Freakonomics

Stephen J. Dubner Também disponível em audiobook: Baixe nosso app para ouvir gratuitamente.

Freakonomics é uma colaboração dos autores Steven Levitt e Stephen J. Dubner, jornalistas e ganhadores de inúmeros prêmios. Nele, os autores buscam encontrar respostas simples para os questionamentos difíceis do mundo. Freakonomics tenta decifrar os eventos do dia a dia, usando a perspectiva econômica, explorando diversos acontecimentos, como a vida dos traficantes de drogas, a verdade sobre os corretores imobiliários e a influência da criação dos pais no futuro dos filhos. Contando diferentes histórias com um olhar irônico, os autores Levitt e Dubner apresentam a economia das situações.

Os autores mostram, através do estudo dos incentivos, como a economia influencia a maneira como as pessoas conseguem o que querem. Exploram também o lado secreto das coisas e, além disso, questionam a validade de diversas sabedorias populares, apresentando uma perspectiva valiosa e diferente, utilizando dados concretos.

Freakonomics apresenta uma premissa nada convencional: se a moralidade mostra como o mundo deveria funcionar, a economia mostra como ele realmente funciona. Freakonomics vai redefinir como você enxerga o mundo moderno e te fazer questionar diversas suposições comuns no mundo. Por que as pessoas trapaceiam? Seu nome influencia em seu sucesso? Como a legalização do aborto influencia a taxa de criminalidade de um país? Esse livro busca trazer as respostas dessas perguntas de uma maneira jamais vista, te ajudando também a pensar em outros questionamentos da humanidade por uma outra perspectiva.

Entenda o poder dos incentivos

Pessoas trapaceiam o tempo todo, mesmo aquelas que dizem não trapacear. Pessoas de todas as culturas e de todos os tipos, que são normalmente honestas, recorrerão à trapaça para progredir em suas carreiras ou ganhar mais dinheiro, se o incentivo para trapacear for grande. Coisas aparentemente bobas, como furar uma fila ou roubar um ponto em um jogo de vôlei por exemplo podem ser recorrentes, se os incentivos colaborarem com a trapaça.

Economistas acreditam no poder dos incentivos. De fato, a economia se baseia no estudo dos incentivos. Um incentivo é qualquer coisa que induz uma pessoa a fazer uma tarefa ou tomar uma atitude. Economistas acreditam que todos os problemas econômicos podem ser resolvidos através desses incentivos. Mas eles irão também te dizer que a solução pode não agradar a todos. Por exemplo, uma solução comum para o estacionamento ilegal nas ruas é dar multas de trânsito. Essas multas de trânsito não são nada populares, mas resolvem o problema dando um incentivo para que os motoristas não estacionem ilegalmente. Então, um incentivo pode existir de diversas maneiras, nem todas elas positivas.

Contudo, assim como o incentivo correto pode fazer com que as pessoas obedeçam às regras, o incentivo errado pode encorajá-las a trapacear. Por exemplo, nos Estados Unidos, exames escolares padronizados se tornaram uma prática comum nas escolas públicas. Com o objetivo de promover a melhora na educação, um concurso chamado ‘No Child Left Behind’ (Nenhuma criança é esquecida) premia as escolas que melhoram seus resultados nos exames escolares e penaliza as escolas que alcançaram resultados piores. Por existir um benefício tangível ao alcançar bons resultados nos testes e (talvez ainda mais importante) uma óbvia desvantagem em ter resultados ruins, há um grande incentivo para que os professores trapaceiem.

Alguns professores podem se sentir tentados a substituir as respostas erradas pelas respostas certas de seus alunos e, assim, suas escolas teriam melhores resultados. O incentivo em ter resultados bons e evitar os ruins pode superar o medo de fazer uma coisa errada ou o risco de ser pego fazendo.

Examine o que a sabedoria popular diz

Quando você imagina um traficante de drogas, você pode pensar em uma pessoa armada, que tem acesso a uma grande quantidade de dinheiro. Se eles têm tanto dinheiro assim, então porque a maioria dos traficantes ainda mora com a mãe? Você só acredita que os traficantes de drogas vivem vidas perigosas e rodeados por dinheiro porque você absorveu essa informação da sabedoria popular.

A sabedoria popular é geralmente uma crença, opinião ou julgamento sobre uma certa questão, já aceita pela sociedade. O problema é que, uma vez reconhecido um conhecimento como sabedoria popular, é muito difícil corrigi-lo, mesmo que sua premissa seja falsa. Comportamentos sociais e econômicos são complexos e sua compreensão pode ser complicada. Por isso, as pessoas se apegam a essas ideias que já são comuns na sociedade.

A sabedoria popular é normalmente introduzida por líderes pensadores ou especialistas de um determinado setor, mas esses especialistas muitas vezes fazem suas observações e suposições sem nem checar os fatos. Suas conclusões, então, são passadas para outros especialistas, que dão credibilidade ao argumento.

