Rebeldes Têm Asas

Rony Meisler Também disponível em audiobook: Baixe nosso app para ouvir gratuitamente.

Mudar velhas práticas em um mercado tão tradicional quanto o das roupas não é para qualquer um. Quando não se tem experiência alguma no varejo de moda nacional, apenas alguém muito corajoso teria a audácia de se aventurar para “hackear” e reinventar velhas práticas. Em Rebeldes têm asas, Rony Meisler nos mostra um pouco dos dez anos da trajetória da marca criada por ele e pelo amigo de infância Fernando Sigal, o Nandão. Trata-se da jornada de uma empresa que nunca pensou apenas no lucro a qualquer custo, diferentemente do modelo de negócios tradicional no mercado de varejo nacional. O que era para ser apenas um conjunto de memórias pessoais virou um grande trabalho de inspiração para os que tentam a sorte empreendendo, algo tão difícil no Brasil. O livro é prefaciado por Luiza Helena Trajano, uma expert no mercado varejista brasileiro, o que demonstra que a Reserva tem muita história para contar. Vamos conhecê-la nos próximos 12 minutos?

“Lucro não é mais importante que a inovação” – Luiza Helena Trajano

Origens

A história de Rony nos remete à longínqua Segunda Guerra Mundial, da qual sua família de origem judaica fugiu e encontrou abrigo no Brasil. Seu avô era conhecido como o Benjamin “Maluco” pela criatividade que o fez prosperar no comércio no Brasil. Não foi à toa que anos depois Rony era conhecido com o “neto de Benjamin”, pelas ideias mirabolantes que o levariam ao sucesso profissional anos depois. O pai foi uma criança rica que chegou a perder tudo na adolescência, mas deu a volta por cima. Trabalhava em consultorias ligadas à tecnologia e se viu insatisfeito ao atuar nas Lojas Americanas, mas ensinava ao filho que um pai de família não poderia ficar desempregado. A mãe é vista como a maior empreendedora que ele já viu e quem mais o incentivou nos estudos. E mesmo quando Rony via que a Engenharia não era sua praia, levou o curso até o fim, desenvolvendo o raciocínio lógico que ele mal sabia que seria necessário no negócio que mudaria sua vida.

“Se você fizer o que gosta, a prosperidade será consequência. Quem trabalha só pelo dinheiro acaba pobre, de dinheiro ou de espírito” – Rony Meisler

Família

Rony faz questão de colocar a formação da família como uma realização tão importante quanto os feitos alcançados com a Reserva. Conheceu a esposa Anny aos 15 anos em uma viagem e foram melhores amigos por décadas, até perceberem a paixão entre eles. Seus três filhos, Nick, Tom e Chiara, são o maior orgulho na vida pessoal do empresário.

“Tem gente que acha que empreender é colocar a pastinha debaixo do braço para pedir milhões de dólares a um capitalista de risco. Para mim, empreender é trabalhar feito louco para colocar seus sonhos de pé e jamais se dar por vencido.” – Rony Meisler

O empreendedor

Ao longo do livro, Rony não separa sua trajetória entre a vida pessoal e a profissional. Sua família de origem judaica, que viu no Brasil o lugar para morar em meio à barbárie da Segunda Guerra Mundial, foi a maior fonte de inspiração para que ele corresse atrás de seus sonhos sem medo de fracassar. O espírito empreendedor gritou nele desde os 12 anos de idade, quando vendia gibis na porta de seu prédio ou produtos de casa para si, diante do espelho do banheiro. Quando foi para São Paulo em decorrência de uma escolha profissional do pai, aos 11 anos, sentiu falta de seu lugar de origem e depois acabou voltando para o Rio de Janeiro. Aos 19 anos montou seu primeiro negócio: um site de trocas de produtos que não deu lá muito certo, mas semeou dentro dele algo que viria a dar muitos frutos anos depois, ainda que ele mal soubesse disso. Rony não cansa de ressaltar que suas maiores aprendizagens no começo da carreira foram o site que teve de fechar e a escolha errada da profissão. Com sua paixão de vascaíno em cada tarefa a qual se dedica, ele consegue extrair pontos positivos e lições de cada passo dado, mesmo os que não o levaram para onde desejava de início.

