Argumentação e Retórica

Verônica Daniel Kobs Também disponível em audiobook: Baixe nosso app para ouvir gratuitamente.

O livro que você vai ler hoje é, na verdade, um curso de oito aulas que tem como objetivo apresentar a estrutura de um texto argumentativo. Assim como o seu conceito de tese e tipos de argumentos. A autora pretende explicar a diferença entre a demonstração do ponto de vista sobre um assunto e o convencimento (persuasão). Este estudo busca desenvolver no aluno a capacidade para analisar os textos de opinião e os que possuem linguagem persuasiva.

Argumentação é um exercício de lógica

A argumentação é a atividade de formulação de ideias que se relaciona ao raciocínio, tanto na produção textual quanto na fala. Os argumentos não podem ser pensados na hora, sob pena de parecerem frágeis e inconsistentes. Por isso, é necessário planejamento. Na escrita, é possível encontrar argumentos fracos ou contraditórios, exigindo uma reescrita de alguns pontos de vistas do texto. Confira a ordem da argumentação abaixo:

  • Argumentação escrita = Raciocínio + Produção textual
  • Argumentação oral = Raciocínio + Produção textual + Fala

Importante ressaltar que inerente ao raciocínio, existe uma hierarquia entre tese e argumentos. A tese aparece primeiro, gerando a necessidade de enumeração dos argumentos que a sustentam.

Em uma dissertação clássica, recomenda-se que depois de apresentar a tese, seja elencados e desenvolvidos os argumentos, para no fim se ter a conclusão. É neste momento que o escritor deve associar as ideias defendidas com os fatos apresentados. De forma esquemática, a estrutura de uma argumentação pode ser representada da seguinte maneira:

  • Introdução (apresentação do tema a ser debatido na tese);
  • Desenvolvimento (lista de argumentos que devem ser comentados);
  • Conclusão (retomada da tese e do argumento principal).

Normalmente, a ideia para a tese aparece quando ouvimos uma notícia, participamos de uma conversa, lemos um jornal ou alguma outra atividade habitual do dia a dia. O objetivo da tese é contrariar ou reforçar uma ideia. É a partir da tese que reunimos argumentos para consolidar a sua posição.

Ou seja, tanto na fala quanto na escrita, selecionamos informações que consideramos relevantes para sustentar o nosso ponto de vista. A única exigência é que o argumento seja categórico. Para exemplificar, a autora mostra duas situações:

  1. Maus hábitos alimentares são nocivos à saúde. (Forma afirmativa)
  2. Alimentos muito gordurosos não fazem bem à saúde. (Forma negativa)

 O que é retórica?

Fundamental na comunicação desde a Antiguidade Clássica, a retórica foi considerada inicialmente como uma técnica de persuasão e convencimento. Foi Aristóteles (384-322 a.c) que elevou o status da retórica à ciência. Contudo, entretanto nos séculos XVI e XIX ela passou por um período de decadência, já que nesta época a racionalização por demonstração pura e simples estava em alta.

Em 1958, a retórica ressurge com o livro de Chaim Perelman (1312-1984). Nele, o autor não abandona a demonstração, mas afirma que o público é quem determina a argumentação e como eles são diferentes, é pela retórica que se deve pensar em modos de informar e argumentar determinados assuntos.

Retórica e argumentação

Relacionadas, a retórica dá relevância ao poder persuasivo da linguagem, ampliando os efeitos dos argumentos. Contudo, existe uma distinção importante entre argumentação e retórica. A primeira ganha destaque por meio da razão, com listas de confirmações que validam ou contrariam a tese. Já a segunda vai um pouco além, e também usa a emoção. O objetivo da retórica é convencer e para isso, somente os fatos são insuficientes. Mais importa a forma que os argumentos são apresentados, seja na fala ou escrita.

Ou seja, para a retórica não basta apenas escolher os melhores fatos e apresentá-los de forma ordenada. É essencial pensar como cada argumento vai ser recebido pelo público-alvo. O perfil de quem você quer atingir é fundamental para saber como explorar cada alegação.

Na fala, não se pode esquecer de outros recursos importantes para o convencimento, como os gestos, expressão facial, entonação, pausas e até o ritmo da locução. Os gestos e expressões podem confirmar ou contrariar o que está sendo dito, por exemplo. A entonação serve para motivar os sentimentos, enquanto o ritmo direciona a atenção do público e as pausas dão um destaque para o argumento.

