Não basta dizer não Resumo - Naomi Klein

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Não basta dizer não

Não basta dizer não Resumo
Sociedade & Política

Este microbook é uma resenha crítica da obra: No Is Not Enough: Resisting Trump's Shock Politics and Winning the World We Need

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 978-8528622737

Resumo

Entendendo o cenário atual

Donald Trump na Casa Branca não é a doença, mas o sintoma de algo maior. Trata-se do agravamento de uma série de crises mundiais, todas encadeadas. 

Seu modo de governar é imprudente com os Estados Unidos e o mundo, causando desastres e choques na economia, na segurança nacional e no meio ambiente, como podemos ver em qualquer noticiário que aborde a política. 

A visão de Naomi Klein é baseada em seus 20 anos de estudos dos choques políticos, das mudanças climáticas e de um processo que ela intitula como a tirania das marcas, que coloca Trump não como uma aberração, mas como a extensão de uma série de tendências perigosas que afligem o mundo nos últimos 50 anos. 

Segundo ela, o momento histórico vivido por nós exige muito mais que a negação de políticos que seguem o estilo de Trump, mas a proposição de um novo mundo, gerando confiança e reivindicando o território dominado pelo populismo, capaz de dividir um país inteiro em um processo de polarização que só favorece as políticas destrutivas. 

Como Trump venceu ao se tornar uma marca por excelência

Quando Donald Trump venceu as eleições presidenciais nos Estados Unidos em 2016, pouca gente podia acreditar que aquela figura caricata seria a quadragésima quinta pessoa a ocupar o cargo mais alto na economia mais desenvolvida do mundo. 

Naomi Klein estava em Sydney, na Austrália, participando de uma série de conferências. Ela viu o resultado no fim da manhã de 9 de novembro, devido ao fuso-horário. Seu cansaço era maior por entender que o processo completo de ascensão de Trump durou muito mais que uma noite.

Recebia uma série de ligações e mensagens de amigos boquiabertos, tentando uma explicação dela, a especialista, para o que parecia ser a primeira noite do fim do mundo. 

Durante uma reunião com cerca de 15 diretores de organizações ambientais, trabalhistas e de justiça social australianas, teve a notícia bombástica, em meio a uma discussão sobre lutas contra o racismo, desigualdade, violações de direitos de povos nativos, imigrantes e mulheres. Tudo pareceu escorrer pelo ralo.

Pois Naomi Klein entendia aquele processo de ascensão do bufão à presidência como o resultado de uma série de aparições na mídia, tanto em programas de entretenimento até a desenhos animados. Vale lembrar que o reality show O Aprendiz, cujo auge eram as demissões dadas por um bordão famoso de Trump, foi campeão de audiência. 

Desde então, sua imagem passou de milionário excêntrico a uma marca, sendo seguido por muitas pessoas e ouvido quanto a questões de interesse político, até descambar em sua eleição. 

Pois é importante entender o quanto Trump é a vertente de um processo global, uma onda de políticos autoritários, xenófobos e de extrema-direita tomando o poder por meio do voto em uma série de países. Trump é apenas seu representante norte-americano. 

Ele é a cara de um gabinete recheado de bilionários e multimilionários, que além de já possuírem uma parcela gigante da riqueza do planeta, querem ter mais, pouco importando o aumento da desigualdade social no mundo. 

A primeira família de marcas 

É possível que Donald Trump nunca tenha acreditado, de fato, que suas chances de chegar à Casa Branca fossem reais. Aliás, quase ninguém acreditava. Essas chances passaram a ser reais depois de sua nomeação como candidato pelo Partido Republicano.

A partir daí, a presidência dos Estados Unidos era almejada como a maior ferramenta de gerenciamento de sua marca. Cada minuto que ele passa sentado na cadeira do cargo máximo do país que domina a economia global valoriza ainda mais sua marca e seus lucros aumentam como empresário, já que ele governa de acordo com seus interesses individuais. 

