O cérebro adolescente

Dra. Frances E. Jensen & Amy Ellis Nutt Também disponível em audiobook: Baixe nosso app para ouvir gratuitamente.

A adolescência é uma fase complicada para todos os indivíduos que passam por ela, e todos nós passamos. Mesmo assim, para quem está de fora, como pais e outros adultos, é sempre comentada como a fase de maior dificuldade na educação e no desenvolvimento dos filhos. 

Em muitos casos, é como se a criança se tornasse, do dia para a noite, um ser desconhecido preso entre a idade adulta e a infância, cheio de manias e provações, emoções conflituosas e comportamento impulsivo. 

Assim a autora de O cérebro adolescente – Guia de sobrevivência para criar adolescentes e jovens adultos, Dra. Frances E. Jensen, juntamente com Amy Ellis Nutt, começa o livro, relatando a sua própria experiência ao lidar com o seu filho adolescente.

Viu nesta oportunidade um novo projeto: o de alinhar recursos e saberes capazes de ajudar a si mesma e às outras pessoas a lidar com esta fase tão temida.

Além de mudanças comportamentais, emocionais e fisiológicas, o adolescente passa por grandes transformações também neurológicas, algo não muito pesquisado pela ciência. Trata-se de um ponto muito especial do desenvolvimento cerebral e uma importante fase de expansão humana. A autora revela mitos, características e novidades sobre este tema, e as vulnerabilidades e singularidades deste período, abordando diferentes aspectos em 17 capítulos temáticos.

Este livro é destinado a todos os pais, educadores e até mesmo aos adolescentes curiosos em aprender mais sobre esta fase da vida, sob a perspectiva na neurociência. Em cada capítulo, as autoras propõem novas reflexões, por meio de uma linguagem franca, engraçada e fácil de entender. Você se interessou? Então, vamos juntos explorar esta obra em 12 minutos!

A entrada na adolescência 

A adolescência como fase de desenvolvimento humano é algo bastante recente. Apenas em meados do século XX surgiu o termo teenager (adolescente) para descrever a etapa muito singular que vai dos 13 aos 19 anos.

Por questões econômicas, as crianças até o século XIX foram consideradas miniadultos, que tinham funções profissionais na sociedade. 

Primórdios do conceito de adolescência

A partir da década de 1930, passou-se a ter uma preocupação maior, pelo menos na sociedade americana, com a escolaridade de pessoas dos 14 aos 17 anos, uma vez que depois da recessão, não eram mais responsáveis pela sobrevivência econômica da família. Não eram mais criança, mas também não eram adultos. Segundo um autor desconhecido, tornaram-se adolescentes, pois não tinham nada melhor para fazer.

Sua aparência se diferia de adultos e também de crianças. Passam a ter um cultura própria e também a sua linguagem. 

O psicólogo Granville Stanley Hall tinha previsto este fenômeno uns 100 anos anteriormente – uma fase de desenvolvimento entre a infância e a fase adulta. Eis uma fase exuberante e anárquica em relação à infância, em que a plasticidade do cérebro muda e o indivíduo passa a viver uma fase de excessos e exageros.

É após a Segunda Guerra que esta fase é definida como adolescência, mais como um fenômeno cultural, social e econômico. É neste momento que o indivíduo passa a dirigir, a consumir cigarros e bebidas, a se alistar no serviço militar.

Hormônios

Muitos pais, professores e outros especialistas sempre justificavam as mudanças da adolescência como culpa de hormônios. Tudo o que poderia acontecer era causado por eles. Contudo, as mudanças hormonais sempre ocorreram e não eram justificativas para as mudanças em seus filhos, por exemplo, aos 3 anos de idade, não é mesmo?

É certo que os hormônios, principalmente sexuais, causam nesta fase mudanças significativas, como mudança da voz, surgimento de pelos, mudança de humor etc. Eles atuam no sistema límbico do cérebro e faz com que o indivíduo busque por novas experiências.

Contudo, os hormônios sexuais estão no organismo desde o nascimento e um adolescente não tem mais hormônio que um adulto jovem – estas são descobertas recentes. É justamente a reação ao estresse, segundo as autoras, que é diferente entre adultos e adolescentes – estes últimos não têm a mesma tolerância que os primeiros.

Os hormônios são importantes marcadores desta fase, mas não são o único fator de tantas mudanças, e nem do comportamento impulsivo, entendido ou das respostas desaforadas. Há também outras substâncias químicas e novas conexões neurais em jogo. 

