O Caminho dos Líderes

Fernando Pacheco Também disponível em audiobook: Baixe nosso app para ouvir gratuitamente.

Fernando Pacheco tirou 15 dias de folga da Samba Tech, empresa  de produção e distribuição de vídeos online em que trabalha, para dar vida a um grande sonho: escrever um livro.

Sonho que o acompanha há muito tempo, pois ainda na infância Fernando dedicava-se a entender porque algumas pessoas conseguiam chegar mais longe que outras.

Essa motivação fez com que ele conhecesse e entrevistasse 19 diretores e presidentes de grandes empresas e projetos, como a Azul, Cia de Talentos, Méliuz e Instituto Ayrton Senna, a fim de mostrar aos leitores diversos modos de gestão de negócios.

O Caminho dos Líderes é o resultado dessas conversas e esse microbook aborda algumas das principais entrevistas com os gestores.

Ficou interessado? Continue a leitura aqui, no 12min!

Pedro Janot

O livro começa contando a história do ex-CEO da Zara, da Azul Linhas Aéreas e atual CEO da Contravento.

Pedro tinha uma vida muito acelerada. Ele foi responsável por trazer a Zara para o Brasil e ainda foi escolhido para gerenciar a Azul.

O que ele não planejava era cair do cavalo durante um final de semana com a família e perder os movimentos do corpo da clavícula para baixo.

Entretanto, ele sempre foi um competidor e isso não foi uma derrota definitiva.

Na verdade, ganhar competições era o que motivava Pedro desde sempre. Ele foi diversas vezes campeão de iatismo antes dos 18 e depois disso um dos melhores trainees da Mesbla. Sua carreira continuou como gerente das Lojas Americanas e de outras grandes empresas.

Pedro nunca buscou conhecimento formal para alcançar esses níveis. Sempre achou que isso era uma chatice e preferia mesmo ler livros de aventura, fóruns e assistir a TEDs.

O foco dele nessa busca por adquirir conhecimento eram as pessoas. Pensar em uma empresa a partir dos seus clientes. Afinal, trabalho deve ser algo motivador, não massacrante.

Para quem trabalha muito, o cansaço é inevitável, mas uma coisa é estar cansado física e mentalmente; outra é reclamar com frequência de tudo que está relacionado ao trabalho. Aí tem alguma coisa errada.

Aos 57 anos e vivendo em uma cadeira de rodas, Pedro preside a jovem empresa de consultoria de negócios Contravento, cuja a resposta sobre como o seu conhecimento pode impactar o maior número de pessoas é o que o faz acordar todo dia de manhã.

Ricardo Ferreira

É fundador da Richards e uma das pessoas que mais marcou a moda de varejo no país.

Na época que abriu a loja, junto a esposa, décadas atrás, buscava trazer leveza, valorizar o cotidiano. Ele acreditava que as roupas representavam muitas coisas e que podiam ser expressivas.

No Brasil daquele período, os vendedores ficavam atrás dos balcões. Ricardo e a esposa os botaram para circular pela loja.

Eram pequenas revoluções nas formas de pensar o negócio que fizeram toda diferença para o crescimento da marca.

E foi a partir desse crescimento que ele compreendeu que estava em um negócio de gente e não apenas de roupas. Que precisava de profissionais com conhecimentos complementares aos seus para seguir em frente. Afinal, as marcas são mais que marcas, são experiências.

O esporte também o ajudou a ter mais disciplina profissional. Foi campeão sul americano de caça submarina.

O modelo de gestão da empresa se baseava em contratar pessoas que não sabiam distinguir trabalho de lazer e que amam o que fazem, profissionalmente falando. Remunerá-las bem e dividir o lucro também é parte importante.

Sucesso, para ele, é conseguir ter um dia-a-dia agradável e conseguir realizar coisas que você gosta e acredita. Não se trata de dinheiro.

Para Ricardo Ferreira, a palavra-chave é empatia.

Alexandre Azevedo

A empatia continua por aqui.

Para o CEO da Seculos, ser empático foi fundamental para que ele chegasse até onde chegou.