“O medo é o oposto do amor” – Rony Meisler

A marca

Foi aos 24 anos, quando era analista de uma grande empresa, que Rony chamou o amigo Nandão para desenhar uma bermuda após ver três jovens usando a mesma roupa em uma praia carioca. O desenho da praia de Ipanema na estampa era o pontapé inicial do projeto idealizado por eles. Foram naquelas primeiras 300 bermudas vendidas mão a mão os primeiros dias da Reserva. Quando viram exatas 32 de suas bermudas nas praias cariocas numa tarde qualquer, viram que o sonho de trabalhar com algo que os motivasse de fato começava a se tornar realidade. Rony tirou licença por três anos do emprego para mergulhar de corpo e alma no que viria a ser o trabalho de sua vida. Aliou o aprendizado na Engenharia para a praticidade necessária, herança dos estudos em uma área que ele viria a descobrir não ser sua praia. A escolha do nome se deu em uma reunião na praia, quando decidiram por passar a tarde na praia da Reserva.

“Não somos uma empresa que vende roupas para pessoas, mas uma empresa de pessoas que vendem roupas.” – Rony Meisler

Newaholic

Rony define a si mesmo e a Reserva como Newaholic, um neologismo que indica quem é viciado em novidades. Num dia de muito desânimo ouviu o CD “Seja você mesmo (mas não seja sempre o mesmo)”, de Gabriel O pensador, e daí passou a mergulhar de cabeça na concepção da Reserva até que ela chegasse ao ponto como a conhecemos hoje. Seus amigos foram entrando na empresa aos poucos, tornando-a muito mais familiar do que simplesmente voltada para o lucro como um fim em si mesmo. Sua obsessão por criar novas estratégias de quem se definia muito mais como um comunicador do que uma vendedor de roupas o levou a atender novos clientes na São Paulo Fashion Week, ainda nos primeiros anos da marca. A inovação de quem se definia um “sorridente” e não um presidente nos cartões de visita da marca o faziam não desanimar nem mesmo quando tiveram uma coleção negada para uma das edições da Fashion Rio. Mas ele trabalhou muito até que o convite chegasse alguns anos depois. E não é toda empresa que tem um manifesto na recepção da sede, como acontece na loja de São Cristóvão, a responsável por unir todos os criadores da Reserva e que os fez ter grande destaque na mídia quando foi inaugurada. É ou não é verdade que Rony é um newaholic de carteirinha?

Filosofia Reserva

Desde o começo da Reserva, o lucro em si não foi o foco principal de quem almejava ser mais do que apenas uma marca de roupas, mas uma filosofia que visse na relação de afetividade com o cliente algo essencial para além da compra e venda. A inovação ao criar eventos e uma forma diferente de lidar com os clientes, com proximidade tanto com os compradores quanto com os funcionários foram o chamariz para o crescimento estrondoso da Reserva. Com o passar do tempo e visando o capitalismo consciente, no qual a empresa enxergava grande importância em seu papel social, portas foram abertas. Como quando Luciano Huck virou um de seus sócios ao comprar 10% do capital da empresa após uma bem sucedida proposta: a Reserva foi para fazer doações a um projeto social atendido pelo quadro Lar Doce Lar. O apresentador já usava a marca espontaneamente e foi o nome que catapultou ainda mais a empresa que entre seu terceiro e quarto anos criou uma diretoria executiva para organizar a casa.

“Abraçar o consumidor em vez de atendê-lo” – Rony Meisler

Lidando com crises

Num dia em que o responsável pela arte errou ao colocar uma mensagem de Carnaval na estampa de uma roupa infantil, Rony e os sócios viram uma das principais crises da Reserva. A frase “Vem nimim que eu tô facim” caiu como uma bomba com a repercussão negativa por um erro operacional, impulsionada por ser parte da Use Huck, que usava o nome do apresentador global para catapultar as vendas de uma coleção antes encalhada. A forma de lidar com o desgaste da imagem foi a mesma com a qual resolvem problemas internos: transparência. Foram necessárias mensagens esclarecedoras boladas pelo próprio fundador da marca para ressaltar os compromissos da Reserva com a sociedade. A Reserva também passou por maus bocados quando sua etiqueta indicava nas instruções de lavagem a frase “Ou peça para sua mãe lavar”. Em outro caso de crise, os manequins pintados de preto da marca virados de cabeça para baixo em uma das lojas levaram a uma equivocada associação da marca ao racismo. Ainda houve o momento em que uma coleção elogiando o juiz Sérgio Moro lhes causou a acusação de oportunismo no momento dos protestos de junho de 2013. Em todas essas crises, Rony precisou ressaltar os compromissos da marca com valores da Reserva de comprometimento com a sociedade, em cartas abertas divulgadas em seu perfil do Facebook e da empresa. Não era uma mera vendedora de roupas e por isso se sentia na obrigação de ser transparente e dar a cara à tapa num momento de baixa. Crises superadas e fortalecedoras do espírito da Reserva.

