na sua busca pela fama. Eles procuram atenção por meio da notoriedade e da condenação por parte das pessoas. “Por favor, me diga que eu existo, que não sou insignificante” parece ser sua mensagem. Essas formas patológicas do ego são apenas versões mais extremas dos egos normais.

O corpo de dor

Quase todos os pensamentos costumam ser involuntários, automáticos e repetitivos. Não são mais do que uma espécie de estática mental e não satisfazem nenhum propósito verdadeiro. Num sentido estrito, não pensamos, o pensamento é que acontece em nós. A afirmação “Eu penso” implica volição. Ou seja, podemos nos pronunciar sobre o assunto, podemos fazer uma escolha. Mas isso ainda não é percebido pela maior parte das pessoas. “Eu penso” é uma afirmação simplesmente tão falsa quanto “eu faço a digestão” ou “eu faço meu sangue circular”. A digestão acontece, a circulação acontece, o pensamento acontece. A voz na nossa cabeça tem vida própria. A maioria de nós está à mercê dela; as pessoas vivem possuídas pelo pensamento, pela mente. E, uma vez que a mente é condicionada pelo passado, então somos forçados a reinterpretá-lo sem parar. O termo oriental para isso é carma. Quando nos identificamos com essa voz, ignoramos isso. Se soubéssemos, não seríamos mais possuídos por ela, porque a possessão só acontece de verdade quando confundimos a entidade que nos domina com quem nós somos, isto é, quando nos tornamos essa entidade. Ao longo de milhares de anos, a mente vem intensificando seu domínio sobre a humanidade, que deixou de ser capaz de reconhecer a entidade que se apossa de nós como o “não-eu”. Por causa dessa completa identificação com a mente, uma falsa percepção do eu passa a existir, o ego. A densidade dele depende do grau em que nós nos identificamos com a mente, com o pensamento. Pensar não é mais do que um minúsculo aspecto da totalidade da consciência, de quem somos.

A libertação

O começo da nossa libertação do corpo de dor está primeiramente na compreensão de que o temos. Depois, e mais importante, na nossa capacidade de permanecer presentes o bastante, isto é, atentos o suficiente, para percebê-lo como um pesado influxo de emoções negativas quando entra em atividade. No instante em que é reconhecido, ele não consegue mais se passar por nós e viver e se renovar por nosso intermédio. É nossa presença consciente que rompe a identificação com o corpo de dor. Quando não nos identificamos mais com ele, o corpo de dor torna-se incapaz de controlar nossos pensamentos e, assim, não consegue se renovar, pois deixa de se alimentar deles. Na maioria dos casos, ele não se dissipa imediatamente. No entanto, assim que desfazemos sua ligação com nosso pensamento, ele começa a perder energia. O pensamento para de ser embotado pela emoção, enquanto nossas percepções do momento não são mais distorcidas pelo passado. A energia que estava presa no corpo de dor muda sua frequência vibracional e é convertida em presença. Dessa maneira, o corpo de dor se torna combustível para a consciência. É por isso que muitas das pessoas mais sábias e iluminadas do planeta, entre homens e mulheres, já tiveram um corpo de dor bastante pesado. Independentemente do que dizemos ou fazemos e da face que mostramos ao mundo, nosso estado “mental-emocional” não pode ser dissimulado. Todo ser humano emana um campo energético que corresponde ao seu estado interior, e a maioria das pessoas é capaz de senti-lo, ainda que essa emanação de energia só seja captada de modo subliminar. Isso significa que, embora elas não saibam que percebem esse campo energético, ele determina em grande medida como elas se sentem em relação a um indivíduo e reagem a ele. Há quem tenha uma consciência mais clara do campo energético já no primeiro contato com alguém, até mesmo antes que quaisquer palavras sejam ditas. Um pouco depois, porém, as palavras dominam o relacionamento e, com elas, vêm os papéis que quase todos nós representamos. Com isso, a atenção se desloca para o âmbito da mente, e a capacidade de sentir o campo energético do outro se reduz de modo significativo. Mesmo assim, ele ainda é percebido no nível inconsciente.

