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A liberdade é uma escolha - resenha crítica

A liberdade é uma escolha Resenha crítica
Autoajuda & Motivação

Este microbook é uma resenha crítica da obra: 

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 978-65-5564-125-7

Editora: Sextante

Também disponível em audiobook, baixe agora:


Resenha crítica

E agora?

A vitimização é uma prisão, da qual você precisa se libertar urgentemente. Na experiência de vida da autora, em muitas tragédias da humanidade ela se deparou com a pergunta “por que eu?” por parte das vítimas. Por outro lado, sobreviventes costumam se questionar: e agora? Como tocar a vida adiante depois de sofrer um grande trauma? 

Na vida, o sofrimento é universal, mas a vitimização é uma opção. É impossível evitar ser agredido ou oprimido por outras pessoas e pelas circunstâncias o tempo todo. Só é possível garantir que vamos sofrer, mesmo sendo gentis e se esforçar na busca pelo melhor. 

Fatores ambientais, genéticos ou injustiças sociais vão nos afetar cedo ou tarde. Nesses casos, temos pouco ou nenhum controle. Mas podemos escolher entre permanecer ou não na condição de vítima. Se não podemos determinar o que nos acontece, podemos escolher como reagir às experiências vividas. 

Quando somos prisioneiros da vitimização, inconscientemente temos uma sensação de insegurança que não passa. Buscamos razão em coisas inexplicáveis, como se racionalizar amenizasse o sofrimento. Nem tudo tem explicação lógica, nem tudo tem um porquê. As coisas são como elas são. Resta a nós lidar com isso e buscar viver bem, um dia após o outro. 

Os pais de Edith Eva não tiveram a oportunidade de escolher como terminariam os dias ao serem mortos em Auschwitz. Ela conseguiu esse privilégio. Portanto, sua opção de vida é aproveitar toda força e liberdade disponíveis, trabalhando e melhorando para se livrar do peso do passado sem se sentir culpada por ter sobrevivido, enquanto milhões morreram. A vitimização é a morte da mente. 

Sem Prozac em Auschwitz

Quando tentamos nos afastar do sofrimento a todo custo, acabamos enfraquecidos. Não adianta negar, fingir que não há nada acontecendo. Em algum momento de sua vida, você irá sofrer.

E o erro de não lidar com isso remete à infância, quando as crianças são ensinadas de maneira equivocada que os sentimentos são assustadores. Na verdade, não devemos tentar entender o que os outros sentem, muito menos buscar animá-los quando parecem perdidos. É preciso deixar a emoção fluir e ficar ao lado, deixando que cada um se solte, contando os percalços e aflições. Digerindo.

Ninguém sabe como o outro se sente. Para ser compreensivo e solidário, não é preciso assumir a vida alheia, roubando experiências dos outros para se colocar em seu lugar. Dessa forma, só é possível manter as pessoas ao redor se estiverem presas, doentes, encarceradas. A negação é uma prisão. 

E para quem viveu os dias em Auschwitz sem o auxílio de remédios como o Prozac, o estresse pós-traumático durou tanto tempo que só pôde ser compreendido depois de décadas, sem que a suposta compreensão de quem ouvia a história da autora ajudasse a se recuperar, a se compreender internamente. 

Negar sentimentos e emoções é uma prisão, mas também é uma escolha. Raiva, tristeza e melancolia fazem parte da vida e não podem ser simplesmente escondidas, não devem ser jogadas para baixo de um tapete. A vida segue e os maus momentos também têm muito a nos ensinar. 

Só quando aprendemos a chorar, a sofrer e a esbravejar aprendemos a importância de festejar o que há de melhor na vida.

Ninguém rejeita você a não ser você mesmo

Outra prisão em que muita gente se vê amarrado e não consegue se livrar é a da culpa e da vergonha. Edith relata que demorou décadas para se perdoar por ter sobrevivido ao Holocausto, pois se sentia embaraçada com a própria história. 

Ela se formou na faculdade já em 1969, quando era uma imigrante de 42 anos, mãe de três filhos, que aprendeu a falar inglês e voltou a estudar a muito custo, com coragem e investimento, mas foi uma das primeiras da turma. Ainda assim, não foi à cerimônia de formatura, sentindo-se impedida pelo constrangimento. 

Mesmo durante momentos de celebração, não se sentia merecedora de felicidade, como se fosse culpada por todo o mal ocorrido com as pessoas que amava e tantas outras por todo o mundo. Demoraria pouco até que todos ao seu redor percebessem que estava fragmentada. 

Quando você se sente responsabilizado por tudo de ruim que aconteceu ao redor, recriminando-se, é questão de tempo até a culpa transbordar. Não confunda com remorso, que é uma resposta adequada a um engano ou erro cometido.

A culpa é diretamente relacionada à tristeza profunda, à vergonha por não se achar digno ou adequado para viver em plenitude. É um padrão de pensamento que funciona como uma prisão, da qual você precisa primeiramente querer se libertar. 

Mesmo quando deu tudo errado, você precisa se reerguer. Nenhuma rejeição será pior do que essa, aí dentro, lhe corroendo internamente. 

Você está evoluindo ou andando em círculos? 

Agora que passamos da metade deste microbook, chegou a hora de falar da prisão do medo paralisante.

