Quem Tem Medo do Feminismo Negro? Resumo - Djamila Ribeiro

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Quem Tem Medo do Feminismo Negro?

Quem Tem Medo do Feminismo Negro? Resumo
Sociedade & Política

Este microbook é uma resenha crítica da obra: Quem Tem Medo do Feminismo Negro?

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN:  978.85.545.1137.1

Resumo

"Quem Tem Medo do Feminismo Negro?", essa é a pergunta feita pela autora, que por meio de relatos autobiográficos, assim como de artigos e livros que falam sobre o feminismo, a luta de classes e raças. Aqui, nos deparamos com diversos dados, extremamente perniciosos, acerca da discriminação racista e machista que acontece na nossa sociedade.

Se tem interesse acerca dos temas que circundam o feminismo, a luta contra o machismo, assim como questões de classe - esse é um livro feito para você. Ideal para ser lido ou ouvido em momentos que possa se concentrar.

Djamila Ribeiro, além de uma grande e forte militante no cenário brasileiro, é uma filósofa, escritora e acadêmica brasileira. Pesquisadora e mestra em Filosofia Política, ganhou muita atenção pelo seu ativismo online. Hoje, além de ser uma ciberfeminista reconhecida nacionalmente, é colunista do Folha de São Paulo, e já escreveu livros como o "Pequeno Manual Antirracista" e "Local de Fala", por exemplo. Entenda o que ela tem a falar no texto que segue.

A máscara do silêncio

Refletir sobre novas epistemologias, debater lugares sociais e romper com visões únicas não é uma imposição e uma simples tentativa de coexistência. Ao nos livrarmos da máscara, estamos no encalço de novas maneiras de sociabilidade que não se pautem pela opressão de um determinado grupo sobre outro.

Ao pensar o debate de gênero, classe e raça, de modo indissociável, as feministas apontam a inviabilidade de combater uma opressão e fortalecer outra, à medida que as mesmas estruturas seriam reforçadas.

O verdadeiro humor

Certos humoristas dizem passar por censura quando são criticados. É imprescindível explicar para eles em que consiste a censura. Em primeiro lugar, eles fazem e dizem coisas preconceituosas. As pessoas ofendidas, reclamam. O que há de censura nisso?

Eles se incomodam pelo fato de as pessoas gritarem e denunciarem quando veem suas subjetividades e identidades desvalorizadas. Nos dias atuais, há uma enorme gama de humoristas com tal viés, comportando-se como semideuses.

Na realidade, porém, este tipo de  humor não é neutro, uma vez que traz consigo o discurso racista, homofóbico e racista.

Quando opiniões também matam

As pessoas que chamam as feministas de “feminazi” demonstram clara ignorância histórica e, além disso, corroboram o machismo. Um indivíduo que conhece, ao menos, um pouco do feminismo, nunca diria uma coisa dessas.

Afinal, é mais fácil ofender uma colega do que aceitar que, por ser homem, beneficia-se do atual sistema. Reconhecer os privilégios inerentes a ser homem implica mudar o próprio comportamento e atitude. Muitos, infelizmente, sequer consideram essa possibilidade.

Recorrer a um conceito de igualdade em abstrato quando, na realidade, a desigualdade está amplamente disseminada representa se omitir da luta por uma sociedade melhor para todos.

Há, ainda, quem apele para o falso argumento da “inveja”. Para essas pessoas, as ativistas não passam de um bando de rancorosas estridentes. Posicionar os problemas sociais nesse enfoque demonstra como os “achismos” ignoram completamente os assuntos que desejam tratar.

Tenha em mente que as mulheres que lutam para eliminar as desigualdades sociais não estão “se fazendo” de vítimas: elas são vítimas do sistema e, simultaneamente, sujeitos de ação, já que fazem denúncias e organizam a luta para transformá-lo.

Racismo reverso?

O discurso que sustenta a existência de um racismo reverso, isso é, preconceito e discriminação contra mulheres e homens brancos, indica uma grave ausência de conhecimentos e, até mesmo, de escolarização de quem o profere.

Existe grande diferença entre opressão e sofrimento. Este é parte integrante da condição humana, pois todos sofrem. A opressão, porém, é a condição gerada a partir do momento em que um grupo social goza de privilégios e impede que outros grupos acessem direitos elementares.

Um homem branco que é chamado, por exemplo, de “palmito”, não deixa de desfrutar de privilégios e, portanto, não passa por uma opressão social. Essa mesma lógica pode ser aplicada às mulheres loiras que são vítimas de piadinhas de mau gosto, sendo associadas à burrice.

Considerar que todas as loiras são burras é, obviamente, uma forma de preconceito – algo que deve ser combatido. Não obstante, não há nenhuma ideologia de ódio relacionada às loiras: elas não deixam de figurar em capas de revistas, no cinema e na TV.