Alexandre reconhece a importância de se colocar no lugar de outras pessoas e enxergar o outro lado, mas não para por aí. Ele também elege a assertividade e flexibilidade como características essenciais para o autodesenvolvimento.

Flexibilidade que ele conhece bem, já que começou a carreira como office boy da empresa.

Ele entendia que precisava prosperar, assim como Pedro e Ricardo, mas a necessidade era diferente, pois foi pai aos 17 anos.

Assim também como os outros dois empreendedores, Alexandre era versado no esporte. Jogava futebol e, hoje, acredita que qualquer prática esportiva ajuda a formar um grande líder.

Na verdade, a definição de líder para ele é bem simples: ter as pessoas certas, no lugar certo e tirar o melhor delas.

É entender que uma equipe deve ser complementar.

Para um modelo de gestão de negócios funcionar, ele acredita que um líder deve dar autonomia e empoderamento as outras pessoas. Isso, é claro, com objetivos claros e foco nos resultados.

Essas pessoas devem ser espertas dentro do ambiente corporativo. Isso quer dizer que têm que evitar a acomodação e jamais ficar satisfeitas com o que fazem ou com o que sabem, por mais façam bem e saibam demais.

Para ele, rotina é algo que não funciona. Uma vez propuseram reuniões todas segundas e quartas e ele declinou por saber que não conseguiria cumprir horários fixos. A única rotina que permite é o sábado com a família e futebol.

Sofia Esteves

Com certeza você já fez parte de um processo seletivo da Cia. de Talentos, incorporada a um dos maiores grupos de RH do país, o DMRH. Bem, a história agora é sobre a fundadora desse império.

Mas, no início, a empresa não era o principal objetivo da empreendedora. Sofia tinha o sonho de ter um orfanato e pautou boa parte da sua vida nisso.

Ela se formou em Psicologia e trabalhou em RH a fim de juntar dinheiro para dar vida a essa ideia.

Foi aí que nasceram o Instituto Ser+, que dá suporte a crianças em vulnerabilidade social, e a Cia de Talentos.

E para dar conta dos dois projetos, ela elege algumas características muito importantes para o perfil de liderança: atitude, proatividade, comunicação e aproximação.

Um líder tem que fazer por onde. Ninguém gosta de um líder que é imposto pelo crachá e que se sente acima das pessoas. Para Sofia, tem que ter humildade.

Quando perguntada sobre seu modelo de negócios, a empreendedora afirma que trata-se de algo bem participativo, onde todo mundo faz parte de um time e deve se engajar por um propósito comum, mesmo sendo pessoas completamente diferentes.

Inclusive, ela assume que um dos seus principais erros no trabalho foi pensar que as pessoas eram como ela, ou seja, com mesmo ritmo de produtividade e formas de tocar as coisas. As pessoas são diferentes e compreendê-las é importante.

Por isso que nada substitui uma boa entrevista na hora da contratação. Uma conversa profunda e elaborada.

Ela também observa que as empresas estão ampliando o tempo de contratação e, por isso, estão tendo mais cuidado com os processos seletivos. As oportunidades existem, contudo, há pouca gente realmente qualificada.

Viviane Senna

Irmã de Ayrton, Viviane decidiu homenagear o piloto de Fórmula 1 e criou o Instituto Ayrton Senna, onde atua como presidente.

O projeto, que tem alto impacto na comunidade socioeducacional do país, funciona por meio do que Viviane chama de gestão de alta performance para ONGs. Isso quer dizer que ela aposta no pensamento estratégico e     nas tomadas de decisão, levando em conta um conjunto de fatores e baseando-se em dados.

Ao contrário do que muitos pensam, não basta apenas ter boa vontade para trabalhar no terceiro setor.

Os jovens já chegam lá querendo ser CEOs em três meses e não têm a mínima ideia de como lidar com frustrações. Viviane acredita que a geração Y é emocionalmente imatura.

Não adianta ser inteligente e ter feito três faculdades, se a pessoa não for esforçada, criativa e flexível.

A capacidade de comunicação, de relacionamento e de responsabilidade é mais importante que o QI.

