×
44% OFF

Não deixe suas metas para 2022

Assine 12min Premium por apenas R$0,46/dia e aprenda mais em menos tempo!

1421 leituras ·  0 avaliação média ·  0 avaliações

Churchill: caminhando com o destino - resenha crítica

Churchill: caminhando com o destino Resenha crítica
Biografias & Memórias

Este microbook é uma resenha crítica da obra: Churchill: walking with destiny

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 978-85-3593-323-9

Editora: Companhia das Letras

Também disponível em audiobook, baixe agora:


Resenha crítica

Na história desde cedo

Somente uma vida desafiadora, cheia de vitórias, derrotas e momentos marcantes poderia render um calhamaço como a biografia de um personagem marcante como Winston Churchill. Ele leva esse mérito por fazer história desde muito cedo. Nascido em 1874 e morto em 1965, foi mais que primeiro-ministro e ocupante de tantos cargos no reino britânico. 

Em outubro de 1899, durante a Segunda Guerra do Bôeres, Churchill desembarcou na África do Sul para defender o Império que tanto amava. Naquele tempo, pouca gente imaginava onde chegaria o descendente do duque de Marlborough. 

Churchill saiu de Londres levando seis caixas de vinho tinto, champanhe e destilados. Já tinha lutado em outros conflitos militares importantes em Cuba, na Índia e no Sudão. No país sul-africano, viu seu trem sofrer uma emboscada. E acabou liderando a evacuação de um grande número de homens, mas acabou capturado.

Ao ser preso, conseguiu fugir e percorreu 500 quilômetros saltando para subir e descer de trens, vagando sem mapa em busca de um território neutro. Ao chegar a Durban, pertencente ao império britânico, foi recepcionado como herói. E embora Winston Leonard Spencer-Churchill tivesse apenas 25 anos, sua trajetória já era digna de filme épico hollywoodiano. 

Era só o começo da trajetória de alguém com personalidade marcante, como bem sabiam seus pais, o lorde Randolph Churchill, e Jennie Jerome, rica socialite estadunidense. Desde o nascimento, o biografado tinha origens nobres, justificando seu perfil conservador, pelo qual norteou decisões políticas durante toda a vida. 

Contradições

Um aspecto marcante desta biografia é não colocar Winston Churchill como santo. Afinal, grandes personalidades da política são repletas de contradições e elas devem ser estudadas para montar o panorama de uma vida. 

Algumas dessas controvérsias o acompanham desde o berço. Churchill nasceu no ano de 1874 em uma família influente na elite aristocrática inglesa. Cresceu e se formou com uma visão de mundo voltada aos interesses da Era Vitoriana, justamente na época em que a rainha Vitória estendia seu império por todos os cantos do mundo. 

Não foi à toa que Churchill defendeu o império britânico por toda a vida. Desde os primeiros passos de atuação política, sempre foi inimigo da autonomia e da independência da Índia, antigo território britânico. Além disso, são incontáveis as manifestações expressando um sentimento de superioridade das elites europeias diante do resto do mundo. 

Ao longo do século XX, esse mesmo Churchill atuou como defensor da democracia e de reformas liberais, atualizando a política vitoriana que encabeçava o Reino Unido. Foram medidas tomadas, de acordo com suas convicções, para levar benefícios das modernas nações europeias aos mais necessitados. 

O governante também lutou para limitar os vetos a pilares fundamentais para um Estado de proteção social. Foi um dos entusiastas da criação do National Health System, o NHS, sistema de saúde público universal dos britânicos.

Por mais que em alguns momentos o cinema e partidários mais radicais pintem Winston Churchill como herói ou vilão, trata-se de uma personalidade bem mais ampla do que as dicotomias sugerem. Chegou a se bandear do Partido Conservador para o Partido Liberal, em nome da defesa do livre-comércio. 

Depois de alguns anos, voltou à antiga agremiação, onde exerceu o cargo de primeiro-ministro em um momento crucial do mundo, a Segunda Guerra Mundial. Isso depois de diversos fracassos e isolamento em tomadas de decisões, refletindo perfeitamente o caráter controverso de seus caminhos. 

Sentimento de grandeza

Ainda nos primeiros anos de vida, Winston Churchill expressava um sentimento de grandeza, como intuição do destino o colocando entre os grandes homens da história. Aoos 16 anos, em 1891, disse esta frase marcante a um amigo: “Londres estará em perigo e, na alta posição que estarei ocupando, caberá a mim salvar a capital e o Império”. 

Quando pensamos que anos depois ele foi um dos grandes nomes a conduzir a vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial, soa profético. Mas, antes disso, viveu a derrota em uma operação militar, durante a Batalha de Galípoli, na Primeira Guerra Mundial. Outro momento de revés vivido por Churchill foi ainda nos anos de 1920, quando deu munição a seus inimigos com uma péssima condução do Tesouro Inglês, gerando grande prejuízo ao Império. 

Churchill só se viu diante da realização da frase da juventude quando estava perto dos 60 anos, depois de passar toda a década de 1930 longe de cargos no governo. Estava em isolamento quase absoluto e era frequentemente ridicularizado por outros políticos, enquanto o mundo se via diante de momentos dramáticos na Segunda Guerra. 

No meio-tempo entre os fracassos e a glória absoluta, ninguém dava ouvidos quando Churchill alertava sobre a ameaça da Alemanha Nazista de Adolf Hitler. São incontáveis os anúncios de alerta dados pelo estadista para os perigos existentes. 

