O Cérebro e a Inteligência Emocional

Daniel Goleman Também disponível em audiobook: Baixe nosso app para ouvir gratuitamente.

A obra é uma atualização de Inteligência emocional, lançado pelo autor em 1995. Quando o primeiro livro foi escrito, Goleman estava colhendo o fruto de uma década de uma então inovadora pesquisa sobre o cérebro e as emoções. Usando o conceito de inteligência emocional, ele estruturou seus estudos para realçar um campo novo: a neurociência afetiva. Sua pesquisa sobre o cérebro e nossas vidas emocionais e sociais não parou quando terminou de escrever o livro; na verdade, nos últimos anos ela se acelerou. Para a atualização, foram incluídas conclusões de pesquisas também em série de artigos na Harvard Business Review. Aprenda, nos próximos 12 minutos, um pouco mais sobre nosso cérebro, a inteligência emocional e como aplicar as melhores fórmulas para ele em sua vida.

Inteligência Emocional: modelo de Goleman

A maioria dos elementos de todo modelo de inteligência emocional cabe dentro destes quatro domínios genéricos: autoconsciência, autogestão, consciência social e gerenciamento de relacionamentos. Há três modelos dominantes de inteligência emocional, cada um associado com seu próprio conjunto de testes e medidas. Um vem de Peter Salovey e John Mayer, que primeiro propuseram o conceito de inteligência emocional em seu artigo original de 1990. Outro é de Reuven Bar-On, que tem estado bastante ativo promovendo pesquisa nessa área. O terceiro é um modelo do autor, desenvolvido em O poder da inteligência emocional, escrito com Annie McKee e Richard Boyatzis. Há vários outros modelos de IE agora, com mais incidência na área laboral, um sinal da efervescência do campo. Talvez o QI por si só não explicasse todo o sucesso em uma carreira. Imagine um funcionário inteligentíssimo. De um ponto de vista acadêmico, brilhante. Mas com um problema: motivação zero. Nunca ia às aulas, dormia até o meio-dia, nunca terminava os trabalhos. Não é um executor notável, não é o chefe de uma grande organização, não é um líder desta­cado. Nesse caso, lhe faltam algumas capacidades cruciais de inteligência emocional, particularmente autodomínio.

QI versus IE

A amígdala direita é um centro neuronal para a emoção localizado no mesencéfalo. Pacientes com lesões ou outros danos na amígdala direita, como descobriu o estudo de Bar-On, demonstraram uma perda de autoconsciência emocional, ou seja, a capacidade de estarmos conscientes de nossos próprios sentimentos e entendê-los. Outra área crucial para a inteligência emocional também está no lado direito do cérebro. É o córtex somatossensorial direito. O dano aqui também cria uma deficiência na autoconsciência, assim como na empatia, que é a consciência das emoções nas outras pessoas. A capacidade de entender e sentir nossas próprias emoções é crítica para o entendimento e a empatia com as emoções dos outros. Empatia também depende de outra estrutura no hemisfério direito, o córtex insular, um modo para o circuito cerebral que nos dá a sensação do estado de todo o nosso corpo e nos diz como estamos nos sentindo. Sintonizarmo-nos com como estamos nos sentindo desempenha um papel central em como sentimos e entendemos o que qualquer outra pessoa está vivendo. Outra área crítica é a cingular anterior, localizada à frente de uma faixa de fibras cerebrais que rodeia o corpo caloso, o qual une as duas metades do cérebro. A cingular anterior é uma área que gerencia o controle dos impulsos, a capacidade de lidar com nossas emoções, particularmente emoções aflitivas e sentimentos fortes. Finalmente, existe a faixa ventromedial no córtex pré-frontal. O córtex pré-frontal está exatamente atrás da testa e é a última parte do cérebro a crescer na totalidade. Este é o centro executivo do cérebro; aqui residem as capacidades de resolver problemas pessoais e interpessoais, de controlar nossos impulsos, de expressar nossos sentimentos com eficácia e de nos relacionarmos bem com os outros.

