Blink: A Decisão Num Piscar de Olhos

Malcolm Gladwell Também disponível em audiobook: Baixe nosso app para ouvir gratuitamente.

Blink é mais um dos grandes sucessos de Malcolm Gladwell. Ele foi publicado em 2005, na sequência do mega sucesso Tipping Point ou Ponto de Virada. O livro explora pesquisas psicológicas e neurológicas para entender como funciona a intuição humana. Está tendo problemas para entender o excesso de informações a sua volta? Talvez sua intuição possa ajudá-lo a tomar decisões melhores e mais rapidamente. Você provavelmente já utiliza sua intuição muito mais do que imagina e, até mesmo quando pensa que já analisou uma situação de forma racional e chegou a alguma decisão lógica, está, provavelmente, apenas fazendo um resgate do seu instinto inicial. Em Blink, Gladwell prova que sua intuição pode, muitas vezes, produzir decisões melhores do que uma análise extensa. Sua intuição é capaz de cortar todas as informações irrelevantes e concentrar-se apenas nos fatores-chave. Por outro lado, ela também é afetada por todos os tipos de fatores inconscientes, como preconceitos, que podem levar você a tomar más decisões. Este livro existe para ajudar você a saber quando, como e porque você deve utilizar sua intuição. Vamos nessa? Eu pressinto que você irá curtir a leitura!

A estátua que não parecia verdadeira

Seu cérebro se baseia em duas estratégias para tomar decisões em qualquer situação, uma delas é a análise consciente de informações. Ela se baseia em levantar as vantagens, desvantagens e possíveis impactos de um determinado assunto para assim chegar a uma decisão racional sobre o que você deve fazer. Esse é o processamento racional, porém ele ocorre de forma lenta e consome muita energia cerebral. A segunda estratégia é rápida como um piscar de olhos e consome pouca energia. Sua intuição é rápida como um raio e é capaz de tomar decisões de forma extremamente veloz, baseadas no instinto ao invés de uma análise aprofundada. A intuição permite ao cérebro ter para onde se voltar em situações onde a decisão precisa ser rápida e simples e não há tempo para uma análise aprofundada. Muitas pessoas tendem a não confiar em seus instintos e a tomar decisões baseadas exclusivamente em análises aprofundadas. Porém, é interessante notar que pesquisas provam que, em muitos casos, decisões rápidas são frequentemente melhores do que as tomadas após uma análise aprofundada. Gladwell cita um exemplo no qual um museu, em 1983, comprou uma estátua grega antiga. Inicialmente o museu suspeitou da autenticidade da peça, mas após mais de um ano de investigações, decidiu comprá-la. A investigação foi tão grande que a estátua chegou a ser enviada para testes na Grécia, por especialistas gregos. Três anos depois, em 1986, o museu já estava certo que a estátua era original e decidiu colocá-la em exposição. Rapidamente, experts começaram a duvidar da sua autenticidade. O primeiro foi o historiador Federico Zeri, que observou em um rápido olhar que as unhas da estátua pareciam estranhas. Ele não conseguia explicar o motivo, mas tinha um sentimento ruim em relação à estátua. Posteriormente, diversos outros experts tiveram dúvidas similares e o museu iniciou uma segunda investigação, descobrindo que a estátua poderia, possivelmente, ser uma falsificação. A estátua continua exposta até hoje, porém com uma placa diferente, que diz "Ano 350 antes de cristo OU uma fasificação moderna". Em muitas situações, existem padrões que o inconsciente reconhece mais rápido do que a mente consciente e lógica. É precisamente nesses momentos que devemos confiar nas nossas decisões rápidas. Existem decisões e percepções que ocorrem em um piscar de olhos e você precisa estar atento a elas.

Fatiar para decidir

Para se decidir, muitas vezes é mais fácil focar em alguns aspectos de algo ou alguém e usar esta fatia para criar uma opinião maior ou mais complexa sobre ele. Gladwell chama esta técnica de Thin Slicing. A técnica se baseia em usar nossa habilidade inconsciente da mente de encontrar padrões em situações e comportamentos, baseado em pequenas experiências. O psicólogo John Gottman, por exemplo, ficou conhecido por ser capaz de determinar com um percentual de 90% de acerto se um casamento iria se perpetuar. Ele era capaz de fazer isso com apenas 15 minutos de observação ou menos. Ele treinou seus assistentes em seu laboratório para entender as expressões faciais dos casais e os sentimentos comunicados através da linguagem corporal e, assim, ser capaz de fazer previsões efetivas. A pesquisa de Gottman é interessante, pois estabelece que seres humanos não precisam saber muito sobre alguém para compreender sua personalidade. Gladwell também cita outros exemplos desse "fatiamento", a capacidade de ter uma compreensão a partir de um pequeno volume de informações. Por exemplo, um estranho é capaz de identificar a personalidade de uma pessoa através de uma olhada em seu quarto em apenas 15 minutos. Muitas vezes é mais eficaz se concentrar em alguns fatos importantes e bloquear o resto. Nós podemos fazer bons julgamentos precipitados, porque o nosso inconsciente é incrivelmente efetivo neste processo de isolar informações. O importante é saber como escolhemos as informações que vamos descartar e quais vamos manter durante o processo de fatiamento. É preciso ter cuidado, afinal, a escolha da fatia errada de informações pode nos levar a resultados desastrosos.

