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Hackeando Darwin

Hackeando Darwin  Resumo
Ciência

Este microbook é uma resenha crítica da obra: Hacking Darwin: Genetic Engineering and the future of humanity

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 978-14-926-7009-4

Também disponível em audiobook

Resumo

A humanidade evoluiu por meio da seleção natural e características hereditárias

Ao combater as moscas em sua cozinha parece difícil acreditar que essas criaturinhas irritantes sejam, de algum modo, nossas parentes, não é mesmo? Na verdade, há 700 milhões de anos, um ancestral comum a humanos e moscas-das-frutas vagava pelo planeta.

Se você tivesse contado isso a alguém há 200 anos, teria sido chamado de herege. Naquela época, a maioria das pessoas acreditava que os seres humanos foram magicamente colocados na Terra por Deus, com todas as outras criaturas.

Essa suposição foi contestada quando Charles Darwin publicou a clássica obra “A origem das espécies”, em 1859. Com base em anos de pesquisas meticulosas em suas viagens ao redor do mundo, o naturalista britânico postulou que toda a vida na Terra é interdependente.

Pequenas características herdadas permitiram a populações competirem para sobreviverem e se reproduzirem em um processo chamado de “seleção natural”. Em outras palavras, as espécies mais adaptadas evoluíram e se reproduziram.

Atualmente, a maioria dos cientistas concorda que os primeiros organismos unicelulares surgiram há 3,8 bilhões de anos. Cerca de 540 milhões de anos atrás, as mutações entre os organismos se aceleraram, gerando diversos ecossistemas de plantas e animais.

A nossa espécie, o Homo sapiens, surgiu há cerca de 300 mil anos. As características humanas têm sido tão vantajosas que sobrevivemos e nos multiplicamos por todo o planeta.

Nesse processo, vencemos outras espécies, como nossos “primos” Neandertais, que foram extintos. Darwin entendeu o quadro geral da evolução. Mas, foi um de seus contemporâneos quem deu os primeiros passos para compreender como a nossa herança biológica realmente funciona.

Ao estudar as características transmitidas aos descendentes de mais de 10 mil pés de ervilhas, o frade agostiniano Gregor Mendel descobriu que as propriedades de uma planta são formadas por pares de genes herdados de cada planta-mãe.

Mendel constatou que as características individuais são transmitidas independentemente de outros fatores. Nos casos em que 2 genes em um par são diferentes, um deles sempre será o dominante.

Isso significa que os genes de uma prole são herdados como unidades distintas, em vez de, como se pensava, serem uma mistura perfeita da composição genética de seus pais. Articuladas, a teoria da evolução de Darwin e a genética de Mendel mudaram os paradigmas da biologia.

A biologia é uma nova forma de Tecnologia da Informação (TI)

A teoria da evolução darwiniana e a genética mendeliana deram início a uma era sem precedentes de progresso biotécnico. No cerne desses avanços residem os conhecimentos atuais sobre genética.

Em suma, o nosso código genético é composto por pares de moléculas de DNA, empilhados em uma sequência que forma uma espécie de “dupla hélice”. Há 4 tipos de nucleotídeos (ou moléculas de DNA), comumente conhecidas por sua primeira letra: G, A, T ou C.

Cada par de nucleotídeo contém uma molécula herdada da mãe e outra do pai. A sequência na qual elas são unidas constitui unidades singulares de códigos genéticos, conhecidos como “genes”.

Normalmente formados por conjuntos de 23 pares de bases (ou pares de nucleotídeos), os genes contêm instruções para que nossas células produzam proteínas – os blocos de construção do corpo humano.

Essas diretrizes determinam tudo, desde a cor de nossos olhos até como a pele será produzida. No total, os seres humanos contam com cerca de 21 mil genes e 3,2 bilhões de pares de bases.