O principal negócio de Trump e Ivanka, sua filha, são seus nomes. Quando ele pisa em um campo de golfe, hotel ou clube de praia dentro de suas propriedades, tendo atrelado a ele as imagens da Casa Branca, ele enche ainda mais seu bolso. 

Trump virou uma supermarca humana e este fenômeno novo é pouco compreendido por analistas, tanto da economia quanto da política. 

Os jogos vorazes de Mar-a-lago

Certa vez, o ex-ator Ronald Reagan foi perguntado sobre o fato de ter sido ator antes de ocupar o cargo máximo da política norte-americana. Prontamente respondeu: “Como pode um presidente não ser um ator?” 

Nos tempos atuais, Donald Trump usa as habilidades adquiridas em O Aprendiz para multiplicar seus lucros. Ele tem a convicção de que pode editar e modelar a realidade para um desfecho roteirizado e que o engrandeça, para torná-lo maior do que é. 

Tudo em meio a aparições no resort de Mar-a-lago, onde planeja reuniões e é filmado com seu semblante fechado, onde os ataques quase nunca são gratuitos, mas calculados para moldar o noticiário a seu bel-prazer, aumentando sua audiência como se ele ainda fosse o apresentador e o país pudesse ser demitido a qualquer momento. 

O relógio do clima marca meia-noite

Na semana em que esteve na Austrália e viu à distância a eleição de Trump, Naomi Klein presenciou dois desastres climáticos. A perspectiva da vitória do político republicano lhe fazia mal, só de pensar no aumento do nível do mar e no quanto muitas pessoas, em especial as mais pobres, seriam impactadas por um negacionista climático. 

Trump pratica uma forma de roubo e violência, classificada pelo escritor Rob Nixon como uma “violência lenta” ao priorizar seus lucros em detrimento do futuro de um planeta mais sustentável e limpo para as próximas gerações. É como se as crianças do futuro tivessem o direito de ter um lugar para viver sendo roubado dia após dia, diante de nossos olhos.

Vemos, todos os dias, espécies sendo extintas e cientistas alertando sobre o futuro perigoso que se aproxima. Por essas e outras, apenas apontar as incoerências e boçalidades de Trump não é o suficiente para vencê-lo.

O usurpador supremo

Muito se busca analisar a eleição de 2016, quando Donald Trump foi eleito presidente. Klein afirma com veemência que chegou a hora de olhar para frente, não para trás. 

Ela se sente cansada por ter perdido amigos ao acompanhar as redes sociais em meio à campanha presidencial de então. E sente dificuldades em perdoar pessoas que tomaram atitudes como a do economista liberal Paul Krugman. 

Ele escreveu importantes textos no New York Times sobre desigualdade econômica e fraudes bancárias, mas atacou muito o candidato democrata Bernie Sanders, que era o único com chances reais de derrotar Trump. 

Trump usurpa não só o poder, mas a vida particular de pessoas que já não conseguem manter o mesmo diálogo com outros que apoiaram suas insanidades. 

A política odeia o vácuo

Houve muitas conferências sobre temas de interesse público realizadas em Mar-a-lago e tweets, no mínimo, mal-educados, na presidência de Donald Trump desde seus primeiros dias. 

E também houve reuniões entre ele e sindicalistas que saíram de sua sala sentindo-se com um incrível respeito, segundo suas palavras. Outros trabalhadores comuns ainda consideraram seu discurso de posse como um grande momento para eles. 

Os mais esclarecidos não sabiam onde enfiar a cara, mas o fato é que não há vácuo na política. Eles sempre serão ocupados. Por populistas, bufões e ineptos como Trump? Pode ser. E foi isso que aconteceu nos Estados Unidos, quando os anos Obama geraram um vácuo sucessório, ocupado pelo que há de pior na política mundial, com o discurso de outsider mais forte do que nunca. 