No texto, a pontuação é uma ferramenta importante para a retórica. A organização dos fatos também é fundamental para alcançar determinado sucesso. Sendo assim, mais do que lógica, a retórica é um exercício estratégico. A autora preparou dois exemplos para se entender a diferença entre argumentação e retórica.

  1. O réu foi condenado por assalto à mão armada.
  2. O réu foi condenado por assalto à mão armada!

Enquanto o primeiro exemplo só explica ao público sobre a condenação, o segundo demonstra indignação e motiva o interlocutor a também ter este sentimento. Ou seja, a pontuação é responsável por direcionar a emoção do leitor com o conteúdo do texto.

Outra forma de direcionamento é por meio de pausas no texto, feitas com vírgulas ou reticências. Perceba a diferença no exemplo abaixo:

  1. O réu foi condenado por assalto à mão armada.
  2. O réu foi condenado, por assalto à mão armada.
  3. O réu foi condenado... por assalto à mão armada.

 Elementos do texto argumentativo

  • Tese: posicionamento ou opinião acerca de um assunto. Com argumentações positivas ou negativas claras, a tese não admite dúvidas. Evite termos como talvez e possivelmente. A utilização correta dos verbos oferece ao leitor uma maior segurança no argumento exposto. Apresente sua posição sobre o assunto logo no início do primeiro parágrafo.
  • Antítese e senso comum: a antítese é a junção de elementos que ajudam a elucidar seu significado, ou seja, é a ideia que se opõe à tese defendida. Ela é importante para prevenir falhas na argumentação e as tornar mais fortes e consistentes. Para descobrir a principal antítese da sua tese, basta consultar o senso comum sobre o assunto.
  • Argumentos: aqui importa mais a qualidade dos fatos do que a quantidade, especialmente na hora de superar o problema apontado pela antítese.

Relatores, elementos retóricos e construção de sentidos

A construção do sentido e o convencimento do leitor, em um exercício que conta com argumentação e retórica, depende essencialmente do uso de relatores e elementos retóricos. Estes são detalhes que aprimoram a eficácia da tese e dos argumentos apresentados no texto. Eles também demonstram que há várias maneiras de escrever ou dizer alguma coisa.

Relatores

Palavras responsáveis por unir palavras e períodos dentro do texto. Na retórica, os relatores também têm a função de relacionar as ideias e transformar o texto em um conjunto coeso, além de estabelecer as relações que o autor quer que o leitor aprenda. Conheça alguns tipos de relatores:

  • Causa ou agente: eles são informados no texto para assegurar que as relações sejam previamente estabelecidas. Isso significa que a tese pode assumir o papel de defesa ou acusação, fazendo com que o leitor adote a posição apresentada pelo autor.
  • Hipótese e anterioridade: estes relatores são responsáveis por formar uma ideia verossímil e lógica. Não precisa ser verdadeira e sim, convincente e aceita pelo locutor. Outra função da hipótese é a anterioridade, que estabelece uma relação ao juntar dois fatos. A ordenação dos argumentos facilita o processo de convencimento pelo raciocínio lógico.

Elementos retóricos

Expressões que funcionam para ressaltar certas características e conquistar a adesão do leitor ao pensamento positivo ou negativo que se faz de um sujeito ou objeto. A autora fornece um exemplo para se entender melhor:

  1. Ela não aparenta ter 10 anos
  2. Realmente, ela não aparenta ter 10 anos!

Tanto a palavra realmente, quanto o ponto de exclamação reforçam a ideia que o autor quer passar ao leitor. Só tome cuidado para não usar expressões que levam à dúvidas, como talvez ou pode ser que. Outro problema são palavras que subestimam o público, como por exemplo: é óbvio que, todo mundo sabe que ou qualquer pessoa sabe.

Na fala, uma boa forma de reforçar aquilo que deseja é usando os recursos de pausa, repetições e aumento de tom em palavras importantes.

Ordem dos argumentos e tipos de reforço argumentativo

A sequência dos argumentos apresentados é essencial. De modo geral, o público fica mais atento no início e fim de uma apresentação, por isso os fatos mais importantes devem ser mostrados nestes dois momentos.