“Na reserva, todo erro é aprendizado” – Luciano Huck

Mais que vendedores

Quando o dono da marca reserva um dia do mês para ouvir as críticas e reclamações dos funcionários, sua empresa vende muito mais do que um mero produto. E é com a filosofia de ter relacionamentos em vez de transações comerciais que a Reserva chega no patamar atual. Seu foco não é exclusivamente no lucro, mas no papel que a marca tem ao redor. Seu status de “rebeldes” ou polêmicos vêm de algo que a sociedade atual pede incessantemente: transparência por falarem abertamente de suas filosofias e como funcionam.

“Se conselho é bom, exemplo arrasta.” – Rony Meisler

Mais que uma marca

Se a experiência com a Use Huck não teve o final esperado em seu início, isso não impediu que a Reserva se expandisse em outros negócios, deixando claro que não se trata apenas e tão somente de uma marca de roupas. Qual outra empresa pegaria uma loja de 80m² para virar um espaço cultural, sem vendas, como foi com a Reserva +, que teve início em 2012? Quem teria a audácia de criar a Reserva T. T. Burguer, que bombou em seus primeiros dias até ter a participação vendida para o irmão de Rony, afinal, seu negócio principal são as roupas. Além disso, os tentáculos da cria de Rony se expandem para as roupas infantis da Reserva Mini; a Eva, responsável por venda apenas de roupas femininas e a Penetras faz a curadoria de roupas e acessórios de outras marcas na loja da Reserva. Ainda suspeita que ela se resume apenas a vender roupas?

Cultura Reserva

O que fazemos: entregamos produtos com serviços, antecipando e atendendo às necessidades do homem em um só lugar.

Como fazemos: oferecemos a melhore experiência, construindo e mantendo relações verdadeiras, individuais e respeitosas.

Aonde queremos chegar: ser a plataforma de produtos masculinos premium do Brasil.

“Movendo o Céu e a Terra pelo cliente” – programa de estímulo ao relacionamento entre a Reserva e os clientes. Por meio dele, Rony envia cartas escritas à mão para quem opta pela Reserva

Relações

Dentre os valores explícitos na cultura Reserva, as relações interpessoais são um dos principais fatores a fazer a diferença no mercado. Eles não entendem sua cultura como um manual, mas como a forma de entregar produtos com serviços, antecipando-se às necessidades dos clientes. Rony ressalta sua crença em valores que põe os funcionários como pessoas unidas para criar afetividade entre os clientes e inspirar soluções para o país. A Reserva incentiva sua gente a não ter vergonha de ser vendedor, priorizando a proatividade e o serviço pós vendo, por meio do Reserva Now. Foi através daí que surgiu o atendimento customizado, hoje responsável por 17% do faturamento da empresa.

"Gente que faz em vez de gente que dá conselhos" – Rony Meisler

Notas Finais

Foi a mentalidade de startup de tecnologia que a Reserva chegou em dez anos a 65 lojas próprias, 9 franquias e 1400 multimarcas revendedoras. Rony Meisler uniu o lado empreendedor com o idealismo ao criar projetos socioambientais e prêmios de inovação ao redor do mundo. Ele e sua Reserva são exemplo de que é possível aliar sucesso comercial a atitudes que mudam e moldam nossa sociedade para melhor, sem esperar que nada caia do céu. Tendo o produto como coadjuvante e vendo nos clientes os protagonistas para o sucesso de sua marca, seu compromisso com o país por meio do chamado capitalismo consciente faz 95% da produção da Reserva ser brasileira, impulsionando o mercado local. Rony repete exaustivamente que a Reserva não é um monstro hierárquico, mas uma construção feita por pessoas, nos mostrando que é possível, sim, aliar o sucesso através do lucro com boas práticas de cidadania e consciência, o que é um exemplo para todos nós.

Dica do 12’: Leia A Marca da Vitória, que também fala sobre uma grande marca de roupas.

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