Aprender a amar o populismo econômico

Naomi Klein alerta que Bernie Sanders foi o único candidato à presidência dos Estados Unidos que apoiou abertamente, pois nunca sentiu conforto em declarar seu voto em eleições anteriores. 

Em 2016 foi diferente, já que ele era o único candidato do Partido Democrata que atacava a desigualdade com bons argumentos e um plano de governo pertinente. 

O autointitulado socialista democrático chegou a vencer Hillary Clinton em alguns dos principais estados norte-americanos, mas quem ao fim foi a candidata do partido era uma política vista por muitos eleitores como representante do status quo. 

Bernie é tido por Naomi Klein como o candidato ideal para vencer Trump, ainda que muitos o intitulassem como um populista econômico por sua política de diminuição da desigualdade. Suas políticas poderiam ter controlado o abuso de poder dos bancos e tornado a educação mais universal naquele país. 

E o modelo de Trump governar ludibria a democracia por dentro. Não são à toa os diversos lançamentos de livros mostrando o quanto políticos como o presidente norte-americano implodem todo o sistema vigente. 

O maior perigo é saber que ele tem políticos ao redor do mundo copiando-o e tendo-o como inspiração, como um vírus se espalhando pelo planeta. 

Quando não bastou dizer não

Somente dizer não às táticas de choque trumpistas pode não ser o suficiente para derrotá-las. É possível estudar o quanto, ao longo da história, diversas greves e crises foram confrontadas com cartazes e reivindicações de que determinadas classes não pagariam o pato sozinhas. 

Mas isso não é o suficiente. Propor alternativas é fundamental no debate político. Caso contrário, a ausência de ideias faz com que um único discurso chegue aos ouvidos dos eleitores, que definem tudo isso, muitas vezes por atitudes passionais e sem estudo aprofundado. 

Negar Trump não é o suficiente: há a necessidade cada vez mais urgente de mostrar outros caminhos para tirá-lo do poder e reduzir seu poder destrutivo. 

Porque pequenos passos não são o suficiente

O sentimento geral dos trabalhadores norte-americanos é de que há muitos sacrifícios de há muito tempo. Foi a partir daí que Trump se aproveitou para criar um sentimento de que as gestões anteriores distribuiram muitas benesses em prol de quem não merecia, segundo sua forma tortuosa de pensar.

Todos nós temos direito a um trabalho decente, inclusive os imigrantes e os que não têm a mesma origem, cor da pele, religião ou orientação sexual que as de nossa preferência. Mas, no calor do momento de quem teve a condição de vida prejudicada por questões externas, é difícil de racionalizar. 

Por isso, os pequenos passos dados como políticas de enfrentamento não serão o suficiente para reverter o cenário de filme de terror ao redor do mundo, com um dos grandes representantes nos Estados Unidos. É mais do que necessário andarmos juntos, na mesma direção. 

Notas finais 

Se a ascensão ao poder de figuras que ignoram a ciência, o intelecto e a realidade dos fatos te assusta, o livro de Naomi Klein traz um pouco mais de realismo aos que ainda acreditam em soluções mágicas para problemas políticos globais. 

É uma leitura fundamental para recolocar o mundo nos eixos e nos afastar das narrativas fictícias, demagógicas e sem pé nem cabeça, propondo soluções complexas e imediatas. 

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Quem escreveu o livro?

Naomi Klein é um premiado jornalista, colunista, documentarista e autor dos best-sellers internacionais No Logo: Taking Aim nas intimidações Brand, The Shock Doctrine: The Rise of capitalismo do desastre e isso muda tudo: Capitalismo contra o Clima. Ela é correspondente sênior para a intercepção e sua escrita aparece amplamente em publicações como The New York Times, Le Monde, The Guardian e The Nation, onde ela é um editor contribuinte. Klein é um membro do conselho de administração para 350.org grupo clima de aç... (Leia mais)