Com a descoberta do código genético, os cientistas decifraram a linguagem da vida. No entanto, não sabiam como lê-la. Isso durou até meados da década de 1970, quando Frederick Sanger e Alan Coulson encontraram uma maneira de sequenciar o genoma de uma célula.

Os avanços na automação desse processo plantaram a semente para um projeto mais ambicioso. Lançado em 1990, o Projeto Genoma Humano representou um esforço internacional, ao custo de US$ 2,7 bilhões, para sequenciar o primeiro genoma humano.

Quando, 13 anos depois, o projeto foi concluído, esforços privados também impulsionaram o campo do sequenciamento do genoma. Desde então, a tecnologia não apenas evoluiu, mas também se tornou muito mais barata.

O custo de sequenciar um genoma humano completo caiu de US$ 100 milhões em 2001 para US$ 700 hoje em dia.

Com a iniciativa privada e a liderança governamental para a coleta de dados, como o projeto 100.000 Genomas, na Inglaterra, ou o recente lançamento do “All of Us”, nos Estados Unidos, nosso autor prevê que 2 bilhões de genomas humanos serão sequenciados nos próximos 10 anos.

Isso significa que os cientistas têm outro desafio em mão: conferir sentido a todos esses dados. Algumas características, como a cor dos olhos ou certas doenças, que são expressas em mutações de um único gene, se tornaram relativamente fáceis de identificar.

Entretanto, na maior parte, o genoma humano funciona de maneiras complexas que ainda não entendemos completamente. É nesse ponto que entram a Inteligência Artificial (IA) e as análises de big data.

Nos últimos 2 anos, desenvolvimentos revolucionários em ambos os campos permitiram que os cientistas aplicassem essas ferramentas à genômica. Entre outros esforços, o Google e a empresa chinesa WuXi NextCODE lançaram tecnologias de sequenciamento baseadas em IA.

Esses bancos de dados sintetizam informações genômicas e executam algoritmos para analisar padrões. A esperança é identificar genes específicos, aprofundando nossa compreensão, isto é, estamos começando a entender nosso código genético como uma espécie de tecnologia da informação.

Agora que chegamos à metade da leitura, vamos nos aprofundar em dois elementos fundamentais para a reflexão de Metzl: a aplicabilidade da Bioética para assegurar igualdade e diversidade e, ainda, a importância de legislações, marcos regulatórios e, sobretudo, educação pública sobre engenharia genética.

Bioética: diversidade e igualdade

A adoção universal da seleção de embriões levará a uma cultura homogênea? Será que os aprimoramentos genéticos resultarão em novas hierarquias de classes? Como trataremos os pais que decidirem não se envolver na engenharia genética?

Essas são apenas algumas das questões éticas que deveremos enfrentar, à medida que avançamos na “era genética”. Uma das preocupações mais urgentes sobre as tecnologias reprodutivas é a diversidade.

O futuro da humanidade dependerá da diversidade para a sua sobrevivência, assim como para toda a nossa evolução. Alterações genéticas que mudam a orientação sexual ou a cor da pele para se ajustarem a certos preconceitos sociais seriam devastadoras.

Isso se torna ainda mais inquietante quando nos damos conta de que não é possível prever quais serão as demandas de nosso mundo futuro. Assim, interferir em processos evolutivos poderia matar acidentalmente a nossa espécie.

Garantir que não sejamos uma monocultura exigirá que trabalhemos com afinco para celebrar a diversidade no mundo presente, desde as nossas diferentes cores de pele aos mais distintos tipos de personalidade.

Do mesmo modo, para evitar a desigualdade fomentada pela engenharia genética, precisamos abordar as questões da desigualdade nas sociedades contemporâneas. Não é difícil imaginar que o indivíduo geneticamente aprimorado será favorecido pelos empregadores e, até mesmo, terá melhores chances de sobrevivência.

Os pais que podem pagar não medem esforços para assegurar que seus filhos aproveitem as oportunidades da vida. Em um cenário de pesadelo, previsto por Metzl, os governos poderiam criar uma casta sobre-humana para governar uma classe de servos.