Sua mente é capaz de adivinhar sem que você entenda o motivo?

Gladwell prova que sim, descrevendo uma experiência realizada por um grupo de cientistas da Universidade de Iowa, envolvendo um jogo de cartas. Na frente dos participantes, existiam quatro baralhos, sendo dois vermelhos e dois azuis. Cada carta nestes baralhos fazia com que o participante que a virasse ganhasse ou perdesse dinheiro. Os participantes usaram também polígrafos, para detectar seu nível de stress durante a experiência. O que os participantes não sabiam é que as cartas do baralho vermelho eram mais prejudiciais do que as do baralho azul. O baralho vermelho tinha cartas com recompensas, mas principalmente com perdas enormes, enquanto o baralho azul tinha cartas com boas e estáveis recompensas.
O participante começava pegando cartas aleatórias dos quatro baralhos. Por volta da quinquagésima vez, ele percebia que baralho vermelho era pior que o baralho azul e passava a apostar neste último. Percebeu-se, entretanto, da análise dos resultados do polígrafo, que os participantes já apresentavam sinais de stress ao virar as cartas do baralho vermelho muito anteriormente, por volta da décima vez. Assim, os cientistas descobriram que seu subsconciente entende o jogo muito antes do seu cérebro racional. Seu corpo e sua intuição sabiam qual era o melhor baralho, mas sua mente demora muito mais tempo para assimilar.

Não conseguimos criar explicações racionais para nossas intuições

Muitas pessoas tendem a confiar em fatos e números acima dos sentimentos e intuições e é por isso que elas geralmente vêm com explicações lógicas para seus julgamentos precipitados após fazê-los. Os seres humanos são parecidos com os experts em obras de arte que descobriram a falsificação da estátua grega. Nossa intuição nos diz que algo não está correto ou que podemos confiar em alguém, mas não somos capazes de articular o motivo pelo qual isso acontece. Como exemplo, ele cita Vic Braden, um dos maiores treinadores de tênis que era capaz de predizer faltas duplas com alta precisão. Antes que o jogador começasse a jogada, ele dizia: 'ele vai fazer uma falta dupla'. No entanto, Braden se torturava com o fato de não saber como era tão bom em prever estas jogadas. Ele pensava sobre seus pressentimentos, mas não conseguia chegar a uma conclusão sobre o motivo pelo qual era tão bom em dar palpites. Em outro exemplo, em um evento onde casais iam para se conhecer, as pessoas tinham que descrever as qualidades que buscavam no parceiro ideal. Porém, na hora de escolher, ficavam atraídos por pessoas que não possuiam nenhum dos atributos que eles mesmos listaram. Quando perguntados sobre o que os atraiu em seus parceiros, os participantes não eram capazes de explicar porque, intuitivamente, foram contra as próprias listas que tinham criado.

Associações inconscientes alteram nossa capacidade de decidir (e podem nos levar a errar)

O inconsciente influencia nossas ações o tempo todo e isso pode ser a raiz de erros e preconceitos. A maioria das pessoas, por exemplo, inconscientemente e automaticamente, associa atributos como ser branco e alto com qualidades como poder e competência. Mesmo que saibamos que homens com estas características não são mais competentes do que negros ou baixos, formamos essas associações inconscientemente. E diversas pesquisas comprovam que é mais fácil ser profissionalmente bem-sucedido se você é um homem alto e branco. Uma prova deste tipo de problema é o que aconteceu com Warren Harding. Ele foi eleito presidente dos Estados Unidos após a Primeira Guerra Mundial porque seus eleitores simplesmente acreditaram que ele tinha jeito para ser presidente. Porém, ele claramente não tinha as habilidades necessárias e a história deixou registrado que ele foi um dos piores presidentes de todos os tempos.

Expressões emocionais revelam o que uma pessoa está pensando

Cientistas mostraram que as expressões emocionais são um fenômeno universal. Pessoas em todas as regiões do mundo podem reconhecer uma expressão facial de felicidade, raiva ou tristeza. No entanto, algumas pessoas são cegas aos sinais não-verbais: eles só entendem informações transmitidas explicitamente e não são capazes de ler rostos de outras pessoas. É o caso de crianças com autismo, por exemplo. Mas, na verdade, as pessoas não-autistas podem se tornar temporariamente autistas por situações de estresse e pressão. Quando estamos estressados, nós tendemos a ignorar sinais indiretos como expressões faciais e dedicar toda a nossa atenção para a informação em questão. Esta situação pode, por exemplo, fazer com você tome julgamentos errados baseado na sua situação emocional. Para evitar esses pré julgamentos, você tem que desacelerar e reduzir o estresse em seu ambiente. A partir de um certo nível de estresse, o processo de pensamento lógico pára completamente e as pessoas se tornam imprevisíveis.