Já os reforços argumentativos têm função similar ao elemento retórico: destacar fatos e ideias. Cinco reforços são usados com frequência na argumentação oral e escrita, são eles:

  • Exemplo;
  • Definição;
  • Estatística;
  • Testemunho;
  • Citação.

Os argumentos escolhidos devem ser apresentados ao público de acordo com a sua qualidade. O ideal é que no começo seja usado um bom fato para dar credibilidade ao autor e conquistar a confiança do público. A partir daí, os argumentos precisam ser apresentados de forma progressiva, ou seja, do menos para o mais importante. O último fato deve ser o melhor, para poder provar, de modo incontestável, a tese defendida.

Como é impossível reunir somente argumentos fortes, é interessante citar os fracos em conjunto. Assim, você tem mais chance de impressionar o leitor (ou ouvinte). Também não encha um fato de justificativas, esta atitude gera desconfiança do público. Por fim, depois de iniciar o texto (ou fala) com um bom argumento, o autor deve mencionar fatos que possam responder às dúvidas ou às ideias contrárias (antíteses) que a platéia pode levantar em relação à tese apresentada.

Tipos de reforço argumentativo

Existem reforços apropriados à argumentação, seja na fala ou escrita. Muitas vezes é o público ou o assunto que define qual deve ser utilizado.

  • Exemplo: facilitam a compreensão do público e a adesão à tese defendida. Boa parte dos exemplos são tiradas de situações rotineiras, especialmente as que têm grande repercussão na mídia.Temas polêmicos e contraditórios devem ser evitados, já que normalmente atraem um público muito específico.
  • Definição: diferente do exemplo, a definição não é uma escolha e sim uma necessidade. Ela é uma exigência quando há termos complicados e/ou o assunto da tese não é conhecido pelo público.
  • Estatística: a sua principal função é racionalizar o exercício argumentativo. O principal cuidado com este reforço é a credibilidade da fonte. Quando inserida no texto, é melhor que a estatística seja apresentada em gráficos ou ilustrações para não tornar a escrita confusa.
  • Testemunho: é uma opinião que atesta a tese. Vivência e experiência são as principais palavras neste tipo de reforço que geralmente são representados pelo discurso direto para preservar aquilo que é dito. Esta é uma forma de mostrar ao público que a tese defendida tem outros adeptos além do autor.
  • Citação: similar ao testemunho, sua diferença é que a citação é subjetiva. Ao contrário do testemunho que é mais pessoal e emocional, este reforço privilegia a objetividade e racionalidade com a transcrição de textos, livros e etc.

 Tipos de argumento

O esboço da argumentação é a etapa que garante a versão final de um texto ou mesmo de uma fala coerente. Nele, há dois processos privilegiados durante a seleção e a expressão dos argumentos.

1. Escolha dos fatos

O autor começa juntando todos os fatos que considera razoáveis ou muito importantes para defender a sua tese. Depois, acontece os cortes e os acréscimos. De modo geral, é neste processo que o autor ensaia o momento em que seu raciocínio vai se confrontar com as ideologias e expectativas do público.

2. Formatação dos argumentos

O segundo processo exige um pouco mais de cuidado, já que é aqui que os argumentos se concretizam e toma forma a partir do modo como é formulado. Enquanto na escolha dos fatos você pode listá-los, agora é necessário dar a eles uma redação apropriada, explorando todo o seu potencial. Nesta fase é essencial que você saiba e aplique as técnicas de argumentação e retórica.

3. Argumento causal

Usado para estabelecer a relação de causa e efeito, este argumento associa fatos para apresentar a causa de determinada ação ou processo.

4. Argumento consecutivo

Este argumento dá relevância à consequência provocada por uma ação. Ele exige o estabelecimento de uma reação entre causa e efeito. Assim como a ordem prioriza informações, ela é essencial neste tipo de argumento, com a consequência sendo apresentada primeiro.

5. Argumento empírico

Este argumento exige cuidado pois pode fragilizar a argumentação. Isso ocorre porque este fato não está obrigatoriamente relacionado à constatações muito apuradas. Afinal, para ele só basta a experiência cotidiana, como situações pessoais e burburinho da mídia.

6. Argumento da igualdade

Um dos mais usados, este argumento associa fatos semelhantes. O principal objetivo aqui é fazer com que o fato principal seja julgado da mesma forma que o anterior.

7. Argumento da diferença

Diferente do argumento de cima, aqui o objetivo é demonstrar a diferença nas situações confrontadas, por mínima que ela seja.

