Faça Acontecer

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Trinta anos após as mulheres terem se tornado mais de 50% da população acadêmica nos Estados Unidos, os homens ainda ocupam a vasta maioria das posições de liderança, tanto nos setores públicos quanto privados. Isso significa que as vozes femininas ainda não estão sendo ouvidas de forma igualitária nas decisões que afetam nossas vidas. Em Lean In (em português Faça Acontecer) Sheryl Sandberg, a mulher mais poderosa do Facebook e uma das 50 mulheres mais poderosas do mundo, de acordo com a revista Forbes, explora os principais motivos pelos quais essa distorção ainda ocorre e oferece dicas práticas para mulheres que querem usar todo o seu potencial e conquistar o mundo.

Muito a conquistar

Vivemos um momento interessante, no qual as mulheres têm o maior nível de expressão que já houve na história, em grande parte graças ao movimento feminista dos anos 60 e 70. Por outro lado, por parecer que a luta pela igualdade foi vencida, o progresso vem ocorrendo e as coisas seguem evoluindo, mas em velocidade é lenta. As mulheres não podem se acomodar, afinal, ainda há muito a se fazer. A desigualdade de gêneros ainda existe em diversas esferas da sociedade, principalmente quando se trata de carreira e trabalho. Em 2010, nos Estados Unidos, uma profissional do sexo feminino ganhava 77 centavos de dólar para cada dólar recebido por um colega do sexo masculino. Essa desigualdade é um problema global e que ocorre em todo o mundo, não apenas nos Estados Unidos. Na Europa, por exemplo a diferença é um pouco menor, são 84 centavos para cada dólar, mas ainda assim demonstra um alto nível de desigualdade. O ponto financeiro é o mais óbvio e prova que ainda existe muito a ser conquistado, mas precisamos ir além dele. No ambiente de trabalho, por exemplo, Sheryl cita que diversos estudos mostram que o desempenho das mulheres também é injustamente avaliado. Sabe o que é o mais curioso? É que a discriminação ocorre tanto por homens quanto por mulheres. Sheryl cita como exemplo um estudo, cujo objetivo era pedir para participantes avaliarem a performance e o potencial de crescimento de funcionários que tinham performances idênticas. Nesse estudo, tanto os homens quanto as mulheres avaliaram as mulheres de maneira pior que os seus colegas do sexo oposto. Você deve estar se perguntando: isso deve acontecer só com pessoas ignorantes, com baixa educação e misóginos, certo? A maioria das pessoas pensa que, se as pessoas avaliadoras fossem bem informadas e educadas, o resultado sempre seria justo, mas isso não é verdade. No estudo, inclusive, quanto mais a pessoa alegava ser imparcial e não discriminar o sexo oposto, maiores eram as discrepâncias da avaliação entre os sexos, sempre beneficiando o indivíduo do sexo masculino. Muitas vezes imaginamos que a mundo masculino discrimina as mulheres, mas na verdade as mulheres também se sabotam. Ambos os sexos têm uma percepção de menor valor do sexo feminino e é preciso que estejamos atentos a estas questões, já que esse sexismo velado existe e afeta nossas vidas. Essa desigualdade escondida também existe no ambiente familiar e nos relacionamentos, onde muitas vezes se espera que a mulher protele sua carreira para cuidar dos filhos. Um estudo fez a pergunta "Você espera que seu marido/esposa abandone sua carreira para criar seus filhos?". Os resultados são emblemáticos. 46% dos homens esperam que sua esposa abandone sua carreira para cuidar dos filhos, enquanto apenas 5% das mulheres esperavam isso dos seus maridos. As mulheres ainda enfrentam assédios sexuais e discriminação direta. Shreyl afirma: "Nós devemos ser gratas às mulheres que lutaram para mudar isso antes de nós, pelos direitos que agora temos, mas ainda há muito a ser feito."

Nós precisamos que você lidere!

A desigualdade de gêneros é ainda mais evidente nas posições de liderança. Nos Estados Unidos, apenas 4% dos CEOs das 500 maiores empresas são mulheres. Estes números surpreendem ainda mais, pois, no mundo acadêmico, as mulheres, em média, saem-se melhor do que os homens, completando 60% dos mestrados nos Estados Unidos. Como essa multidão de mulheres profissionais capazes não chega aos cargos de liderança? Essa é a pergunta que Sheryl explica: existem vários fatores que levam a isso, mas o principal deles é controlável por nós. A falta de ambição por liderança. Homens são mais ambiciosos para se tornarem líderes do que as mulheres, afirma Sheryl. O motivo disso é que os estereótipos de gênero também atuam no sexismo velado. A sociedade não espera que as mulheres priorizem sua carreira ou sejam ambiciosas e rotula as que fazem isso como megeras, entre outras coisas. Estes estereótipos são reforçados durante toda a vida para toda a sociedade, desde a infância, acabando por limitar as perspectivas de cada gênero. Enquanto a maioria dos homens supõem que podem ter vidas profissionais bem-sucedidas e atingir posições de liderança, sobre as mulheres existe a pressão de ter que fazer uma escolha entre cuidar da família ou da carreira. Esse modelo mental da sociedade faz com que muitas mulheres se sintam responsáveis por ficar em casa e cuidar da família e colocar sua carreira de lado. Muitas vezes, elas começam suas carreiras, conseguem um emprego, mas posteriormente o abandonam para cuidar dos filhos e ficar em casa. Isso explica como a falta de ambição por liderança faz com que os homens continuem no poder.