O consumidor nem sempre sabe o que quer

As empresas fazem pesquisas de mercado para tentar identificar novas oportunidades de criar produtos e assim atrair mais clientes. Porém, em muitos casos, uma pesquisa é incapaz de prever o que realmente vai funcionar e o que o consumidor quer. Um exemplo notório é a pesquisa citada por Malcolm, em que a Coca Cola realizou milhares de testes de sabor em comparação com a Pepsi e descobriu que seus consumidores preferiam o sabor da Pepsi. Esse estudo fez com que a Coca lançasse um novo produto, com um novo sabor que tinha ido muito bem nos testes, a "New Coke". A nova Coca Cola foi amplamente rejeitada e em um espaço curto de tempo foi retirada do mercado. Estranho, não é mesmo? O motivo pelo qual o teste falhou tão dramaticamente foi porque os consumidores provavam apenas o sabor do produto, mas não eram expostos a todos os elementos da marca Coca-Cola que ajudam a formar a percepção do cliente. A Coca-Cola não é apenas um sabor, mas uma experiência que mistura sabor, embalagem, comerciais. Simplificar o experimento para avaliar apenas o sabor comprometeu a capacidade de entender a percepção das pessoas, afinal, ninguém toma refrigerante de olhos fechados. Apenas tomar um gole é complementamente diferente de realmente tomar a bebida. Às vezes um gole pode parecer bom e um copo pode não parecer tão bom assim. Outro ponto interessante é que, quando as empresas lançam produtos inovadores, os consumidores tendem a avaliar estes produtos negativamente no início do seu ciclo de vida. Os consumidores precisam de tempo para se acostumar com novos produtos e, apenas após algum tempo, eles realmente começam a gostar deles. Experimentar novas coisas é a chave para quebrar preconceitos. Gladwell cita uma pesquisa que prova que os americanos tem mais dificuldade em associar qualidades positivas à palavra "preto" do que à palavra "branco". Esse preconceito existe, inclusive até mesmo na população negra. Isso se dá porque o inconsciente aprende através da observação. A elite america é quase totalmente composta por pessoas brancas e, através dessa observação de como o mundo funciona, as pessoas desenvolvem a associação inconsciente entre pele branca e o sucesso. Por isso, preconceitos influenciam nosso comportamento a todo tempo e é preciso encontrá-los e trabalhá-los.Para superar estes preconceitos, você tem que buscar formas de mudar essas atitudes inconscientes e a única maneira de fazer isso é experimentando coisas novas e se expondo a novas situações. Além disso, para evitar julgamentos ruins, é preciso ignorar as informações irrelevantes.

Previna-se das armadilhas mentais

Preconceitos e estereótipos inconscientes podem influenciar fortemente suas decisões. Você deve se proteger conscientemente deles a partir de informações contrárias que você consiga plantar no seu cérebro. Negar nossos julgamentos inconscientes precipitados é crucial para garantir que tomemos melhores decisões. Se você é um executivo de uma gravadora, por exemplo, os atributos físicos de um possível artista podemcontaminar seu julgamento. Neste caso, é ideal que você crie seus filtros para coletar apenas informações relevantes e assim tomar a melhor decisão. Por exemplo: No programa The Voice, os juízes ficam em cadeiras de costas para o palco, para garantir que a única informação que eles tem sobre um candidato seja a sua voz. Se eles gostam do que ouvem, eles apertam um botão e aí sim escolhem quem querem no seu time e conhecem o candidato. Ignorar o aspecto visual do candidato ajuda a selecionar o melhor talento. Pense na sua vida, encontre áreas onde você tem vários vieses e limitações de análise por causa de experiências e preconceitos. Pense em como você poderia filtrar estes elementos do seu julgamento e será capaz de tomar melhores decisões.

Notas Finais

Em um piscar de olhos podemos tomar decisões importantes, usando nossa experiência acumulada e os milhares de anos de evolução do ser humano. Neste livro, Malcolm quer que você aprenda 2 coisas principais:

  • Que decisões tomadas rapidamente podem ser tão boas como decisões longas e altamente deliberadas. Nem sempre a decisão bem pensada, analítica é a melhor resposta para uma situação e, se buscamos agilidade, uma decisão intuitiva pode ser a resposta;
  • Como saber quando confiar em seus instintos e quando se cuidar para não ser vítima deles. Julgamentos instântaneos podem ser aprendidos e controlados e você consegue fatiar mentalmente as questões.Sua intuição pode ser sua amiga! Basta entender como ela funciona.

Dica do 12': Não gostou das ideias de Blink e quer ver um contraponto interessante? Veja este artigo: http://whohastimeforthis.blogspot.com.br/2006/08/blink-nonsense-of-thinking-without.html

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