Descobrindo quem somos realmente

“Conhece-te a ti mesmo”. Essas palavras estavam inscritas acima da entrada do templo de Apolo em Delfos, lugar do Oráculo sagrado. Na Grécia antiga, as pessoas visitavam o Oráculo esperando descobrir o que o destino lhes reservava ou o que fazer em determinada situação. É provável que a maioria delas lesse essa frase sem compreender que ela indicava uma verdade mais profunda do que qualquer coisa que o Oráculo pudesse dizer. Talvez os visitantes também não compreendessem que, por mais importante que fosse a revelação ou exatas as informações que recebessem, elas acabariam por se mostrar inúteis, não os salvariam de infelicidades futuras nem de sofrimentos criados por eles mesmos, caso deixassem de encontrar a verdade contida na frase. Antes de qualquer indagação, faça a pergunta fundamental da sua vida: quem sou eu? As pessoas inconscientes rapidamente nos dirão quem elas são: seu nome, sua ocupação, sua história pessoal, a forma ou a condição do seu corpo e qualquer outra coisa com a qual se identifiquem. Outras podem parecer mais evoluídas porque se consideram almas imortais ou espíritos divinos. Mas esses conceitos são conhecidos profundamente ou tudo não passa de meros conceitos? Conhecer a si mesmo é algo muito mais profundo do que a adoção de um conjunto de ideias ou crenças. Elas podem, no máximo, ser indicadores úteis, no entanto poucas vezes têm o poder de desalojar os conceitos centrais mais firmemente estabelecidos de quem pensamos que somos, os quais fazem parte do condicionamento da mente humana. O profundo autoconhecimento não tem nada a ver com nenhuma ideia que esteja flutuando em torno da nossa mente. Conhecer a nós mesmos é estarmos enraizados no Ser em vez de estarmos perdidos na nossa mente.

Quem pensamos que somos

Nosso sentido de quem somos determina o que percebemos como nossas necessidades e o que importa na nossa vida. Podemos usar isso como um critério para descobrir até que ponto nos conhecemos. O que nos interessa não é o que dizemos nem aquilo em que acreditamos, mas o que nossas ações e reações revelam como importante e sério. Portanto, talvez queiramos nos fazer a seguinte pergunta: o que me irrita e perturba? Se coisas pequenas têm a capacidade de nos atormentar, então quem pensamos que somos é exatamente isto: pequeno. Essa é nossa crença inconsciente. Quais são as coisas pequenas? No fim das contas, todas as coisas são pequenas porque todas elas são efêmeras. Podemos até dizer: “Sei que sou um espírito imortal” ou “Estou cansado deste mundo louco. Tudo o que quero é paz”. Isso até o telefone tocar, com notícias ruins, desde a queda das ações nas quais você investiu até problemas pessoas que atrapalham o relacionamento dentro de casa. De repente ocorre um ímpeto de raiva, de ansiedade. Uma aspereza brota na nossa voz: “Não aguento mais isto.” Acusamos e criticamos, atacamos, defendemos ou nos justificamos, e tudo acontece no piloto automático. Alguma coisa obviamente é muito mais importante agora do que a paz interior que um momento atrás dissemos que era tudo o que desejávamos. E já não somos mais um espírito imortal. O acordo, o dinheiro, o contrato, a perda ou a possibilidade da perda são mais relevantes. Para quem? Para o espírito imortal que dissemos ser? Não, para nosso pequeno eu que busca segurança ou satisfação em coisas que são transitórias e fica ansioso ou irado porque não consegue o que deseja. Bem, pelo menos agora sabemos quem de fato pensamos que somos.