Igualdade tem que estar em pauta

Com todos os fatos apontados por Sheryl e nossa realidade do dia a dia, fica claro que existe desigualdade de gêneros. E por isso, é necessário que o assunto seja cada vez mais abordado, para que essa desigualdade seja reduzida. Não é uma questão de exigência de um tratamento especial para as mulheres, mas sim de engajar as pessoas a se envolverem com a causa e buscar soluções. Quando a conversa ocorre, mais mulheres se inspiram em liderar a mudança e mais homens que compreendem o problema querem se tornar parte da solução dessa desigualdade. Fazer com que as pessoas conheçam e entendam o problema nos ajuda a canalizar mudanças, ainda que pequenas, no dia a dia. Ainda que você não consiga mudar o mundo, você consegue mudar sua casa, sua empresa e até mesmo sua rua. Por exemplo, saber que existem menos mulheres em posições de liderança, pode incentivar um gerente a selecionar mais candidatas para a próxima promoção da empresa. Outro ponto importante e que causa surpresa: muitas vezes, as mulheres não apoiam umas às outras e, para atingirmos um cenário com menos desigualdade, é preciso mudar isso. Um exemplo: se uma mulher consegue chegar a uma posição de liderança em uma empresa majoritariamente masculina, ela passa a se sentir ameaçada pelas demais mulheres e assim dificultar suas promoções. Esse é um tipo de comportamento que reforça o status atual de desigualdade. Outro exemplo: mães que ficam em casa e não têm empregos constantemente desencorajam emocionalmente mães que trabalham, deixando-as inseguras sobre sua carreira. A primeira mulher da Marinha a ser designada para um submarino era respeitada pelos marinheiros homens, mas as esposas dos marinheiros não a respeitavam e a invejavam. As mulheres não podem se dividir se querem conquistar a igualdade e a pauta da igualdade precisa ser cada vez mais discutida. Segundo um estudo de Harvard, ambientes igualitários aumentam a satisfação de todos os envolvidos, não só das mulheres.

Confie em você, garota

A falta de confiança é um obstáculo que muito atrapalha as mulheres em suas vidas. Mesmo as mais competentes podem sentir a chamada síndrome do impostor e sentir que suas habilidades não são suficientes para o sucesso. A própria Sheryl compartilha no livro que já passou por essa insegurança. Homens, por outro lado, são muito menos afetados por essa falta de autoconfiança. Diversos estudos provam que, enquanto as mulheres tendem a subestimar suas habilidades, os homens tendem a superestimar suas habilidades e se verem melhores do que realmente são. Outro ponto importante é que homens gostam de atribuir seu sucesso a suas habilidades e seus fracassos a fatores externos, enquanto as mulhers adotam a postura contrária. Elas atribuem seus sucessos a fatores externos e se culpam pelos seus fracassos. Essas distorções de percepção fazem com que a mulher fique insegura e se sabote sem perceber em entrevistas de emprego e no dia a dia. É preciso ter autoconfiança para poder conseguir se apresentar e se comunicar de acordo com o seu real valor. Uma mulher nunca deve abrir mão de oportunidades de carreira por se sentir desqualificada. E é preciso tomar a iniciativa e agarrar oportunidades interessantes, mesmo que você se considere uma impostora. O jeito mais fácil de desenvolver sua autoconfiança é treinar. Agir como se você fosse mais confiante. Comportar-se como se você fosse mais confiante. Isso faz com que você desenvolva sua confiança e assimile estes comportamentos. Se você lidera muitas mulheres e sabe que elas têm um menor nível de confiança, isso também pode inspirá-la a incentivá-las e dar apoio a suas carreiras. O jeito tradicional de pensar em carreiras, em que a pessoa entra como estagiário em uma grande empresa e dezenas de anos depois se torna um diretor ou vice-presidente não funciona mais. Carreira deixou de ser uma escalada e passou a se tornar uma jornada de experimentação. Não é necessário ter um objetivo exato e sim experimentar várias rotas para descobrir qual a levará na direção correta. Ter essa liberdade o ajuda a criar oportunidades, mas também é necessário sonhos de curto e longo prazos. Sheryl, por exemplo, conta que seu sonho de longo prazo era ter um trabalho que significasse muito para as pessoas e usou essa ideia como linha mestra para fazer suas escolhas. Para os objetivos de curto prazo, é necessário que você inclua metas e aprendizados para evolução constante. Outro ponto importante para planejar sua carreira é olhar se o ambiente onde você se encontra lhe dá potencial de crescimento. Ela ficou receosa quando Larry Page lhe ofereceu um emprego no então desconhecido Google. Ele disse a ela o seguinte: "Se lhe oferecem um assento em um foguete, você não pergunta qual é o destino, você simplesmente decola."