A resposta de porque um típico traficante de drogas ainda vive com sua mãe foi descoberta por Sudhir Venkatesh, que passou seis anos com uma gangue em Chicago, estudando seus hábitos. Ele descobriu que a razão pela qual a maioria dos vendedores de drogas ainda moravam com suas mães era simplesmente porque eles não ganhavam dinheiro suficiente. O traficante de crack iniciante na gangue estudada por Venkatesh, ganhava apenas $3.30 por hora, o que é insuficiente para seu sustento. Então por que eles continuam neste trabalho difícil e perigoso? A causa claramente não é financeira.

Gangues de drogas são como empresas: possuem um formato organizacional semelhante à uma pirâmide, baseada em uma hierarquia. As pessoas da gangue na base (os trabalhadores de rua) têm a difícil tarefa de vender as drogas e participar das guerras de gangues, na esperança de que um dia subam para o topo da pirâmide, onde existem grandes recompensas.

Então a realidade é que, ao contrário do que a crença popular diz, traficantes de drogas não ganham muito dinheiro. Isso mostra que o que a maioria das pessoas acredita ser a verdade pode nem sempre ser o caso.

Entendendo a queda na criminalidade

A criminalidade caiu de maneira significativa nos anos 90. Diversos fatores podem estar associados à essa queda, incluindo um aumento da quantidade de policiais, um aumento nas penas para criminosos e uma mudança no mercado de drogas. Mas, e quanto ao aborto? A legalização do aborto poderia ser um fator contribuinte para essa queda?

Nicolae Ceausescu se tornou ditador na Romênia em 1966. Um ano depois, ele decretou o aborto ilegal. Ele pensou que poderia tornar a Romênia mais forte aumentando a população do país. As únicas mulheres que tinham permissão para abortar eram aquelas que já possuíam quatro filhos e aquelas que possuíam uma posição significativa no Partido Comunista. A pressão sobre as mulheres era tão intensa que os agentes do governo as obrigavam a fazer testes de gravidez no trabalho. Mulheres que não engravidavam eram forçadas a pagar um imposto de celibato.

Dentro de um ano, a natalidade na Romênia dobrou. Sob o regime ditatorial de Nicolae Ceausescu, as pessoas comuns da Romênia viviam uma vida miserável. Entretanto, as consequências eram piores para as crianças nascidas após a proibição do aborto: elas se saíam piores do que aquelas nascidas até um ano antes, incluindo seus rendimentos escolares e o sucesso no trabalho. Depois que o aborto se tornou ilegal na Romênia, mais crianças nasceram na pobreza e estavam, portanto, mais propensas a se envolverem em atividades criminosas.

Então, se a proibição do aborto pode levar à maior criminalidade, não é difícil aplicar a mesma lógica para explicar porque a criminalidade está diminuindo nos Estados Unidos. É possível que a causa seja por haver um número menor de crianças indesejadas. Já que nos EUA a mulher tem acesso ao aborto, as crianças que nascem têm melhores perspectivas de vida e estão menos propensas a se envolverem com o crime por motivos econômicos.

Informações privilegiadas podem ser vantajosas

Corretores imobiliários ganham muito dinheiro à custa da assimetria informacional. Eles precisam utilizar informações privilegiadas para convencer seus clientes a comprarem ou venderem os imóveis. Considere por um momento que você quer vender sua casa. Vender uma casa não é uma transação de rotina e você pode não conhecer muito o funcionamento do mercado imobiliário. Um dos seus maiores problemas será o preço da casa. Se você coloca um preço muito baixo em sua casa, pode não conseguir o dinheiro que merece por ela. Mas se o seu preço está muito alto, sua casa pode não ser vendida. Então o que você faz?

Nesse cenário, sua melhor opção é entrar em contato com um corretor. Antes do surgimento da Internet, eles eram os únicos que possuíam informação sobre o mercado imobiliário. Portanto, estavam em uma boa posição para te aconselhar sobre o valor de sua casa no mercado atual. Entretanto, eles poderiam também manipular essa informação a favor deles, para fazer com que seus clientes tivessem medo de perder uma boa venda se demorassem a fazê-la. Entretanto, hoje em dia, por causa da Internet, compradores e vendedores de casas podem facilmente pesquisar sobre o mercado. Eles se tornaram clientes com muito mais conhecimento e o resultado é que o poder do corretor foi reduzido consideravelmente.

Da mesma maneira, as companhias de seguro de vida ganhavam muito dinheiro, antes da chegada da Internet. Antigamente, os clientes não tinham como saber se as companhias estavam oferecendo os melhores preços ou as melhores apólices. Por isso, o custo do seguro de vida era altíssimo. Quando a Internet começou a oferecer comparações entre apólices, os clientes foram capazes de encontrar apólices mais baratas rapidamente. Isso aumentou a competição entre as companhias de seguro, o que fez com que os preços diminuíssem para o consumidor.

Vemos então que o poder e a influência das companhias de seguro ou das imobiliárias dependem de informação exclusiva. Quando a exclusividade não existe mais, o poder delas reduz ou desaparece.

