O Livro das Crianças

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As crianças possuem uma fantástica autenticidade e são naturalmente livres, alegres e criativas. Durante os anos de seu crescimento, a maioria delas tem sido sacrificada aos falsos deuses da “produtividade” e do bom comportamento.

Enquanto cada geração pode prometer, com a melhor das intenções, não repetir os erros do passado, continuamos impondo, às nossas crianças, as limitações que herdamos de nossos pais.

Nesta obra, Osho fomenta a construção de um “movimento de libertação infantil” para romper os padrões estabelecidos e pavimenta o caminho para uma forma inteiramente nova de relacionamento humano.

Trata-se, em suma, de um guia voltado à conscientização dos leitores acerca do próprio condicionamento e de que como isso influencia decisivamente na maneira como lidamos com as crianças.

Essa conscientização não deve ser guardada nos recônditos da alma, mas ser uma fonte ativa de nutrição e proteção, capaz de permitir que as crianças floresçam e realizem todo o seu potencial.

As qualidades da criança

Todas as pessoas inteligentes guardam consigo, ao longo da vida uma valiosa memória afetiva: a experiência da infância. Elas a desejam novamente, isto é a mesma beleza, admiração e inocência.

Todas as religiões surgiram perseguindo essa experiência, que se fundamenta na beleza, verdade e admiração. No cheiro das flores, no colorido arco-íris, no cantar dos pássaros, a criança não se esquece, no âmago de seu próprio ser, que perdeu um paraíso.

Para o autor, não se trata de uma coincidência que todas as narrativas religiosas trazem, por meio de parábolas, a história de que os homens viviam no paraíso e, por algum motivo, foram expulsos.

São histórias distintas, mas que carregam uma verdade singela. É um modo poético de afirmar que todos os homens nascem no paraíso e depois o perdem. Buscar o paraíso é o mesmo que buscar viver a infância novamente.

Obviamente, o corpo não será mais aquele de criança, embora a consciência possa ser tão pura quanto à da infância.

Segundo Osho, estamos diante do segredo de todas as experiências místicas: voltar a ser criança de novo, inocente, sem nenhum conhecimento ou sabedoria, porém, ciente de tudo o que existe e admirando tudo o que o cerca.

Permitir que a criança chore

O choro é uma necessidade absoluta. Se o seu filho chorar e você permitir que ele chore, ele se sentirá revigorado, pois, os sentimentos de frustração são eliminados pelo choro. Se, ao contrário, o choro for interrompido, assim também será a frustração.

Dessa forma, o seu filho passará a acumular frustrações, que se convertem naquilo que o autor chama de “grito acumulado” e os psicólogos, de “grito primal”.

No Ocidente (Osho não especifica em qual país), os pesquisadores desenvolveram uma terapia destinada a ajudar os indivíduos a gritarem tão intensamente que até mesmo as células do corpo se envolvem na atividade.

Os benefícios dessa terapia são claros: se uma pessoa puder gritar tão forte, chegando ao ponto de fazer todo o seu corpo gritar também, ela ficará aliviada de muito sofrimento e dor acumulados.

O fim da família

Para o nosso autor, a família, como instituição social, já cumpriu a sua função histórica. Isso significa que ela já não é importante no atual contexto, ou seja, deixou de ser relevante para a nova humanidade que está surgindo.

Ele afirma que existem pouquíssimas famílias (menos de 1%) que são efetivamente benéficas, nas quais ocorre o pleno desenvolvimento de seus membros, inexistindo a autoridade, a possessividade, a destruição dos filhos e dos cônjuges.

Existiram, e ainda existem, famílias nas quais os integrantes se reúnem motivados somente pela alegria de estarem juntos. Para estas, não é preciso mudar nada, porém, para a imensa maioria das pessoas, a família é algo profundamente desagradável.

Se estas considerações parecem muito radicais, Osho sugere perguntar sobre o assunto para qualquer psicanalista: ele dirá que todas as doenças mentais se originam no seio familiar. As neuroses e psicoses de todos os tipos aparecem com uma frequência cada vez maior justamente porque as famílias criam seres humanos completamente doentes.

Respondendo a perguntas difíceis: a morte

Toda criança se interessa pela morte, afinal, trata-se de uma curiosidade natural. Quando seu filho perguntar a respeito, em vez de oferecer uma resposta pronta (lembrando que toda resposta será necessariamente falsa), não responda nada.