Autodomínio e autoconsciência

O autodomínio requer autoconsciência mais autorregulação, componentes essenciais da inteligência emocional. Um dos valores do autodomínio é estar no estado do cérebro direito para desempenhar a função. No que diz respeito à eficácia pessoal, temos de estar no melhor estado interior para a tarefa em questão, e todo estado interior tem suas vantagens e desvantagens. Por exemplo, pesquisas mostram que as vantagens de se estar de bom humor são de que somos mais criativos, melhores na resolução de problemas, temos melhor flexibilidade mental e podemos ser mais eficientes na tomada de decisões de muitas maneiras. As negativas, contudo, incluem uma tendência a ser menos discriminativo na distinção entre argumentos frágeis e sólidos, ou a tomar decisões muito apressadamente, ou a prestar muito pouca atenção aos detalhes em uma tarefa que a exige.

O cérebro criativo

“Cérebro direito é bom; cérebro esquerdo é mau.” Essa crença sobre a criatividade e os hemisférios direito e esquerdo do cérebro data dos anos 1970 e reflete uma parte muito desatualizada de neuromitologia. O novo entendimento sobre os hemisférios esquerdo e direito é mais específico à topografia do cérebro: no que diz respeito a esquerdo versus direito, você está se referindo ao anterior esquerdo, médio esquerdo ou posterior esquerdo? Atualmente, entendemos que no que diz respeito à criatividade não é simplesmente esquerdo-direito, também é acima-abaixo, ou seja, é o cérebro inteiro. Aqui, é importante compreender uma diferença estrutural entre o hemisfério direito e o hemisfério esquerdo. O hemisfério direito tem mais conexões neurais, tanto nele mesmo quanto por todo o cérebro. Tem fortes ligações com centros emocionais como a amígdala e as regiões subcorticais por todas as partes inferiores do cérebro. O lado esquerdo, de longe, tem bem menos conexões nele mesmo e além dele com o resto do cérebro. O hemisfério esquerdo é feito de colunas verticais empilhadas de forma organizada, o que permite a clara diferenciação de funções mentais separadas, mas menor integração dessas funções. Por comparação, o hemisfério direito é estruturalmente mais amalgamado. O cérebro criativo não é apenas o cérebro direito: ele envolve o cérebro inteiro, esquerdo-direito-acima-abaixo, conforme o estado do cérebro criativo acessa uma extensa rede de conexões.

Autodomínio

Os dois quadrantes canhotos no modelo genérico da inteligência emocional dizem respeito ao eu: autocons­ciência e autogestão. Estas são as bases do autodomínio: consciência de nossos estados interiores e gestão desses estados. Estes domínios de habilidade são os elementos que fazem de alguém um executante individual extraordinário em qualquer área de desempenho. Competências como gerenciamento de emoções, motivação concentrada para atingir metas, adaptabilidade e iniciativa são baseadas na autogestão emocional. A área neural essencial para a autorregulação é o córtex pré-frontal, que é, num sentido, o “bom patrão” do cérebro, nos orientando no melhor de nós. A zona dorsolateral da área pré-frontal é o lugar do controle cognitivo, regulando a atenção, a tomada de decisões, a ação voluntária, o raciocínio e a flexibilidade na resposta. A amígdala é o radar do cérebro para ameaças. Nosso cérebro foi projetado como uma ferramenta de sobre­vivência. Na planta do cérebro, a amígdala detém uma posição privilegiada. Se ela detecta uma ameaça, num instante consegue dominar o resto do cérebro, particularmente o córtex pré-frontal, e temos o que é chamado de sequestro da amígdala.

Os cinco principais gatilhos da amígdala no local de trabalho

  1. Condescendência e falta de respeito;
  2. Ser tratado injustamente;
  3. Sentir-se desconsiderado;
  4. Sentir que não se é escutado e que não lhe prestam atenção;
  5. Ficar submetido a metas irrealistas.

