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O homem e seus símbolos - resenha crítica

O homem e seus símbolos Resenha crítica
Psicologia

Este microbook é uma resenha crítica da obra: Man and his symbols

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 978-85-950-8146-8

Também disponível em audiobook, baixe agora:


Resenha crítica

A reação aos conteúdos dos sonhos

A humanidade usa palavras faladas ou escritas para expressar seus desejos e se comunicar. Essa linguagem é repleta de símbolos. Entretanto, em muitas ocasiões, utilizamos imagens ou sinais não estritamente descritivos.

Há simples abreviações e séries de iniciais, tais como Unesco, Unicef ou ONU. Outros consistem em marcas comerciais reconhecidas, insígnias, divisas e nomes de medicamentos patenteados.

Embora não carreguem nenhum sentido intrínseco, atingiram uma significação reconhecida, seja por intenção deliberada, seja por utilização generalizada. Não se tratam de símbolos: são apenas sinais, servindo para indicar os objetos com os quais estão ligados.

O conceito de “símbolo” é um nome, um termo ou, até mesmo, uma imagem que pode ser familiar em nosso cotidiano, mesmo que tenha conotações especiais para além de seus significados convencionais e evidentes.

Em outras palavras, os símbolos implicam em alguma coisa oculta, desconhecida ou vaga. Por exemplo, muitos monumentos da antiguidade trazem os desenhos de um enxó, que era um instrumento empregado por carpinteiros para trabalhar com a madeira.

Ou seja, apesar de conhecermos esse objeto, ignoramos as suas implicações simbólicas para a cultura daquela época. Ademais, há objetos, como a cruz e a roda, reconhecidos no mundo todo, mas que possuem, em certas condições, significados simbólicos.

Todos esses sinais, de uma forma ou de outra, aparecem em nossos sonhos. Seja como for, é compreensível que muitas pessoas ignorem ou rejeitem as mensagens que “recebem” durante o sono.

Naturalmente, a consciência resiste a tudo o que é desconhecido. Entre povos primitivos existiu um fenômeno descrito pelos antropólogos como “misoneísmo”: o medo supersticioso e profundo do novo.

Diante dos acontecimentos mais desagradáveis, os homens antigos apresentam reações similares às dos animais selvagens. Os homens “civilizados”, por sua vez, reagem às novas ideias de igual modo, erigindo barreiras psicológicas.

Isso os protege dos choques trazidos pelas inovações. Esse fato é observado, com facilidade, na reação das pessoas aos seus próprios sonhos, quando elas são obrigadas a admitir alguns pensamentos inesperados.

O passado e o futuro no inconsciente

Para o nosso autor, os 2 pontos fundamentais sobre os sonhos são: em primeiro lugar, eles devem ser tratados como fatos acerca dos quais não se devem fazer suposições prévias, a menos que tenham um sentido claro.

Em segundo lugar, devemos aceitar que os sonhos são expressões específicas do inconsciente. Mesmo que alguns indivíduos menosprezem a mente inconsciente, terão que admitir a validade de investigá-la.

As pessoas que possuem escassos conhecimentos e pouca experiência a respeito de sonhos e, dessa forma, os consideram ocorrências caóticas desprovidas de significação, podem continuar pensando assim, sem maiores problemas.

No entanto, se considerarmos os sonhos como acontecimentos normais, temos de concluir que eles são causais — isto é, existem causas racionais para sua existência — ou, em certo sentido, intencionais.

Nesse contexto, “esquecer” o conteúdo dos sonhos é necessário e normal. Portanto, podemos dar espaço ao surgimento de novas impressões e ideias em nossa consciência. Caso isso não ocorresse, todas as nossas experiências permaneceriam gravadas na consciência, de modo que nossas mentes seriam insuportavelmente atravancadas.

Hoje em dia, esse fenômeno é tão nitidamente necessário que a maioria dos indivíduos que conhecem algo de psicologia o aceitam. Tal como os elementos conscientes podem se desvanecer no inconsciente, novos conteúdos também podem “emergir”.

Por exemplo, podemos ficar com a impressão de que algo está prestes a se tornar consciente. A descoberta científica de que os elementos inconscientes não são meros depósitos do passado, estando repletos de “situações psíquicas futuras” e germes de ideias, levou o autor a adotar uma nova atitude.