8. Argumento de escolha

Ele é usado para tentar justificar o que não pode ser explicado facilmente. Este é um dos recursos mais estratégicos, apesar de privilegiar mais a armadilha do que a comprovação de algum fato para a defesa da tese apresentada.

Tipos de argumentação

É importante que o efeito retórico seja levado em conta na escolha do argumento adequado. Redigir os fatos é uma tarefa estratégica e racional, mas com a intenção de afetar emocionalmente o público.

1. Argumento descritivo

Aqui o objetivo é o detalhamento para enfatizar o número de características e as destacar pela qualidade que representam. Este é um argumento muito usado em peças publicitárias e anúncios de vendas.

2. Argumento de autoridade

Este modelo se assemelha muito a dois reforços: exemplo e citação. Já que aqui o autor escolhe nomes de obras, autores ou pessoas influentes na sociedade para reforçar o seu argumento. Importante ressaltar que o principal critério para a escolha é a credibilidade. Afinal, quanto mais visibilidade e fama forem associados ao elemento, mais eficaz é o argumento de autoridade. Só cuidado, não utilize este modelo em excesso ou como primeiro fato apresentado, pois descaracteriza a autoria do discurso.

3. Argumento generalizador

Como o nome já diz, ele generaliza aquilo que é específico. A ideia é iludir o público para que ele se esqueça das particularidades dos indivíduos ou situações em questão. Por isso, seu forte apelo ao senso comum.

4. Argumento da condicionalidade

Neste modelo se associa o casual ao consecutivo, pois a relação intrínseca entre dois fatos parte do pressuposto que uma coisa leva à outra. Este argumento é muito utilizado na política, especialmente em época de eleição. Por exemplo, “o Brasil só vai dar certo SE eliminarmos a desigualdade social”.

5. Argumento da comprovação

Este tipo de argumento vai além da apresentação de uma raciocínio viável ou uma ideia convincente. Aqui a comprovação precisa ser concreta, com dados científicos e alguns reforços, como o do testemunho, exemplo e estatística.

6. Argumento probabilístico

Enquanto boa parte dos argumentos se sustenta no passado e presente, este modelo volta-se também para o futuro. O objetivo aqui é apresentar possibilidades com base em dados anteriores ou provar que uma situação do passado levando em conta o histórico.

Tipos de argumentação, retórica e funções da linguagem

A retórica influencia o exercício argumentativo a ponto de o qualificar e classificar. Existem dois tipos de argumentação:

  1. Demonstrativa: mostra e expõe um tema e seus argumentos de modo estritamente racional;
  2. Retórica: usa de estratégias de apelo emocional para convencer o público acerca de determinada ideia.

Além da argumentação demonstrativa e retórica, há raciocínios (como o generalizador e empírico) que constituem verdadeiras armadilhas ao público, com o objetivo de confundir a platéia na hora de emitir um juízo de valor sobre o assunto debatido.

Por estes motivos, é necessário conhecer os recursos para diferenciá-los das argumentações válidas, aprimorando as técnicas de produção, recepção e crítica.

Argumentação demonstrativa:

Na argumentação demonstrativa é usado a comprovação como recurso, sem apelar emocionalmente para o público. Neste tipo de fala ou escrita, basta a exposição de dados que sustentem a sua tese.

Função referencial de linguagem:

Nesta função é priorizado a informação em detrimento da opinião. Essa característica vai de encontro com a argumentação demonstrativa. Por isso, a linguagem nesse tipo de discurso é mais contida, evitando demonstrar opiniões. O uso excessivo de adjetivos e expressões de juízos não é usado. A função referencial e a argumentação demonstrativa é muito utilizada em notícias de jornais sérios.

Argumentação retórica:

Ela vai além da demonstração, sendo firme na opinião que assume e defende. Mais do que só expor fatos, nesse tipo de argumentação é possível verificar a melhor forma de passar determinada informação.

Função conativa:

A função conativa da linguagem se preocupa com o público-alvo. Seu objetivo é provocar determinados efeitos sobre quem recebe a informação. Os anúncios publicitários são um belo exemplo deste modelo.

Função fática:

Ela testa o canal de contato entre autor e público, sendo fundamental para o êxito de uma comunicação, ou seja, se o canal funciona, o contato é estabelecido e o diálogo se desenvolve. Por isso, é frequentemente usada na argumentação retórica. Afinal, não é possível fazer o público de aliado sem uma compreensão mínima das ideias apresentadas.

