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Dostoiévski: um escritor em seu tempo

Dostoiévski: um escritor em seu tempo Resumo
Biografias & Memórias

Este microbook é uma resenha crítica da obra: Dostoevsky: a writer in his time

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 978-85-3593-130-3

Editora: Companhia das Letras

Também disponível em audiobook

Resumo

Quem foi Doistoiévski?

O personagem biografado é um dos mais importantes escritores da literatura mundial no século XIX, servindo como referência para estudos comportamentais e livros mergulhando em seu pensamento ao longo de todo o século XX. Nascido em 1821 e morto em 1881, Fiódor Mikhailovich Dostoiévski é, para muitos, o pai do Realismo. 

Em suas histórias, o sofrimento e as várias facetas do comportamento humano são verdadeiros tratados de nossa natureza. Dostoiévski perdeu a mãe ainda muito jovem e o pai foi assassinato por colonos de sua propriedade rural, por ser considerado muito autoritário. O autor era epiléptico e a junção desses fatos trágicos teve grande influência em sua produção literária. 

Cristão ortodoxo, acreditava na necessidade de solidariedade entre os povos para a harmonia da civilização. Seu primeiro casamento ocorreu em 1857 com a viúva Maria Dmitrievna Issaiev. Em 1862, teve um romance mais profundo com Polina Suslova, de quem se separou ao ficar viúvo de Maria em 1864. Em 1867, casou-se com Anna Snitkina. 

Chegou a ser preso e exilado, publicou contos e novelas de maneira esparsa, mas só começou a obter reconhecimento por volta da década de 1860, com personagens muito conectados à realidade da época e provocando reflexões sobre questões profundamente humanas. Dentre suas principais obras estão Notas do subsolo, Crime e castigo, O Idiota, O Jogador e Os Demônios. 

Seu último livro publicado, Os Irmãos Karamazov, foi considerado por ninguém menos que Sigmund Freud, o pai da psicanálise, como a maior obra já publicada na literatura mundial. 

Contexto histórico

Fiódor Dostoiévski viveu na Rússia do século XIX. Isso é importante para deixar claro o quanto sua obra também teve influência nos acontecimentos de poucas décadas após sua morte, quando o país passou por uma revolução que impactou o mundo em 1917.

Na época do autor, seu país era um gigantesco império. Havia muitos grupos nacionais e a estrutura política estava nas mãos de um czar, como era chamada a autoridade máxima da monarquia Rússia. Como é possível conferir em sua obra, não havia quase nada de urbanidade. 

No século XIX, mais de 80% dos 22 milhões de quilômetros do território russo era rural, sempre nas mãos da nobreza, dona das terras. Suas características feudais tornavam o país um dos mais atrasados economicamente, quando comparado aos vizinhos europeus. 

Neste contexto, personagens sentem conflitos familiares irreversíveis e tomam atitudes guiadas muito mais pelo fígado, pela raiva, pelo impulso, do que pela razão. Isso fez da obra de Dostoiévski um campo fértil para a forte identificação do leitor com questões aparentemente insolúveis e delicadas de se tratar na ficção com a maestria dos maiores nomes da literatura universal. 

Primeiros escritos

Fiódor Dostoévski começou sua vida de escritor enquanto frequentava a Academia Militar de Engenharia de São Petersburgo, cidade em que passou boa parte da vida. Por lá, estudava matérias militares e da carreira de Exatas, mas também aproveitava para se aprofundar nas obras de Victor Hugo, Honoré de Balzac, George Sand e Eugène Sue. 

Isso porque em sua escola havia um programa de literatura robusto, com destaque para obras francesas e alemãs. Em 1841, Dostoiévski passou a dividir um apartamento com amigos e seu irmão Andrei. Foi nessa época que começou a escrever parte de seus romances. Também há trabalhos que acabaram perdidos, mas serviram como rascunhos para suas grandes obras até a conclusão do curso de engenharia, em 1843.

Dois anos depois de formado, Dostoiévski deu início a seu primeiro livro publicado. O romance epistolar Gente pobre lhe deu notoriedade como revelação na cena literária francesa, com personagens de origens humildes morando em sua cidade natal. 

Publicado em 1846, o livro gerou burburinho sobre a nova cena realista na Europa, como uma primeira tentativa do gênero em terras russas. Um novo fenômeno da escrita estava surgindo, mas antes que causasse tantas reflexões mundo afora, ele ainda passaria por maus bocados. 

A prisão

Já passamos da metade deste microbook e agora vamos falar da prisão do escritor russo. No ano de 1849, um fato transformaria a produção literária de Fiódor Dostoiévski, sendo responsável diretamente pela produção de algumas das maiores obras escritas pelo autor.