O que é importante na criação dos filhos

Compare a história de duas crianças. Uma delas é um garoto branco e a outra um garoto negro. Os pais do garoto branco possuem alta escolaridade e o pai tem um bom emprego na indústria. A mãe dele é dona de casa e possui um diploma universitário. O garoto vive uma vida feliz e se sai bem no colégio.

A mãe do garoto negro o abandonou quando ele tinha dois anos. Seu pai tem um bom emprego no varejo, mas bebe muito e, frequentemente, bate no garoto quando está bêbado. Um dia o garoto vê seu pai batendo em uma mulher. Ela apanha tanto que perde alguns de seus dentes. O garoto não vai bem no colégio, começa a vender drogas e se envolve em diversos problemas. Mas ele faz questão de estar deitado em sua cama antes que seu pai chegue em casa do trabalho e que saia de casa antes que seu pai acorde pela manhã. Eventualmente, seu pai é preso por agressão sexual. Com doze anos, o garoto precisa se sustentar.

O que você acha que irá acontecer com esses dois garotos? Como o futuro deles será? As crianças de pais bem-sucedidos, educados e saudáveis se saem melhor na escola. Não importa se a criança foi a museus, ficava de castigo quando fazia alguma coisa errada ou se tinha uma televisão.

Isso não significa que a criação não é importante, mas o fato é que, quando os pais finalmente aprendem o que é bom para seus filhos, já é tarde demais. Como a criança vai se sair no futuro depende de fatores decididos muitos anos antes, como a sua identidade, a pessoa com a qual você se casará e o tipo de vida que você tem. Pessoas espertas, educadas, trabalhadoras e bem pagas que se casam com pessoas assim também, são mais propensas a terem filhos bem-sucedidos. Ser honesto, amável e curioso, também ajuda. Então, para que seus filhos tenham sucesso, não depende muito do que você faz quando é pai e sim o que você é.

O sucesso não depende do seu nome

No ano de 1958, um morador de Nova York chamado Robert Lane teve um filho. Ele decidiu chamar seu filho de “Winner” (Vencedor). Três anos depois, ele teve outro filho e o chamou de “Loser” (Perdedor). O que você acha que aconteceu com os garotos?

Loser Lane alcançou o sucesso em sua vida. Ele frequentou uma escola preparatória com uma bolsa de estudos, foi para a Universidade Lafayette da Pensilvânia e depois se juntou à força policial de Nova York. Ele foi promovido a detetive e eventualmente a sargento. Seu irmão mais velho, Winner, também se destacou, mas da maneira errada. A única coisa que ele conquistou foi uma longa ficha criminal.

Então surge a questão: o nome de uma criança influencia em seu eventual sucesso econômico? A resposta é “não”. O nome de uma criança não influencia em como eles se sairão no futuro. Todos os pais querem acreditar que estão fazendo a diferença na vida de seus filhos. Se não, porque se incomodar em criar seus filhos da maneira certa? E é verdade que a maioria dos pais dará um nome a seus filhos pensando no sucesso que irão alcançar futuramente.

Observe que existe também um efeito aleatório que influencia tanto os melhores quanto os piores pais. Como resultado, existem pais devotos e inteligentes que possuem filhos que não são bem-sucedidos, assim como existem crianças bem-sucedidas independentemente dos hábitos e intenções terríveis de seus pais (como nomear seu filho de “Loser” por exemplo).

Para demonstrar isso, vamos voltar um pouco. Você lembra dos dois garotos da sessão anterior? Esses garotos tiveram começos bem diferentes de vida. O garoto negro é Roland G. Fryer Jr, um economista famoso, enquanto o garoto branco é Ted Kaczynski, o assassino em série conhecido como “Unabomber”. Olhando para a educação deles, certamente não teríamos previsto isso.

Notas finais

Freakonomics questiona as respostas comuns e traz respostas inusitadas. Provou-se, por exemplo, que os professores trapaceiam quando os incentivos superam os riscos de serem pegos. Antes da chegada da Internet, as companhias de seguro e os corretores imobiliários eram ambos muito bem-sucedidos porque possuíam informações que mais ninguém tinha. E que, ao contrário do que se pensava, os traficantes de drogas não ganham muito dinheiro e vivem vidas miseráveis. O direito ao aborto fez com que a criminalidade caísse porque as mães possuíam a escolha sobre quando ter ou não um bebê e crianças nasceram com padrões de vida melhores. Falando sobre a criação de filhos, é mais importante o que os pais são do que o que eles fazem.

Levitt e Dubner demonstraram que os dados são importantes, que os incentivos guiam a sociedade moderna e que a sabedoria comum pode não ser tão comum assim – a sabedoria popular que as pessoas absorvem muitas vezes não tem base nenhuma. Eles também argumentam que os princípios econômicos podem ser aplicados para problemas cotidianos. Freakonomics apresenta diversas pérolas de sabedoria, proporcionando uma nova visão e compreensão dos problemas diários.

Dica do 12': Gostou deste microbook? Então confere lá todos os títulos que temos na nossa categoria de Economia! ;)

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