Steve Jobs

Walter Isaacson Também disponível em audiobook: Baixe nosso app para ouvir gratuitamente.

Entender e comunicar a vida de Steve Jobs é um desafio e tanto. E Steve era tão genial que sabia disso e escolheu um biógrafo a sua altura. Após o diagnóstico do câncer que o levou a morte, Walter Isaacson foi o escolhido. Ele já tinha em seu portfólio nada menos que biografias de Albert Einstein e Benjamin Franklin e, para cumprir a missão, ele entrevistou Steve em mais de 40 ocasiões durante 2 anos, além de mais de 100 amigos, parentes, competidores e colegas de trabalho. A biografia de Jobs é uma coletânea de histórias fantásticas, passando pelos altos e baixos de sua carreira, sua paixão e perfeccionismo e a revolução de seis grandes indústrias: Computação pessoal, cinema de animação, música, ebooks, celulares, tablets. Jobs foi um gênio inventivo que sabia que o século XXI se baseava em conectar tecnologia e criatividade. Steve cooperou com o livro, mas não interferiu de forma alguma. Inclusive, ele sequer leu o livro antes de sua publicação e encorajou todos os entrevistados a serem sinceros e transparentes. Sua história, capturada sucintamente neste microbook, é um conto fantástico de inovação, caráter, liderança e valores.

Zen, Crítico e Mal Criado

Quem conheceu Steve Jobs quando criança pode não ter imaginado que ele chegaria ao topo do mundo dos negócios fundando e liderando a companhia mais valiosa do mundo. Nascido em fevereiro de 1955, filho de um pai muçulmano chamado Abdulfattah e uma mãe católica chamada Joanne, ele foi oferecido para doação pelo fato de seu pai não partilhar a religião católica da mãe. Ele foi adotado por Paul, um engenheiro que trabalhava como mecânico e Clara Jobs. Morando no Vale do Silício, um ambiente rico para experiências em tecnologia, Steve foi introduzido ao mundo da engenharia e do design pelo seu próprio pai. Apesar de se sentir acolhido pelo seus pais, ele lutou ao longo da sua vida contra sentimentos de abandono. O Steve garoto era extremamente precoce, impertinente e inteligente. Prova de sua ousadia é que quando tinha 13 anos ele telefonou para Bill Hewlett, presidente da Hewlett-Packard para pedir componentes eletrônicos para um projeto da escola. Trabalhando junto ao seu pai, ele aprendeu a se orgulhar de seu trabalho e ser detalhista. Desde a infância ele já exigia a perfeição de si mesmo e das pessoas a sua volta. Como adolescente, Jobs começou a se interessar pelo mundo dos computadores e pela cultura hippie que transbordava no Vale naquela época. Steve experimentou drogas como o LSD e outros psicodélicos e mais tarde ele atribuiria parte da sua criatividade a estas drogas. Para Steve, suas experiências com LSD o ajudavam a entender o que importava na vida e ver outras perspectivas sobre o mundo. Além do seu interesse sobre alterações da consciência, Steve também se interessava por espiritualidade. Ele andava descalço e raramente tomava banho e seguiu seu crescente interesse nas filosofias espirituais passando sete meses na Índia, onde aprendeu mais sobre intuição e introspecção. De início, ele abraçou as possibilidades da computação, muito mais pelo seu potencial de elevar a consciência humana do que pelas suas aplicações negociais ou comerciais. Mas as influências Zen não conseguiram amenizar seu comportamento cada vez mais crítico e arrogante.

