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10 lições para um mundo pós-pandemia - resenha crítica

10 lições para um mundo pós-pandemia Resenha crítica
Sociedade & Política

Este microbook é uma resenha crítica da obra: Ten lessons for a post-pandemic world

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 978-0-393-54214-1

Editora: Intrínseca

Também disponível em audiobook, baixe agora:


Resenha crítica

Preparação

A pandemia alterou muitos de nossos padrões, tanto de pensamento quanto de comportamento. No entanto, ela também revelou certos aspectos muito antigos de nosso mundo.

Essa emergência em escala global destacou uma das mais antigas verdades sobre as relações internacionais: a de que, no fim das contas, os países estão por conta própria.

Quando o surto se disseminou, nações que há muito cooperavam – por exemplo, na Europa – fecharam suas fronteiras e se concentraram em sua própria sobrevivência. Isso não surpreenderia os acadêmicos e estudiosos da área, que notaram que a diferença mais relevante entre a política interna e a externa é que, nesta última, não existe autoridade suprema, nem governo mundial que possa manter a ordem.

Essa condição básica levou muitos pensadores a interpretarem a realidade sob a chave de um cenário internacional de competição e conflitos perpétuos. Thomas Hobbes, notável filósofo político do século XVII, descreveu os estados nacionais como “gladiadores, com as armas apontadas e os olhos fixos uns nos outros”.

Entretanto, a história está repleta de oscilações. No último século, os países passaram mais tempo em paz do que em guerra. O comércio, as viagens e os investimentos internacionais dispararam.

As nações criaram mecanismos e instituições para cooperar e resolver problemas comuns. Para Zakaria, a COVID-19 atingiu um mundo que obteve sua estrutura essencial nos anos que se sucederam à Guerra Fria.

Com o arrefecimento da rivalidade entre as grandes potências e a globalização, os países se aproximaram por fortes laços de interdependência. Contudo, a integração econômica também gerou contracorrentes, à medida que os países lutavam por vantagens e novos competidores se tornavam perigosos antagonistas geopolíticos.

Nesse mesmo período, a chamada “Era digital” garantiu que tudo – bens, serviços, culturas e ideias – se movimentasse em velocidade alucinante. Assim como a doença. Esses fluxos, tangíveis ou intangíveis, ainda correm por todos os cantos do planeta, mas nenhuma nação pode moldá-los por conta própria.

Dito de outra forma, todos estão conectados, mas ninguém está no controle. O mundo em que vivemos é aberto, rápido e, portanto, instável. Seria difícil trazer estabilidade a algo tão amplo e dinâmico.

Não obstante, em qualquer sistema, dessas 3 características – amplo, rápido e dinâmico – só é possível, segundo o autor, manter 2. Um sistema amplo e rápido, como o atual, será inerentemente instável.

Uma sociedade rápida e estável tenderá a se fechar, como ocorre com a China. Se o sistema for amplo (no sentido de “aberto”, isto é, com liberdades individuais e coletivas devidamente respeitadas) e estável, provavelmente será lento.

O livre mercado não resolve todos os problemas

Não é difícil entender por que as pessoas ficam nervosas atualmente. Um mundo de livre mercado, em rápida evolução e inauditas mudanças tecnológicas é, para dizer o mínimo, francamente assustador.

Nesse sentido, uma resposta comumente oferecida ao público é fechá-lo. Donald Trump, presidente derrotado nas eleições estadunidenses de 2020, e outros populistas querem impedir a entrada de imigrantes e restringir o fluxo de bens e serviços.

Almejam, ainda, preservar, de algum modo, o que consideram como a “essência” da cultura existente em suas nações. Eles buscam retornar a alguns dos caminhos do passado – geralmente, uma época de grandeza imaginária.

Zakaria sustenta que nunca houve um “jardim do éden”: os períodos dos quais as pessoas se lembram com nostalgia eram, na verdade, muito mais difíceis do que o presente.