A consciência dos objetos e a consciência do espaço

A vida da maioria das pessoas é um amontoado desordenado de coisas: itens materiais, tarefas a fazer, questões sobre as quais pensar. Esse tipo de vida se assemelha à história da humanidade. A mente dessas pessoas é ocupada por um emaranhado de pensamentos, um após o outro. Essa é a dimensão da consciência dos objetos, que é a realidade predominante de um grande número de indivíduos e é por causa disso que a vida deles é tão confusa. Essa consciência precisa ser equilibrada pelo conhecimento do espaço para que a sanidade retorne ao nosso planeta e a humanidade cumpra seu destino. O surgimento da consciência do espaço é o próximo estágio da evolução da nossa espécie. O sentido da consciência do espaço é que, além de estarmos conscientes das coisas, existe um estado subjacente de atenção. Isso quer dizer que temos consciência não apenas das coisas como também do fato de que estamos conscientes. É o que ocorre quando somos capazes de sentir um silêncio interior sempre alerta ao fundo enquanto os eventos acontecem no primeiro plano. Essa dimensão está presente em todos nós. No entanto, para a maioria das pessoas, ela passa totalmente despercebida.

Uma nova terra

Os astrônomos descobriram evidências para sugerir que o universo começou a existir 15 bilhões de anos atrás numa explosão gigantesca e que vem se expandindo desde então. Além disso, sua complexidade está aumentando, o que o torna cada vez mais diferenciado. Alguns cientistas postulam também que esse movimento da unidade para a multiplicidade acabará se revertendo. O universo vai parar de se expandir e começará a se contrair outra vez até, finalmente, retornar ao não-manifestado, à condição do nada de onde veio. Se olharmos para dentro e não apenas para fora, porém, descobriremos que possuímos um propósito interior e outro exterior. E, como somos um reflexo microcósmico do macrocosmo, podemos admitir que o universo também tem um propósito interior e outro exterior inseparáveis dos nossos. Seu propósito exterior é criar formas e vivenciar sua interação. Seu propósito interior é despertar para sua própria essência sem forma. Em seguida, vem a reconciliação entre os propósitos exterior e interior: levar essa essência para o universo das formas e, desse modo, transformar o mundo. O propósito supremo dessa mudança vai muito além de tudo o que a mente humana consegue imaginar ou compreender. E, ainda assim, neste planeta, neste momento, essa transformação é a tarefa que nos cabe. Ou seja, é a harmonização dos dois propósitos, exterior e interior – do mundo com Deus.

Uma breve história da nossa vida

A ida do mundo em direção à sua forma manifestada e seu retorno ao não-manifestado são dois movimentos universais que podemos chamar de a saída de casa e a volta ao lar. Ambos se refletem em todo o universo de muitas maneiras, como na incessante expansão e contração do coração, assim como nos atos contínuos de inspirar e expirar. Também se revelam nos ciclos do sono e da vigília. Toda noite, sem sabermos, retornamos para a Origem não manifestada de toda a vida quando entramos no estágio do sono profundo, sem sonhos, e depois, revigorados, ressurgimos pela manhã. Esses dois movimentos, a saída e o retorno, estão também espelhados nos ciclos de vida de cada pessoa. A partir do nada, por assim dizer, “nós” de repente aparecemos neste mundo. O nascimento é seguido da expansão. Esse crescimento não é apenas físico, pois há também a ampliação do conhecimento, das atividades, dos bens, das experiências. Nossa esfera de influência se alarga e a vida se torna cada vez mais complexa. Esse é o momento em que estamos especialmente preocupados em encontrar ou perseguir nosso propósito exterior. Em geral, há um aumento correspondente do ego, que é a identificação com todas aquelas coisas que mencionei. Com isso, a identidade da nossa forma torna-se cada vez mais definida. Esse é ainda o período em que o propósito exterior – o crescimento – costuma ser usurpado pelo ego, que, ao contrário da natureza, não sabe quando parar na sua busca por expansão e tem um apetite voraz por mais