Você deve dizer apenas que não sabe, que todas as pessoas morrem um dia e que, só então, vamos ver. É altamente recomendável definir isso como um entendimento implícito sobre todas as coisas que você não sabe, isto é, é imprescindível que os pais aceitem a própria ignorância.

Infelizmente, os pais tendem a pensar que admitir ignorância será, de alguma forma, prejudicial. Há quem pense que suas imagens serão danificadas perante os filhos, mas nada poderia estar mais longe da verdade. Cedo ou tarde, o seu filho descobrirá que você nunca soube e, mesmo assim, respondeu como se soubesse.

Quando isso vier à tona, o seu filho se sentirá enganado e o respeito que ele sente por você desaparecerá. Todas as crianças acabam descobrindo que seus pais são como as outras pessoas do mundo: ignorantes sobre vários assuntos, impotentes ante uma infinidade de coisas.

Todavia, depende de você que os seus filhos descubram também que você mentia e fingia ser melhor do que realmente é. Tal sentimento é muito destrutivo. Portanto, todas as vezes que surgir algo que você não saiba diga “não sei, filho, mas convido você a pesquisar e aprender junto comigo”.

A necessidade de pertencimento dos jovens

Todos os jovens anseiam por se integrar a algum grupo. Isso é natural e, até certo ponto, saudável. Essa necessidade só se torna um problema quando os jovens sentem que não pertencem (ou não pertencem mais) à sua família e, sendo muito jovens, receiam ficarem sozinhos em um mundo vasto e desconhecido.

Se não existisse essa lacuna entre os jovens e seus pais, nenhum grupo fora da família seria necessário. Há certos lugares no Oriente em que não vemos grupos como skinheads, punks ou hippies.

Esses grupos não existem em tais localidades por um simples motivo: as crianças e jovens pertencem às suas famílias. Eles têm raízes familiares e não se sentem sozinhos.

Esse distanciamento entre os jovens e os pais é o real causador desses problemas. Ao deixarem seus filhos se sentirem isolados, os pais permitem, na prática, que qualquer pessoa possa explorá-los.

Nesse sentido, os jovens podem se ver forçados a praticar crimes a experimentar drogas etc.

A importância da aprendizagem

Não há como falar de crianças sem tocar no assunto do aprendizado. Em primeiro lugar, Osho orienta os leitores a não confundirem aprendizagem com conhecimento, na verdade, um é o exato oposto ao outro. Quanto mais conhecimentos um indivíduo acumula, menos ele é capaz de aprender.

É por isso que as crianças têm uma capacidade maior de aprendizado, em comparação com os adultos. Se você, depois de adulto, deseja permanecer como aprendiz, terá que esquecer tudo o que aprendeu.

O aprendizado só pode ocorrer quando existe espaço. O seu filho pode dispor desse espaço: inocência. A beleza das crianças consiste no fato de que elas funcionam partindo do “não-saber”. Esse é o ponto crucial da aprendizagem. Logo, fique atento, observe, veja, mas nunca tire uma conclusão.

Quando você chega a uma conclusão, já não pode mais aprender. Se você já sabe, o que aprenderá? As pessoas nunca devem raciocinar partindo de respostas prontas às quais tenha acessado por meio da experiência, dos pais, dos professores, das universidades ou das escrituras.

Tudo o que você conhece deve ser descartado em prol do aprendizado. Somente assim continuará a crescer sem limites. Desse modo, permanecerá inocente, criança, cheio de reverência e admiração até o fim. Até mesmo em seu leito de morte, continuará aprendendo.

Notas finais

Os conselhos e orientações de Osho, devem ser aplicados de forma leve e, sempre que possível, bem-humorada. O autor deixa claro que é completamente contrário à seriedade, considerando-a uma enfermidade psicológica.

Somente um comportamento inocente, infantil e brincalhão deve ser considerado um comportamento verdadeiramente espiritual, religioso, virtuoso: humano e divino ao mesmo tempo.

Quando formos tão inocentes quanto as crianças, poderemos transcender a humanidade e então, entrar na habitação divina, no reino da piedade.

Dica do 12’

Se você gostou da abordagem do autor sobre a infância e o modo de nos relacionarmos com os nossos filhos há uma ótima matéria jornalística recentemente publicada sobre Osho que vale a pena conferir!

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