A flexibilidade do cérebro é uma porta aberta, quando não orientada adequadamente, para problemas comuns e graves de adultos – como o consumo de drogas, estresse e doença mental.

A construção do cérebro

O cérebro não muda apenas de tamanho ao longo da vida. Na infância e adolescência ele é “impressionável” por um importante motivo: causar uma impressão, uma experiência. Segundo as autoras, o cérebro é uma estrutura tridimensional e as conexões entre as áreas rumam para todas as dimensões. 

É um quebra-cabeça, e no caso do cérebro adolescente, um ainda por ser concluído. Ao nascer, a pessoa tem apenas 40% do cérebro adulto. Na fase da adolescência, é ainda um paradoxo: tem muita massa cinzenta (neurônio) e pouca massa branca (conexões).

A “substância cinzenta” abriga a maioria das principais células cerebrais, chamadas neurônios: estas são as células responsáveis pelo pensamento, pela percepção, pelo movimento e pelo controle das funções corporais. 

Os neurônios também precisam ligar-se uns aos outros, bem como à medula espinhal, para que o cérebro controle o corpo, o comportamento, os pensamentos e as emoções. Eles enviam a maioria de suas ligações com outros neurônios por meio da “substância branca” do cérebro.

Divisões cerebrais

Em termos estruturais, o cérebro humano se divide em quatro tipos de lobos: frontais (no alto, parte anterior), parietais (no alto, parte posterior), temporais (nas laterais) e occipitais (parte posterior). O cérebro apoia-se sobre o tronco cerebral, que se liga à medula espinhal e é dividido em regiões especializadas para cada um dos sentidos. 

A área ligada à audição, ou córtex auditivo, situa-se nos lobos temporais; o córtex visual encontra-se nos lobos occipitais; e os lobos parietais abrigam o movimento e as sensações nos córtices motores e sensoriais, respectivamente.

Pesquisas recentes apontam que a conectividade cerebral desloca-se lentamente da parte posterior do cérebro para a anterior. E o cérebro adolescente está somente cerca de 80% do caminho para a maturidade. 

Os 20% de defasagem contribuem muito para explicar por que os adolescentes se portam de maneiras tão intrigantes — com as oscilações de humor, a irritabilidade, a impulsividade e o caráter explosivo, a incapacidade de concentração etc.

Sob o microscópio

Já vimos que o cérebro adolescente tem muitos neurônio e uma grande profusão de massa cinzenta. É o campo ideal para aprender muito e aprender coisas novas com muita rapidez. Contudo, quando há muita massa cinzenta ocorre uma espécie de dissonância cognitiva.

O cérebro adolescente tem dificuldade de captar os sinais corretos em meio a todo esse “ruído”. Isso porque já começa a podar as sinapses em excesso e a aperfeiçoar as conexões. Por isso a característica de os adolescentes serem mais excitados para aprender, ansiosos e impulsivos. A autora explica em detalhes como este processo ocorre.

Aprendizagem: Uma tarefa para o cérebro adolescente

Os pais se apressam em se culpar pelo comportamento dos adolescentes. Segundo nossa autora, os adolescentes são diferentes por causa do cérebro, mais especificamente por dois aspectos incomuns nessa etapa do desenvolvimento. 

Ao mesmo tempo em que aprende coisas mais depressa, ele está eliminando substância cinzenta e podando neurônios.

Além disso, nenhum cérebro é igual ao outro. É como as digitais. É pela neuroplasticidade que é possível pensar, planejar, aprender, agir, tudo influencia a estrutura física e a organização funcional do cérebro etc.

A experiência é a chave para a aprendizagem do indivíduo. Quanto maiores a estimulação e a experiência, maiores os neurônios, mais numerosos os dendritos, mais elevado o número de sinapses e a massa cinzenta.

Isso significa que o cérebro adolescente está mais apto a aprender. Enquanto o cérebro da garotada reage e se modifica em resposta a praticamente qualquer estímulo, a chamada plasticidade adulta só ocorre em contextos comportamentais específicos.

Sono

Você conhece adolescentes que dormem o dia todo? Esta é uma queixa muito comum dos pais. É importante saber que os padrões de sono modificam-se ao longo do ciclo de vida e do mesmo modo em todas as espécies. 