A ação desperta

A ação desperta é o aspecto exterior do estágio seguinte da evolução da consciência no nosso planeta. Quanto mais nos aproximamos do fim do nosso atual estágio evolucionário, maior a disfunção do ego, é uma disfunção semelhante à que ocorre com a lagarta pouco antes de se tornar borboleta. A nova consciência, contudo, está surgindo ao mesmo tempo em que a antiga se dissolve. Estamos em meio a um acontecimento da maior importância na evolução da consciência humana, entretanto esse assunto não vai sair no jornal. No nosso planeta, e talvez simultaneamente em muitas partes da nossa galáxia e além dela, a consciência está despertando do sonho da forma. Nem todas as formas irão se dissolver, embora seja certo que muitas desaparecerão. Isso significa que a consciência pode agora começar a criar a forma sem se perder nela. Tem como permanecer consciente de si mesma até enquanto a gera e a sente. A ação desperta é o alinhamento do nosso propósito exterior com nosso propósito interior. Por meio dela, entramos no estado de unificação com o propósito que sai do universo. Por meio de nós a consciência flui para o mundo. Ela se derrama sobre nossos pensamentos e os inspira. Inunda todas as nossas realizações, as orienta e fortalece. O que determina se estamos cumprindo nosso destino não é o que fazemos, e sim como fazemos. E essa maneira de realizar as coisas é estabelecida por nosso estado de consciência.

Nosso propósito interior

Tão logo superamos a preocupação com a mera sobrevivência, a questão do sentido e do propósito se torna de capital importância para nós. Muitas pessoas se sentem aprisionadas nas rotinas do cotidiano, que parecem privar sua vida de significado. Algumas acreditam que a vida está passando ou já passou por elas. Outras se veem profundamente limitadas pela necessidade de trabalhar e cuidar da família ou por sua condição financeira ou de vida. Há indivíduos que são devastados por um estresse agudo, enquanto outros se consomem num imenso tédio. Há quem esteja envolvido numa atividade frenética e quem se veja perdido na estagnação. Muita gente anseia pela liberdade e pelo crescimento que a prosperidade promete. Mas há pessoas que já desfrutam da relativa liberdade que acompanha a prosperidade e, mesmo assim, constatam que isso não é o bastante para dar um sentido completo à sua vida. Nada substitui a descoberta do verdadeiro propósito. No entanto, o significado genuíno, ou primário, da vida não pode ser encontrado no nível exterior. Ele não diz respeito ao que fazemos, e sim ao que somos – isto é, ao nosso estado de consciência. Portanto, a coisa mais importante a entender é: nossa vida tem um propósito interior e um propósito exterior. O primeiro deles diz respeito a Ser e é primário. O segundo se refere a fazer e é secundário.

Notas finais

É quase unanimidade que nossa forma de viver atual não vai se sustentar por muito tempo. Como mudar isso? O primeiro e não menos importante passo é olhar para si mesmo. Só assim para tentar entender quais seus propósitos e objetivos. As explanações de Um novo mundo são claras e simples, de forma a fazer o mais simplório de seus leitores rever hábitos e olhar para a vida de outra forma após a leitura transformadora. Usando de referências bíblicas, budistas e hinduístas sem cair para um pedantismo ou doutrinação rasa, Eckhart Tolle é claro, é simples. Cumpre o seu papel: abrir nossos olhos como humanidade e seres individuais.

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Quem escreveu o livro?

Eckhart Tolle, pseudônimo de Ulrich Leonard Tolle, é um escritor e conferencista alemão, residente atualmente em Vancouver no Canadá, conhecido como autor de best sellers sobre iluminação espiritual. Seu livro mais conhecido é O Poder do Agora.Depois de se formar pela Universidade de Londres, tornou-se pesquisador e supervisor da Universidade de Cambridge. Tolle conta que, aos 29 anos, depois de vários episódios depressivos, passou por uma profunda transformação espiritual, dissolveu sua antiga identidad... (Leia mais)