Entre os dias 22 e 23 de abril, ele foi preso sob a acusação de conspirar contra o czar Nicolau I. O fato ocorreu depois de uma série de movimentos realizados no ano anterior na Europa, o que lhe deu forças para tomar medidas contra qualquer organização clandestina que ameaçasse o seu reinado. 

Contra Dostoiévski pesava o fato de participar do Círculo Petrashevski, um grupo de discussão literária formado por intelectuais socialistas em São Petersburgo. A detenção ocorreu após mais de um ano de investigações secretas, com o agravante da leitura pública de passagens de uma carta com visões políticas que contrariavam o governo local. 

Durante o processo, passou oito meses na Fortaleza de São Pedro e São Paulo, onde escreveu notas que se transformaram em obras históricas. Foi condenado à morte por fuzilamento, mas o czar Nicolau I converteu sua pena em oito anos de trabalho forçados, a poucas horas da execução.  

Dostoiévski passou nove anos na Sibéria, sendo quatro em um presídio e outros cinco em trabalhos forçados no exército local. Ao voltar para São Petersburgo, tinha em mão material suficiente para a publicação de Recordação da casa dos mortos e Memórias do subsolo, obras muito fortes sobre a experiência na prisão, o isolamento e a amargura dos personagens principais. 

Os irmãos Karamázov

A obra-prima de Dostoiévski teve dois antecedentes importantes. Primeiro, o escritor aceitou o convite feito pelo czar Alexandre II para ser uma espécie de conselheiro de seus filhos mais novos. Depois, a morte, em 1878, de Aleksei, um dos filhos do autor, nome dado também a um dos personagens do livro. 

É em abril deste mesmo ano que começam a ser esboçados os primeiros rascunhos, publicados na revista O mensageiro russo. Como previsto, foi um sucesso imediato. A primeira versão foi publicada em dois volumes e em poucos dias os 3 mil exemplares foram vendidos. 

O livro conta a trajetória de uma conturbada família russa, cujo patriarca, Fiódor Pavlovitch Karamázov, subiu na vida em meio a uma mesquinharia marcante para a vida de todos ao redor. Cada um dos irmãos Karamázov tem personalidade distinta, provocando profundas reflexões entre si e os leitores. 

Anos depois, a obra foi seguidamente estudada, adaptada para o teatro e o cinema, inspirou trabalhos científicos, literários e acadêmicos, sendo colocada entre as maiores publicações de todos os tempos. 

Foi o último livro publicado por Dostoiévski, que nunca deixou de lado a participação na política da Rússia pré-revolucionária, discutindo permanentemente o socialismo utópico. O escritor morreu em novembro de 1881, depois de passar três dias de cama em decorrência de uma hemorragia causada por um enfisema. 

Seu funeral foi seguido por uma multidão. 

O legado

A obra de Fiódor Dostoiévski trouxe contribuições e influências ao se contrapor profundamente ao niilismo, ponto de vista que considera crenças e valores tradicionais infundados, sem que haja qualquer sentido ou utilidade na existência. 

A concepção artística do escritor, em todos os seus livros, apresentava a vida dos personagens como absurdas quando defendiam essas teses nos campos moral e psicológico. 

Dostoiévski foi mestre em desenvolver personagens com relação complicada com autoridades locais. Mesmo pregando mudanças sociais, era cético quanto ao poder de constituições em melhorar a vida da população. 

O existencialismo francês, doutrina filosófica que analisa a forma como os seres humanos se portam no mundo e busca encontrar sentido na vida por meio da liberdade, foi fortemente influenciado pelas obras de Dostoiévski. 

O mesmo pode se dizer dos escritos filosóficos de Friedrich Nietzsche, segundo o qual o autor foi o maior psicólogo a entender a alma humana. Albert Einstein defendia que Dostoiévski era capaz de oferecer mais do que qualquer cientista em suas obras. 

Definitivamente, Fiódor Dostoiévski é um autor obrigatório para decifrar porque repetimos alguns comportamentos individual e coletivamente, sejam eles racionais ou puramente impulsivos.

Notas finais 

Os maiores escritores da literatura universal possuem a incrível capacidade de traduzir em palavras e histórias o comportamento humano. Fiódor Dostoiévski não foi diferente. Quem já teve contato com a obra do autor russo sabe o quanto há de sensibilidade em cada um de seus personagens tão bem desenvolvidos. Da mesma forma, Joseph Frank destrinchou como e porque Dostoiévski foi tão influenciador no mundo, por meio de uma gigantesca pesquisa, digna da leitura de quem se interessa pela genialidade expressa por meio da ficção.

Dica do 12min

Outro ótimo microbook é Um teto todo seu, em que Virginia Woolf trata da relação entre a mulher e a escrita no século XX.

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Quem escreveu o livro?

Joseph Frank, foi um estudioso da literatura estadunidense e tem sua obra citada como u... (Leia mais)