Uma Maçã por Dia

Steve Wozniak era um tímido nerd da área de eletrônica, que partilhava com Steve o gosto pelos clássicos de Bob Dylan. Eles inventaram um dispositivo chamado "Caixa Azul" que imitava os pulsos de uma linha telefônica e permitia que as pessoas hackeassem o sistema de telefonia, fazendo ligações gratuitamente. Wozniak era superior a Jobs tecnicamente, mas Jobs tinha a determinação e o espírito para comercializar os produtos. Woz inventava e Jobs vendia. Depois de visitar uma fazenda, Jobs imaginou que "Apple" era um nome suave e simples. Com apenas US$ 1300, em 1976, a Apple Computer foi fundada. Na garagem de Jobs, ele e Woz trabalharam juntos e criaram o Apple, o primeiro computador pessoal deles e sua segunda versão, o Apple II. O Apple I consistia de um gabinete com um teclado embutido que se plugava em uma TV e um software que permitiria ao consumidor final operar um computador. Com isso, eles conseguiram tirar a computação do mundo dos nerds colocá-la na casa de pessoas. Wozniak desenvolvia as placas de circuito enquanto Jobs unia poder computacional a uma embalagem amigável, que representava sua obsessão pela perfeição. Em apenas 30 dias sendo comercializado, o Apple I já estava se tornando lucrativo. Para o Apple II, o projeto foi mais audacioso e perfeccionista. Mas Steve era grosso e mal educado com seus funcionários. Parecia não se importar com seus sentimentos e focava apenas nos detalhes do produto em si. Dado seus desequilíbrios e instabilidades emocionais, Mike Scott foi nomeado presidente da Apple Computer, e eventualmente surgiam conflitos entre funcionários e Jobs, que tinham que ser mediados por Scott. A obsessão de Steve era tão grande que ele chegou a rejeitar mais de 2.000 tons de bege para a caixa do Apple II e Scott teve que decidir no final. Steve também insistiu em oferecer garantia de um ano ao consumidor, quando o padrão da indústria era de 90 dias. Quando seus colegas o enfrentavam, Jobs gritava, discursava e às vezes até chorava, mas sempre conseguia o que queria. Seus colaboradores mais próximos aprenderam como lidar com ele, mas ele era um mestre da manipulação, sempre tentando fazer tudo a sua maneira. Porém a empresa estava indo tão bem que essa situação acabava sendo tolerada internamente. O Apple II vendeu 6 milhões de cópias e é considerado um dos pilares fundamentais da computação pessoal. Para Steve isso não era suficiente. Ele queria construir um computador que deixasse uma marca no universo. Por isso, Jobs começou a trabalhar no Macintosh, o sucessor do Apple II que o levaria ao estrelato. O ímpeto para realizar ainda mais levou Jobs a reunir um renegado time de "piratas" dentro da empresa para competir internamente com o time da Apple que estava construindo o computador Lisa (nomeado em homenagem a filha ilegítima que Jobs primeiramente relutou em reconhecer, mas depois acolheu). O Macintosh não foi uma criação exclusiva de Jobs, na verdade, algumas ideias foram “apropriadas” (roubadas?) de outras pessoas, mas o projeto deu vida a uma máquina que era poderosa suficiente para exibir gráficos sofisticados e ser controlado por um mouse. O Macintosh foi um sucesso absoluto em especial devido a campanha de TV do comercial chamado “1984", dirigido pelo famoso diretor de Hollywood, Ridley Scott. O comercial foi um sucesso tão grande que as vendas explodiram e todos conheciam Steve Jobs. Esperto como sempre, ele conseguiu entrevistas em todas as grandes revistas manipulando os jornalistas como se ele estivesse lhes dando uma exclusiva. O Macintosh tornou Steve rico e famoso, mas sua personalidade estava corroendo a empresa. Seu comportamento opressivo e perfeccionista estava deixando os funcionários desanimados e deprimidos. Esse comportamento fez com que em 1985, ele fosse demitido da Apple pelo conselho.

What's NeXT?

Depois de se recuperar da demissão em sua própria empresa, Jobs notou que ele agora podia fazer as coisas do seu próprio jeito. Seu primeiro projeto foi um computador para o mercado educacional chamado NeXT. Com o Next, ele pode retomar sua paixão pelo design. Ele investiu mais de 100 mil dólares apenas pela logo da empresa e queria que o computador tivesse o formato de um cubo perfeito, porém isso encareceu demais os custos de fabricação. A NeXT quase quebrou, o lançamento atrasou em anos e no final o produto era caro demais para o consumidor. Seu alto custo e a falta de disponibilidade de softwares fizeram com que o projeto falhasse. Ao mesmo tempo, Jobs comprou o controle de uma empresa chamada Pixar. Como presidente do conselho, ele criou uma estratégia que combinava tecnologia e arte. Em 1988, Jobs já havia perdido dezenas de milhões na Next e investido US$50 milhões na Pixar. A Pixar lançou um filme chamado Tin Toy que ganhou o prêmio de melhor animação e isso fez com Jobs mudasse seu foco para o negócio de cinema de animação. Eventualmente a Pixar fez uma parceria com a Disney e lançou seu primeiro filme. Toy Story, que se tornou o filme mais lucrativo do ano de 1996. A Pixar fez um IPO (uma oferta pública de ações) e as ações de Steve foram avaliadas então em1.2 bilhões de dólares.

Steve em Família

Além dos seus novos negócios, Jobs tentou reconciliar-se com sua vida pessoal, reconectando-se com sua família biológica. Em 1986 após a morte de sua mãe adotiva, ele encontrou sua mãe biológica. Ele se surpreendeu ao saber que ela tinha uma irmã que era artística e temperamental e eles se tornaram próximos. Na mesma época, ele conheceu sua futura esposa, Laurene Powell, com quem ele veio a se casar em 1991. O casal teve 2 filhos, Erin e Eve. Com o encorajamento de Laurene, Jobs também passou a passar mais tempo com sua filha Lisa, que era tão temperamental quanto Jobs. Em alguns casos, eles ficavam meses sem se falar. Na vida pessoal, assim como na profissional, Jobs era ou muito apaixonado ou extremamente distante.