Nesse sentido, enfatiza que, além das memórias de um passado consciente e longínquo, o inconsciente traz ideias criadoras e pensamentos inteiramente novos, nascendo das profundezas da mente, de modo a formar uma parte importante de nossa psique subliminar.

A função dos sonhos

Os sonhos, infelizmente, não são fáceis de compreender. Eles não se parecem em nada com as histórias contadas pela mente consciente. Em nosso cotidiano, pensamos acerca do que queremos dizer, selecionamos a melhor forma de expressá-lo e tentamos conferir à nossa fala uma coerência lógica.

Pessoas instruídas evitarão, por exemplo, a utilização de metáforas complicadas, para que seu ponto de vista não seja distorcido ou pareça confuso.

Por outro lado, os sonhos têm uma natureza diferente. Neles, há o acúmulo de imagens que parecem ridículas e contraditórias, a noção do tempo é perdida e os elementos mais banais se revestem de aspectos aterradores ou fascinantes.

Quando os sonhos são recorrentes, portanto, são ainda mais interessantes: há situações nas quais os indivíduos sonham um mesmo sonho desde sua infância até a maturidade.

Trata-se de uma tentativa de compensar algum defeito particularmente existente nas atitudes dos sonhadores em relação à vida. Segundo o autor, isso pode estar relacionado a algum trauma marcante.

Mas essa recorrência também pode indicar a antecipação de alguns acontecimentos ou eventos de grande importância que estão prestes a acontecer.

Agora que chegamos na metade da leitura, vamos nos aprofundar nos conceitos junguianos essenciais para elevar nossa compreensão sobre os símbolos, tais como o conceito de “alma animal”, a relação entre arte e ciência no inconsciente coletivo e o reencontro com a natureza.

A alma animal

A história dos simbolismos demonstra que todas as coisas podem assumir um significado alegórico: formas abstratas (o círculo, o quadrado, o triângulo, os números), objetos fabricados pelo homem (carros, barcos ou casas) e, até mesmo, objetos naturais (fogo, água, vento, sol, lua, montanhas, vales, animais, plantas e pedras).

Como resultado, todo o cosmos, potencialmente, é um símbolo. De conformidade com isso, instintos feridos e reprimidos — perigos à espreita dos homens civilizados — são “lidos” por meio dessas simbologias.

Primeiramente, os impulsos desenfreados eram as piores ameaças para os homens primitivos. Conforme o autor, o “animal”, em ambos os casos, se encontra alienado de sua verdadeira natureza.

Em outras palavras, aceitar nossa “alma animal” é uma condição indispensável para atingir a totalidade e a plenitude na vida. Como se sabe, precisamos “domar” o animal que há dentro de nós, tornando-o um companheiro útil. Isto é, precisamos cuidar de nosso “eu” para fazer dele um amigo.

Inconsciente coletivo: arte e ciência

O célebre pintor impressionista Franz Marc afirmara que “a arte conferirá expressão formal a todas as nossas convicções científicas”. Essa frase foi profética.

Enquanto a psicanálise de Freud exerceu enorme influência nos artistas do início do século XX, a descoberta do inconsciente sensibilizou, praticamente, todos os setores sociais.

A relação entre os resultados obtidos nos estudos de física nuclear e a arte moderna é outro ponto importante. Em termos simples, essa ciência despojou as unidades da matéria de seu caráter concreto.

Ou seja, tornou sua unidade básica um mistério. Paradoxalmente, energia e massa, partícula e onda, provaram sua permutabilidade. Leis de efeito e causa se mostraram válidas somente até certo ponto.

Todas essas descontinuidades e relatividades já não importam, pois, elas só se aplicam aos limites extremos de nosso mundo: o cosmos (infinitamente grande) e o átomo (infinitamente pequeno).

Uma drástica mudança na noção de realidade foi provocada. Uma realidade totalmente diferente, irracional e nova, surgiu por trás de nosso mundo “natural” e real, regido por leis da chamada “física clássica”.

Paradoxos e relatividades análogas foram descobertas junto ao domínio da psique. Aqui surgiu, também, um outro mundo localizado às margens da consciência, controlado por novas leis, estranhamente similares às da física de partículas.

O paralelismo entre psicologia do inconsciente e física nuclear foi um tema várias vezes abordado tanto por Jung quanto pelo vencedor do Prêmio Nobel Wolfgang Pauli.