Pense em como era a vida na década de 1950 se você fosse uma mulher, homossexual ou fizesse parte de uma minoria étnica. Isso sem contar que a vida não era exatamente “um mar de rosas”, mesmo para os homens brancos que trabalhavam como metalúrgicos ou mineradores de carvão.

O caminho para “tornar a América grande novamente” (slogan de campanha de Trump) consiste, de acordo com o autor, em caminhar em frente, não para trás. Não podemos fechar o mundo.

Tampouco, devemos impedir o crescimento de potências ou atravancar o progresso tecnológico. É preciso navegar pelas tendências de nosso tempo. Enfrentaremos fortes adversidades econômicas no futuro.

Novas tendências – como os temores de pandemia e o protecionismo – incitarão mudanças estruturais mais profundas. Entre elas, destacam-se o declínio demográfico e a estagnação econômica.

Desse modo, o crescimento, pelo menos nos países mais desenvolvidos, será lento por muito tempo. Todavia, há formas de estimular o dinamismo e proporcionar mais oportunidades aos cidadãos.

Legislações devidamente ajustadas podem garantir que a competição seja livre e justa. As políticas fiscais podem ser orientadas para ajudar mais os trabalhadores e as pessoas de baixa renda.

Os governos devem voltar a fazer grandes investimentos em ciência e tecnologia. A educação e a qualificação profissional também requerem mais financiamento, o que deve ser promovido em articulação a programas destinados a reduzir entraves burocráticos.

O maior desafio é possibilitar que os contribuintes enfrentem esses ambientes de extrema competitividade e dinamismo tecnológico, armados com as ferramentas, os treinamentos e as redes de segurança que viabilizem a prosperidade de todos.

Agora que chegamos à metade da leitura, conheceremos dois conceitos fundamentais para a interpretação da realidade pós-pandemia: a “bipolaridade do mundo” e a importância dos chamados “idealistas”.

O mundo está se tornando bipolar

Nosso autor cita o jornalista George Packer, segundo o qual, durante as primeiras semanas do surto de COVID-19, “todas as manhãs do interminável mês de março, os estadunidenses acordavam para se verem cidadãos de um Estado falido”.

A sensação de choque provocada pela pandemia e pela infeliz reação dos Estados Unidos foi intensa, mas surgiu em meio a crescentes preocupações com relação à situação do país.

Desde a crise financeira de 2008, que afetou significativamente a reputação da maior potência mundial, muitas pessoas temiam o colapso total da civilização ocidental. Alguns economistas escreveram sobre a desaceleração do crescimento econômico.

Outros intelectuais ocuparam espaços importantes na mídia para destacar o aumento na desigualdade social e a elevação da mortalidade causada por alcoolismo, uso de drogas e suicídio.

O surgimento da pandemia, nesse contexto, evidenciou os problemas dos Estados Unidos, como a ineficácia do governo, a insuficiência do sistema de saúde e a existência de uma raivosa polarização entre os cidadãos.

Ao longo de mais de dois séculos, o país despertou uma ampla gama de sentimentos no resto do mundo: raiva e admiração, desprezo e inveja, esperança e medo, amor e ódio.

Porém, há uma emoção que nunca havia sido dirigida aos Estados Unidos até agora: pena. O novo Coronavírus intensificou os diálogos sobre o declínio do país em um contexto de preocupações com a ascensão da China.

Assim como a decadente infraestrutura dos Estados Unidos passou a ser comparada com as brilhantes cidades chinesas, a ineficácia da resposta de Washington à pandemia foi confrontada com a eficácia do controle exercido por Pequim.

Embora tenha sido o epicentro original do Coronavírus, a China conseguiu achatar sua curva de infectados em uma velocidade impressionante. A certa altura, o governo chinês impôs uma restrição total ou parcial a 800 milhões de pessoas.