Uma Nova Maçã

Após a saída de Jobs, a Apple entrou em declínio. Em 1996 Gil Amelio foi nomeado CEO e ele queria trazer novas ideias para restaurar a empresa. Em 1997, ele comprou a Next e tornou Jobs um conselheiro para a Apple. Uma vez de volta a Apple, Steve pegou o máximo de controle possível. Ele colocou seus funcionários preferidos da NeXT nos mais altos cargos da Apple. A empresa não ia bem, e o conselho resolveu dar uma nova chance a Jobs como CEO. Porém, Jobs recusou o convite. Ele preferiu manter seu status de conselheiro para ganhar mais influência na empresa. Ele conseguiu costurar uma parceria com a Microsoft para desenvolver o Office para Mac e assim terminou a batalha entre as empresas. O preço das ações da Apple decolou e depois de algum tempo, enfim ele aceitou o convite de se tornar CEO da empresa novamente. Ao assumir, seu foco passou a ser único. Focar a empresa em fazer menos produtos. E assim ele se empenhou em salvar a Apple. O mantra da sua administração era "Foco". Ele rejeitou linhas de produtos inteiras, demitiu empregados irrelevantes e cortou os estoques lotados. Jobs se transformou: de um rebelde corporativo de espírito livre a um executivo singularmente dedicado, colaborativo, embora ainda volátil. Ele acreditava na "colaboração profunda" entre departamentos e em contratar e cultivar "A players", talentos de alto nível. Assim, uma potencial contratação de marketing tinha que ser sabatinada pelos designers e pelos engenheiros de software. "Engenharia Simultânea" significava que os produtos em desenvolvimento passavam por revisões simultâneas de manufatura, design, marketing e distribuição, em vez de passar por cada área sequencialmente. Isso garantia que todos tinham participação no desenvolvimento e criação de novos produtos. Jobs contratou Tim Cook para administrar operações e os dois se conectaram e se tornaram amigos rapidamente. Cook eventualmente ajudaria Jobs a conduzir a Apple. A estratégia funcionou: a Apple, que estava a 90 dias da insolvência, transformou uma perda de US$1 bilhão em 1997 em um lucro de US$309 milhões um ano depois.

O Campo de Distorção da Realidade

Jobs tinha uma estranha habilidade de persuadir as pessoas para que elas seguissem sua visão e ideias. Ele exigia o que os outros consideravam impossível. Assim, vislumbrando o impossível, ele fazia as coisas acontecerem e mudava realidade. Ele focou tão intensamente no que lhe interessava que, às vezes, ignorava todo o resto, incluindo sua esposa, Laureen, seus filhos - Reed, Erin e Eve, Lisa - e sua família e amigos. Steve era cruel e extremamente crítico em relação aos outros e seu trabalho, mas mesmo assim cultivava assistentes fiéis, quase fanáticos. Ele nunca se apegou a posses materiais, vivendo em casas não mobiliadas, mas sua paixão por produtos fez da Apple um gigante. Jobs acreditava que as regras não se aplicavam a ele. O homem que se recusava a colocar placas nos seus carros e estacionava em vagas reservadas a deficientes inventou produtos que os consumidores nem sabiam que queriam, mas pelos quais logo se apaixonaram.