Sucesso ou carisma?

Estereótipos existem e ainda afetam a maneira como nosso cérebro processa informações. Ainda hoje, a sociedade espera que homens sejam decididos e diretos e as mulheres sejam sensíveis. Uma mulher bem sucedida rompe com seu estereótipo de gênero e isso faz com que ela enfrente resistências desnecessárias da sociedade. Homens competentes e ambiciosos são elogiados, enquanto essas mulheres são descritas pejorativamente. Para complicar ainda mais as coisas, tentar se encaixar em seu papel de gênero esperado também pode limitar a carreira de uma mulher. Para superar preconceitos de gênero, as mulheres também precisam adotar uma postura de negociação, sempre ressaltando suas habilidades, citando indicadores de salários e usando endosso dos seus superiores nas organizações. Quando Sheryl estava conversando com Mark Zuckerberg sobre aceitar uma proposta do Facebook, ela estava inclinada para aceitar a primeira oferta que recebeu. Seu marido sugeriu que ela fizesse uma contraproposta e ela fez. Ao final , ela fechou uma proposta muito mais lucrativa. Também é provado por estudos que para conseguir desenvolver suas carreiras, as mulheres devem se parecer "apropriadamente femininas", ou seja, agradáveis, carismáticas e sensíveis. Isso significa ter que cruzar um campo minado de salto alto. É um um paradoxo que seja necessário se encaixar no modelo tradicional da sociedade para conseguir trazer a mudança. Afinal, com cada vez mais mulheres liderando, esse tipo de comportamento será mais necessário no futuro. Sheryl conta que sempre se lembra do primeiro feedback recebido numa avaliação no Facebook, por Mark Zuckerberg. "Se você agrada a todos, não está fazendo progressos o suficiente".

Expresse-se com clareza e transparência

Comunicação honesta e transparente são essenciais para desenvolver uma carreira promissora. Ela fortalece as relações, permite a contestação de decisões não fundamentadas e ajuda as pessoas a abordar temas complicados. Muitas mulheres têm medo de falar o que pensam no trabalho, achando que isso faz com que sejam taxadas de negativas ou críticas. É papel do líder encorajar a autenticidade ao pedir feedbacks e sugestões, além de agradecer publicamente às pessoas que opinaram e se importaram com uma questão. Comunicação eficiente em qualquer ambiente significa encontrar o ponto de equilíbrio entre a autenticidade e a consideração pelos sentimentos de outras pessoas. Sheryl sugere que você seja delicadamente honesta, não brutalmente honesta. Não existe uma verdade absoluta, então, para se comunicar de forma eficaz,você deve primeiro tentar ver as coisas como o outro. Uma boa frase para se colocar na posição do outro seria: "Eu entendi que você está preocupada com isso porque você se sente..." Outra dica de comunicação é usar o "eu", para mostrar suas opiniões e desacordos: "Eu penso que nós deveríamos fazer dessa outra maneira...", e nunca "Você está errado".

Não peça para ser mentorada

Ter um mentor é uma boa ferramenta para desenvolver sua carreira. Sabe aquele diretor que te aconselha e endossa o seu trabalho? Mentores como esse são essenciais na carreira de qualquer profissional, independentemente do seu sexo. Porém, as mulheres têm mais dificuldades de encontrar mentores e muitas vezes estes têm a preocupação de que a sociedade interprete erroneamente a relação profissional. Pesquisas mostram que mentores escolhem seus mentorados com base no seu potencial futuro. Por isso, abordar um mentor de supetão não é exatamente uma boa ideia. Pedir para ser mentorada não é um boa ideia. Uma performance surpreendente pode definitivamente chamar a atenção de um potencial mentor, mas outra abordagem igualmente poderosa consiste em se aproximar dele com perguntas bem preparadas, específicas sobre um assunto, com uma boa periodicidade, visando um relacionamento contínuo. A mentoria é uma relação recíproca em que o mentor ganha também informações úteis, bem como o orgulho de ver o aprendiz crescer. O tempo e a experiência de seu mentor são valiosos, então não use seus momentos para reclamar ou apenas coletar informações sem dar algo em troca.