Controlar o estresse

Richard Davidson, que administra o Laboratório para a Neurociência Afetiva na Universidade de Wisconsin, realizou pesquisas influentes nas áreas pré-frontais esquerda versus direita. Seu grupo de pesquisa descobriu que quando estamos nas garras de um sequestro ou sob a agitação de emoções aflitivas, há níveis de atividade relativamente altos no córtex pré-frontal direito. Mas quando nos sentimos muito bem a área pré-frontal esquerda se acende. O grupo Davidson descobriu que cada um de nós tem uma relação esquerda-direita de atividade pré-frontal, mensurada quando estamos somente descansando, não fazendo nada em particular, que prevê com precisão nossa típica variação de humor no dia a dia. Esta relação esquerda-direita avalia nosso set point emocional. As pessoas que têm mais atividade no esquerdo do que no direito têm mais tendência a usufruir de emoções mais positivas, e maior quantidade de emoções positivas no dia a dia. As que têm mais atividade no direito são propensas a terem emoções mais negativas. Há uma “curva de sino” para esta relação, como a bem conhecida curva invertida em U para o QI. A maioria de nós está no meio: temos dias bons e ruins. Algumas pessoas estão na extremidade direita: podem ser clinicamente depressivas ou cronicamente ansiosas. Em contraste, aquelas pessoas que estão na extremidade esquerda da curva do sino dão a volta por cima com rapidez extraordinária.

Davidson também pesquisou o que ele chama de “estilos emocionais”, que na realidade são estilos de cérebros. Um estilo de cérebro rastreia com que prontidão ficamos aborrecidos: onde estamos no espectro a partir de uma amígdala de pavio curto versus pessoas que são inabaláveis. Um segundo estilo olha para a rapidez com que nos recuperamos de nossa aflição. Algumas pessoas se recuperam rapidamente, enquanto outras são muito lentas. No extremo da lentidão de recuperação estão as pessoas que continuamente ou se preocupam com as coisas. Preocupação crônica mantém a amígdala engatilhada, por isso essas pessoas permanecem num estado de aflição enquanto ruminam.

Motivação: o que nos emociona

A palavra “motivação” partilha sua raiz com “emoção”: ambas vêm do latim motere, mover. Nossas motivações nos dão nossas metas e o ímpeto de alcançá-las. Qualquer coisa motivadora nos faz sentir bem. Como um cientista me falou: “A maneira como a natureza nos leva a fazer o que ela quer é fazendo disso um prazer.” Nossas motivações ditam onde encontramos nossos prazeres. Mas quando se trata de perseguir essas metas, a vida normalmente apresenta dificuldades. E quando enfrentamos reveses e obstáculos para alcançar as metas para as quais nossas motivações nos atraem, o circuito que converge numa zona no córtex pré-frontal esquerdo toma vida para nos lembrar das boas sensações que teremos assim que atingirmos esse objetivo. Quando as coisas correm mal, isso nos ajuda a aguentar os momentos difíceis. As pessoas cujo set point se inclina para o lado esquerdo tendem a ser mais positivas em sua perspectiva emocional. Mas, segundo Davidson, elas são suscetíveis a se enfurecer, principalmente quando uma meta valiosa não é alcançada. Então elas ficam frustradas e irritadas, o que é bom, porque mobiliza sua energia e concentra sua atenção em trabalhar para superar os obstáculos e atingir essa meta. Em contraste, diz Davidson, a ativação do pré-frontal direito atua como o que é chamado de “inibidor do comportamento”: as pessoas desistem mais facilmente quando as coisas ficam difíceis. Também são demasiado avessas ao risco, não inteligentemente, mas exageradamente cuidadosas. Elas têm baixa motivação, são geralmente mais ansiosas e temerosas, e têm vigilância ampliada em relação a ameaças. A pesquisa de Davidson descobriu que o hemisfério esquerdo se ilumina até mesmo com o mero pensamento de atingir uma meta significativa. A atividade pré-frontal esquerda também está associada a algo maior do que qualquer alvo isolado: esse é um senso de propósito na vida, os grandes objetivos que dão significado à nossa existência.

Desempenho ótimo

A relação entre estresse e desempenho é conhecida na psicologia há cerca de um século. É chamada de lei de Yerkes-Dodson. Embora os psicólogos Yerkes e Dodson não o pudessem saber há cem anos, estavam de fato rastreando os impactos do eixo HPA, o circuito que secreta hormônios do estresse quando a amígdala é acionada. Esta é uma maneira diferente de pensar sobre como o cérebro opera para auxiliar ou perturbar nosso desempenho, seja no trabalho, na aprendizagem, num esporte, em qualquer campo da habilidade. Há três estados principais representados na lei de Yerkes-Dodson: ócio, fluxo e esgotamento. Todos têm impactos poderosos na capacidade de uma pessoa se desempenhar da melhor forma: ócio e esgotamento diminuem nossos esforços, enquanto o fluxo permite que se elevem.

