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Ainda dá! - resenha crítica

Ainda dá! Resenha crítica
Desenvolvimento Pessoal

Este microbook é uma resenha crítica da obra: 

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 978-85-422-1888-6

Editora: Planeta

Também disponível em audiobook, baixe agora:


Resenha crítica

Só querer não basta

É frequente, nos ambientes profissionais, que as pessoas formem parcerias, agregando os talentos que diferenciam cada individualidade em prol da elaboração de projetos. Em termos práticos, acadêmicos das mais diversas áreas constituem redes colaborativas, visando trocar conhecimentos e experiências.

Organizações se unem, cada uma com a sua própria perícia, viabilizando a entrada de novos produtos no mercado, o desenvolvimento de uma determinada tecnologia ou a criação de um modelo inovador de negócios.

Na atualidade, para avançar rumo ao inédito, é necessário reunir competências e saberes que um indivíduo sozinho não pode deter. Entretanto, como indivíduo você deve ter consciência dos seus pontos fortes e vulnerabilidades antes de se lançar em uma empreitada.

O processo de autoconhecimento, tão caro aos autores, depende, em grande medida, da identificação do limite ao qual você pode avançar. Ou seja, por se conhecer, quando algo não sai como o esperado, em vez de experimentar uma frustração, você terá um aprendizado.

Isso lhe permitirá tentar de novo, pois, ciente das condições e circunstâncias que se converteram em obstáculos, poderá enfrentar as situações com maior segurança em seu próximo passo.

Entusiasmo requer talento e força de vontade

Quando o sentimento de que “ainda dá” vem de dentro, o indivíduo motivado pode, até mesmo, parar em um determinado momento. Porém, certamente ele já terá planejado o próximo passo ou desafio de outro tipo.

Uma pessoa só deverá desistir de algum projeto ao perceber que não possui motivação o bastante para seguir naquela direção. Não há, na vida, um único caminho, pois ela é plural.

A realidade ao nosso redor, enfim, está em constante mutação e, frequentemente, as alterações ocorrem rapidamente. Desse modo, a insistência, nem sempre, indica coerência, podendo representar somente um condicionamento gerado por modelos mentais rígidos.

Além disso, uma mudança de rumos pode ser o resultado de uma reflexão mais aprofundada acerca dos seus objetivos. Em muitas ocasiões na vida, é compensador dar uma parada, de modo a questionar: “será que esse é, efetivamente o meu desejo?”.

O que parece, às vezes, um chamado interno não passa de uma tendência ou propensão fundamentada que, todavia, não nos motiva suficientemente para continuar a trilhar um dado caminho.

No começo da jornada, é possível que tenhamos definido um objetivo que signifique, apenas, uma passagem. Isto é, podemos vislumbrar alguns desdobramentos mais interessantes partindo daquele ponto. Na vida, a mudança de rumos é algo que reside em nossa condição. Mudar um plano original pode indicar habilidade estratégica.

Dessa forma, uma pessoa que conseguia perceber que um determinado caminho não a levará àquilo que deseja, necessitará traçar outro itinerário. De acordo com Cortella e Jebaili insistir nesses casos somente para “evitar a fadiga” é perda de tempo.

Ainda dá? Desde que factível...

Seja qual for o aspecto religioso ou místico (pois essa questão é de foro íntimo), é preciso compreender que o fato de crer em algo metafísico poderá ser um estímulo para agir com maior disposição rumo aos seus objetivos.

Se uma pessoa se sente protegida, encorajada, amparada por uma força capaz de transcender o ser humano, a tendência é, segundo os autores, a de desenvolver uma disposição, uma tenacidade mais acentuada durante o seu trajeto pela vida. Essa noção de crença, de desejar profundamente algo, é realçada, ainda, pelo contraste.

Em outras palavras, os indivíduos pessimistas desanimam na primeira dificuldade enfrentada, de modo que, dificilmente, realizam aquilo que desejavam. Por sua vez, as pessoas que “chegaram lá”, certamente, cultivaram ideias positivas, não se curvando perante as adversidades, persistindo e, por fim, consideraram que ainda era possível atingir a meta que tinham em mente.