Design em Todos os Aspectos

Steve Jobs aprendeu a importância da qualidade do design com seu pai, que o ensinou que tornar bonitos os lados escondidos de um gabinete importava tanto quanto criar uma frente elegante. Das suas incursões nas filosofias orientais, Jobs entendeu que o design do produto era sua essência. Ele conheceu um designer chamado Jony Ive, que se tornou seu braço direito e o #2 na Apple. Jobs elevou esses conceitos a ponto de acreditar que a apresentação dos produtos da Apple poderia transmitir tanto significado quanto os próprios produtos. Até as embalagens eram cruciais. Jobs envolveu-se tanto nas minúcias relativas a design que seu nome aparece em diversas patentes dos produtos da Apple. Jobs chamou a atenção do público quando a Apple introduziu o iMac, em 1998. Rapidamente o computador desenvolvido junto com Jony Ive se tornou o computador que vendeu mais rapidamente na história. O computador redondo, com aparência divertida veio com um revestimento semitransparente e era disponibilizado em cinco cores. Jobs fez o interior tão atrativo quanto o exterior. Quando a Apple estendeu a variedade de cores, Bill Gates da Microsoft pintou seu PC de vermelho e zombou que o iMac seria uma moda passageira. Além da obsessão pelo design, Jobs queria controlar toda a cadeia de distribuição. Daí veio a ideia de ter sua própria presença física, a Apple Store. A primeira Apple Store surgiu em 2001 e foi um grande sucesso. Hoje, Apple Stores ainda são resultado da quase obsessiva necessidade de controle de Jobs. Os computadores eram diferentes, mas os varejistas em geral não focavam em explicar as diferenças para os compradores. Jobs queria administrar a experiência do consumidor, do mesmo jeito que havia influenciado em todos os outros aspectos do design e produção dos computadores. Portanto, ele resolver projetar pontos de vendas com o mesmo gosto que ele trouxe para todo o resto. Ele insistiu em locais caros e com grande movimento. Ele patenteou o design das escadarias de titânio e vidro das lojas. Ele queria mais que uma loja, queria uma experiência do cliente que se associasse ao espírito dos produtos da Apple.

Mais do que Apenas Computadores

Jobs escolheu "Top 100" funcionários (aqueles que ele escolheria para colocar em um "barco salva-vidas e levar para sua próxima companhia") em um retiro anual para discutir sobre o futuro da Apple. Em 2000, a transformação da empresa começou. O computador pessoal evoluiu para um cubo digital que poderia administrar o estilo de vida digital do consumidor, desde comunicações escritas até câmeras, tocadores de música e gravação de vídeos. A Apple retirou a palavra "Computers" do seu nome corporativo para explorar o potencial da internet de conectar e integrar esses diferentes aspectos. Por exemplo, o iTunes se desenvolveu a partir da percepção de Jobs de que fazer download de música pela internet mudaria a indústria da música: a loja do iTunes vendeu um milhão de músicas nos primeiros seis dias. O iPod resultou da necessidade de um melhor tocador de música e, dentre suas inovações, está incluída a roda de rolagem. O sucesso do iPod, construído sobre as vendas do iMac, consolidaram a marca. Em Janeiro de 2007, o iPod foi responsável pela metade das receitas da Apple. Mesmo assim, Jobs continuou procurando o próximo grande lançamento. Identificando a telefonia celular como a próxima onda, ele deixou uma nova marca no universo e revelou o iPhone, combinando o iPod, telefonia e acesso à internet. Ele sozinho representou mais de 50% do total dos lucros globais da telefonia celular no ano de 2010. A ideia de uma tablet antecedeu o iPhone, mas em 2010 a experimentação com o iPhone pavimentou o caminho para o próximo item revolucionário: o iPad. No caso do iPad, a Apple vendeu 1 milhão de unidades no primeiro mês e chegou a 15 milhões em apenas 9 meses.

Lidando com o Câncer

Jobs acreditava que seu câncer, diagnosticado em 2003, resultou dos momentos estressantes que viveu quando conduzia a Apple e a Pixar no final dos anos 90. Um tratamento para pedras nos rins o levou a um exame que descobriu seu câncer. Mesmo assim, o prognóstico era bom; o tumor era tratável e de crescimento lento. Entretanto, Jobs rejeitou as recomendações médicas de cirurgia. Ele consultou nutricionistas, acupunturistas, seguiu dietas vegetarianas, submeteu-se a limpezas do cólon e baniu negatividade de seus pensamentos. Em 2005, ele fez menção a sua mortalidade em um discurso de formatura na Universidade de Stanford. Jobs disse aos formandos: "Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que eu encontrei para me ajudar a fazer grandes escolhas na vida… Não há razão para não seguir seu coração."

Um Mundo Melhor | Notas Finais

Steve Jobs transformou indústrias, inventou novas formas de comunicação, colocou o mundo ao alcance da ponta dos dedos e fez isso de forma divertida, inteligente e legal. Sua crença de que o produto era tudo guiou a filosofia da Apple e seu foco em como o consumidor perceberia e usaria esses produtos. Jobs sentia, da mesma forma que seu ídolo Edwin Lan da Polaroid, que estava na ˜interseção das artes com a ciência". Como Walt Disney, Jobs queria deixar uma empresa que fizesse uma contribuição para a sociedade e representasse mais do que somente lucros. Ele reconheceu que sua personalidade era difícil e que seu comportamento era às vezes cruel, mas acreditou que ser honesto era a única forma de dar o seu o melhor e extrair o melhor daqueles à sua volta.

Dica do 12':Que tal conferir a história de Sam Walton, o fundador do Walmart, em nosso microbook Made in America?

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