Cotas raciais

As cotas são ações afirmativas que visam reduzir as distâncias existentes na educação superior. A população negra, embora seja majoritária no Brasil, tem uma presença muito pequena em faculdades e universidades. Qual é a razão para essa discrepância?

O racismo institucionalizado impede o acesso dos negros a esses espaços e, consequentemente, bloqueia a mobilidade social. Precisamos encarar o fato de que as pessoas brancas são efetivamente beneficiadas pela permanência do racismo.

Garotos brancos que estudam em boas escolas, comem bem, aprendem outros idiomas, têm acesso ao lazer e são aprovados em universidades públicas podem até se achar muito especiais, mas isso tudo só foi possível porque tiveram oportunidades.

Garotos negros e pobres que estudam em escolas públicas de péssima qualidade, comem mal e não tem acesso ao lazer terão mais dificuldades para serem aprovados nas universidades, uma vez que não tiveram as mesmas oportunidades.

As cotas, portanto, não dizem respeito à capacidade, pois isso todos os seres humanos têm. As cotas dizem respeito às oportunidades. E é isso que está desigualmente distribuído na sociedade.

Se o Estado é racista e priva os negros de oportunidades, é sua obrigação elaborar mecanismos para alterar esse quadro. Contudo, de acordo com uma recente pesquisa do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), levaria cerca de 50 anos para que a educação destinada às classes populares fosse de qualidade.

Nossa autora questiona, então, quantas gerações continuaríamos condenando sem o estabelecimento das cotas? Lembre-se de que investimento na educação de base e política de cotas não são elementos excludentes – pelo contrário, o ideal é que ambos aconteçam concomitantemente.

Vidas negras importam?

Para a lógica racista, a vida da população negra não tem a menor importância. Quando alguns indivíduos refazem o slogan “vidas negras importam”, substituindo-o por “toda vida importa”, isso significa que eles não compreenderam o problema, ainda que suas mensagens tenham a melhor das intenções.

É claro que toda vida é importante, contudo, é igualmente verdadeiro que algumas vidas não são construídas para importar. Assim, é mais relevante indicar as vidas que, de fato, não importam e que se encontram em luta para serem dignamente preservadas.

Homens brancos podem ser protagonistas na luta contra o machismo e o racismo?

Os primeiros trabalhos acadêmicos que trataram dessas questões foram produzidos por não negros. Isso se deu porque o racismo barra o acesso dos negros aos espaços de investigação científica.

Se apenas pessoas brancas continuarem abordando assuntos relativos às pessoas negras, nunca mudaremos a opressão estrutural que confere privilégios aos brancos, isso é, negros e negras seguirão longes dos espaços acadêmicos.

A luta contra o racismo existe justamente devido a essa separação. De modo que não é razoável supor que a população negra deva continuar apartada dos movimentos formados para combater o racismo.

O mesmo raciocínio é válido para o movimento feminista. Homens brancos ganham cerca de 30% a mais do que as mulheres brancas na mesma função; em comparação às mulheres negras, esse índice chega aos 70%.

Isso significa que as mulheres negras seguem minoritárias na ocupação de espaços de poder. É fundamental, portanto, que os homens brancos e privilegiados percebam que, se protagonizarem essa luta, as mulheres continuarão apartadas.

Se há homens que desejam se posicionar favoravelmente ao movimento feminista, não precisam ganhar dinheiro ao escrever sobre esse tema. Eles podem falar com seus amigos e conhecidos, e também repreender colegas que praticam assédio.

Se forem professores, devem apoiar suas alunas, em vez de assediá-las. Podem abrir interessantes debates em sala de aula, podem se posicionar a favor desses tópicos dentro de suas casas.

Se forem pais, podem cumprir com suas obrigações sem considerar que merecem elogios por isso, limpando suas próprias sujeiras, lavando suas cuecas. Os jornalistas, por exemplo, podem abordar o assunto com o devido respeito e entrevistar mulheres, principalmente negras, que continuam sem ter muito espaço nas mídias.

Notas finais

A ocupação de novos espaços pelas mulheres negras já vem sendo realizada na sociedade real, isso é, na juventude trabalhadora, estudantil e periférica, nos coletivos organizados, nas classes pobres, em locais nos quais as negras são a maioria entre os membros de programas como o Prouni ou cotistas nas universidades.

Sem embargo, esses novos lugares ainda não são refletidos pela mídia, pelo menos não do modo que mais reflete a realidade. É evidente que, para as grandes empresas de comunicação, não é interessante representar as mulheres negras tal qual elas são.

Essas mulheres parecem incomodar, e poucas são as vozes negras que recebem destaque, sendo roteirizadas, interrompidas ou maquiadas para amenizar a crueza da realidade.

Nossa autora faz um chamado a todos os cidadãos e cidadãs realmente conscientes: não podemos seguir naturalizando essas violências. É essencial notar o quanto a “coisificação” de papéis tidos como exóticos e subalternos impede que as mulheres ocupem outros lugares e desempenhem outros papéis.

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