Ociosidade

Os locais de trabalho pelo mundo inteiro estão repletos de pessoas presas ao ócio: estão entediadas com seus trabalhos, sem inspiração e desinteressadas. Têm pouca ou nenhuma motivação para darem seu melhor, e só fazem o suficiente para manter o emprego. Estudos sobre o empenho dos empregados revelam que nas organizações de maior desempenho há dez vezes mais funcionários totalmente empenhados do que desinteressados, ao passo que em organizações de desempenho médio há somente dois empregados empenhados para cada um dos desinteressados. Funcionários empenhados são mais produtivos, dão mais atenção aos clientes e são mais ­leais à organização.

Esgotamento

Mas quando as exigências se tornam grandes demais para darmos conta delas, quando a pressão nos oprime, entramos na zona do estresse ruim. Logo acima da zona ótima no topo da curva do desempenho há um ponto mais alto onde o cérebro secreta demasiados hormônios de estresse, e eles começam a interferir em nossa capacidade de trabalhar bem, aprender, inovar, escutar e planejar de forma eficaz. Os custos do estresse crônico vão bem além do desempenho. Nesta zona, o que é tecnicamente chamado de “carga alostática” significa que os efeitos prejudiciais dos hormônios do estresse predominam. Níveis demasiado elevados desses hormônios durante um período longo demais deixam a função neuroendócrina fora de forma e criam desequilíbrios nos sistemas imunológico e nervoso, portanto, ficamos mais suscetíveis à doenças e temos dificuldade em pensar com clareza. Nosso relógio biológico fica confuso e dormimos mal.

Fluxo

Onde queremos estar na curva de Yerkes-Dodson é na zona de desempenho ótimo, conhecida como “fluxo” na pesquisa de Mihaly Csikszentmihalyi, na Universidade de Chicago. O fluxo representa um pico de autorregulação, a máxima subordinação de emoções ao serviço do desempenho ou da aprendizagem. No fluxo canalizamos emoções positivas em uma atividade energizada com a tarefa em questão. Nosso foco não se distrai, e sentimos uma alegria espontânea, até mesmo euforia. O conceito de fluxo emergiu de uma pesquisa em que era pedido às pessoas para descreverem um momento em que haviam se superado e alcançado o melhor de si mesmas. As pessoas descreveram momentos em uma ampla gama de campos de especialização, desde basquetebol e balé até xadrez e cirurgia cerebral. E, independentemente da especificidade, o estado subjacente que descreveram era o mesmo. As principais características do fluxo incluem arrebatamento, concentração inabalável; uma flexibilidade ágil em responder a desafios cambiantes; execução no auge de seu nível de perícia; e sentir prazer com o que está fazendo. Esse último distintivo sugere fortemente que, caso fossem feitas neuroimagens nas pessoas enquanto no fluxo, poderíamos esperar ver uma notável ativação pré-frontal esquerda; se a química cerebral fosse testada, provavelmente encontraríamos níveis mais elevados de humor e desempenho realçando compostos como dopamina.

O cérebro social

“Mindsight” (Visão da mente) é o termo que o doutor Daniel Siegel, diretor do Mindsight Institute na Universidade da Califórnia em Los Angeles, usa para a capacidade que a mente tem de ver a si mesma. Seu trabalho notável constrói um caso consistente de que o circuito cerebral que usamos para o autodomínio e para conhecermos a nós mesmos é em grande parte idêntico ao que usamos para conhecer outra pessoa. Em poucas palavras, nossa consciência da realidade interna de outra pessoa e da nossa são, num certo sentido, ambas atos de empatia. Siegel, um grande amigo e pioneiro científico, é fundador de um novo campo, neurobiologia interpessoal, que só surgiu em anos recentes, quando a ciência descobriu o cérebro social. O cérebro social inclui um grande número de circuitos, todos projetados para nos harmonizarmos e interagirmos com o cérebro de outra pessoa. O cérebro social é uma descoberta relativamente recente em neurociência porque, desde seu início, a pesquisa cerebral estudava apenas um cérebro em um corpo de uma pessoa. Somente nos últimos cinco a dez anos se começou a estudar dois cérebros em dois corpos de duas pessoas enquanto interagem, e isso abriu uma vasta panóplia de descobertas.

