O Príncipe Sapo

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Numa época remota, quando os sonhos ainda se realizavam e a magia existia, houve um rei que era bondoso e justo. Ele tinha três filhas, sendo a caçula a mais bela e encantadora. Sua beleza era tanta, que até o sol se deslumbrava sempre que seus raios tocavam seus lindos cabelos dourados e iluminava seu delicado rosto.

A jovem menina tinha um espírito livre, era boa em sua essência, porém caprichosa. Fazia apenas o que lhe convinha e quando bem entendia.

Em seus dias, a princesa preocupava-se apenas se as condições seriam favoráveis para seu divertimento no dia que viria. Era uma vida livre de preocupações e com muitas possibilidades, seja para se divertir ou deitar na relva sem nada fazer.

O castelo onde morava tinha jardins impecavelmente cuidados à sua volta. Mais além havia um bosque, onde corria um riacho de águas cristalinas, calmas e quentes. Era nesse bosque que ela se embrenhava, e lá eram seus dias de divertimento. Sempre só ela estava, suas irmãs preferiam os limites do castelo, onde ficavam a bordar e fofocar.

Sentia-se triste, pois herdara de sua falecida mãe o gosto por viver ao ar livre. Perdera sua mãe precocemente, ela era sua companheira nos longos dias de ociosidade e diversão.

A princesa tinha sempre a mesma rotina, acordava-se, e depois do banho tomar, descia as escadas que levavam até a cozinha aos pulos e cumprimentava a cozinheira, que dela cuidava como uma filha. Esta, já lhe esperava com uma cesta pronta, recheada de bolos, leite, frutas e biscoitos.

Neste dia, a menina pegou sua cesta como de costume, passaria a manhã à beira do riacho, lendo seu livro predileto enquanto comia todas aquelas gostosuras. Deitada em sua manta verde, sentiu-se repentinamente entediada. Levava sempre consigo uma bolinha de ouro que fora presente de sua mãe, tirou-a do bolso e ficou a admirar a forma como a luz do sol lhe refletia.

Estava sentada na beira do riacho, jogando a bola para cima e agarrando-a antes que caísse no chão. Assustou-se de repente com um sapo que apareceu á sua frente, e acabou por deixar cair sua bola de ouro no riacho, e este por ser fundo, não lhe permitia mergulhar pra procurar.

— Oh céus, perdi minha bola, nunca mais a terei de volta! — lamentou-se a chorar.

— Seu choro é capaz de comover até às pedras, por isso irei ajudá-la — falou o sapo.

— Foi você que falou, criatura? — surpresa, a menina lhe perguntou.

— Sim, irei até o fundo do riacho e lhe trarei a bola. Mas o que me dará em troca?

— Lhe darei tudo o que quiser, meus brinquedos ou até a coroa que uso em minha cabeça! — disse-lhe a menina.

— Todas essas coisas não me servem de nada. O que quero é ser seu amigo, brincar ao seu lado, sentar-me junto a ti na mesa, comer em teu prato, e dormir contigo em tua cama.

— Prometo-lhe tudo isso que me pedes! — imediatamente a princesa lhe respondeu, pensando: “Mas que sapo pretencioso! Imagine se eu o teria por amigo? Ele fique em seu lugar que é o charco ”.

Acreditando na promessa, o sapo mergulhou. Instantes depois, emergiu com a bola, entregando-a à garota.

Sem sequer agradecer, a princesa recolheu seus pertences e voltou correndo ao castelo. Deixando para trás o sapo a dizer:

— Espere por mim, a esse passo não conseguirei acompanhá-la!

Mas nada do que falou a fez parar. Ela adentrou o castelo e rapidamente fechou suas portas, esquecendo rapidamente da promessa que havia feito ao pobre sapo.

No dia seguinte, a menina estava à mesa a jantar com sua família. Repentinamente escutaram batidas na porta e alguém a falar:

— Filha mais nova do rei, abre a porta e deixa-me entrar!

A garota então levantou-se e foi atender a porta, e quando se deparou com o sapo, fechou-a rapidamente, tornando a se sentar na mesa. O rei, vendo-a vermelha e ansiosa, perguntou-lhe:

— O que lhe aconteceu minha filha? Por acaso tem um gigante à porta, querendo lhe carregar?

— Não papai, é um sapo impertinente que está a me incomodar.

— E o que deves ao sapo para ele para vim aqui lhe procurar?

