Conversa com Gestores de Ações Brasileiros

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Em “Conversa com Gestores de Ações Brasileiros”, Luciana Seabra, especialista em fundos de investimento, compartilha com os leitores os resultados de 18 entrevistas com os gestores das maiores fortunas na bolsa brasileira.

Nossa autora expõe, entre outras informações relevantes, como funcionam as mentes dos maiores gênios das finanças e quais critérios eles utilizam para identificar e escolher as mais lucrativas ações.

A seguir, colocamos à sua disposição um apanhado dos conselhos mais úteis para ajudar você a fazer muito dinheiro na bolsa e a ter sucesso no mercado de ações. Boa leitura!

O gestor que não se abala

O que é necessário considerar ao avaliar o balanço de uma organização? A lucratividade, os retornos, ou o Ebtida (sigla inglesa para “Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização”). Para Leonardo Linhares, você não deve escolher nenhuma das anteriores.

O que considerar, então? A resposta é: as notas explicativas. Nelas, é possível encontrar o que a empresa não quis revelar, mas que o auditor obrigou que fosse colocado em algum lugar.

Linhares sustenta que a Contabilidade não deve ser, de modo algum, confundida com uma ciência exata, pois há certa liberdade nos cálculos e existem informações no modo pelo qual a empresa a utiliza. Isso significa que contabilidades agressivas e conservadoras contam diferentes histórias.

De fato, os maiores investimentos não são realizados porque o investidor tenha acertado exatamente um determinado número, embora existam erros que são efetivamente cometidos na bolsa devido a uma profunda falta de conhecimento contábil.

O gestor que rejeita o óbvio

O investidor Fábio Alperowitch entendeu, durante um processo de tomada de decisão, por meio de conversas realizadas com fornecedores e consumidores, os motivos pelos quais determinada companhia pouco conhecida (e desprezada pelos acionistas) no Sudeste fazia um enorme sucesso na região Nordeste.

Além de uma poderosa rede de distribuição que, por meio de pequenos carros, atendia comércios de pequeno porte, existia um certo segredo nos ingredientes do produto: o fato de que os biscoitos cream cracker substituem com frequência os pãezinhos nas mesas dos nordestinos.

Como o biscoito produzido pela empresa em questão já era amanteigado, eliminava a necessidade de complementos, ou seja, os consumidores economizavam por terem de fazer uma compra a menos.

O gestor que dá o sangue

Florian Bartunek, seguindo a mesma linha de experimentação defendida por Alperowitch,  solicita que seus analistas façam o vestibular da maior instituição educacional privada do mundo, a Kroton.

Na Tarpon, por exemplo, a vida da companhia é levada aos seus limites. Tanto que 3 de seus sócios dedicam suas noites e finais de semana lecionando na empresa Somos Educação.

Esse é o espírito que anima o trabalho da Verde Asset, cujo gestor de ações, Pedro Sales defenda que as ações não são ativos abstratos, mas, antes, uma parte de uma empresa, isto é, algo composto por gente.

Um gestor resiliente

André Ribeiro, da Brasil Capital, considera que gente boa pode fazer toda a diferença. Infelizmente, gente ruim também. É por isso que presenciamos, às vezes consternados, como algumas empresas destroem seu próprio valor com o passar do tempo apenas por ter uma equipe ruim à frente dos negócios.

Isso implica que, para escolher boas ações, é preciso desmistificar o equivocado conceito de que os CEOs são um tipo de super-herói que cai do céu para transformar os negócios e as empresas.

Cada um na sua caixinha

Na prática, empresas que contam com quadros estáveis e culturas fortes costumam surpreender mesmo quando, aos olhos de muitos integrantes do mercado, parecem caras.

Assim, os dados históricos não podem ser negligenciados, pois quem se mostrou incompetente no passado certamente será incompetente no futuro. Tal verdade, embora simples, nem sempre é fácil de aceitar, mas seu entendimento é fundamental para quem deseja ter sucesso no mercado de ações.

Muitos gestores buscam se proteger, de alguma forma, de cenários adversos, seja via diversificação ou opções. Ralph Rosenberg, por exemplo, prefere empresas que apresentam o potencial de subir 50% e, depois, cair a 15%, em detrimento daquelas que, a despeito de subirem 150%, correm o risco de cair 50%, caso tudo dê errado.

O analista 30 horas

O analista 30 horas deve aprender, de uma forma ou de outra, a ser paciente com a bolsa de valores. Flávio Sznaider é, talvez, o melhor exemplo do que pode ocorrer quando a paciência não é uma virtude dos investidores.

Ele manteve um dos seus primeiros investimentos na bolsa por 5 anos. Como a empresa experimentava uma longa sequência de resultados ruins, ficou chateado com os prejuízos acumulados e vendeu tudo. Resultado: teve que assistir de fora quando a empresa se recuperou e multiplicou por 30 vezes o seu valor.

A experiência, porém, serviu de aprendizado e, nos dias atuais, Sznaider está blindado: ele procura não acompanhar diariamente os resultados do fundo que está sob sua gestão. Afinal, esperar o tal “longo prazo” é muito chato e gera um nível de ansiedade que prejudica as decisões.

O gestor que é também artista

O gestor-artista Roberto Vinhaes define bem o comportamento usual dos investidores brasileiros em bolsa. Eles tendem a repetir o erro de acreditar que podem se aproximar de um investimento contando que, se algo der errado, conseguirão sair sem nenhum “arranhão”.

O investidor brasileiro, salvo raras exceções, não se mostra participativo e não integra o conselho de administração da empresa em que investe. O ideal, segundo Vinhaes, é encontrar um setor que apresente problemas e trabalhar para destravar o seu valor, colocando a mão na massa.

O maratonista da bolsa

Investir na bolsa não pode ser comparado a uma corrida de velocidade, pois, para Pedro Cerize, trata-se, antes, de uma maratona de longa distância.

Contudo, diferentemente do mencionado esporte, o primeiro lugar é obtido por aqueles que conjugam suas próprias experiências e conhecimentos acumulados com uma genuína intuição que só pode ser desenvolvida com muita prática e por meio de um longo processo de erros e acertos.

Notas finais

Buscamos, neste microbook, apresentar as linhas gerais e os insights mais relevantes  de 18 entrevistas realizadas por Luciana Seabra ao longo de quase 500 páginas.

Embora seja possível obter orientações práticas e, até certo ponto, bastante específicas a partir da leitura da obra, acreditamos que a defesa de um espírito investigativo e a demonstração de que os mais bem-sucedidos investidores brasileiros são pessoas comuns (e, assim como você, sujeito a erros e incertezas) são as suas maiores contribuições para o público.

Dica do 12min

Gostou do microbook? Se você deseja se aprofundar ainda mais no assunto, leia também “Ações Comuns, Lucros Extraordinários” e aprenda com uma das mais clássicas obras da área!

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