A retórica e o argumento da aproximação:

A aproximação é um dos principais objetivos da retórica. Isso é comprovado com a importância da utilização das funções fática e conativa da linguagem e alguns tipos de argumentações, como o de autoridade e empírico.

Um dos recursos mais usados no exercício argumentativo, em especial na ênfase retórica é o argumento da aproximação. Nele, é necessário conhecer os anseios, expectativas e ideologia da platéia. Para isso, é ideal que o autor colete dados sobre o seu público.

Armadilhas da argumentação:

Uma das armadilhas mais conhecidas e usadas na fala e escrita é o sofisma (argumento aparentemente válido, mas não-conclusivo). Quando não analisados de modo atento e cuidadoso, o sofisma ilude o público com os argumentos que utiliza. Normalmente, o autor sabe que o seu argumento não se sustenta e tem a intenção de influenciar o locutor. O argumento generalizador é um tipo de sofisma.

No campo das armadilhas, também se destaca o paralogismo. Ele se caracteriza pela defesa de um raciocínio que não se concretiza inteiramente ou não é válido. Outra armadilha é a tautologia, artifício que tenta impressionar o público com o tamanho e complexidade da ideia apresentada. O que parece grande, na verdade é repetição.

Da argumentação à retórica

Tanto na argumentação demonstrativa quanto na retórica é essencial conhecer o público para qual a fala/escrita é destinada. É o perfil da platéia que orienta o autor do discurso na hora de escolher quais termos usar, como o tipo de linguagem, termos a se usar e exemplos a serem citados ou evitados.

Como o discurso do autor tem muito da sua ideologia é fundamental que ele conheça a opinião de seu público para ir ao seu encontro. Mesmo que o objetivo seja confrontação, os argumentos devem ser entendidos pela platéia, que assim passa a considerar a tese - mesmo que antes não concordasse com ela.

Qualquer problema que aconteça na comunicação entre o autor-público, a falha é sempre do primeiro que produziu um enunciado refletido a sua ideologia. Por isso, o autor deve conhecer sua platéia e se moldar a ele.

Aspectos pragmáticos e semânticos do texto ou da fala

O aspecto pragmático determina o contexto que orienta a produção do enunciado. Dele fazem parte a situação em que o discurso é apresentado e o público a que eles se destinam. De modo simples, a pragmática recomenda que o texto ou fala esteja em conformidade com a situação e público-alvo.

No aspecto semântico, o público também tem participação decisiva. Afinal, a interpretação é um processo que depende essencialmente de como o locutor recebe o discurso. Como as pessoas têm vivências diferentes, assim como opiniões e costumes, cada um tem um entendimento das informações transmitidas.

Planejando a fala:

Antes de começar a planejar o seu discurso, é fundamental definir o seu público-alvo e entender as suas especificidades. Afinal, como já comentamos para uma comunicação ser efetiva é necessário que ela atenda às expectativas do locutor.

Depois de levantar o perfil do seu público, é o momento de pensar quais estratégias devem ser usadas para adaptar o texto ou fala às características da platéia. Diferentemente da escrita em que não há um interlocutor, na fala a harmonia entre o autor e o receptor é essencial.

Falando a um público:

Uma apresentação oral exige alguns cuidados que são dispensáveis em um texto escrito. Por exemplo, o autor precisa prestar atenção frequentemente às reações da platéia. Com esta observação, ele pode reforçar ou modificar exemplos se perceber que não está sendo bem recebido ou compreendido.

Outro fator primordial em apresentações é o tempo. Elas não devem ser longas para não cansar o ouvinte. Ao mesmo tempo, não pode ser muito breve e passar a sensação de que o autor não conhece o assunto. É essencial que o autor ensaie em voz alta para ajustar alguns pontos e o tempo gasto.

Notas Finais

Deu para entender um pouco mais sobre o que é argumentação e retórica? Compreender o perfil do seu público, saber a diferença entre se comunicar por fala ou texto e entender como usar os argumentos e a retórica para convencer o locutor de sua tese foram as principais coisas que aprendemos hoje. Como você vai utilizar as lições no seu dia a dia? Enquanto pensa nisso, aproveite para ler outros livros relacionados com o tema.

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