— Ontem, deixei cair minha bola dentro do riacho enquanto brincava. O sapo viu meu desespero e me ajudou a recuperá-la, mas antes me fez prometer que seria sua amiga, que o traria para morar comigo. Eu prometi, pois não acreditava que ele conseguiria viver longe da água.

Neste instante, tornaram a ouvir batidas na porta e o sapo a gritar:

— Mas que falta de caráter! saíste correndo sem cumprir a promessa que me fez, abra já a porta e deixe-me entrar!

— Deves sempre cumprir o que promete — falou o rei a sua filha, repreendendo-a — Levante e vá abrir a porta.

Muito a contragosto, a princesa levantou-se, quando abriu a porta o sapo entrou e foi direto para sua cadeira que estava desocupada. Pediu à menina que o colocasse em cima da mesa para que os dois pudessem comer juntos. Vendo que sua filha hesitava, o rei ordenou:

— Faça tudo o que o sapo pedir!

A garota teve que obedecer, e coloco-o na mesa. De um lado comia o sapo, do outro a princesa, no mesmo prato. O sapo comia sem parar, já a princesa estava verde de tão enojada, e quase a vomitar.

Assim que se sentiu satisfeito, o sapo falou:

— Tudo estava delicioso. Agora sinto-me cansado e com sono, prepara a nossa cama para juntos deitarmos.

A princesa desatou a chorar, pois não queria deitar junto do sapo. Sentia nojo da sua pele fria e úmida, mas não havia o que fazer a não ser obedecer.

Levantava-se para subir as escadas rumo ao quarto, quando o sapo lhe falou:

— Estou empanturrado e cansado demais para subir as escadas, leva-me em teu colo.

Com repulsa, a menina pegou o sapo, e ao entrarem no quarto, atirou-o num canto e foi-se deitar em sua cama. O sapo vendo que ela não tinha a intenção de deitá-lo junto, lhe falou:

— Não irei dormir no chão duro enquanto tu desfrutas da tua confortável cama que tem espaço de sobra para nós dois. Coloca-me junto a de ti, ou então me queixarei ao teu pai.

Ouvindo aquilo, a menina ficou furiosa, e num rompante de raiva agarrou o sapo e atirou-o contra a parede.

— Agora irás me deixar em paz!

Para sua surpresa, imediatamente o sapo transformou-se em um lindo rapaz, alto, forte e de cabelos negros como ébano. Este, então se aproximou e contou-lhe:

— Obrigada por deixar-me aproximar de ti. Sou um príncipe, eu fui enfeitiçado por uma bruxa que me jogou uma maldição. Transformou-se em um sapo, e apenas uma princesa, que confiasse em me deixar se  aproximar, poderia quebrar o encanto.

— Oh, entendo agora a razão de sua insistência. Desculpe-me por tê-lo tratado mal — disse-lhe a garota.

Os dois então fizeram as pazes, e em meio a muita conversa descobriram que tinham muitas afinidades. Com o passar dos dias, o príncipe declarou-se apaixonado pela princesa, e esta confessou que o sentimento era recíproco. O Rei aprovou a união, e após o noivado dos enamorados, decidiram que juntos iriam para o reino do príncipe onde o casamento seria realizado. Todos ficaram muito felizes em saber que ele estava vivo e voltando, pois este já havia sido dado como morto após tanto tempo desaparecido.

Chegado o dia da partida, uma linda carruagem atrelada a oitos lindos cavalos brancos foi buscar-lhes. Quem a guiava era Henrique, o fiel servo do príncipe.

Ao ver o príncipe, Henrique abraço-o e falava a chorar:

— Pensei que nunca mais lhe veria! Todos nós estávamos profundamente tristes e sem esperanças de encontrá-lo. Mandei que fizessem três aros de ferro para prender em meu coração, afim de evitar que ele se despedaçasse, tamanha era minha dor.

Ao seguirem viagem, o príncipe e a princesa escutaram o som de algo a se quebrar, quando questionaram a Henrique se era a carruagem a se desmantelar, ele lhes falou:

— Não senhor, este foi de um dos aros que eu usei para prender meu coração, o primeiro já se quebrou, os outros se quebrarão em seu devido tempo.

No decorrer da viagem, o príncipe escutou o som duas vezes mais. Os outros aros haviam se quebrado, libertando o coração do fiel Henrique, para que este pudesse se encher com sua imensa alegria.

 

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