É essa série de coisas que Viviane leva em conta para tocar o Instituto. Ela também é inspirada por valores, dedicação, garra, paixão e persistência.

Os resultados são consequência disso.

Israel Salmen

Economista pela Universidade Federal de Minas Gerais, Israel criou uma startup de cashback, ou seja, que devolve gratuitamente parte do valor gasto em compras online direto na conta bancária do cliente. É a Méliuz.

Nessa entrevista, vale ressaltar como o autor do livro foi recebido pelo empreendedor, na própria Méliuz: de camiseta; calça jeans e chinelos. Israel parecia estar em casa.

E nesse clima descontraído ele falou sobre um traço importante que o ajudou a conduzir positivamente a carreira.

O economista sempre foi autodidata. Na faculdade, logo no primeiro dia, a professora falou que os alunos não iriam aprender nada sobre o mercado financeiro. Bem, ele ficou indignado, pois foi para isso que escolheu o curso.

Então, no outro dia pegou uma apostila e deixou os professores falando durante a aula. Israel começou a investir em ações no primeiro mês de faculdade e já no terceiro havia fundado uma gestora de investimentos. Empresa que vendeu três anos depois.

A vontade de empreender surgiu novamente com a Méliuz, onde ele diz que aprendeu muito, principalmente conversando com profissionais de diversas áreas de lá. Afinal,  o trabalho de um CEO é mais que gestão. É aprendizado.

Para Israel, ser líder é representar todo mundo que acredita nele. É planejar de acordo com o que foi vendido e sonhado.

Quando os profissionais estão chegando na Méliuz, ele os recebe dizendo que nunca pisou na bola com alguém, mostra o sonho da empresa, onde aquela pessoa pode chegar lá dentro e como podem chegar juntos.

Líder é quem mantém esse sonho vivo e, ao longo do caminho, mantém um relacionamento cada vez mais genuíno entre os shareholders.

Gustavo Caetano

Responsável por lançar uma nova forma de fazer branding no país, Gustavo garantiu que a startup Samba Tech fosse eleita por três vezes, nos Estados Unidos, como uma das 100 empresas mais inovadoras do mundo e que ele mesmo fosse considerado pelo MIT como uma das 10 mentes mais inovadoras do país.

Algo grandioso para quem, segundo ele mesmo, nunca foi sequer o melhor da turma. Gustavo sempre foi, na verdade, muito questionador e inquieto. A rotina o deixava cansado e ele costumava achar tudo uma grande chatice.

E isso o manteve entre uma linha tênue entre a marginalidade e conseguir alguma coisa.

Até que percebeu que deveria seguir caminhos que as outras pessoas geralmente não seguiam para poder se diferenciar de forma positiva na vida.

Na faculdade, optou por empresa Jr. ao invés de estágio. Viu mesmo que sua vida seria no empreendedorismo e foi para o MIT, Disney, e Singularity atrás de coisas diferentes. Se manteve longe da vida acadêmica formal.

Para ele, a humildade é muito importante para um empreendedor, pois sempre há algo a aprender.

Gustavo compreendeu cedo que não era o dono, de fato, da Samba Tech. Desde o início ele teve investidores e então precisava prestar contas a eles. Ele, na verdade, era o executivo da empresa.

No início ela era bem energético. Dizia que ia mandar todo mundo embora, mas com o passar do tempo, viu que isso não era uma boa atitude de um líder.

Liderar é vender sonhos e entregar sonhos. É pensar grande e tornar isso palpável.

Notas finais

O Caminho dos Líderes é uma obra escrita por alguém que sempre buscou entender a trajetória de grandes personalidades do empreendedorismo.

Fernando Pacheco mostra um pouco da história, pensamentos e formas de liderança de alguns empreendedores contemporâneos de modo leve e informal, como em uma bate-papo.

Agora que você conheceu partes do caminhos desses líderes, que tal começar a colocar alguns comportamentos em prática para favorecer o seu negócio?

Dica do 12min

Um dos empreendedores entrevistados por Fernando Pacheco, Gustavo Caetano, escreveu o livro Pense Simples, contando um pouco da sua trajetória. O microbook da obra também disponível no 12min.

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