O inconsciente coletivo e o conceito de tempo-espaço da física podem ser considerados, portanto, como os aspectos interiores e exteriores de uma mesma realidade que, por assim dizer, se esconde detrás das aparências.

Avaliada sob o prisma dessas dificuldades, a arte moderna (reconhecida como simbologia do espírito terrestre) tem um duplo aspecto. É, no sentido positivo, a expressão do misticismo da natureza, tão profundo quanto secreto.

No sentido negativo, ela só pode ser compreendida como a manifestação de um espírito destruidor e mau. Ambos os aspectos são inseparáveis. Afinal, o paradoxo continua sendo um dos atributos básicos dos conteúdos do inconsciente. 

O reencontro com o homem e a natureza

De acordo com o autor, o espírito de uma determinada época sempre está em movimento. Ele se assemelha a um rio que (de modo invisível, mas permanente) corre.

Levando em consideração a dinâmica de nosso século ou, até mesmo, o período de uma década, temos um tempo relativamente longo. Assim, por volta de 1950 começou a se manifestar uma alteração na pintura.

Não foi nada de revolucionário ou comparável às transformações de 1910, que reconstruíram, sobre novas bases, a arte. Contudo, alguns grupos de artistas passaram a formular seus objetivos e interesses em termos nunca vistos.

Essas transformações prosseguem entre as fronteiras das pinturas abstratas. As representações da realidade concreta, oriunda da necessidade básica que os seres humanos têm de agarrar, em pleno voo, o momento que passa, compuseram uma arte realmente sensorial e concreta graças à fotografia.

Bons exemplos disso podem ser encontrados no trabalho do suíço Werner Bischof e do francês Henri Cartier-Bresson. Desse modo, podemos compreender os motivos pelos quais os artistas concentram-se em uma arte imaginativa e interior.

Para muitos jovens, porém, as artes abstratas – como foram praticadas durante anos – já não oferecem possibilidades originais de conquista e aventura. Ao buscarem o novo, encontraram-no naquilo que estava mais próximo e, de certo modo, havia se perdido: o homem e a natureza.

Esses artistas não estavam interessados na reprodução do mundo natural, mas na expressão de suas experiências emocionais particulares advindas desse reencontro.

Quanto ao futuro, é impossível imaginar o que virá: será que essa aproximação gerará resultados positivos ou nos levará a catástrofes ainda maiores e inimagináveis?

Há muito medo e ansiedade no mundo. Esses fatores predominam na sociedade e na arte. Primordialmente, os homens ainda estão pouco dispostos a aplicar – em si mesmos – as conclusões que podem ser deduzidas da arte.

Não obstante, estamos prontos a aceitá-las sob a perspectiva estética. Os artistas conseguem expressar, de forma inconsciente e sem despertar hostilidade, muitas coisas que, ao serem formuladas por um psicólogo certamente provocariam ressentimentos.

Notas finais

Cumpre ressaltar, por fim, que o valor de todas as ideias criativas reside no fato de que elas ajudam a criar conexões que, de outro modo, permaneceriam incompreensíveis, possibilitando que penetremos nos mistérios da vida.

As ideias do autor podem ser úteis à interpretação e descobertas de novas possibilidades nas mais diversas áreas da ciência e da vida cotidiana. Isso pode levar os leitores, ao mesmo tempo, a adotarem uma perspectiva mais ampla, ética e equilibrada do mundo à sua volta.

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Quem escreveu o livro?

Carl Gustav Jung (/ jʊŋ /; alemão: [karl ɡʊstaf jʊŋ]), muitas vezes referida como C. G. Jung, era um psiquiatra suíço e psicoterapeuta que fundou a psicologia analítica. Jung propôs e desenvolveu os conceitos de extroversão e introversão; arquétipos e do inconsciente coletivo. Seu trabalho tem sido influente na psiquiatria e no estudo da religião, filosofia, arqueologia, antropologia, literatura e áreas afins. Ele foi um escritor prolífico, muitos de cujos trabalhos não foram publicados até depois de sua death.The conceito central da psicologia analítica é individuação-o processo psicológico de integração dos opostos, incluindo o consciente com o inconsciente, mantendo a sua autonomia relativa. Jung considerou individuação ser o processo central da development.Jung humano criado alguns dos conceitos psicológicos mais conhecidos, incluindo o arquétipo, inconsc... (Leia mais)