Sem Churchill, a Inglaterra não teria saído de um apaziguamento covarde e serviria a Hitler por mais tempo. Com ele, houve uma virada histórica em um dos confrontos mais marcantes da humanidade. Churchill acertou, como em tantas vezes desde seus primeiros anos de vida. 

Caminhando com o destino

Passamos da metade do livro. Segundo Andrew Roberts, foram os erros cometidos por Churchill que o permitiram ter razão nas três ameaças à civilização ocidental que combateu: os militaristas prussianos em 1914, os nazistas entre as décadas de 1930 e 1940, e o comunismo soviético após a Segunda Guerra Mundial.

É daí que surge o subtítulo desta biografia. Se não fossem os equívocos cometidos durante sua carreira política, Churchill não teria ficado na história do século passado com seus acertos nos cargos mais altos da política britânica. 

E ele mesmo enxergava um lado aventureiro, até meio convencido, em sua personalidade. Um espírito enraizado que lhe motivava, uma âncora moral em defesa das tradições políticas do Império Britânico e dos povos de língua inglesa, além do sentimento de superioridade pela origem e formação aristocráticas.

E essa origem lhe dava um sentido de independência e autoconfiança, que nos dias atuais pode ser visto com bastante desconforto. Mas Churchill se viu diversas vezes como um salvador da democracia, um protetor dos valores ingleses agraciado pelas circunstâncias da casta em que nasceu. 

Para proteger esses valores, era capaz até mesmo de se aliar com pessoas cujas pretensões políticas abominava, como quando se aliou a Stalin para derrotar Hitler na Segunda Guerra Mundial. Foram escolhas difíceis, mas necessárias para entrar na história pela porta da frente. 

Um pouco mais do sentimento aristocrático

Em muitos discursos de Churchill, é possível detectar certo sentimento elitista, uma rebeldia contra poderes arbitrários de plantão. Para entender um pouco mais sobre isso, não podemos perder de vista as origens do biografado. Ele nasceu em um palácio construído pela Rainha Ana para oferecer ao Duque de Marlborough, seu antepassado, como recompensa pelas proezas militares no ano de 1705. 

Essa construção monumental até hoje é considerada uma das maiores propriedades privadas da Inglaterra. Quem nasce com tantos privilégios dessa forma tem pouca ou nenhuma disposição a seguir ordens de figuras autoritárias como Hitler ou Stalin. E Churchill não se envergonhava em demostrar o máximo de desprezo pelos dois. 

Há, inclusive, um famoso discurso de Churchill, proferido em Paris no ano de 1936, no qual tece críticas e faz questão de demonstrar distanciamento do nazismo e do comunismo. 

Radicalmente contrário a formas autoritárias de governar, com poderes centralizados e distantes, há relatos de que Churchill não desprezava opiniões e sentimentos de pessoas comuns. A frase “Trust the people”, em português “Confie nas pessoas”, atribuída ao filósofo Edmund Burke, era tida por ele como um mantra. 

Mesmo um aristocrata de origem, Churchill dava mais ouvido aos homens comuns que aos homens autoritários e poderosos. Assim, sabia por onde caminhar e de que forma trabalhar a própria imagem.

Um mundo sem Churchill

É possível imaginar um mundo sem Winston Churchill? Os valores democráticos e ocidentais seriam os mesmos se o britânico não tivesse exercido tanto poder no século passado? É difícil pensar este cenário ao lembrarmos que se trata de uma personalidade, com incontáveis biografias escritas sobre sua vida, como esta, de mais de mil páginas. E os tantos filmes com Churchill no centro do mundo, então?

Fato é que o mundo como o conhecemos, fatalmente, não existiria sem essa figura. Além das decisões políticas importantes e que mudaram o rumo da humanidade, ele também deixou reflexões que hoje povoam as redes sociais, falando sobre a virtude do poder e das boas formas de governar um povo. 

Churchill foi um homem-monumento, como são essas figuras cheias de controvérsias e episódios de sucesso, que tomam decisões rápidas e difíceis, mas sem as quais o sofrimento seria grande. O político prezou pela democracia sem deixar de lado uma personalidade conflituosa, difícil de ser enquadrada em uma única definição. 

Sem seu sentimento de aversão ao autoritarismo, o resultado da Segunda Guerra Mundial poderia ter sido diferente e muito pior para o mundo. Que Churchill continue sendo um farol contra toda forma de escuridão, especialmente em tempos de franco incentivo a formas autoritárias de interpretar o mundo.

Notas finais 

Fazer história não é para qualquer figura. E manter-se na história, sendo recordado mesmo muitos anos depois de sua morte, é um privilégio de poucos afortunados. Sem abrir mão de expor contradições e episódios contestáveis, Andrew Roberts produziu uma biografia que mostra bem claramente o lado humano, não apenas político, de Winston Churchill. Quem busca entender o que foi o século XX, quais as suas heranças e influência, tem a obrigação de se debruçar sobre os passos dados por um dos líderes mais importantes do mundo em episódios como a Segunda Guerra Mundial. Esta biografia é uma verdadeira aula de história. Leitura obrigatória para interpretar o mundo. 

Dica do 12min

Gosta de conhecer mais sobre a vida de grandes figuras públicas? No microbook Narciso em férias, você acompanha como foram os dias em que o cantor Caetano Veloso passou na prisão, durante a ditadura militar. 

Cadastre-se e leia grátis!

Ao se cadastrar, você ganhará um passe livre de 3 dias grátis para aproveitar tudo que o 12min tem a oferecer.