Se bebês dormem cedo e acordam cedo, os adolescentes dormem tarde e acordam tarde. Os padrões de sono são controlados por uma rede complexa de sinais cerebrais e hormônios, ambos os quais são regulados pelos estágios de amadurecimento.

O relógio interno do adolescente é outro. Se deixarmos, eles dormem cerca de 9 a 10 horas por dia. E quando precisam se adequar ao padrão adulto – como acordar cedo, por exemplo – pode ocorrer síndrome de privação de sono.

E por que eles precisam de mais sono? Porque as atividades cerebrais relativas ao processo de aprendizagem exigem mais tempo de descanso do que nos adultos.

Correr riscos

A autora recebe sempre dúvidas dos pais sobre o motivos dos adolescentes se meterem sempre em confusão, sem medir os riscos e as consequências. Muitos provam maconha e álcool, são multados por alta velocidade e fazem coisas desse tipo.

São as novidades e a busca de sensações que parecem motivar todos os seus atos. Para os adolescentes, de fato, é importante praticar comportamentos experimentais, porque isso ajuda a estabelecer sua autonomia.

Contudo, segundo nossa autora, os adolescentes possuem o córtex frontal subdesenvolvido, o que significa que eles têm dificuldade de enxergar mais à frente, de compreender as consequências de seus atos, estando mal preparados para avaliar os danos relativos das condutas de risco.

É a liberação de dopamina e a resposta a ela que são intensificadas no cérebro adolescente. Como os lobos frontais ainda têm apenas uma conexão frouxa com outras partes do cérebro dos adolescentes, eles têm mais dificuldade de exercer controle cognitivo sobre situações potencialmente perigosas.

Tabaco, álcool, maconha e drogas pesadas

Com a privação de sono e o turbilhão de coisas que acontece na vida do adolescente, ele se torna mais propenso a fumar, o que pode causar uma variedade de problemas cognitivos e comportamentais.

O transtorno do déficit de atenção com hiperatividade e a perda de memória, e que tem sido associado a um QI mais baixo nos adolescentes, se explica pelo consumo do tabaco – a porta de entrada para outros vícios. Os adolescentes se viciam mais depressa que os adultos e isso pode ser aterrador para o desenvolvimento cerebral desta fase. 

A autora apresenta pesquisas para cada um destes tipos de drogas e os seus efeitos ainda mais devastadores em adolescentes do que em adultos. Eles ainda não estão preparados nem neurológica e nem emocionalmente para lidar com os desafios e situações da vida, e muito menos com limites.

Estresse

Os rompantes de emoções, ataques de raiva, tédio e descontrole são comuns na adolescência. Isso todos já puderam observar. Durante a adolescência, mais do que em qualquer outra época, as emoções dominam a vida. 

Os adolescentes costumam estar radiantes ou arrasados, e é muito raro se encontrarem em um ponto intermediário entre esses extremos.

Os adolescentes podem estar menos protegidos do estresse que os adultos, por causa de sua maneira de reagir ao hormônio do estresse, o THP. Em vez de surtir um efeito calmante, esse hormônio provoca mais ansiedade nos adolescentes. 

O estresse pode ser de indução interna, por meio de pensamentos e emoções, ou externa, pelo ambiente. A adrenalina e o cortisol contribuem para o caldeirão emocional da adolescência. 

E o estresse é consequência desses elementos, bem como de fatores externos e ambientais, de traumas e bullying, o que pode comprometer a aprendizagem e o desenvolvimento.

Notas finais 

Em O cérebro adolescente – Guia de sobrevivência para criar adolescentes e jovens adultos, a autora Dra. Jensen, juntamente com Amy Ellis Nutt, apresentam aos pais, educadores e também aos adolescentes que parte de tudo o que está ocorrendo nas suas vidas, das transformações aos excessos, tem causa neurológica.

É preciso ter paciência, cultivar o respeito e a comunicação e buscar ajuda sempre quando houver conflitos ou incompreensão sobre essa fase. O livro traz exemplos, pesquisas, imagens e dados que mostram o quão importante para o desenvolvimento do indivíduo e para a sua aprendizagem é toda esta fase.

Dica do 12’

Outra obra que pode lhe ajudar na gratificante tarefa de ser um apoiador do desenvolvimento do seu filho é Disciplina positiva para crianças de 0 a 3 anos, das autoras Jane Nelsen, Cheryl Erwin, Roslyn Duffy, que já está disponível para a sua leitura e é um best-seller sobre desenvolvimento infantil. 

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