Não há dúvidas de que a desigualdade entre os geneticamente aprimorados e aqueles que não o forem deverá preocupar a todos os humanistas. Mas, já vivemos em um mundo de imensa desigualdade, não é mesmo? Em alguns casos, isso já criou desigualdade genética.

Estudos citados pelo autor demonstram que, na República Centro-Africana, a desnutrição gerou crianças com habilidades cognitivas inferiores em comparação com as mesmas faixas etárias em outros países. As soluções para a desigualdade genética dependerão de como já lidamos com essa questão.

Educação pública e regulamentação das tecnologias reprodutivas

As preocupações éticas são potenciais armadilhas da engenharia genética. Terroristas também podem utilizar a edição de genes para criar patógenos nocivos, a fim de empregá-los como armas.

A introdução de organismos geneticamente alterados pode, mesmo não intencionalmente, destruir ecossistemas inteiros. Portanto, Metzl defende a criação de instituições nacionais e internacionais para elaborar uma regulamentação adequada para o tema.

Segundo o nosso autor, muitas pessoas argumentarão que a criação de uma infraestrutura global em torno da genética não é uma preocupação urgente. Porém, basta olhar para nossas tentativas anteriores de criar organismos internacionais para regulamentar tecnologias potencialmente devastadoras.

Ratificado em 1970, o “Tratado de Não Proliferação de armas nucleares (TNP)” evitou uma crise nuclear em escala global, embora tenha falhado em evitar que os Estados Unidos e a Rússia possuíssem armas nucleares.

O TNP não foi o suficiente, também, para impedir que países como Israel ou Coreia do Norte as adquirissem. A constituição de legislações internacionais tende a ser um processo caótico e conflituoso.

Além da regulamentação, o futuro da humanidade dependerá da educação pública, para que os cidadãos possam desenvolver opiniões informadas acerca dessas tecnologias.

Cada país deverá elaborar um programa de ensino público que trate do assunto, bem como uma comissão de bioética e seu próprio marco regulatório. Na Inglaterra, a Autoridade de Embriologia e Fertilização Humana do Ministério da Saúde está definindo o padrão de como as novas tecnologias reprodutivas podem ser melhor regulamentadas.

A educação pública sobre tecnologias reprodutivas avançadas resultou em maior aprovação da seleção e engenharia genética entre a população britânica. Até mesmo as intervenções genéticas para o aprimoramento de capacidades (como aumento da inteligência) têm uma taxa de aprovação de 40%.

Não obstante a criação de um órgão regulador internacional seja complicada, a consolidação de uma estrutura que fomente um diálogo global pode ser algo relativamente simples.

É imprescindível criar uma comissão formada por cientistas, intelectuais e líderes religiosos para responder a questões cruciais, que vão desde o tratamento de doenças até a reprodução humana.

Até lá, não precisamos esperar que os agentes políticos, nacionais ou internacionais, decidam entrar em ação. Caberá a cada um educar a si próprio, tanto quanto nossos colegas e comunidades, a respeito do futuro genético da espécie humana.

Notas finais

À medida que a inteligência artificial e as análises de big data levam a descobertas sobre o genoma humano, nossa maior capacidade de usar tecnologias reprodutivas avançadas para curar doenças viabilizará uma nova era de triagens, alterações e escritas de códigos genéticos.

O instinto de proteger a prole e a competitividade internacional serão os elementos que, segundo o autor, promoverão a adoção universal dessas tecnologias. Caberá aos indivíduos, às nações e à comunidade internacional criar órgãos educacionais e reguladores, visando garantir que a revolução genética leve o mundo a um futuro mais brilhante.

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Quem escreveu o livro?

É doutor em História Asiática, pela Universidade de Oxford, e em Direito, pela prestigiosa Universidade... (Leia mais)