Assim, as crenças podem ser um dos elementos favoráveis em seu ponto de partida. Elas podem servir como uma energia motora. Todavia, Cortella e Jebaili ressaltam que elas não devem ser confundidas com a “competência de realização”.

Isto é, a dedicação e crença na busca de um determinado objetivo devem ser acompanhadas pela competência, que congrega atitudes, habilidades e conhecimentos.

Quando uma pessoa se apega somente aos seus sonhos, à voz de seu coração, à sua força de vontade, corre sérios riscos de ser duplamente enfraquecida: tanto por não ter alcançado seus objetivos quanto por duvidar de sua própria capacidade de desejar ou de sonhar.

Agora que chegamos na metade da leitura, vamos nos concentrar nos aspectos centrais da abordagem de nossos autores, tais como a importância de manter as metas em equilíbrio, a disposição para recomeçar e a gestão do tempo.

Nem oito e nem oitenta

Os autores oferecem o exemplo de uma pessoa que diz: “eu me sentiria realizada se aprendesse a tocar piano clássico”. Na sequência, levantam a questão: “será que ela conseguirá fazer isso, tendo que conciliar com tempo necessário para cuidar dos filhos e do emprego? A resposta é não”.

Diante disso, é imprescindível refletir sobre uma alternativa. Sugerem que, em vez de se dedicar ao estudo de piano clássico, a pessoa em questão poderia contar com um teclado pequeno para se exercitar e tocar umas peças, a fim de efetuar, ainda que de modo aproximado, aquilo que deseja.

Entretanto, se a resposta dada for: “assim não me contentaria, pois comigo é 8 ou 80”, vale a pena analisar a situação mais detidamente. Em primeiro lugar, essa postura é intransigente, dado que o indivíduo só aceita realizar algo por completo. Além disso, é altamente recomendável investigar se essa demanda é proveniente da alma ou somente uma utopia.

Esse tipo de comportamento, muitas vezes, sinaliza uma forma de autoengano em que a pessoa tem um sonho, porém, não entra em ação para concretizá-lo devido à dificuldade desse percurso que exige renúncias, dedicação e esforço.

Para os autores, no íntimo, tais pessoas não estão dispostas a investir os recursos necessários (tempo e/ou dinheiro) para trilhar esse caminho. Ou seja, a possibilidade não será concretizada pelo sonho. Chegar mais perto daquilo que você gosta é, certamente, um movimento dotado de força vital.

Seguindo as sugestões de Cortella e Jebaili você terá, no mínimo, um trânsito pelo universo que o apaixona. Nesse quadro, “sonhar alto” não significa, necessariamente, atingir um objetivo concreto. É possível, por exemplo, sonhar com as estrelas, mas, como é impossível alcançá-las, é possível escrever sobre elas, compor músicas, ler livros que abordam a astronomia, fazer desenhos, dentre outras atividades.

São variações, diferentes modos de firmar um acordo “ainda dá” com você mesmo. No caso de as condições se tornarem mais favoráveis, você poderá se dedicar mais em direção àquilo de que gosta.

Não é preciso ser radical, do tipo: “eu faço as coisas integralmente ou simplesmente não faço nada” e, tampouco, ser intempestivo, dizendo: “abandonarei tudo para seguir o meu sonho”. Os autores defendem ser possível encontrar soluções que sejam intermediárias, aguardando que as circunstâncias melhorem para equacionar a situação.

Começos e recomeços

Partindo da perspectiva de que “não é possível” ou “não dá”, toda a esperança fica demolida. Nesses momentos, a preocupação se converte em desespero e, consequentemente, deixamos de crer que “ainda dá”.

Sempre que estamos aflitos em relação a algo, temos duas possibilidades: iniciamos um processo que visa destruir essa aflição ou permitimos seu crescimento de forma exponencial.

De fato, para que uma aflição seja resolvida, é imprescindível tomar a iniciativa, ou seja, atuar em busca da anulação de sua fonte. As mobilizações surgem da percepção de que algo deve ser feito para que não experimentemos um sofrimento maior.