Igualdade começa em casa

Ter o apoio do parceiro é essencial se uma mulher visa desenvolver sua carreira concomitantemente à sua família. De acordo com dados recentes, em famílias americanas nas quais ambos os pais são empregados em tempo integral, a mãe ainda gasta 40% mais tempo cuidando dos filhos e 30% mais em tarefas domésticas do que o pai. Muitas vezes é a mãe quem empurra o pai para longe das responsabilidades relacionadas à criação dos filhos, criticando-o sempre que ele se aproxima da criança: "Você colocou a fralda errado!˜, "Não pode dar isso a ele!". O resultado final desse tipo de comportamento desencorajador é que o pai se torna menos envolvido e o trabalho fica para a mãe. Mães devem tratar pais como parceiros igualmente capazes e devem compartilhar responsabilidades, de modo que ambos tenham um papel claro na criação das crianças. Políticas governamentais também desencorajam o pai a participar igualitariamente em casa. Em todo o mundo, os períodos de licença-maternidade tendem a ser mais longos do que os de licença-paternidade. Além disso, homens que vão contra as expectativas sociais e optam por priorizar sua família acabam sendo involuntariamente penalizados pelas empresas. A igualdade em casa também contribui para relacionamentos mais felizes e para criar um exemplo para os filhos. É preciso contestar os mitos da sociedade tradicional em casa, mesmo que crie alguns conflitos a curto prazo, pois no longo prazo, a igualdade é o que importa e todos ficam mais felizes.

Quer ter uma família? Não deixe que ela nuble suas escolhas

Nossa sociedade ensina às mulheres, desde pequenas, que um dia elas vão precisar escolher entre ter uma carreira de sucesso ou ser uma boa mãe. Este padrão tem um efeito colateral devastador: muitas vezes as mulheres prejudicam as suas próprias carreiras preventivamente para abrir espaço para este equilíbrio. Imagine que você que receba uma ótima oferta de emprego. Como você planeja iniciar uma família em alguns anos, você não aceita a oportunidade ou espera, afinal os filhos vão demandar tempo. Escolhas como esta fazem com que até o nascimento do seu primeiro filho, a mãe esteja em uma posição profissional muito pior do que se ela tivesse aceitado as oportunidades que lhe apareceram. Esse tipo de escolha leva à estagnação. Por isso, nunca tome decisões sobre este tipo de oportunidade usando o modelo mental usado pela sociedade. Esqueça o estereótipo. Se você tem que fazer escolhas em relação a coisas como sua carreira e cuidar das crianças, seus resultados profissionais serão prejudicados. E, após a licença-maternidade, sua carreira pode estar tão prejudicada que você opte por abandoná-la. Equilibrar o seu trabalho e família é importante, mas deixar escapar oportunidades por esse motivo pode sacrificar sua carreira. Antes de ter seus filhos e sua licença-maternidade é o melhor momento para acelerar e trabalhar mais. Não freie antes da hora, acelere mais.

Foco no que importa

Você não vai conseguir fazer tudo. As mulheres podem ter uma maior preocupação e sentir que estão deixando coisas "na mesa", mas é importante ter equilíbrio e foco. Ainda que você seja uma executiva em uma grande empresa, é preciso que você estabeleça limites e trabalhe dentro deles. Existe uma pressão sobre as mães para que elas passem mais tempo com seus filhos e isso pode criar um sentimento de culpa nas mães que têm um emprego. Saber gerenciar esta culpa é tão importante quanto saber gerenciar o seu tempo, por isso é preciso que você saiba se concentrar nas coisas que está realmente fazendo e não nas que deixou de fazer. Priorize e foque no que é mais importante. Encontre tempo para ir a escola dos seus filhos, mas não se preocupe em arrumar as camas com perfeição. Encontre soluções que sejam sustentáveis a longo prazo, tanto em casa como no trabalho. Não existe receita para equilibrar uma vida pessoal significativa e uma carreira de sucesso, descubra o que funciona para você. Faça acontecer! Se fizermos isso, a próxima onda pode ser a última e no futuro não teremos mulheres líderes. Teremos apenas líderes.

Notas Finais

Mais do que nunca, o assunto igualdade de gêneros precisa de atenção. É preciso conversar sobre ele e trabalhar no dia a dia para alcançar a igualdade. Se você quer conciliar sua carreira, família e vida pessoal, vai precisar entender como funciona o sexismo velado e o que a sociedade espera de você. A partir disso, é possível romper com os modelos preestabelecidos e partir para a mudança da sua vida e também da sociedade como um todo.

Dica do 12':Que tal conferir uma linha do tempo das conquistas femininas que vai desde os primórdios até os dias atuais?

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