O cérebro social on-line

A natureza desenhou o cérebro social para interações cara a cara, não para o mundo on-line. Portanto, como os cérebros sociais interagem quando estamos sentados olhando para o monitor em vez de diretamente para outra pessoa? Tivemos uma pista fundamental sobre os problemas com essa interface desde o início da internet, bem lá atrás, quando eram somente cientistas enviando e-mails no que era chamado Arpanet. Essa pista é a iluminação. Iluminação acontece quando alguém está um pouco perturbado e, com sua amígdala em firme controle, furiosamente digita uma mensagem e clica no “enviar” antes de pensar nisso e esse sequestro atinge a outra pessoa em sua caixa de mensagens. Agora, o termo mais técnico para iluminação é “ciberdesinibição”, porque percebemos que a separação entre o cérebro social e o monitor liberta a amígdala do usual gerenciamento pelas ­áreas pré-frontais mais razoáveis. A dinâmica neural por trás da iluminação é que o cérebro social não tem qualquer feedback on-line: exceto quando se está numa teleconferência ao vivo, cara a cara, o circuito social não tem qualquer input. Ele não sabe como a outra pessoa está reagindo por isso não consegue guiar nossa resposta — não pode dizer: “faça isto, não faça aquilo” — como faz automática e instantaneamente nas interações cara a cara. Em vez de agir como um radar social, o cérebro social nada diz — e isso liberta a amígdala para se iluminar se estivermos sendo sequestrados.

As variedades da empatia

A capacidade essencial na consciência social é a empatia, ou seja, sentir o que os outros estão pensando e sentindo, sem que eles nos digam em palavras. Estamos continuamente enviando sinais aos outros sobre nossos sentimentos por meio do tom de voz, da expressão facial, dos gestos e numerosos outros canais não verbais. As pessoas variam grandemente em sua habilidade para ler esses sinais. Há três tipos de empatia. Uma é a empatia cognitiva: eu sei como você vê as coisas; posso entender sua perspectiva. Aqueles que são excelentes no gerenciamento desse tipo de empatia são capazes de obter melhor desempenho do que o esperado dos funcionários, porque conseguem pôr as coisas de maneira que as pessoas possam entender — e isso as motiva. E executivos com grande empatia cognitiva funcionam melhor em cargos no exterior, porque captam mais rapidamente as normas não verbalizadas de uma cultura diferente. Um segundo tipo é a empatia emocional: eu sinto com você. Essa é a base da empatia e química. Pessoas que são excelentes em empatia emocional dão bons conselheiros, professores, gestores de clientes e líderes de grupo por causa de sua capacidade para sentir no momento como os outros estão reagindo. E o terceiro tipo é a preocupação empática: sinto que você precisa de alguma ajuda e, espontaneamente, estou pronto a prestá-la. Aqueles que têm preocupação empática são os bons cidadãos num grupo, numa organização ou numa comunidade, que voluntariamente auxiliam conforme necessário. Empatia é a peça de edificação essencial para a compaixão. Temos que sentir o que a outra pessoa está atravessando, o que está sentindo, de modo a despertar a compaixão em nós. Há um espectro que vai desde a total autoabsorção até notá-las e começar a sintonizar, a ter empatia, a entender suas necessidades e ter uma preocupação empática.

Diferenças de gênero

Há muitos estudos de diferenças de gênero na IE, mas, para resumi-las, em média as mulheres tendem a ter melhor pon­tua­ção em inteligência emocional do que os homens. Somente em média, e há dados conflitantes sobre isso. Uma advertência: quando se fala de diferença de gênero no campo comportamental está se falando de amplamente sobrepor curvas de sino de capacidade. Por exemplo, uma capacidade em que as mulheres constantemente demonstram uma vantagem é em empatia emocional. Mas isso não significa que um determinado homem não possa ser tão emocionalmente empático quanto a mais empática das mulheres. As capacidades que tendem a ser maiores nos homens normalmente têm a ver com autodomínio emocional, mas, novamente, isso não significa que uma mulher não possa ser tão emocionalmente autorregulada quanto o mais equilibrado dos homens. É simplesmente quando estamos nos referindo a diferenças estatísticas que as tendências de grupo surgem.