Nessas ocasiões, a noção de que “ainda dá” exigirá acolhimento. Os autores indicam que pronunciar “ainda dá”, utilizando a expressão como um estímulo, não é o bastante. É preciso acolher e introjetar esse sentimento.

Você precisa crer que a sua movimentação, a sua energia gerará, efetivamente, um benefício tangível. Embora não seja possível garantir o sucesso em todas as suas tentativas, uma coisa é certa: a imobilidade significa a certeza de que os seus objetivos nunca serão alcançados.

Tenha em mente que a angústia não deve ser vista como algo negativo. Ela deve ser encarada como um fator de mobilização. Nesse sentido, Cortella e Jebaili ressaltam que a ação é o único remédio eficaz contra a sensação de impotência.

Tempo, vida e finitudes

A resiliência, a persistência e a insistência são virtudes necessárias para quem almeja obter resultados satisfatórios. Se não existir essa perspectiva, ocorrerá um desperdício do seu tempo e, em consequência, de sua vida. Afinal, trata-se de um desgaste sem sentido.

Vida com propósito pode ser definida como o estabelecimento de um cotidiano em que você tem consciência dos motivos que o levam a agir, bem como das razões pelas quais deixa de fazer o que faz. Para esse diagnóstico, um indicador relevante pode ser encontrado na identificação das atividades que o deixam estressado ou cansado.

Ao realizar essa análise e constatar ser apenas cansaço, bastará realizar pausas para descansar e restaurar as suas energias. Por outro lado, caso perceba que as suas ações geram estresse, drenando sua força vital e criando desânimo, estará diante do que os autores chamam de “questão estrutural”.

Seria inapropriado dizer, por exemplo, “ainda dá” a um indivíduo acometido pela síndrome de “burnout”. Nesse caso, ele já chegou a um nível elevado de esgotamento, encontrando-se na iminência de sofrer um colapso. Por mais que tenhamos boas intenções e desejemos lhe fortalecer o ânimo, arriscamos cometer um grave equívoco.

Ao atingir esse estágio, quaisquer passos, por menores que sejam, são extremamente difíceis. Ademais, proferir frases do tipo “você é forte”, “aguente mais um pouco”, é uma forma de dizer que, se desistir, a pessoa é fraca.

Esse estigma acompanha todos os que padecem dessa síndrome, vistos como incapazes de suportar pressão, emocionalmente desequilibrados e/ou desprovidos de resiliência.

Notas finais

Se desejamos que as futuras gerações possam se beneficiar de um mundo justo e próspero, será essencial nos basearmos em ações coletivas que visam a equidade. As dificuldades e os desafios serão, evidentemente, consideráveis.

Afinal, todos amargamos frustrações, enfrentamos contratempos e sofremos reveses, não é mesmo? Nesse sentido, quando algo não ocorre como o imaginado, nos sentimos derrotados. Isso é natural.

Todavia, não podemos admitir uma segunda derrota seguida: a de pensar “não dá mais”. Conforme os autores, as derrotas circunstanciais são fatos da vida, porém, a derrota de nossa esperança nunca pode se estabelecer.

Dica do 12min

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Quem escreveu o livro?

Jornalista, formado em Comunicação Social. Sua trajetória profissional percorre primordialmente três áreas: gestão (editor da revista Melhor — Gestão de pessoas, 1998-2004); educação (é editor do “Caderno Globo”, Globo Universidade, desde 2013) e esportes (editor colaborador da revista Placar, 2008-2015). Em 2007 c... (Leia mais)

Mario é filósofo, escritor, educador, palestrante e professor universitário. É muito conhecido por divulgar pensadores com outros intelectuais como Clóvis de Barros Filho, Leandro Karnal e Renato Janine Ribeiro e analisar questões sociais ligadas à filosofia na sociedade contemporânea. É professor titular do Departamento de Teologia e Ciências da Religião e de pós-graduação em Educação da PUC-SP, na qual está de 1977 a 2012, além de professor-convidado da Fundação Dom Cabral, desde 1997, e foi no GVPec da Fundação Getúlio Vargas, entre 1... (Leia mais)