Posteriormente, testou 10 milhões de indivíduos em Wuhan – em menos de 3 semanas. Em contrapartida, o governo Trump tentou desviar a atenção de seus próprios problemas, transferindo a culpa para a China (que, de fato, lidou mal com o vírus inicialmente e enganou o mundo a seu respeito).

Muitas pessoas, de todos os pontos da Terra, após se sentirem angustiadas e decepcionadas com a China, ficaram impressionadas com a sua competência. No país asiático, os comentaristas locais consideraram a retórica de Washington como os sinais de uma superpotência em declínio tentando conter seu rival em ascensão.

Os maiores realistas são os idealistas

Apesar de ter se consolidado como um fenômeno global, paradoxalmente, a COVID-19 fez todos os países voltarem-se para si mesmos. A dor e o sofrimento, as dificuldades econômicas e a imposição do distanciamento social levaram os líderes mundiais a abandonarem ideias de cooperação internacional.

A consequência imediata foi o fechamento de fronteiras e a realização de planos de recuperação (econômica e sanitária) locais. Em abril de 2020, a estratégia de Trump para o enfrentamento da pandemia ultrapassou o tom nacionalista, a partir de ataques à China e à Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os chineses, por um lado, defenderam publicamente a cooperação global e, por outro, adotaram a política que Zakaria chama de “nacionalismo da vacina”. A publicação oficial de Pequim enfatizou que “a China não pode depender da Europa ou dos Estados Unidos no desenvolvimento de vacinas”.

O governo indiano chegou à mesma conclusão sobre a questão mais importante do momento. Nova Delhi restringiu as exportações de suprimentos médicos essenciais, investindo mais de US$ 1 bilhão para reduzir sua dependência externa de insumos farmacêuticos.

A Índia se preparou para desenvolver medicamentos e fabricar os insumos essenciais por conta própria. Em todos os lugares, incluindo a Europa, o interesse nacional e a autossuficiência são as novas palavras de ordem.

Desde uma perspectiva histórica, é estranho observar essa crise tornar os líderes tão tacanhos e nacionalistas. A dor da pandemia é real e profunda, mas não se compara, de acordo com o autor, ao período de 1914 a 1945.

Nesses anos, o mundo passou por uma grande guerra que destruiu a Europa, pela maior crise financeira de todos os tempos, pela escalada do totalitarismo, outro conflito que destruiu novamente a Europa e devastou cidades japonesas com armas nucleares. Ao todo, foram mais de 150 milhões de mortos.

E, no entanto, após todas essas crises infernais, os líderes pressionaram por mais cooperação internacional. Tendo testemunhado os danos causados pelo nacionalismo desenfreado e do limitado interesse nacional, os estadistas que sobreviveram acreditavam terem o dever de criar um mundo diferente para as futuras gerações.

Esse idealismo resultou em 75 anos de relativa paz. Contrariamente, nos tornamos cínicos, desdenhosos do idealismo que nos trouxe até aqui. Agora, está na moda criticar o “globalismo”, sem se preocupar com os custos de seguir outra via.

Notas finais

A presente obra descreve o “novo mundo” que está surgindo como consequência da pandemia de COVID-19. Mas, na realidade, o autor descreve tendências que estão se fortalecendo nesse contexto.

Para completar a história, não devemos negligenciar a ação humana. As pessoas podem escolher a direção que desejam seguir em suas próprias vidas: temos mais liberdade agora do que em qualquer outro momento.

Em quase todos os períodos, a história seguiu um caminho definido, dificultando quaisquer mudanças. Porém, o novo Coronavírus revolucionou a sociedade. Os indivíduos estão crescentemente desorientados. Em tal atmosfera, as mudanças de rumo se tornam mais fáceis do que nunca.

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Quem escreveu o livro?

É um famoso apresentador de TV, com um programa transmitido pela CNN que é assistido por cerca de 150 milhões de pessoas. Alé... (Leia mais)