Como ex-professora de Psicologia em escolas de Ensino Médio por alguns anos, a autora relata um episódio de pavor ao ouvir a sugestão de um supervisor para que ela cursasse um doutorado. Seu medo se dava em virtude de ela ter aproximadamente 50 anos quando se formasse. Como resposta, ouviu que completaria cinco décadas de vida de toda forma, estudando um pouco mais ou não. Isso a encorajou. Quantas vezes você se sentiu desencorajado?

Muitas vezes, temos medo de arriscar e fazer algo nunca feito antes. Mas a mudança é sinônimo de crescimento. Para crescer, você precisa evoluir, em vez de andar em círculos. Fazendo as mesmas coisas sempre, não haverá evolução, apenas a caminhada em um caminho já conhecido. 

Sempre que dá palestras e fala com públicos diversos sobre a experiência tão traumática do Holocausto, Edith deixa claro como estamos permanentemente em transformação. Não estamos presos ao passado nem a velhos padrões e comportamentos. 

Seu tempo é aqui e agora. Os tempos mudam, precisamos mudar juntos. Depende de você se apegar ao que interessa de verdade e deixar de lado coisas desinteressantes para seus rumos na vida. Evoluir requer coragem, mesmo que exista o risco de tropeçar ao dar passos em solos nunca antes explorados. 

O nazista em você 

Pode existir um nazista aí dentro, deixando-o na prisão do julgamento. Para se livrar dele, é preciso começar acabando com a intolerância, deixando de julgar e escolhendo a compaixão como caminho a seguir. 

Por muitos anos, a autora se manteve em silêncio e evitou tocar nos anos traumáticos em Auschwitz, buscando proteger seus filhos da própria dor, mas sem refletir sobre os impactos dessa atitude. Só no começo dos anos de 1980 ela repensou, confrontando um jovem que discursava sobre maneiras de tornar a América branca novamente, matando judeus, negros, mexicanos e orientais. 

Furiosa, Edith expôs a própria história e seu passado. Quando estava prestes a tentar estrangular o rapaz, ouviu uma voz interna alertando contra sua própria intolerância. Agredi-lo não resolveria o problema. 

Acabar com a intolerância é uma tarefa que precisa começar internamente. A partir daí, Edith reuniu forças para olhar nos olhos do rapaz com o máximo de bondade possível e ouvir o que ele tinha a dizer. Somente a partir desse gesto de aceitação, ela pôde estabelecer algum diálogo para convencê-lo do absurdo de suas ideias, fazendo-o se acalmar aos poucos. 

Mesmo situações extremas requerem alguma serenidade. Com irritação profunda, é impossível resolver problemas sérios. Sem dominar o nazista que está aí dentro, prendendo você aos julgamentos prévios contra quem repete ideias absurdas, será impossível caminhar para dias de paz em qualquer ambiente frequentado. 

Não há perdão sem raiva

A pergunta que Edith precisou responder mais vezes foi como pôde perdoar os nazistas. Ela deixa claro não ter poder divino para limpar espiritualmente as pessoas pelos erros cometidos, mas tem a capacidade de se libertar internamente. Todos nós tempos. 

O perdão não é algo oferecido a quem nos magoa, mas a nós mesmos, para nunca mais sermos vítimas ou prisioneiros do passado. Não perdoar é uma prisão, talvez a mais difícil de se livrar. Sem ele, não conseguimos parar de carregar um peso que não oferece nada além de sofrimento. 

Ignorar para sempre uma pessoa não abre o caminho para paz, mesmo que ela o tenha prejudicado. Cortar para sempre alguém de sua vida não resolve o problema, é apenas desperdício de energia. Perdoar não é dar permissão a alguém para continuar lhe magoando. 

Ninguém gosta de sofrer maus-tratos, mas o que está feito, está feito. Não é possível mudar o passado. Só você é capaz de curar as feridas da sua alma. Essa libertação não é alcançada facilmente em um processo rápido. Desejos de justiça, de vingança, de um pedido de desculpas e até um reconhecimento do erro cometido podem até mesmo ser prejudiciais nesse processo. 

O perdão vem de dentro para fora. Alimentar uma justiça reparadora ou um julgamento público não é suficiente. Liberte-se da prisão da falta de perdão. Essa escolha fará toda a diferença para uma vida mais plena, interpretando os traumas, nunca menosprezando-os ou fingindo que não fazem parte de sua história. 

Notas finais 

Parece muito pretensioso colocar a liberdade como uma escolha, feita todos os dias de acordo com atitudes tomadas por nós. Quando Edith Eva Eger fala sobre o assunto, fica claro como se libertar de prisões internas parece ser mais difícil do que se livrar de um encarceramento brutal e coletivo. Ela passou por isso, sabe bem do que diz. E deixa como principal lição a necessidade de olharmos para dentro de nós mesmos. Se você ainda se sente amarrado a mágoas, feridas não cicatrizadas e dores do passado, é hora de parar, olhar para dentro de si e escolher a saída dessas prisões interiores. 

Dica do 12min

Confira o microbook A bailarina de Auschwitz. Nele, você conhecerá um pouco mais sobre como Edith Eva Eger viveu os horrores do nazismo de perto e seguiu a vida com muito esforço para superar os traumas daquele período.

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Quem escreveu o livro?

Foi bailarina e ginasta até os 16 anos, quando foi enviada a Auschwitz com sua família. Após sobreviver ao Holocausto, sofreu diversos sintomas de estresse pós-traumático até os 50 anos, quando iniciou um longo processo de cura. Hoje é doutora... (Leia mais)