O lado obscuro

Os psicólogos usam a expressão “a tríade negra” para se referirem a narcisistas, maquiavélicos e sociopatas. Esses tipos representam o lado obscuro da inteligência emocional: essas pessoas podem ser muito boas em empatia cognitiva, mas carecem de empatia emocional, para não mencionar preocupação empática. Por exemplo, por definição um psicopata definitivamente não se importa com as consequências humanas de sua mentira ou manipulação e não sente quaisquer remorsos por infligir crueldade. Quaisquer de seus sentimentos são muito superficiais; neuroimagens revelam um estreitamento das áreas que conectam os centros emocionais ao córtex pré-frontal. Seus déficits particulares mapeiam muitos aspectos das capacidades da inteligência emocional. Os sociopatas têm déficits em diversas áreas essenciais para a inteligência emocional: o córtex cingular anterior, o córtex orbitofrontal, a amígdala e a ínsula, e na conectividade dessas regiões com outras partes do cérebro. Embora os sociopatas extremos sejam conhecidos pelos seus crimes a sangue-frio, os tipos subclínicos de sociopatas são reconhecíveis na vida organizacional. Um é o intimidador, o chefe que bajula o de cima e agride o de baixo, que pode ser bastante encantador para os superiores, mas agressivo com quem se reporta diretamente a ele e um tirano mesquinho em geral. Outro é o fraudador, um autêntico. E o terceiro, de uma forma moderada, é o aproveitador personificado na tira de humor Dilbert, o Wally, o cara que está sempre segurando uma xícara de café e nunca trabalha um mínimo que seja.

Desenvolvendo a inteligência emocional

Você poderá ter escutado que nascemos com uma enorme quantidade de células cerebrais e que depois as perdemos uniformemente até morrer. Agora, as boas notícias: isso é neuromitologia. O novo entendimento é o que é chamado de “neurogênese”: todos os dias o cérebro gera 10 mil células-tronco que se dividem em duas. Uma torna-se uma linha filiada que continua fabricando células-tronco, e a outra migra para onde quer que seja necessária no cérebro e se transforma nesse tipo de célula. Muitas vezes, essa destinação é onde a célula é necessária para novo aprendizado. Ao longo dos quatro meses posteriores, essa nova célula forma cerca de 10 mil conexões com outras para criar um novo circuito neural.A informação mais avançada no mapeamento disso sairá de laboratórios como o de Richard Davidson, que tenham poder de computação massivo, porque novas e inovadoras ferramentas de software para neuroimagem podem agora rastrear e mostrar essa conectividade no nível da célula individual.

Aprendizagem emocional social

Quando uma empresa global estudou seus funcionários de nível mais elevado, descobriu que os talentos da inteligência emocional que fizeram deles executivos notáveis tinham começado a emergir muito cedo. Por exemplo, uma excelente líder de equipe tinha começado a praticar essas capacidades quando ainda estava no ensino médio. Sua família tinha se mudado para uma nova cidade, e ela achou que poderia fazer novas amizades entrando num time. Entrou para um time de hóquei sobre a grama. Acontece que ela não era assim tão boa no jogo, mas era extraordinária em mostrar aos novatos no esporte como se jogava. Então, tornou-se assistente do treinador. Assim que saiu da faculdade, arranjou um trabalho como representante de vendas de medicamentos. Ninguém lhe mostrou como fazer uma visita sem marcar hora num consultório médico, mas assim que pegou o jeito começou a mostrar a novos representantes de vendas como se fazia. E ficou tão boa nisso que a empresa fez um vídeo com ela e passou a usá-lo com todos os novos representantes de vendas.

Notas finais

Ser inteligente não é apenas ter um QI dos mais altos. Para aplicar o alto intelecto e ter maiores chances de sucesso, é importante também trabalhar os conhecimentos com o controle emocional. Entender os bons e maus momentos, saber lidar com as pessoas, antecipar quando haverá crises e problemas dos mais diversos é necessário. Daniel Goleman desnuda didaticamente como todo esse complexo sistema funciona e nos ajuda a ir adiante. Não basta saber todas as informações: a inteligência emocional é tão ou até mais importante quanto a intelectual!

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